PARTE 3



ESPALHE O BENEFÍCIO DA FELICIDADE NO TRABALHO, EM CASA E POR TODA A PARTE
A ESPIRAL ASCENDENTE
PROPAGANDO OS EFEITOS
SORRISOS NO CÉREBRO
ESPELHO, ESPELHO MEU…
OS SEUS COLEGAS SÃO CONTAGIANTES
PROPAGUE O BENEFÍCIO DA FELICIDADE
TODA GRANDE ONDA COMEÇA PEQUENA


Alguns meses atrás, dei uma palestra a um grupo de CEOs e esposas em Hong Kong.

No coquetel que se seguiu à palestra, um CEO extremamente seguro de si e ligeiramente embriagado apertou calorosamente a minha mão e disse: “Muito obrigado, Shawn.

A pesquisa que você apresentou foi brilhante e soa tão verdadeira”. Dito isso, ele se inclinou e sussurrou em tom conspirador: “Eu já pratico a maior parte, mas minha esposa estava mesmo precisando ouvir isso”.
Seu sussurro embriagado foi alto o suficiente para que todas as pessoas ao redor ouvissem e, quando ele apontou sua esposa, que estava a uns 5 metros de nós, a reconheci como uma das primeiras pessoas com quem conversei naquela noite.

Eu sorri e sussurrei de volta, também em voz alta e em tom conspirador: “Eu é que agradeço. Ela disse a mesma coisa de você”.

Gosto de contar essa história não como exemplo de como atiçar o conflito no casamento de dois perfeitos estranhos, mas para mostrar que, em qualquer lugar do mundo, a maioria das pessoas acha que essa pesquisa é útil para elas porém mais útil ainda para todas as pessoas que as cercam.

A pessoa que temos o maior poder de mudar é nós mesmos.

Mas, mesmo que os sete princípios devam começar no nível individual, eles não devem, de forma alguma, terminar por aí. Para concluir este livro, gostaria de falar sobre como promover essas mudanças em nós mesmos pode afetar as pessoas ao nosso redor. Quando começamos a capitalizar o Benefício da Felicidade aplicando os princípios na nossa própria vida, as mudanças positivas se propagam rapidamente. É por isso que a psicologia positiva é tão poderosa. Aplicar todos os sete princípios juntos aciona uma espiral ascendente de felicidade e sucesso, de forma que os benefícios se multiplicam em muito pouco tempo.

Depois, os efeitos positivos começam a se propagar, aumentando o grau de felicidade de todas as pessoas ao seu redor, mudando a maneira como seus colegas trabalham até afetar positivamente toda a sua organização.


A ESPIRAL ASCENDENTE
Todo esse processo começa com o seu cérebro. Como vimos no Princípio 6, os seus pensamentos e ações estão constantemente modelando e remodelando os caminhos neurais do cérebro. Isso significa que, quanto mais você praticar os exercícios apresentados neste livro e quanto mais desenvolver uma atitude mental positiva, mais esses hábitos se enraizarão. E, à medida que seu cérebro domina um hábito, sua capacidade de capitalizar um novo hábito aumenta. É por isso que esses princípios não funcionam isoladamente. Eu os apresentei como sete princípios distintos só para fins de clareza, mas, como você já deve ter notado, eles estão inextricavelmente ligados, e usar vários deles em sintonia uns com os outros só faz potencializá-
los.
Por exemplo, o Efeito Tetris promove o princípio de encontrar oportunidades na adversidade uma vez que nos treinar para detectar aspectos positivos no mundo pode nos ajudar a reinterpretar os fracassos como oportunidades de crescimento.

Um investimento social pode nos ajudar a dominar a Regra dos 20 Segundos, já que uma forte rede social de apoio de certa forma nos estimula a “prestar contas” pelo desenvolvimento dos novos hábitos. E, é claro, também podemos utilizar a Regra dos 20 Segundos para melhorar nosso investimento social, reduzindo a energia de ativação necessária para estabelecer conexões de qualidade no trabalho.

E, quanto mais conexões de qualidade formamos, mais chances temos de considerar nosso trabalho uma missão, e não um mero emprego, o que, por sua vez, também promove o Benefício da Felicidade. E por aí vai. Os efeitos de um princípio acionam o outro, de forma que eles passam a ser muito mais do que apenas a soma das partes. Juntos, eles podem nos levar mais longe do que seria possível se os aplicássemos isoladamente.


