Publicado decreto que muda regras para alvarás provisórios no Rio


Mesmo com documento, restaurantes precisam de aprovação de bombeiros.
Regra muda após explosão em estabelecimento no Centro da cidade.

2011

Do G1 RJ

A prefeitura do Rio publicou nesta terça-feira (18), no Diário Oficial do município, um novo decreto que estipula mudança nas regras para a concessão de alvarás de funcionamento de restaurantes. De acordo com a Secretaria Especial de Ordem Pública (Seop), mesmo com alvará provisório, os donos dos estabelecimentos terão dez dias para conseguir a aprovação do Corpo de Bombeiros.

De acordo com a Seop, antes de 2008, um decreto definia que para alvarás provisórios não seria necessária a aprovação dos bombeiros. É o caso do restaurante Filé Carioca, no Centro do Rio, onde, na quinta-feira (13), uma explosão deixou três mortos e 17 feridos. O estabelecimento possuía um alvará provisório dado pela prefeitura e renovado cinco vezes. Mas não tinha a aprovação do Corpo de Bombeiros, já que o alvará datava de antes da regra estabelecida em 2008.

Com a publicação do novo decreto, restaurantes que se encaixam no mesmo caso do Filé Carioca – que têm alvará provisório sem a aprovação dos bombeiros – terão dez dias a partir da notificação para conseguir a liberação dos bombeiros. Caso não apresentem a documentação no tempo estipulado, os comércios podem ter o alvará negado, além de multas e interdição do local.

A prefeitura publicou outro decreto nesta terça-feira. A nova regra também muda antigas determinações sobre o alvará provisório. A partir da publicação, todos os estabelecimentos que produzirem ou servirem comida precisarão da aprovação dos bombeiros. Segundo a Seop, antes, apenas restaurantes com mais de 80 m² precisavam do documento.

Depoimento

Na segunda-feira (17), o dono do restaurante Filé Carioca, Carlos Rogério do Amaral, prestou depoimento na 5ª DP (Mem de Sá) sobre a explosão no local. Segundo o delegado Antônio Bonfim, Carlos disse que desconhecia a proibição de uso de gás no prédio, na Praça Tiradentes, no Centro.

“Ele diz que diante das circunstâncias, na medida em que ele tinha um alvará provisório, e até cedia o espaço, às vezes, para café comunitário, ele disse que jamais poderia imaginar que seria proibido de ter gás”, disse o delegado.

Segundo Antônio Bonfim, o proprietário afirmou que o contador era o responsável pelos alvarás junto à prefeitura. Sobre o vazamento de gás, Carlos Rogério Amaral disse que era de responsabilidade de uma distribuidora a troca e manutenção dos cilindros.

“Ele passou a responsabilidade do vazamento de gás, da troca de gás, para a SHV (firma distribuidora do gás). Ele trouxe os documentos mostrando que essa firma fez a troca de gás no dia 11 de outubro”, falou o delegado.

De acordo com o delegado, ainda é prematuro apontar que tipo de culpa o dono teve, já que se trata de um caso “com muitos culpados”. Durante o depoimento, segundo ele, o proprietário comentou que ao longo dos três anos nunca recebeu a visita de fiscais.

A SHV, enviou uma nota ao G1 que diz: “A SHV Gas informa que não há qualquer registro de chamada do restaurante Filé Carioca no dia 11 de outubro após o abastecimento”.

O proprietário disse ainda, segundo o delegado, que o seu irmão, Jorge Amaral, gerente do estabelecimento, contou que no dia, o chefe de cozinha, Severino, morto na explosão, ligou para a esposa do dono, relatando o cheiro forte de gás. Ela teria pedido a Jorge para que nenhum funcionário entrasse no restaurante. Ainda de acordo com o dono do local, o irmão teria informado que as luzes e exaustores já estavam acessos no momento, quando a esposa recebeu a ligação.

Questionado sobre o local onde eram armazenados os seis cilindros de gás, o proprietário falou que eles ficavam em uma área de cerca de 45 metros quadrados e que os funcionários trocavam de roupa próximo a essa área. Além disso, Carlos Rogério Amaral disse que eles costumavam fumar perto do local.

