5 COISAS QUE PESSOAS COM TEA PODE ENSINAR A TODOS NÓS


Michelli Freitas

Escrito por Michelli Freitas

5 Coisas que pessoas com TEA pode ensinar a todos nós
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Intervenção baseada em Evidência Científica

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Quando falamos de autismo, tendemos a nos concentrar no negativo: o que precisa ser tratado, corrigido ou modificado. Raramente, falamos sobre o lado positivo. Se pararmos e olharmos para as pessoas com TEA, veremos que é incrível o que elas podem nos ensinar.

É realmente possível melhorar as nossas vidas se aceitarmos algumas das características comuns do Transtorno do Espectro Autista.

Aqui, estão cinco coisas que achamos que todos poderiam aprender com crianças e pessoas com TEA:

1. Honestidade

Uma mulher relembrou quando o seu filho neurotípico de três anos de idade caminhou até uma senhora na igreja, cutucou a sua barriga e, inocentemente, perguntou por que ela era tão gorda.

Envergonhada, a jovem mãe se desculpou muito. A mulher graciosamente percebeu que a pergunta veio de uma criança de três anos – uma criança que não tinha filtros sociais – e não se sentiu ofendida.

Muitas vezes, as pessoas com autismo são como crianças de três anos: elas são brutalmente honestas.

Embora esse traço possa causar constrangimento, também significa que essa pessoa não aprendeu a mentir, ocultar sentimentos verdadeiros, varrer coisas para debaixo do tapete ou manipular. Imagine viver toda a sua vida com esse tipo de transparência.

pessoas com TEA
via GIPHY

Mas e se fôssemos mais honestos? Realmente melhoraria nosso relacionamento com os outros?

É claro que não queremos magoar as pessoas propositalmente com observações socialmente desapropriadas.

Mas ser mais transparentes, dialogar mais honestamente e fazer questão de nunca deixar que coisas importantes não sejam ditas podem ser as melhores formas de nos relacionarmos com as pessoas que amamos.

Pois, a honestidade gera confiança e a confiança abre as portas para relacionamentos mais saudáveis.

2. Destemor

Ídolo teen dos anos 90 e membro da boyband NSYNC, Joey Fatone, apareceu recentemente em um game show com a sua filha Kloey, de sete anos, que foi diagnosticada com autismo de alto funcionamento.

Durante o programa, Kloey parecia não se incomodar com o fato de estar em rede nacional. Em uma entrevista à revista norte-americana People, Joey disse “Foi muito legal fazer o programa com a Kloey. Eu estava feliz que ela teve um ótimo momento e não estava nervosa. Aquela menina não tem medo”.

“Não tem medo”. De fato, essas palavras causam terror aos corações dos pais com filhos que possuem autismo. Pois, isso significa que eles não têm a capacidade de discernir quando uma situação é potencialmente perigosa.

pessoas com TEA
via GIPHY

Por isso, eles caminham cegamente para todas as direções, sem pensar nos riscos. Como pai de uma criança com TEA, você sente a obrigação de monitorar e protegê-la em todos os momentos. E você não é o único.

O pai-helicóptero

Anos atrás, não era difícil ver crianças andando de bicicleta em bairros, brincando com os amigos no gramado da frente ou andando até a loja da esquina para tomar um sorvete.

Hoje, no entanto, os pais ficam muito preocupados sobre a ideia de seus filhos andarem sozinhos nas ruas. Então, eles sentem uma necessidade constante de monitorar as suas ações.

Esses “pais-helicóptero” interferem obsessivamente e têm um nível irracional de ansiedade em relação aos filhos, o que às vezes se estende da infância até a idade adulta.

O problema tornou-se tão sério que as faculdades começaram a identificar estudantes que parecem incapazes de pensar por si mesmos e tomar suas próprias decisões.

O jornal norte-americano LA Times examinou esse fenômeno em um artigo intitulado “Como os Pais-helicóptero Estão Arruinando as Crianças da América”.

Por que estamos com tanto medo?

Possivelmente, porque permitimos que as notícias e a internet inundem diariamente as nossas mentes com histórias aterrorizantes relacionadas a acidentes, política, doenças, crimes e desastres naturais, como se estivessem acontecendo a cada uma das 7,5 bilhões de pessoas no mundo de uma só vez, todos os dias. A realidade é que a maioria dos dias é um tanto quanto mundana (felizmente).

Barry Glassner, presidente da faculdade Lewis & Clark e autor do livro “Cultura do Medo”, comentou sobre a ironia do medo que assola nosso país: “Parte do que eu acho interessante sobre isso é que, em geral, a maioria dos americanos vive no que é, indiscutivelmente, a época e o lugar mais seguros da história da humanidade… E, no entanto, os níveis de medo são altos e há muitos, muitos medos e sustos por aí afora”.

Então, abrace a sugestão das pessoas com TEA. Embora sempre haja muitas coisas com as quais devemos nos preocupar, a capacidade de viver sem medo pode ser uma verdadeira bênção, e algo que todos podemos aprender com as pessoas do espectro autista.

3. Quietude

Muitos de nós vivemos nossas vidas no meio de um constante ruído. Alguns agradáveis, e outros nem tanto. Mas, o que realmente temos dificuldade é com o silêncio.

Não é à toa que existem obras escritas sobre a prática do silêncio. Em uma sala cheia de pessoas, – a menos que em um ambiente social, como a igreja ou um jogo de golfe – o silêncio é difícil de ser mantido. Pois, nós fomos condicionados a viver com barulho constante.