PROPAGANDO OS EFEITOS


E os benefícios não param por aí. Quanto mais capitalizamos
o Benefício da Felicidade, mais podemos melhorar a vida das
pessoas que nos cercam. De maneira extraordinária, pesquisas recentes explorando a influência das redes sociais no comportamento humano comprovam que grande parte do nosso comportamento é literalmente contagiante e que nossos hábitos, atitudes e ações se propagam por meio de uma complexa rede de conexões para contagiar as pessoas ao nosso redor. Em seu revolucionário livro O poder das conexões,
Nicholas Christakis e James Fowler se baseiam em anos de pesquisas para mostrar como as nossas ações estão constantemente se disseminando e se influenciando de todas as
maneiras e direções.1 “Os vínculos não se estendem para fora em linha reta como raios de uma roda”, eles escrevem.

“Na verdade, os caminhos se dobram sobre si mesmos e dão a volta, girando em espiral como um enorme emaranhado de espaguete, entrando e saindo em zigue-zague de outros caminhos que raramente saem do prato.”
Essa teoria sustenta que as nossas atitudes e comportamentos não só afetam as pessoas com as quais interagimos diretamente
– como nossos colegas, amigos e parentes –, como a influência de cada pessoa parece de fato se estender às pessoas em três graus de influência. Então, quando você usa esses princípios para realizar mudanças positivas na sua própria vida, está inconscientemente alterando o comportamento de um número incrível de pessoas. Como explica James Fowler, “sei que não estou influenciando apenas o meu filho, mas estou potencialmente influenciando também a mãe do melhor amigo do meu filho”.2 E essa influência é cumulativa – Fowler e Christakis estimam que a maioria de nós tem em média cerca de mil pessoas nos três graus de influência. Trata-se de um verdadeiro efeito propagador: ao tentar aumentar a nossa felicidade e sucesso, acabamos sendo capazes de melhorar a vida de mil pessoas ao nosso redor.
Nesse ponto, a teoria pode soar um pouco forçada. Para começar a entender por que o nosso comportamento é tão contagiante e a nossa influência é tão poderosa, precisamos começar dando uma olhada em um dos meus experimentos preferidos.


SORRISOS NO CÉREBRO
Gosto de começar a maioria das minhas palestras pedindo que os participantes se dividam em duplas. Depois, digo algo na seguinte linha:

No decorrer da sua vida, vocês se destacaram em parte devido à sua impressionante autodisciplina. Vocês a utilizaram para estudar e passar nas provas necessárias, para passar no vestibular, terminar a faculdade, ser aprovados nos empregos necessários e ter sucesso suficiente para poderem estar nesta sala assistindo a esta palestra hoje. Quero que vocês peguem toda a autodisciplina que passaram as últimas duas décadas cultivando para fazer o seguinte: nos próximos sete segundos, não importa o que o seu parceiro diga ou faça, quero que vocês não demonstrem absolutamente nenhuma reação emocional. Não fiquem irritados, tristes ou frustrados e não sorriam nem riam. Mantenham-se absolutamente inexpressivos. Não demonstrem nenhuma emoção, não importa o que acontecer.
Depois peço aos pares dessas pessoas que olhem para o respectivo parceiro e sorriam com sinceridade. Realizei esse experimento centenas de vezes em ambientes corporativos por todo o mundo, com todo tipo de público, desde novatos nervosos a executivos rabugentos e prestes a se aposentar. O resultado é sempre o mesmo. Praticamente ninguém consegue deixar de retribuir o sorriso do parceiro e a maioria cai na risada quase imediatamente. Não importa se eu conduzo esse experimento durante uma semana de demissões em massa ou em um dia no qual o mercado de ações despencou 600 pontos, sempre vejo a mesma explosão involuntária de sorrisos. Mesmo em partes do mundo onde o sorriso não é uma norma social tão arraigada, entre 80% e 85% dos participantes não conseguem deixar de sorrir.
Se você pensar a respeito, isso é absolutamente incrível. Afinal, se as pessoas têm a autodisciplina suficiente para trabalhar de 10 a 16 horas por dia, liderar equipes globais e gerenciar projetos multimilionários, elas sem dúvida seriam capazes de realizar uma tarefa tão simples quanto controlar sua expressão facial por meros sete segundos, certo? Mas o fato é que elas não conseguem. Isso porque, apesar de elas não se conscientizarem disso, algo está acontecendo no cérebro delas. Essa força misteriosa constitui a fundação do efeito propagador.


