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Meditação budista


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Monge meditando ao lado da barragem Sirikit, na Tailândia.

Meditação budista é a meditação usada na prática budista. Inclui qualquer método de meditação que tenha, como meta última, a iluminação (Bodhi).[1] Os termos mais próximos a “meditação” nas linguagens clássicas do budismo são bhavana e desenvolvimento mental.[2]

Diferentes visões e equívocos[editar | editar código-fonte]

Sendo a meditação conceituada como “desenvolvimento de certas qualidades mentais”, é importante notar que há diversos “métodos” ensinados por diferentes escolas e professores, compreendendo uma vasta gama de ensinamentos e enfocando mais uma ou outra qualidade a ser desenvolvida. Sendo assim, não se deve condensar o conceito de meditação budista em apenas uma escola ou prática.

A identificação somente da meditação formal sentada com a prática é outra visão equivocada, comumente difundida no ocidente, havendo, por exemplo, a prática comum da “meditação andando”.[3]O conceito da prática meditativa (desenvolvimento mental), ao ser levado mais a fundo, pode ser expandido para incluir todas as atividades do dia a dia.

Tradições[editar | editar código-fonte]

A partir das primeiras divisões que ocorreram entre as escolas iniciais do budismo e à medida em que o budismo se espalhou por diferentes países, diferentes tradições foram surgindo. Junto com essas tradições, diferentes maneiras de ensinar meditação apareceram. Algumas “técnicas” desapareceram em alguns lugares, outras foram adaptadas e outras foram adicionadas vindas de outras tradições ou mesmo criadas.

Theravada[editar | editar código-fonte]

Na escola Theravada (escola dos anciãos), a meditação toma, como base, os ensinamentos do Buda contidos no cânon em Páli.[4][5] No cânon, o Buda prescreve diversos métodos de desenvolvimento mental para erradicar apego e aversão, ou para desenvolver algum fator que contribua para a erradicação desses.

Atualmente, é popularizada uma visão que toma a meditação por dois ângulos: tranquilidade e concentração (samatha) e sabedoria e visão (vipassana). Há escolas que colocam a meditação Samatha como de menor importância, dando maior ênfase a Vipassana, enquanto outras, como a Tradição Tailandesa das Florestas, veem Samatha e Vipassana como dois aspectos de um mesmo caminho e inseparáveis entre si.[6]

Algumas meditações populares:

  • Anapana-Sati – Plena atenção na respiração. Traz calma à mente e desenvolve os sete fatores da iluminação[7][8]
  • Satipatthana – Quatro fundamentos da plena atenção. Princípio usado como base para a maioria das práticas de vipassana.[9]
  • Metta Bhavana – desenvolvimento de Metta, ou ‘amor universal’.[10][11]
  • kayagatha – contemplação da natureza do corpo. Inclui contemplações sobre a natureza do corpo em suas partes e em seus quatro elementos e sobre sua decadência e morte.

Vajrayana[editar | editar código-fonte]

Na escola Vajrayana, são adicionados métodos tântricos que têm, por objetivo, acelerar o processo de iluminação.

O objetivo dos ensinamentos de Mahamudra e Dzogchen, ensinados respectivamente pelas escolas Kagyu e Nyingma, é se familiarizar com a natureza última da mente que delineia toda a existência, passando assim por estágios que levam à iluminação. [12]

As práticas preliminares das escolas Kagyu e Nyingma são chamadas Ngondro, e envolvem visualizações, recitação de mantras e prostrações.

Zen[editar | editar código-fonte]

A meditação no Zen é o Zazen. No Zazen, é mantida a atenção plena sentada, com base na respiração, observando os pensamentos e sensações à medida que surgem e passam. A prática de atenção plena à medida que é desenvolvida leva a maior entendimento, aceitação e compreensão da realidade. [13]Também é comum o uso de Koans.

Terra pura[editar | editar código-fonte]

A meditação no budismo Terra pura é, basicamente, a recitação do nome do Buda Amitaba, ou visualização do mesmo.[14]

Commons
Commons possui imagens e outras mídias sobre Meditação budista

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  • Epstein, Mark (1995). Thoughts Without a Thinker: Psychotherapy from a Buddhist Perspective. BasicBooks. ISBN 0465039316.
  • Kamalashila (1996). Meditation: The Buddhist Art of Tranquility and Insight. Birmingham: Windhorse Publications. ISBN 1899579052.
  • Friedrichs, Kurt, Ingrid Fischer-Schreiber, Franz-Karl Ehrard, Michel S. Diener, Dictionnaire de la sagesse orientale, trad. Monique Thiollet, Ed. Robert Laffont, 1989. ISBN 2-221-05611-6

Leituras adicionais[editar | editar código-fonte]

  • Matthew Flickstein and Bhante Henepola Gunaratana. (1998) Journey to the Center: A Meditation Workbook. Wisdom Publications. ISBN 0-86-171141-6.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Pressupostos da meditação budista


A meditação budista apresenta-se como o mais importante empreendimento da existência humana. Indubitavelmente, comer, respirar e dormir são necessidades muito mais urgentes, mas não devemos confundir os meros fundamentos de nossa realidade animal com o denominador comum de nosso ser.