Câmera registra explosão

Ainda nessa semana a polícia pretende ouvir os engenheiros responsáveis pela retirada dos entulhos do restaurante, além do contador do estabelecimento e do irmão do proprietário. Ele teve fratura de costelas e segue internado.

Uma câmera de monitoramento da Prefeitura do Rio registrou o exato momento da explosão. Nas imagens é possível ver algumas pessoas paradas do lado de fora do prédio e um pedestre, que passa em frente ao local, no momento em que ocorre a explosão.

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Plano de Desinvestimento da Petrobrás vai causar desemprego em massa


Do site da FNP

No desinvestimento de Parente existe a intensão clara de beneficiar empresas estrangeiras escolhidas a dedo pelo atual gestor, informou o jurídico da FNP, em Brasília

Por Vanessa Ramos, jornalista da FNP

Mais 80 mil pessoas podem ficar desempregadas por causa do Plano de Desinvestimento executado por Pedro Parente.  Uma grave ameaça a população que ainda pode piorar se levarmos em consideração o número de terceirizados que também serão atingidos com o processo.

A dramaticidade da situação atual mostra que Parente está numa corrida para desmantelar a Petrobrás e entregá-la ao capital estrangeiro, doa a quem doer. Com isso, a população brasileira ficará mais pobre e possivelmente sem recurso até para comer.

Um projeto encabeçado por Fernando Collor de Mello, em 1990, que nos legou um brutal processo de privatização, um amplo leque de desregulamentações, um intenso processo de reestruturação, um vasto movimento de financeirização e um enorme e desmesurado ritmo de precarização social.

Em reunião nesta terça-feira (22), em Brasília, com senadores, deputados advogados e outras entidades, o Jurídico da FNP denunciou que no Plano de Desinvestimento de Parente existe a intensão clara de beneficiar empresas estrangeiras escolhidas a dedo pelo atual gestor. “Quando a FNP começou a combater o plano, não se tinha ainda conhecimento da extensão da lesividade e Inconstitucionalidade do projeto”, afirmou o jurídico.

Atualmente, de acordo com o jurídico, ficou absolutamente claro que a intenção de beneficiar o capital internacional supera a própria vontade de fazer caixa. A ausência de licitação nas vendas de ativos e a falácia de que o Plano é a saída para tirar a empresa da crise – ao venderem áreas ditas “não estratégicas”, para levantar recursos a serem utilizados na sua atividade principal, que é a extração de petróleo, em especial da área do pré-sal – cai por terra ao venderem Carcará, um campo altamente lucrativo, por um preço inferior ao que realmente vale.

Segundo especialistas e geólogos, em carta divulgada pela Federação Brasileira de Geólogos (Febrageo), em agosto de 2016, a venda de Carcará é um crime de lesa-pátria. Eles afirmam que na Bacia de Santos preveem-se volumes potenciais de 6 bilhões de barris, apenas em Carcará. Porém, no bloco BM-S-8, como um todo, as estruturas geológicas podem acumular até 10 bilhões de barris, considerando-se a soma de todos os volumes guardados em seu interior, como apontam os modelos geológicos-geofísicos da região.

Diante das revelações, ministros e deputados ficaram alarmados e prestaram apoio a luta da FNP. “O que me incomoda é que o povo não está se dando conta do que está ocorrendo”, disse Gilberto Carvalho. “É devastador o que está acontecendo e um desafio glorioso para a população”, completou a senadora Fátima Bezerra (PT).

O senador Roberto Requião (PMDB) também esteve presente na reunião para prestigiar a iniciativa e disse que acredita que esta guerrilha se dará nas ruas. “Mas, as medidas [para barrar o desmantelamento da Petrobrás] serão extremamente importantes”, afirmou.

A partir de agora, espera-se que esse grupo, presente na reunião, seja o fermento que desencadeará o direito de abater a crise que estar por vim com a privatização da Petrobrás e conduzirão o enfraquecimento da entrega de patrimônios públicos brasileiros. Táticas de lutas serão elaboradas para impedir o vale de lágrima capitalista que querem impor aos brasileiros.