ESPELHO, ESPELHO MEU…
Em uma noite de sexta-feira, poucos meses atrás, desembarquei na Austrália exausto porém empolgado com a

minha primeira aventura naquele continente. Eu planejava visitar a Opera House, o Koala Park e a Harbour Bridge naquele fim de semana, antes de ir para o centro de Sydney na segunda-feira para conduzir uma sessão de treinamento executivo. Mas, antes de mais nada, fui para o lobby do hotel para um dos meus rituais preferidos de minhas viagens a negócios: encontrar um bar local, assistir aos esportes locais e escutar os nativos conversando. Tive a sorte de achar um lugar vazio poucos minutos antes de uma importante partida de rúgbi começar a ser transmitida pela TV. Não demorou para que uma ruidosa multidão se juntasse para assistir.
A partida mal tinha chegado à metade quando um dos jogadores de rúgbi foi derrubado – e com força. Enquanto corria à toda velocidade com a bola nas mãos, ele levou uma cotovelada no rosto que o impeliu para trás de uma maneira que eu acreditava ser fisicamente impossível para qualquer ser humano com ossos.

O bar inteiro explodiu em um gemido em uníssono. Vi o homem à minha direita colocando as mãos no rosto, exatamente no mesmo local em que o jogador de rúgbi havia sido atingido. Depois reparei que o sujeito ao lado dele tinha feito exatamente a mesma coisa.

E depois percebi, estupefato, que eu também tinha feito o mesmo.
Note que estávamos em um bar em Sydney e o jogo se passava em um estádio em Brisbane, a centenas quilômetros de distância. Nenhum de nós estava jogando rúgbi nem tinha levado uma violenta cotovelada. E mesmo assim todos nós reagimos física e involuntariamente (e de maneira bastante teatral) como se cada um de nós também tivesse sido atingido.
O que aconteceu naquele bar australiano é exatamente a mesma coisa que acontece quando conduzo o Experimento do Sorriso.

Mas só na última década é que finalmente foi disponibilizada aos cientistas a tecnologia necessária para dar uma espiada dentro do nosso cérebro e descobrir a razão por trás disso. O que eles descobriram é o que chamaram de neurônios de espelhamento: células especializadas do cérebro capazes de perceber e mimetizar os sentimentos, ações e
sensações físicas de outra pessoa.3 Digamos que uma pessoa seja espetada por uma agulha. Os neurônios do centro da dor de seu cérebro serão imediatamente acionados, o que era de esperar. Mas o surpreendente é que, quando essa mesma pessoa vê outra sendo espetada com uma agulha, o mesmo conjunto de neurônios é acionado, como se ela mesma tivesse sido atingida. Em outras palavras, ela efetivamente sente um indício da dor de uma espetada de agulha, apesar de não ter sido tocada. Se isso parece incrível, acredite quando digo que

esse resultado foi replicado em inúmeros outros experimentos envolvendo sensações que variam da dor ao medo da felicidade e à repugnância.
Na verdade, aposto que você já passou por isso em inúmeras ocasiões no seu dia a dia. Você já assistiu a um golfista jogar na TV e se pegou se movendo involuntariamente na direção da tacada? É claro que o seu cérebro consciente sabe que você está sentado no sofá comendo Doritos, mas outra pequena parte do seu cérebro – a parte onde residem os neurônios de espelhamento – acha que você está no campo de golfe. (A propósito, essa é uma razão pela qual os atletas assistem a vídeos de treinamento e jogam videogames, porque, mesmo sem nenhuma prática física, os efeitos da prática são configurados no cérebro deles.) Então, como os neurônios de espelhamento muitas vezes estão exatamente do lado dos neurônios motores no cérebro, sentimentos copiados muitas vezes levam a ações copiadas – você de repente se pega movendo-se como se estivesse dando uma tacada com um taco de golfe, sem nem se dar conta disso. É por isso que sorrisos são contagiantes e isso também explica por que os bebês mimetizam automaticamente as caretas engraçadas que os adultos fazem para eles. E é também por isso que assistir a alguém levando uma cotovelada no rosto em Brisbane imediatamente fez os fãs de rúgbi de um bar lotado em Sydney cubrirem o próprio rosto com as mãos, em agonia.