Compreender quem somos e quem não somos, perceber claramente as possibilidades e limitações de nossa situação atual, embasar nossas ações em um cuidado consciente em relação ao demais seres vivos, trabalhar incessantemente pelo próprio aperfeiçoamento,  assim como pelo aperfeiçoamento dos outros — essas e outras metas estão incluídas no domínio da meditação budista. A meditação é o próprio coração do budismo, a mensagem primordial dada ao mundo pelo Buda Shakyamuni.

Este ponto essencial do budismo, com sua doutrina de autoaperfeiçoamento e iluminação, se baseia em duas premissas geralmente não explicitadas.

De acordo com a primeira, quem verdadeiramente consegue compreender algo, ficará liberto de seu jugo e influência.

Esse elo inextricável entre sabedoria e libertação, apesar de raramente discutido, está sempre subentendido nos escritos budistas. Obviamente, o tipo de compreensão de que falo não é o discursivo, cultivado em sala de aula ou apreendido nos livros; nem tampouco é a esperteza intuitiva que se adquire ao longo de uma vida de experiências humanas. O tipo de compreensão a que me refiro está além dos modelos de comparação e classificação que utilizamos em nossa atividade mental cotidiana e além de qualquer possível percepção sensorial ou extrassensorial.

No budismo, tal compreensão é chamada de prajña. Considera-se que aqueles que já vivenciaram momentos de sabedoria prajña concentrada e direcionada à natureza fundamental de nossa existência foram totalmente transformados em seu estado individual de ser, o que os tornou seres moralmente perfeitos e os levou a transcender o sofrimento. Simplificando: a experiência da sabedoria prajña focada nas realidades básicas da condição humana constitui a iluminação, que, segundo se acredita, traz a total libertação dos problemas decorrentes da condição humana.

O segundo pressuposto é que prajña é uma capacidade inata da mente, de tal forma que nos bastaria focalizar a mente num objeto ou tópico para que a sabedoria inata da mente fosse capaz de compreender tal objeto. Naturalmente, isso é mais fácil de falar do que de fazer! Entretanto, quando tal capacidade é alcançada, torna-se possível concentrar o poder inato da mente, como uma lanterna, em qualquer problema ou questão de nossa escolha.

Nos textos budistas, o processo de levar a mente a focalizar questões específicas é em geral batizado de vipashyana, termo que se traduz indiferentemente como “contemplação”, “discernimento” ou “insightmeditativo”. Na verdade, a palavra tem a ver com todo um conjunto de exercícios de meditação por meio dos quais se pode direcionar a capacidade mental inata de prajña para diferentes tópicos e, assim, compreender a verdadeira natureza deles. O objetivo é conquistar o que chamamos simplesmente de “compreensão clara” de um tema ou “insight” a respeito de um assunto – termos cujo significado indica que a pessoa consegue compreender o tópico tal qual ele é, sem erro ou distorção subjetiva. […] os métodos e tópicos da meditação vipashyana ou insight meditativo são discutidos muito detalhadamente nas escrituras budistas. Entretanto, o pressuposto básico de que prajña é uma capacidade inata da mente nunca ou raramente é explicitado.

Com base nessas premissas, a multifacetada tradição das práticas de meditação budista oferece uma ampla gama de técnicas para pessoas de variadas inclinações e capacidades, de modo que cada qual possa trabalhar em seu caminho individual rumo à conquista do insight. Uma vez que quase todos tendemos a ter uma mente hiperativa, muitas dessas técnicas são apresentadas como auxílio à concentração mental.

Em contraste com a meditação vipashyana ou insight meditativo, as técnicas de concentração, ou shamata,destinam-se a treinar a mente a concentrar seu foco em um dado objeto com atenção, sem interrupção nem distração. Essa “musculação mental”, digamos assim, destina-se a promover a superação de uma porção de incapacidades humanas comuns: para os que tendem à ganância, existem exercícios de meditação sobre a impureza do corpo humano; para os irados, há técnicas que objetivam gerar compaixão pelos outros seres; para os dados à ignorância, há reflexões guiadas sobre a miríade de componentes da realidade que vivemos e suas respectivas interações.