Também estiveram presentes na reunião representantes de gabinetes, advogados, senadora Lídice da Mata (PSB), representantes da Federação Única dos Petroleiros (FUP), representantes do Sitramico-RJ, Paulo Brandão (AEPET), embaixadores e representante da Frente Brasil Popular (FBP).

Golpe nos direitos trabalhistas


Do site da FNP

No ano passado, a base aliada de Temer aprovou o PL 4330/2014. O projeto seguiu para votação no Senado sob o número de PLC 30/15 e aguarda votação

Agora para manobrar a resistência do povo trabalhador, Maia e Temer resolveram desengavetar outro projeto sobre o mesmo tema, o PL 4302/98, ainda da época do governo FHC/PSDB.

Este projeto que o temeroso Rodrigo Maia quer colocar em votação hoje ou amanhã na Câmara dos Deputados já abre as portas para a reforma trabalhista de Temer. A liberação da terceirização na atividade-fim pode afetar de imediato 18 milhões de trabalhadores, que seriam jogados a margem das conquistas mínimas do povo trabalhador.

Os terceirizados trabalham, em média, 3 horas a mais por semana e recebem cerca de 27% a menos do que o trabalhador próprio. Dados do DIEESE. Esse é a intenção da patronal e do governo: criar uma ampla classe de trabalhadores desemparados das leis trabalhistas. Mão de obra ainda mais barata e desprotegida. Mais exploração!

Foi por isso que Rodrigo Maia (DEM) declarou na semana passada que a Justiça do Trabalho é um empecilho para as empresas e a CLT deveria ser “superada”, entenda-se: destruída!

Por isso, o caminho para a classe trabalhadora é a luta, sempre! O movimento sindical está organizando marchas à Brasília para deter ambas as reformas, além da aprovação do PL da terceirização. Lutar é resistir!

Fonte: Sindipetro-SJC

Classe trabalhadora sofre mais um golpe


Do site da FNP

A classe trabalhadora sofreu mais um golpe na noite de ontem (23).  Foi aprovado, na Câmara dos Deputados, por 231 votos o texto-base do projeto de lei que autoriza o trabalho terceirizado de forma irrestrita para qualquer tipo de atividade

Trocando em miúdos… Esse projeto é o fim dos direitos dos trabalhadores e o retorno às condições de trabalho que antecedem a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), tais como: salários rebaixados, acidentes sem punição e perda de direitos como férias, 13º salário e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A terceirização vai fragilizar as relações de trabalho, aumentar o nível de precarização, ampliar a rotatividade nos empregos e achatar os salários.

As terceirizações aumentaram muito nas últimas décadas, em 1995 havia 1,8 milhão de terceirizados no país.  Em 2005 já eram 4,1 milhões, em 2013 este número chegou à 12,7 milhões. Nesses empregos precários estão mulheres, negros e jovens. O impacto da aprovação deste PL sobre a vida dos trabalhadores mais precários será brutal.

Com a aprovação do projeto sem restrição, o número de terceirizados pode chegar a 52 milhões de trabalhadores.

Os principais pontos do projeto são os seguintes:

– A terceirização poderá ser aplicada a qualquer atividade da empresa. Por exemplo: uma escola poderá terceirizar faxineiros (atividade-meio) e professores (atividade-fim).

– A empresa terceirizada será responsável por contratar, remunerar e dirigir os trabalhadores.

– A empresa contratante deverá garantir segurança, higiene e salubridade dos trabalhadores terceirizados.

– O tempo de duração do trabalho temporário passa de até três meses para até 180 dias, consecutivos ou não.

– Após o término do contrato, o trabalhador temporário só poderá prestar novamente o mesmo tipo de serviço à empresa após esperar três meses.)

Além disso, o projeto ainda inclui uma anistia para empresas que descumpriram a legislação trabalhista, que pode abranger, inclusive, empresas que foram penalizadas por trabalho escravo.