OS SEUS COLEGAS SÃO CONTAGIANTES
Esse fenômeno não se restringe a sensações ou ações físicas – graças aos mesmos neurônios de espelhamento, também as nossas emoções são extremamente contagiantes. Ao longo do dia, nosso cérebro está constantemente processando os sentimentos das pessoas ao nosso redor, observando o tom da voz de alguém, o olhar, a postura. Com efeito, a amígdala é capaz de perceber e identificar uma emoção no rosto de alguém em 33 milissegundos e rapidamente nos prepara para sentir o
mesmo.4 Além desse processo subconsciente, também avaliamos conscientemente o estado de espírito das pessoas que nos cercam e agimos de acordo. Os dois processos juntos possibilitam que as emoções sejam transmitidas de uma pessoa à outra num piscar de olhos. De fato, estudos demonstram que, quando três estranhos estão juntos em um cômodo, a pessoa mais emocionalmente expressiva transmite seu estado de
espírito às outras em apenas dois minutos.5

Infelizmente, o poder do contágio emocional também implica que uma negatividade manifesta pode contagiar um grupo de pessoas quase instantaneamente. Daniel Goleman não poderia ter dito melhor: “Tal qual um fumante passivo, a expansão das emoções pode fazer de um mero passante uma vítima inocente
do estado de espírito tóxico de alguém”.6 Isso significa que, quando estamos ansiosos ou adotamos uma atitude mental abertamente negativa, esses sentimentos começarão a se estender a todas as interações, quer gostemos ou não. Você pode ter notado que, quando o seu chefe entra em uma reunião com um mau humor palpável, em questão de minutos o mau humor se espalha por toda a sala. E os efeitos se propagam daí, à medida que cada um volta à sua própria sala, espalhando essa negatividade a todas as pessoas que encontram pelo caminho. Se apenas dois minutos podem causar tamanho impacto, imagine os efeitos de dividir um ambiente de trabalho com uma pessoa extremamente negativa por duas semanas ou dois anos. Com efeito, as emoções são tão compartilhadas que os psicólogos organizacionais descobriram que cada ambiente de trabalho desenvolve a própria emoção coletiva, ou “tom afetivo do grupo”, que, com o tempo, cria “normas emocionais” compartilhadas que proliferam e se reforçam pelo comportamento, tanto verbal quanto não verbal, dos
colaboradores. 7 Todos nós já vimos ambientes de trabalho que sofrem de normas emocionais tóxicas e agora também sabemos que os resultados financeiros dessas organizações são prejudicados por essa toxicidade.


PROPAGUE O BENEFÍCIO DA FELICIDADE
Felizmente, as emoções positivas também são contagiantes, o que faz delas uma poderosa ferramenta na nossa busca pelo alto desempenho no ambiente de trabalho.

O contágio emocional positivo tem início quando mimetizamos subconscientemente a linguagem corporal, o tom de voz e as expressões faciais das pessoas que nos cercam. Por mais incrível que isso possa parecer, uma vez que as pessoas mimetizam os comportamentos físicos ligados a essas emoções, isso faz elas também sentirem as mesmas emoções.