É claro que alguns desses exercícios passam sutilmente de concentração para insight e um dado conjunto de exercícios pode gerar múltiplos benefícios. Mas os requisitos e técnicas da meditação budista são muito mais específicos, mais elaborados e mais exigentes do que a maioria dos leitores imaginaria. A meditação budista é uma tradição de artesanato espiritual sem paralelo em outras culturas.

O livro Purificando a mente descreve a meditação budista sob a perspectiva da tradição do Budismo Maaiana chinês e pelos olhos de um de seus maiores representantes vivos, o mestre Hsing Yün, de Fo Guang Shan. Assim sendo, encontramos no seu livro vários níveis de autoridade. Primeiro, Hsing Yün é produto da tradição chinesa do Budismo Maaiana, e sua formação – em alguns dos mais importantes centros monásticos durante as tumultuadas décadas de meados do século XX – instilou-lhe uma compreensão da tradição que é a um tempo abrangente e profunda. Segundo, ele foi o fundador e é o líder espiritual da maior organização monástica existente em Taiwan hoje e daquela que, com certeza, é um das maiores redes de praticantes budistas leigos e ordenados do mundo. Refiro-me à combinação entre o sistema de templos e monges de Fo Guang Shan e a Associação Internacional Luz de Buda (Blia) de fiéis leigos, com seus vários templos e organizações nos cinco continentes. Terceiro, em consequência de seus muitos anos de experiência como estudioso do budismo e também professor de centenas de milhares, senão de milhões, de budistas, Hsing Yün aprendeu a apresentar os venerados ensinamentos do Buda Shakyamuni de forma clara e concisa, fiel à tradição maaiana chinesa. Além disso, ele enriquece seus textos com casos verídicos e exemplos particularmente pertinentes à vida contemporânea.

 

Trecho da introdução do Professor do Departamento de Estudos da Religião da Universidade de Indiana, EUA, John R. McRae, para o livro Purificando a Mente – A meditação no Budismo Chinês, Venerável Mestre Hsing Yün, Editora de Cultura, São Paulo, maio de 2004.
REV290413

O que é o budismo


O que é o budismo

O budismo é uma religião baseada nos ensinamentos deixados pelo Buda Sakyamuni. A palavra “buda” significa aquele que despertou do sono da ignorância, aquele que se iluminou, e “Sakyamuni” significa o sábio do clã dos Sakya. Ele nasceu com o nome de Siddhartha Gautama, na Índia, e viveu aproximadamente entre 563 e 483 a.C. em uma região que hoje pertence ao Nepal. O pai do príncipe Siddharta, Mayadevi, o educou para ser um grande guerreiro, cercado de luxos e prazeres. Até os 29 anos, Siddharta viveu no palácio, isolado do mundo, sem conhecer a velhice, a doença, nem a morte.

Um dia, ao sair do palácio, Siddharta teve contato com o sofrimento e a miséria. Foi então que resolveu isolar-se a fim de encontrar um método que pusesse fim ao sofrimento humano. Abandonou a vida mundana, tornando-se discípulo de respeitados ascetas. Anos depois, sozinho, aos 35 anos de idade, Siddhartha realizou sua própria natureza búdica e, conseqüentemente, compreendeu o sofrimento, sua causa, sua extinção e o meio para extingui-lo.

Iluminado, passou a ser conhecido como Buda Sakyamuni e proferiu ensinamentos até os 80 anos, quando morreu. A base de sua doutrina são as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho de Oito Passos. O objetivo principal é escapar do sofrimento, cuja constatação é apontada na Primeira Nobre Verdade. Na Quarta, o Buda afirma que há um caminho para a superação do sofrimento, que é explicado no Nobre Caminho Óctuplo. Os ensinamentos básicos são evitar as ações não virtuosas, fazer o bem e dominar a própria mente.

O budismo saiu da Índia e expandiu-se por toda Ásia. Sua capacidade de adaptação às culturas locais facilitou o estabelecimento da religião na China, no Japão e em todos os países em que chegou. No século VI, foi a vez do Tibete conhecer a doutrina do Buda. Lá, floresceu de modo singular.

No século XIX, o budismo foi apresentado aos intelectuais europeus, mas foi no século XX, com a invasão da China ao Tibete e conseqüente diáspora de grandes mestres, que o budismo tibetano se espalhou pelo mundo ocidental.

Hoje, o budismo conta com cerca de 376 milhões de seguidores em todo o mundo. Na França, é a terceira religião, ficando atrás apenas do cristianismo e do islã. Noventa e oito por cento dos budistas estão no continente asiático, mas o número de ocidentais convertidos tem crescido substancialmente. De acordo com dados do IBGE, no Brasil existem 250 mil budistas. Entre os budistas brasileiros famosos estão: Claudia Raia, Betty Faria, Odete Lara, Lucélia Santos, Ney Matogrosso, Heródoto Barbeiro e Soninha Francine.