Projeto de Lei 4302/98

O Projeto de Lei 4302/98 foi enviado ao Congresso ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. Aprovado no Senado em 2002, o PL 4302/1998 estava “parado” desde então na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara em regime de urgência. No ano passado, um grupo de parlamentares decidiu “desengavetar” a proposta que, como passou pelas duas Casas, só dependia da aprovação da Câmara para ir à sanção do presidente Michel Temer.

A terceirização em números

De acordo estudo realizado em 2015 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o mercado brasileiro conta com aproximadamente 12 milhões de trabalhadores terceirizados, contra 35 milhões de contratados diretos, sendo que a remuneração média dos terceirizados fica em torno de 30% abaixo daqueles outros. O estudo aponta também que os trabalhadores terceirizados trabalham 7,5% (3 horas) a mais que outros empregados, além de ficarem em média 2,7 anos no emprego (os contratados ficam mais que o dobro: 5,8 anos).  Outro grande problema é em relação à saúde e segurança: de dez acidentes de trabalho no Brasil, oito acontecem, em média, com funcionários terceirizados.

A inadimplência das empresas de terceirização de serviços perante a Justiça do Trabalho também merece destaque. O Banco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT), vinculado ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), aponta que cerca de ¼ dos cem maiores devedores na Justiça do Trabalho no Brasil é representado pelas empresas que prestam serviços terceirizados ao mercado. O levantamento tem como base o registro de Certidões Negativas de Débitos Trabalhistas, instituída por força da Lei 12.440 (de 7 de julho de 2011).

PIS

O próximo na mira do governo de Michel Temer é o Programa de Integração Social (PIS). O anúncio foi feito pelo secretário de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida.

A reivindicação foi feita pelo empresariado durante a última reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, eles pressionaram o governo para que apresente uma proposta de reforma tributária em que o recolhimento do PIS estaria incluído.

O PIS financia o Abono Salarial e o Seguro Desemprego e é gerido pela Caixa Econômica Federal. Ainda não se sabe quais serão as mudanças no PIS, mas se seguir o modus operandi de Temer, será no sentido de beneficiar os empresários e retirar mais direitos dos trabalhadores pobres do país.

Com informações do site Alerta Social, Jornal dia a dia e G1

Fonte: Sindipetro-LP

Terceirização irrestrita e seus reflexos na Petrobrás


Do site da FNP

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (22) o projeto de lei que permite a terceirização irrestrita dos empregos, talvez o mais duro golpe na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT)

A partir da sanção da nova lei, nem mesmo as atividades fins de uma empresa precisam ser exercidas por funcionários próprios.

Pela forma como vem administrando a Petrobrás, não há dúvidas de que Pedro Parente irá se servir da terceirização irrestrita. Afinal, antes mesmo da nova lei, a Petrobrás já era uma das maiores terceirizadoras de mão-de-obra, com mais de 300 mil trabalhadores.

Com o enxugamento do quadro de pessoal próprio, iniciado em 2013, com seguidos PIDV’s, a Petrobrás tem hoje 68,8 mil empregados , o menor número desde 2007, ano da descoberta do pré-sal, e uma redução de 17,8 mil em relação a 2013, quando o quadro atingiu seu auge. Os dados constam do relatório anual da companhia e foram divulgados pelo jornal Folha de S. Paulo.

Para o presidente da Associação Latino-americana de Juízes do Trabalho (ALJT), Hugo Melo Filh, a nova lei deve trazer inúmeros impactos negativos no mercado de trabalho: redução dos salários, enfraquecimento da Previdência, perda de direitos como aviso-prévio e multa de 40% nos casos de demissão sem justa-causa, além de aumento do número de acidentes.