O ato de sorrir, por exemplo, faz o seu cérebro achar que você está feliz, de forma que ele começa a produzir as substâncias neuroquímicas que de fato fazem você se sentir feliz. (Os cientistas chamam isso de a hipótese do feedback facial e esse conceito constitui a base da recomendação “Finja até virar verdade”. Apesar de a positividade autêntica sempre vencer sua contrapartida falsa, há evidências significativas de que mudar o seu comportamento primeiro – até mesmo a sua expressão facial e postura – pode acionar a mudança emocional.)8
Dessa forma, quanto mais felizes forem as pessoas ao seu redor, mais feliz você ficará. É por isso que rimos mais em um filme cômico quando estamos em um cinema cheio de pessoas que também estão rindo (e é por isso que os programas cômicos na TV incluem risadas ao fundo). De forma similar, quanto mais felizes nos sentimos no trabalho, mais positividade transmitimos aos nossos colegas e clientes, o que pode acabar alterando as emoções de toda uma equipe de trabalho.
Poucas pessoas esclareceram esse efeito dominó com mais perfeição do que Sigal Barsade, psicólogo de Yale, que conduziu um estudo no qual atribuiu aos voluntários uma tarefa em grupo e instruiu em segredo um membro do grupo a ser
abertamente positivo.9 Feito isso, ele filmou as pessoas realizando a tarefa, analisou as emoções de cada membro da equipe antes e depois da sessão e avaliou o desempenho tanto individual quanto do grupo na realização da tarefa. Os resultados foram notáveis: quando o membro da equipe instruído a manter uma atitude positiva entrou na reunião, seu estado de espírito se mostrou instantaneamente contagiante, espalhando-se por toda a sala e contagiando as pessoas. Além disso, seu estado de espírito positivo melhorou o desempenho individual de cada membro da equipe bem como a capacidade do grupo de realizar a tarefa. As equipes nas quais uma pessoa acionava o contágio emocional positivo apresentaram menos conflitos entre o grupo, mais cooperação e – o mais importante –, um melhor desempenho global na realização da tarefa em questão. Apenas um membro da equipe com uma atitude positiva – uma pessoa aplicando o conceito do Benefício da Felicidade – pode afetar tanto o desempenho e as atitudes individuais das pessoas ao seu redor quanto a dinâmica e as realizações do grupo como um todo.
É verdade que algumas pessoas têm um efeito mais poderoso do que outras sobre a atitude emocional do grupo. Para começar, quanto mais sinceramente expressiva a pessoa é,
mais a sua atitude mental e seus sentimentos se espalham.10 Mas, se não for tão fácil para você expressar abertamente a positividade, existem outras maneiras pelas quais os seus próprios hábitos positivos podem se tornar contagiantes. Por exemplo, quanto mais fortes forem as suas conexões sociais,

mais influência você exercerá. Você pode ter notado que, quando passa um tempo com um amigo íntimo, vocês se sentem em sintonia um com o outro. Isso acontece porque a atividade neural do centro emocional do seu cérebro está espelhando a atividade do outro – e vice-versa – e logo vocês atingem uma sincronia, como dois pianos tocando a mesma música. Quando vocês caminham juntos, seus braços e pernas chegam a se mover em sincronia. Vocês dois sentem afinidade um com o outro – a base da conexão social positiva é um importante meio de espalhar o Benefício da Felicidade. A afinidade demanda toda a nossa atenção, nossa cordialidade e nossa capacidade de
resposta coordenada.11 Em troca, sentimos uma ressonância que não apenas aumenta a nossa felicidade como efetivamente faz sermos mais bem-sucedidos e produtivos. Trabalhadores unidos pela afinidade pensam com mais criatividade e eficiência, e equipes em harmonia apresentam níveis mais elevados de desempenho – seus pensamentos estão em sintonia e o cérebro de todos eles está efetivamente trabalhando como um só.
Quanto mais socialmente engajados estamos, mais chances temos de atingir esse nível de afinidade, o que, por sua vez, faz
o nosso próprio comportamento ser mais contagiante. Então, quando modelamos o tipo de atitude mental e hábitos que promovem o alto desempenho, na verdade estamos instilando essa mesma atitude mental e hábitos nos nossos colegas, amigos e entes queridos. Um estudo com estudantes do Dartmouth College conduzido pelo economista Bruce Sacerdote ilustra o poder dessa influência.12 Ele descobriu que, quando alunos com notas baixas simplesmente passam a dividir um quarto de dormitório com alunos com notas mais altas, as médias do primeiro grupo de alunos aumentava. Esses alunos, de acordo com os pesquisadores, “pareciam contagiar uns aos outros com bons e maus hábitos de estudo – de forma que um companheiro de quarto com notas mais altas acabava elevando as de seus colegas que eram mais baixas”.
Uma maneira de desenvolver a afinidade e, dessa forma, estender essa influência, se dá por meio do contato visual. Estudos demonstram que a afinidade é reforçada entre duas pessoas quando seus olhares se encontram, provando que a antiga recomendação profissional de sempre olhar as pessoas nos olhos representa, na verdade, um conselho cientificamente
correto.13 Também é por isso que os casais muitas vezes dizem um ao outro “olhe para mim quando estou falando” e porque os orgasmos são mais intensos quando olhamos nosso parceiro ou