A atividade na internet entre budistas brasileiros é intensa. Existem sites, listas de discussões e comunidades que se dedicam a esclarecer assuntos sobre o Dharma (os ensinamentos do Buda) e suas práticas. Alguns dos sites que podem ser visitados são:

Como meditar?


Controle do Corpo

Os sete aspectos do Buda Vairochana sentado formam o alicerce da meditação budista. Segue-se uma discussão a esse respeito


1. A postura de lótus

De maneira geral, a postura de lótus é comprovadamente a melhor para a meditação sentada. O lótus completo é uma postura de pernas cruzadas em que os pés ficam sobre as coxas, logo acima dos joelhos. O meio-lótus é uma postura de pernas cruzadas em que apenas um pé é colocado sobre a coxa, enquanto o outro permanece sob a outra coxa.

Considera-se a postura de lótus completo a melhor para meditação, porque ela é muito eficaz para estabilizar o corpo. Caso seja incômoda, adota-se o meio-lótus e, se tampouco esta se mostrar confortável, pode-se sentar em uma cadeira ou banquinho de meditação. Independentemente da postura escolhida, a coisa mais importante é que a coluna esteja ereta e não apoiada em nada.

Fontes chinesas geralmente reconhecem dois tipos de posição de lótus completo. Em uma delas, o pé esquerdo é colocado sobre a coxa direita e depois o pé direito sobre a coxa oposta, na chamada “postura auspiciosa”, utilizada para alcançar bênçãos. Quando a ordem de colocação dos pés é invertida, a posição é utilizada para dominar Mara (Demônio da morte) e chamada de “postura de dominação de Mara”.


2. Posição das mãos

Depois de se colocar na postura sentada, o praticante deve repousar as mãos confortavelmente no colo, com o dorso de uma sobre a palma da outra. A ponta dos polegares deve se tocar levemente. Esse gesto é ótimo para a circulação de energias do organismo e é chamado Darmadhatu mudra.


3. Posição da coluna

A coluna é o principal centro nervoso do corpo, onde as energias das extremidades se reúnem, e, portanto, é importante que ela fique ereta durante a meditação. Quem tem costas fracas ou não está habituado a sentar-se sem apoio talvez necessite de algum tempo para se acostumar. Para a maioria das pessoas, não haverá maiores dificuldades para sentar corretamente sem necessidade de muita prática. A coluna deve ficar ereta durante a meditação, mas não rígida, tesa ou artificialmente ereta. Acima de tudo, a postura de meditação deve suscitar uma sensação de relaxamento e comodidade. Não leva muito tempo para se aprender a gostar do ato físico de se sentar para meditar.


4. Posição dos ombros e do peito

Os ombros devem ficar confortavelmente abertos, em posição tal que permita o relaxamento do peito e deixe a respiração fluir suavemente.


5. Posição do pescoço e da cabeça

Manter a cabeça e o pescoço eretos. Se a cabeça ficar demasiadamente inclinada para a frente, a circulação no pescoço será prejudicada. Em uma visão lateral, as orelhas devem estar alinhadas diretamente sobre os ombros. Dessa forma, a inspiração poderá fluir suavemente pelo nariz em seu caminho para os pulmões e a circulação por todo o abdome e pela cavidade torácica será excelente. Atenção aos músculos da nuca: se estiverem relaxados e bem alinhados, eles levarão as costas à posição correta com a maior facilidade.


6. Boca

Os maxilares e os lábios devem ficar levemente cerrados. A ponta da língua será mantida suavemente atrás dos dentes superiores.


7. Olhos

Em regra, é melhor que os iniciantes em meditação deixem os olhos ligeiramente abertos e fixem o olhar em um ponto imaginário à sua frente numa distância de no máximo um metro. Assim, evita-se a sonolência.

Essas são as sete posturas básicas para a prática da meditação. A seguir, darei outros oito detalhes que também se mostram importantes para o conforto e a eficácia da postura de meditação.


1. Paz

Arranjar o assento e a sala onde se medita de forma a promover sensação de paz e conforto.


2. Vestimentas

Roupas justas, cintos, relógio, óculos, joias ou qualquer vestimenta que restrinja a circulação devem ser desapertados ou retirados antes da meditação.


3. O assento

Utilizar uma almofada ou colchonete confortável, que não escorregue nem se deforme facilmente, ao se sentar em lótus ou meio-lótus. A boa almofada é larga o suficiente para apoiar pernas e joelhos e tem espessura de cerca de quatro dedos.