Fonte: AEPET

A Necessidade do Sindicato, por Bertold Brecht


Mas quem é o sindicato?
Ele fica sentado em sua casa com o telefone?
Seus pensamentos são secretos, suas decisões desconhecidas?
Quem é ele?
Você, eu, vocês, nós todos.
Ele veste a sua roupa, companheiro, e pensa com a sua cabeça.
Onde more é a casa dele, e quando você é atacado, ele luta.
Mostre-nos o caminho que devemos seguir e, nós seguiremos com você.
Mas não siga sem nós o caminho correto.
Ele é sem nós o mais errado.
Não se afaste de nós.
Podemos errar e você ter razão, portanto não se afaste de nós!
Que o caminho curto é melhor do que o longo, ninguém nega.
Mas quando alguém o conhece e não é capaz de mostrá-lo a nós,
de que serve a sua sabedoria?
Seja sábio conosco!
Não se afaste de nós!

Bertold Brecht foi poeta, teatrólogo e dramaturgo que lutava pela emancipação social da humanidade. Nasceu em 1898 na Alemanha e morreu em 1956. Era filiado ao Partido Comunista Independente e se contrapôs ao autoritarismo e violência do governo soviético comando por Stalin. Suas peças, poesias e demais obra literária formam um dos maiores legados do século XX por expressarem as lutas, os protestos, a rebeldia e os ideais dos cidadãos comuns que viveram um dos momentos mais ricos da história da humanidade.

Bertolt Brecht


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Bertolt Brecht

Bertolt Brecht, 1931

Nome completo Eugen Bertholt Friedrich Brecht
Nascimento 10 de fevereiro de 1898
Augsburg, Baviera
Flag of the German Empire.svg Império Alemão
Morte 14 de agosto de 1956 (58 anos)
Berlim Leste, Estado de Berlim
Flag of East Germany.svg República Democrática Alemã
Nacionalidade Alemanha Alemão
Ocupação Poeta, dramaturgo, contista
Magnum opus Os dias da comuna
Escola/tradição Modernismo
Assinatura
Bertolt Brecht signature.svg

Eugen Bertholt Friedrich Brecht (Augsburg, 10 de fevereiro de 1898Berlim Leste, 15 de agosto de 1956) foi um destacado dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX. Seus trabalhos artísticos e teóricos influenciaram profundamente o teatro contemporâneo, tornando-o mundialmente conhecido a partir das apresentações de sua companhia o Berliner Ensemble realizadas em Paris durante os anos 1954 e 1955.

Ao final dos anos 1920 Brecht torna-se marxista, vivendo o intenso período das mobilizações da República de Weimar, desenvolvendo o seu teatro épico. Sua praxis é uma síntese dos experimentos teatrais de Erwin Piscator e Vsevolod Emilevitch Meyerhold, do conceito de estranhamento do formalista russo Viktor Chklovski, do teatro chinês e do teatro experimental da Rússia soviética, entre os anos 19171926. Seu trabalho como artista concentrou-se na crítica artística ao desenvolvimento das relações humanas no sistema capitalista.

Recebeu o Prêmio Lenin da Paz em 1954.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Brecht nasceu no Estado Livre da Baviera, no extremo sul da Alemanha, estudou medicina e trabalhou como enfermeiro num hospital em Munique durante a Primeira Guerra Mundial. Era filho de Berthold Brecht, diretor de uma fábrica de papel, católico, exigente e autoritário, e de Sophie Brezing , protestante, que fez seu filho ser batizado nesta igreja.

Suas primeiras peças, Baal (1918/1926) e Tambores na Noite (Trommeln in der Nacht) (19181920), foram encenadas na vizinha Munique. Em sua participação no teatro Brecht conhece o diretor de teatro e cinema Erich Engel, com quem veio a trabalhar até o fim da sua vida.

Depois da primeira grande guerra mudou-se para Berlim, onde o influente crítico Herbert Ihering chamou-lhe a atenção para a apetência do público pelo teatro moderno. Trabalha inicialmente com Erwin Piscator, famoso por suas cenas Piscator, como eram chamadas, cheias de projeções de filmes, cartazes, etc. Em Berlim, a peça Im Dickicht der Städte, protagonizada por Fritz Kortner e dirigida por Engel, tornou-se o seu primeiro sucesso.