Alguns especialistas dizem que nosso medo do silêncio nasce da nossa cultura. É porque crescemos em um mundo eletrônico, onde um rádio ou uma TV estão sempre ligados, mesmo que ninguém esteja prestando atenção.

PESSOAS COM TEA
via GIPHY

Também, estamos cercados por ruídos externos, desde o barulho do trânsito até o ruído quase imperceptível, mas constante, dos aparelhos elétricos. Dessa forma, todos percebemos o silêncio que surge quando a energia cai, mas mal notamos o constante ruído branco acontecendo o tempo todo.

De fat, silêncio pode ser assustador e enervante quando não se está acostumado. Mas precisamos de silêncio.

A necessidade do silêncio

O constante ruído de baixo nível que preenche as nossas vidas leva a nossos níveis de estresse modernos. Isso não somente pode nos deixar ansiosos e zangados, como também causar problemas de saúde.

Para uma pessoa com TEA, o silêncio é como um remédio quando ela está se sentindo mais estimulada por muito barulho. Isso é algo que todos nós podemos seguir.

4. Solidão

A irmã gêmea do silêncio é a solidão. Portanto, é difícil ter um sem o outro. Os monges budistas são conhecidos por praticar o silêncio cooperativo, mas geralmente a solidão é a única maneira pela qual a maioria de nós pode realmente alcançar o silêncio.

Sendo assim, uma das marcas de uma criança com autismo é o desejo de estar sozinha.

A maioria das pessoas não se importa em passar um tempo sozinha, mas somos animais sociais e grande parte de nós geralmente prefere a companhia dos outros.

Por exemplo, quando estamos sozinhos, ligamos a TV só para sentir que alguém está na sala.

No entanto, estar sozinho, às vezes, é associado aos sentimentos de depressão e isolamento… Mas, com uma ligeira mudança em sua atitude, pode começar a significar algo totalmente diferente.

O que pessoas com TEA nos ensina sobre solidão

A autora Ester Schaler Buchholz, escreveu em seu livro “Alonetime In A World Of Attachment” que “indivíduos autistas nos ensinam sobre nossa reserva autoprotetora solitária. Eles são mais versáteis no uso de recursos inexplorados para o conforto e a tranquilidade do que nós, que, em nossas vidas ocupadas, raramente nos incomodamos em saber”.

Estar sozinho pode ser uma maneira de acertar as nossas mentes e acalmar os nossos sentidos, muito parecido com um bebê brincando alegremente com os dedos dos pés em um berço, sozinho com os seus pensamentos, às vezes rindo alto.

Os bebês fazem isso para o seu próprio prazer.

De fato, indivíduos com autismo são bons em desfrutar de si mesmos.

pessoas com TEA

5. Rotina das pessoas com TEA

Ellen gostava do seu quarto. Ela adorava ter a sua cama perto da janela para poder olhar para fora. Ela gostava do seu grande macaco de pelúcia sentado ao lado da sua cama, perto da sua boneca e do seu urso. Ela também gostava do dossel sobre a sua cama.

Certo dia, quando Ellen chegou da escola, tudo estava diferente.

O dossel havia sumido. A sua cama tinha sido empurrada contra a parede e a cama de sua irmãzinha estava do outro lado. O macaco estava no armário. O seu urso e a sua boneca agora se encontravam na cadeira com a boneca da irmã.

A mãe de Ellen decidiu que a sua filha mais velha poderia ter o seu próprio quarto, o que significava que Ellen teria que dividir com a sua irmãzinha. Ellen, que tem TEA, teve um colapso.

Ellen não gostou da mudança. Ela ansiava por uma rotina. Ela queria que as coisas continuassem as mesmas, que nunca mudassem. A previsibilidade do seu quarto dava a Ellen uma sensação de paz. Ela não estava preparada para fazer esse tipo de mudança. Ela estava feliz com o jeito que as coisas eram.

O lado bom da rotina

Embora a rotina e a mesmice sejam outras marcas registradas do TEA, essas não são, em si, características ruins. Certamente podemos aprender com pessoas com TEA que valorizam manter as coisas como elas são. Afinal, no mundo de hoje, somos rápidos em jogar as coisas fora.

Nós, por exemplo, jogamos fora uma torradeira perfeitamente boa em troca de uma nova com uma cor diferente. Então, queremos roupas novas porque as do ano passado já não estão mais na moda.

Dessa forma, queremos um novo relacionamento, porque o antigo não é tão excitante quanto um novo. Pulamos de loja em loja, e de fornecedor em fornecedor, em busca de uma melhor pechincha ou de um serviço mais moderno.

Por fim, perdemos nossa lealdade a tudo, desde as marcas de cereais até os relacionamentos duradouros.

Ou seja, estamos sempre mudando e trocando o que temos por outra coisa. Pois, achamos que algo novo nos fará mais felizes. Podemos aprender com pessoas com TEA que manter algumas coisas iguais pode realmente nos trazer mais paz e felicidade, em longo prazo.

Entendendo mais sobre pessoas com TEA

É difícil conseguir compreender os comportamentos de crianças e pessoas com TEA. Afinal, não fomos ensinados sobre essas diferenças. E, o pouco que sabemos, se resume em características de dificuldades e conflitos.

Aqui no IEAC temos diversos cursos sobre a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) para quem deseja aprender mais sobre pessoas que tem algum tipo de atraso no desenvolvimento. Você pode conhecer nossos cursos aqui e adquirir mais conhecimento sobre o assunto!

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