Se essa posição não for confortável, recorrer a um banquinho próprio para meditação, ou à borda de uma cadeira ou cama dura. A posição é muito importante na meditação. O corpo e os hábitos das pessoas são tão diferentes que é impossível definir apenas uma ou duas regras para o sentar-se.

Repetindo: conforto e coluna ereta sem apoio são os elementos fundamentais da boa postura para a meditação.


4. Cobrir os joelhos

A circulação se desacelera durante a meditação; portanto, é fundamental manter os joelhos aquecidos. Se o clima estiver frio, os joelhos devem ser cobertos com uma manta ou toalha.


5. Purificar a respiração

Repita o seguinte exercício três vezes: inspire pelo nariz e expire pela boca. Ao expirar, imagine que está eliminando toxinas e impurezas de seu organismo. Tanto a inspiração como a expiração devem ser lentas e conscientes.

Quem ainda não se sentir relaxado após o exercício deve repeti-lo.


6. Achar a posição confortável

Faça algumas torções da coluna para ambos os lados e depois fique imóvel. Caso a postura ainda não esteja confortável, torça novamente e observe. É muito importante manter a imobilidade durante a meditação. Movimentos eventuais são tolerados, mas o meditador precisa se esforçar para ficar totalmente imóvel por longos períodos de tempo.


7. Rosto

Assim como todas as outras partes do corpo, o rosto deve ficar relaxado. Um sorriso muito sutil, desde que natural, é uma boa expressão facial para a meditação. O rosto não deve ficar rígido ou severo.


8. As costas não devem se apoiar em nada

Durante a meditação, as energias do organismo naturalmente começam a se canalizar na coluna e subir por seu interior. Se as costas estiverem apoiadas, esse fluxo natural será bloqueado.

Os três elementos mais fundamentais da postura de meditação são conforto, imobilidade e coluna ereta sem apoio. A meditação deve ser uma experiência agradável; assim, o conforto precisará ser o maior possível. A imobilidade durante a meditação ajuda a canalizar e elevar todas as energias do organismo. A coluna ereta que não se apoia em nada cria um canal para essas energias subirem a centros mais elevados.

 

O samádi é como a água pura e limpa, pois lava todas as impurezas.

Tratado sobre a Perfeição da Grande Sabedoria

 

Controle da respiração

A principal finalidade do controle da respiração é tornar mais calmo e refinado um ritmo irregular ou pesado. Quando o corpo estiver imóvel e a respiração controlada, a mente naturalmente se acalmará.

Falamos de “controle” da respiração, mas é importante lembrar que isso se consegue por meio da observação. Querer forçar a respiração a se tranquilizar só trará problemas. A simples observação da respiração é a melhor forma de desacelerar e acalmar seu ritmo.

As fontes chinesas geralmente reconhecem quatro tipos de respiração.

  1. Respiração com vento: o tipo que produz som nas narinas.
  2. Respiração irregular: é silenciosa mas irregular, com interrupções.
  3. Respiração não refinada: é silenciosa e regular, mas não é refinada. Não é tão confortável quanto a do quarto tipo.
  4. Respiração correta: é silenciosa, regular e refinada, além de ser tranquila e agradável. Esse tipo de respiração infunde grande paz na mente e no coração.

A forma mais rápida de conseguir o quarto tipo de respiração é simplesmente pela observação. Se você tentar forçar determinado tipo de respiração, é quase certo que irá fracassar. A paz criada ao redor do praticante durante a meditação crescerá continuamente com a prática. Com o tempo, será possível alcançar paz e serenidade com facilidade. Quando a respiração e o corpo estão tranquilos, a mente tem, por assim dizer, um lugar de onde pode efetivamente contemplar e compreender a si própria. Quando a respiração e o corpo estão em paz, a mente pode entrar em samádi.

A importância da respiração é evidenciada no seguinte trecho de Seis Maravilhosos Ensinamentos, um prestigiado livro sobre meditação que registra uma palestra proferida pelo grande monge Zhiyi (538-597) no Templo Wa-Guan, localizado onde hoje é a Província Jiangsu. Desconhece-se a data precisa da palestra.

A “maravilhosa porta do acompanhamento” abre caminho para dezesseis darmas (fenômenos) excepcionais. O primeiro deles é observar a inspiração. O segundo é observar a expiração. O terceiro é observar a extensão das inspirações e expirações. O quarto é observar o ar inspirado preencher inteiramente o corpo. O quinto é eliminar todos os movimentos corporais. O sexto é absorver felicidade na mente. O sétimo é absorver alegria na mente. O oitavo é absorver todas as atividades mentais na mente. O nono é criar felicidade na mente. O décimo é unir todas essas atividades na mente. O décimo primeiro é descobrir libertação na mente. O décimo segundo é contemplar a impermanência. O décimo terceiro é contemplar a dispersão de todas as coisas. O décimo quarto é contemplar a ausência de desejo. O décimo quinto é contemplar a extinção. O décimo sexto é contemplar o perfeito desapego.