O Nazismo afirmava-se como a força renovadora que iria reerguer o país, pretendendo reviver o Sacro Império Romano-Germânico. Mas, ao mesmo tempo, chegavam à Alemanha influências da recém formada União Soviética.

Com a eleição de Hitler, em 1933, Brecht exila-se primeiro na Áustria, depois Suíça, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Inglaterra, Rússia e finalmente nos Estados Unidos.

Seus textos e montagens o fizeram conhecido mundialmente. Brecht é um dos escritores fundamentais deste século: revolucionou a teoria e a prática da dramaturgia e da encenação, mudou completamente a função e o sentido social do teatro, usando-o como arma de consciencialização e politização.

Teve três filhos com Helene Weigel: Stefan Brecht, Barbara Brecht-Schall e Débora Destefani Brecht.

Obra[editar | editar código-fonte]

As suas principais influências foram Constantin Stanislavski, Vsevolod Emilevitch Meyerhold, Erwin Piscator e Viktor Chklovski.

Algumas de suas principais obras são: Um Homem é um Homem, em que cresce a ideia do homem como um ser transformável, Mãe Coragem e Seus Filhos, sobre a Guerra dos Trinta Anos, escrita no exílio, no começo da Segunda Guerra Mundial, e A Vida de Galileu. Afirma Bernard Dort a respeito deste último:

Galileu foi escrita, pelo menos originalmente, para servir de exemplo e de conselho aos sábios alemães tentados a abdicar seu saber nas mãos dos chefes nazistas.

Além dessas, escreveu também O Senhor Puntila e seu criado Matti, A Resistível Ascensão de Arturo Ui, O Círculo de Giz Caucasiano, A Boa Alma de Setzuan, A Santa Joana dos matadouros e A Ópera dos Três Vinténs.

“Bertolt Brecht”. Escultura de bronze, por Fritz Cremer. Praça Bertolt Brecht, em Berlim, em frente ao Berliner Ensemble

Teatro Épico[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Teatro Épico

Não é simples falar sobre o conceito que Brecht tinha do teatro, apesar de ao longo de 30 anos haver escrito ensaios e comentários sobre este tema. Este autor era mais um pensador prático, que sempre recriava suas peças ou “experimentos sociológicos”, como as preferia chamar, no intuito de aperfeiçoá-las. Pois era através delas que toda sua teoria, crítica e pensamento seriam expostos.

Além de dramaturgo e diretor, Brecht foi responsável por aprofundar o método de interpretação do teatro épico, uma das grandes teorias de interpretação do século XX. Uma das grandes influências no desenvolvimento desta forma de interpretação foi a arte do ator Mei Lan-Fang, que Brecht acompanhou numa representação em Moscou em 1935.

Descreve Brecht em Escritos sobre Teatro um relato deste ator chinês que informa muito sobre a forma de interpretação no teatro épico, ao representar papéis femininos. Mei Lan-Fang repetira várias vezes numa palestra, por seu tradutor, que ele representava personagens femininos em cena, mas que não era imitador de mulheres. Continua Brecht, descrevendo uma demonstração das técnicas deste ator num encontro, que este ator, de terno, executava certos movimentos femininos, ressaltando sempre a presença de duas personagens, um que apresentava e outro que era apresentado. Brecht sublinha que o ator chinês não pretendia andar e chorar como uma mulher, mas como uma determinada mulher (pg40, vol2).

Interpretação épica[editar | editar código-fonte]

Segundo Rosenfeld, “Foi desde 1926 que Brecht começou a falar de ‘teatro épico’, depois de pôr de lado o termo ‘drama épico’, visto que o cunho narrativo da sua obra somente se completa no palco” (ROSENLD, 1965, p. 146), é possível inferir, portanto, a importância que a encenação tem para os textos brechtianos. É só através da atitude dos atores, do cenário, da música, dos sons e até do silêncio que seu pensamento se completa, só através destes elementos que seu texto causará o efeito desejado, caso o contrário não causará o impacto devido.