 

Controle da mente

A mente sem treino tem vontade própria. Meditadores costumam compará-la a um macaco embriagado que cambaleia a esmo pela floresta, sem compreensão e sem o mínimo autocontrole. Nossa mente parece nos pertencer, mas basta sentar com o objetivo de examinar seu funcionamento mais de perto para percebermos que ela simplesmente não nos obedece.

Shastra Yogacharabhumi descreve nove diferentes níveis de equilíbrio meditativo, ou “permanência mental”. Podemos começar a aprender a controlar a mente estudando esses estágios de equilíbrio e comparando-os com nossa própria meditação.


1. Permanência interiorizada

Esse é o primeiro estágio, em que a atenção é retirada do exterior e completamente interiorizada.


2. Permanência nivelada

No início desse estágio, a mente está interiorizada, mas a atenção caracteriza-se por ser descontinuada e errática. Ora há um tipo de percepção, ora outro e ainda outro.

A forma de trabalhar com esse estado mental é simplesmente deixar que os pensamentos fluam. Acompanhe-os de momento a momento sem se apegar a nenhum deles. Com a prática, esse tipo de consciência descontínua se transformará gradualmente em um estado de tranquila uniformidade, no qual a percepção se apresenta clara e contínua.


3. Permanência serena

Calma e paz maravilhosas são suas características. A chegada desse estágio assemelha-se à chegada do outono em climas temperados: a estação não vem de uma vez só. À medida que vai se acabando o verão e o outono e o inverno se aproximam, a Terra se esfria gradualmente. Um ou dois dias de temperaturas mais baixas serão seguidos por séries de três ou quatro dias de temperatura ainda mais baixa. Mais adiante, haverá frentes frias prolongadas. Enfim, quando o inverno se instalou, os dias quentes terão se transformado em saudade.

Nessa metáfora, o surgir da permanência serena é como a chegada do outono e do inverno. Inicialmente, a pessoa percebe uma leve mudança; depois habitua-se a ela. Quando reconhecer o aparecimento da permanência serena em sua meditação, perceba suas qualidades e valorize seu aprofundamento.


4. Quase permanência

Nesse estágio de sua prática, o meditador vivencia períodos em que nenhum pensamento ilusório é gerado. É o momento em que ele aprende a perceber quando os pensamentos ilusórios estão prestes a surgir, antes mesmo que apareçam. Essa capacidade lhe possibilita proteger sua meditação contra distrações externas e internas.


5. Controle

Nesse estágio, existe uma compreensão profunda dos méritos do samádi e o pleno entendimento de que os Dez Aspectos são as causas de toda ilusão. Os Dez Aspectos são forma, som, cheiro, paladar, toque, ganância, raiva, ignorância, masculinidade e feminilidade. Quem chega a esse ponto conquistou a própria mente e não mais será presa de sua excitabilidade.


6. Grande paz

Esse estágio caracteriza-se por uma calma profunda gerada pela compreensão plena de que a ganância, a raiva e a ignorância constituem a fonte de toda ilusão.


7. Paz suprema

Nesse estágio, pensamentos ilusórios não têm a menor possibilidade de surgir. A mente fica em estado de completa naturalidade e liberdade. O que quer que entre ou saia dela simplesmente entra ou sai, não deixando nenhum resíduo.


8. Concentração

Estágio em que a mente se concentra em um único ponto, descansando em si mesma e completa em si mesma. Nada falta e nenhuma interrupção da consciência pode ocorrer. Algum esforço é necessário para se alcançar este estágio.


9. Equanimidade

Esse estágio só chega depois de longa prática. Nenhum esforço é necessário para alcançá-lo. Nele, a mente entra na plenitude do samádi. A virtude é mantida sem esforço e o mal fica à distância, sem tentar entrar.

 

Enquanto você observa esses nove estágios, é sempre bom procurar descobrir onde está sua mente. A mente búdica não ocupa um lugar — está além de qualquer localização; portanto, uma vez que as profundezas da sua própria mente são a mente búdica, deduz-se que sua mente, em termos fundamentais, também está além da localização.

Nosso apego ao pensamento ilusório é o que nos prende ao samsara. E é esse mesmo apego que nos impede de alcançar estados profundos de samádi na meditação. A ilusão mais fundamental da mente é sua obstinada necessidade de se aferrar às coisas – ideias, conceitos, desejos, formas, emoções, pessoas etc. A mente é como uma grande mão que sempre quer agarrar tudo o que se aproxima. Os budistas chineses aproveitam essa necessidade da mente para fazê-la se apegar a algo que seja uma ferramenta para sua libertação.