No início de sua carreira Brecht estabelece os elementos de uma nova forma de interpretação para o ator. Em, a propósito dos critérios de apreciação da arte dramática, defende o ator Peter Lorre de críticas negativas dizendo que uma interpretação gestual levará o público a exercer uma operação crítica do comportamento humano. Afirma que cada palavra deve encontrar um significado visual e através do gesto o espectador pode compreender as alternativas da cena (Peixoto, 1974, 2. edição, pg; 68).

Peixoto descreve que para Brecht a interpretação gestual deve muito ao cinema mudo, principalmente a Chaplin, que elaborara uma nova forma de figuração do pensamento humano (Peixoto, 1974, 2. edição, pg; 68). Esta preocupação levará a que Brecht defina o conceito de gestus na interpretação e montagem de suas peças.

Influências[editar | editar código-fonte]

Conforme destaca Fredric Jameson, em seu Método Brecht, algumas das inovações propostas pela cena brechtiana são similares àquelas propostas por importantes artistas modernistas no teatro ou em outras artes. Destacam-se entre eles a dramaturgia de Frank Wedekind, influência reconhecida pelo próprio Brecht, o romance Ulysses de James Joyce, as propostas cubo-futuristas de Maiakovski, ou construtivistas no cinema de Sergei Eisenstein e, principalmente, os postulados do diretor de teatro Meyerhold e os procedimentos de colagem nos trabalhos de Picasso.

Willet, por outro lado, reforça o aspecto da construção narrativa em seu trabalho: Com Brecht os mesmos princípios de montagem espalham-se ao teatro pois a forma narrativa do teatro épico seria mais adequada para se lidar com temas sócio-econômicos, evidenciando Willet que a montagem foi a técnica estrutural mais natural na prática artística brechtiana (1978, 110).

Referências[editar | editar código-fonte]

Livros e artigos[editar | editar código-fonte]

  • Anatol Rosenfeld. O Teatro Épico. SP: Editora Perspectiva, 1985.
  • Bertolt Brecht. Escritos sobre Teatro. Buenos Aires: Ediciones Nueva Visión. 3 vols. 1970, 1973, 1976.
  • Gerd Bornheim. Brecht a Estética do Teatro. Rio de Janeiro: Graal, 1992.
  • Eduardo Luiz Viveiros de Freitas. Dossiê Brecht, 2005

Peças de teatro[editar | editar código-fonte]

Entradas com nome da tradução ao português (quando houver), título original, ano da escrita / ano da produção.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Obras de Brecht traduzidas para Português[editar | editar código-fonte]

  • Peças Teatrais (coleção). 12 volumes. BERTOLT BRECHT TEATRO COMPLETO. Ed. PAZ E TERRA (1995)
  • BRECHT SELECÇAO DE POESIAS, TEXTOS E TEATRO. Ed. DINOSSAURO (1999)
  • SETE PECADOS MORTAIS DOS PEQUENOS BURGUESES, OS. Ed. AFRONTAMENTO (1986)
  • CIRCULO DE GIZ CAUCASIANO, O. Ed. COSAC NAIFY (2002)
  • DA SEDUÇAO. Vários Autores. EDITORIAL BIZANCIO(1998)
  • DECLINIO DO EGOISTA JOHANN FATZER, O. Ed. COSAC NAIFY (2002)
  • DIARIO DE TRABALHO, 2 vols. Ed. ROCCO (2002)
  • ESTUDOS SOBRE TEATRO. Ed. NOVA FRONTEIRA (2005)
  • HISTORIAS DO SENHOR KEUNER. PREFEITURA POA (1998) EDITORA 34 (2006)
  • HOMEM E UM HOMEM, UM. Ed. AUTENTICA (2007)
  • POEMAS – BERTOLT BRECHT. Ed. CAMPO DAS LETRAS
  • POEMAS 1913-1956. EDITORA 34 (2003).
  • PROCESSO DO FILME “A OPERA DOS TRES VINTENS”. Ed. CAMPO DAS LETRAS (2005)
  • SANTA JOANA DOS MATADOUROS, A. Ed. COSAC NAIFY (2001). Ed. PAZ E TERRA(1996

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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