Explicação Graduada sobre a Perfeição na Meditação ensina cinco métodos que utilizam a própria tendência de se aferrar às coisas como ferramenta para nos libertar dela. Esses métodos agem como uma armadilha para o habitual apego da mente, fazendo-a se fixar em algo que a libertará da ilusão.

A palavra chinesa usada para a ideia de apego é zhi, que significa “prender”, “acoplar”, “afivelar”. É o mesmo termo utilizado nas situações em que se pretende denotar o estado de quem está preso ao samsara ou ao próprio carma. No contexto desses cinco métodos, zhi pode ser traduzido como “concentrar”; infelizmente, uma distinção importante seria perdida. Nestes exercícios, tira-se proveito da tendência de fixar-se, que é própria da mente, e que é também a mesma tendência utilizada para formar desejos, medos ou quaisquer outros apegos que nos prendam a este mundo.

 

1. Fixe a mente na coroa da cabeça

Explicação Graduada sobre a Perfeição da Meditação aconselha-nos a “fixar a mente na coroa da cabeça” como meio de superar a sonolência e o torpor. A mente pode ser preguiçosa em seus apegos. O sono, a confusão e as tumultuadas emoções de tateante ignorância são geralmente tão atraentes para ela quanto as resplandecentes formas e cores dos desejos percebidos com clareza. Elevando os apegos inferiores à coroa da cabeça, avançamos muito rumo à superação daquilo que nos prende à ilusão. Esse mesmo texto adverte que, em alguns casos, o abuso dessa técnica pode causar sensações físicas descritas como “vento no corpo” ou relacionadas à impressão de flutuar. Caso isso aconteça, convém interromper o uso da técnica.


2. Fixe a mente nos pontos onde os cabelos se prendem ao couro cabeludo

Esses são excelentes pontos para a concentração, pois é fácil senti-los. A maioria das pessoas tem bons resultados ao tentar essa técnica. É uma prática que pode levar à compreensão quase visual do esqueleto humano e à percepção do quanto o corpo é efêmero. O abuso dessa técnica pode, em alguns casos, levar os olhos a virar para cima e a se ver nuvens de cores brilhantes ou mosaicos abstratos coloridos. Essas formas podem levar a mente a ver imagens ainda mais confusas e até mesmo provocar desmaios. Por isso, é importante não se exceder na prática desse tipo de meditação.


3. Fixe a mente no interior das narinas

As narinas são portais que permitem a passagem do ar para dentro e para fora do corpo. Se a atenção focalizar seu interior, logo a mente se perde no movimento de entrada e saída do ar. Em pouco tempo, os pensamentos param de surgir. Essa técnica é ótima para ajudar a perceber a impermanência do corpo e de todas as coisas. É também uma das melhores para acalmar a mente e levá-la ao samádi.


4. Fixe a mente no umbigo

O umbigo é o “oceano da respiração”, constituindo uma fonte central de energia vital no corpo humano. Dada sua importância, esse ponto é também chamado de “palácio central” em chinês. Ao fixar a mente no umbigo durante a meditação, fazemos com que sangue e linfa fluam para o centro do corpo. Esse fluxo tem muitas propriedades medicinais e pode curar muitas doenças. Ao utilizar tal técnica, é também possível ter a visão das 36 principais partes do corpo reconhecidas no budismo. As mulheres devem ser cautelosas, evitando recorrer a essa técnica com demasiada frequência, porque ela pode causar excessivo sangramento menstrual.

5. Fixe a mente no solo

Concentrando a mente na área sob a almofada de meditação promovemos grande estabilidade em nossa meditação.

 

Desses cinco métodos, fixar a mente no interior das narinas, no umbigo e no solo são os que trazem mais estabilidade e, normalmente, os que se mostram mais eficazes. Ao meditar, um princípio geral a ser sempre seguido é: se o praticante sentir que seu corpo ficou extremamente leve e tiver a sensação de estar flutuando, deve baixar o foco de atenção. Caso a sensação seja de estar com o corpo muito pesado, como se estivesse afundando, ele deve elevar o foco da atenção.

 

Desembaraçar-se do desejo e dos caminhos nocivos exige tanto visão quanto sabedoria.
Desembaraçar-se do mundo e descobrir alegria interior é o início da meditação.

Tratado sobre a Perfeição da Grande Sabedoria

 

Concluindo a meditação

Tão importante quanto o processo de preparação para a meditação é o processo de saída dela. Se simplesmente pularmos do assento e já começarmos a fazer tudo apressadamente, sem uma transição adequada, podemos perder tudo o que foi ganho durante a meditação e até mesmo vir a adoecer.

Quando entramos em meditação, afastamo-nos do que é grosseiro e agressivo e nos aproximamos do que é refinado e suave. Ao terminar a prática, fazemos o movimento oposto – o calmo e tranquilo mundo da luminosa mente interior precisa gradualmente abrir espaço para as necessidades de movimento físico, para a fala e para os pensamentos que nos acompanham ao longo do dia.

Se nos levantarmos abruptamente após a meditação e nos lançarmos de volta ao ritmo do mundo, poderemos sentir dor de cabeça, desenvolver rigidez nas articulações ou algum outro problema físico. Transições descuidadas da meditação para a consciência comum também chegam a provocar estresse emocional ou irritabilidade. Por isso, ao sair do estado meditativo, é importante atentar para os cinco pontos descritos a seguir:


1. Mude seu foco, trazendo-o para as novas condições

Quando decidir que é o momento de encerrar a meditação, desloque seu foco de atenção do mundo interior para o exterior. À medida que a mente vai voltando a perceber as sensações externas, concentre-se no processo de conclusão da meditação.


2. Expire pela boca algumas vezes

Ao fazer isso, imagine que os últimos venenos presentes no organismo estão sendo expelidos. Sinta que o corpo inteiro participa do ato de respirar.


3. Movimente a parte superior do corpo

Ainda sentado, comece por movimentar delicadamente o tronco para a frente e para trás algumas vezes. Depois, faça torções e movimentos com outras partes do corpo, mas sem forçar. Por fim, massageie suavemente seus ombros, braços, mãos, pescoço e cabeça.


4. Movimente as pernas

Terminada a etapa anterior, comece a movimentar e esticar as pernas devagar, de modo a sentir que elas voltam gradativamente a se mostrar flexíveis e firmes. Atenção: se você fizer a movimentação de modo brusco ou repentino, a sensação será de rigidez e desconforto.


5. Massageie a pele

Massageie suavemente a pele até sentir um agradável formigamento.


6. Massageie os olhos

Quando sentir que o corpo e as mãos já estiverem começando a ficar estimulados de novo, massageie delicadamente os olhos até sentir quer a circulação se normalizou. Quando perceber que os olhos estão confortáveis e prontos, abra-os.


7. Elimine calor

A meditação costuma elevar a temperatura corporal. Tanto assim que há quem transpire durante a prática. Portanto, ao sair da meditação, é importante eliminar o calor ou permitir que ele se estabilize. O corpo pode estar bastante sensível após a meditação. Sensações diferentes devem ser respeitadas e é preciso permitir que o organismo recupere naturalmente sua homeostase.

 

Ao concluir a prática, é bom refletir sobre a razão pela qual meditamos. A meditação é uma técnica destinada a acalmar nossos pensamentos ilusórios para que a verdadeira sabedoria possa finalmente florescer. À medida que, gradativamente, conseguimos perceber as ilusões da mente, também vai aumentando nossa compreensão da iluminação. Conforme cresce nosso entendimento, intensifica-se nosso desejo pela iluminação. Esse não é um desejo de poder ou de habilidades psíquicas, como os desejos típicos do samsara; mas de aperfeiçoamento da sabedoria e da compaixão. É desejo de levar mais e maiores benefícios para os outros seres sencientes; desejo de se tornar tão benevolente quanto um Buda.

A sabedoria que se desenvolve em nós como resultado da meditação deve ser aplicada à vida no mundo real. Certamente carece de rumo a meditação que não gere uma sabedoria prática e socialmente útil. Huineng, sexto patriarca do Budismo Chan, disse:

O que é a meditação que praticamos sentados? Ela consiste em nos afastar de todas as distrações externas e acalmar a mente. A isso damos o nome de “sentar”. Observar a natureza interior em perfeita calma é o que chamamos de “meditação”.

Huineng também disse:

Afastar-se de todas as formas exteriores é chamado “meditação” (dhyana). Estar perfeitamente interiorizado e sereno é chamado “samádi”.

A meditação não nos leva a um outro mundo, mas revela as mais profundas e assombrosas dimensões do mundo em que já vivemos. Contemplar calmamente tais dimensões, colocando-as a serviço da compaixão e da bondade, constitui a forma correta de rapidamente auferir ganhos na meditação, assim como na vida.

 

Na meditação, abandonamos os fogos da impureza pelo frescor do claro samádi.
A sensação é a da alegria de cair em água fresca e clara após nos termos queimado ao calor do sol.

Tratado sobre a Perfeição da Grande Sabedoria

Do livro Purificando a Mente – A meditação no Budismo Chinês,
Venerável Mestre Hsing Yün, Editora de Cultura, São Paulo, maio de 2004.
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