parceira nos olhos. O contato visual aciona nossos neurônios de espelhamento e, quando isso acontece, o resultado é um melhor desempenho, independentemente de estarmos na sala do conselho de administração ou no quarto.
O poder de acionar o contágio emocional positivo se multiplica se você ocupar uma posição de liderança. Estudos revelam que, quando os líderes estão de bom humor, seus subordinados têm mais chances de também ficar de bom humor, exibir comportamentos pró-sociais de assistência aos outros membros da equipe e coordenar tarefas com mais eficiência e
menos empenho.14 Passe muito tempo perto de um chefe sisudo ou ansioso e você começará a se sentir triste ou estressado, não importa como se sentia originalmente. Agora, se o seu chefe estiver usando os sete princípios para aumentar
o próprio nível de positividade, a mera proximidade com ele lhe permitirá começar a sentir os benefícios. E não só uma maior felicidade, mas todas as vantagens que se seguem a ela, em um efeito cascata. Como sabemos agora, as pessoas com um estado de espírito positivo são mais capazes de pensar com mais criatividade e lógica, solucionar problemas mais complexos e até ser melhores negociadores. Não é surpresa alguma, portanto, que os CEOs com as pontuações mais elevadas na escala de expressão positiva tenham mais chances de ter colaboradores que relatam serem felizes e que descrevem seu ambiente de trabalho como propenso ao bom desempenho.15 Estudos similares envolvendo equipes esportivas descobriram não apenas que um jogador feliz bastava para influenciar o estado de espírito do time inteiro, como também que, quanto mais feliz era o time, melhor ele
jogava.16 Dessa forma, mesmo sem tentar mudar ativamente seu estilo de liderança, utilizar esses sete princípios para elevar seu próprio nível de positividade começará a melhorar a dinâmica de grupo – e o desempenho – da sua equipe toda.
Isso significa que liderar pelo exemplo é muito mais do que um simples mantra vazio. A aplicação dos sete princípios na sua vida pode acabar se tornando a sua ferramenta de liderança mais eficaz, e você nem precisa estar consciente disso. Vejamos o exemplo de um executivo que vem escrevendo uma lista de gratidão todas as noites antes de dormir. Ao conduzir a reunião matinal de sua equipe, ele agora está com uma atitude mental que lhe permite identificar mais oportunidades de ser positivo, o que pode levá-lo a elogiar o trabalho de um de seus subordinados diretos. Isso, por sua vez,
(a) inculca emoções positivas no cérebro da pessoa que foi
elogiada e a ajuda a pensar com mais criatividade e eficiência;
(b) lhe proporciona um maior senso de realização por ter atingido uma meta, por menor que seja, e, dessa forma, mais confiança para buscar atingir metas cada vez maiores; e (c) acende aquela fagulha que desenvolve uma conexão de qualidade entre o executivo e seu colaborador e consolida a coesão social e o comprometimento organizacional do grupo todo. Tudo isso garante que cada pessoa na sala propagará a positividade aos próprios subordinados e assim por diante, e cada pessoa – e a organização como um todo – acabará se beneficiando desse processo. Assim, o que começou como um exercício pessoal em casa para um membro da liderança administrativa acaba descendo em cascata a todas as pessoas em todos os níveis da organização. TODA GRANDE ONDA COMEÇA PEQUENA
Dizem que uma única borboleta batendo as asas pode criar um furacão do outro lado do mundo. De acordo com essa teoria, conhecida como o Efeito Borboleta, o bater das asas de uma borboleta pode ser apenas um minúsculo movimento, mas cria uma pequena rajada de vento que acaba ganhando velocidade e força. Em outras palavras, uma minúscula mudança pode acionar uma cascata de mudanças maiores.
Cada um de nós é como essa borboleta. E cada minúsculo movimento na direção de uma atitude mental positiva pode propagar ondas de positividade por toda a nossa organização, família e comunidade. Lembra que falamos, na Parte 1, sobre como nunca poderemos realmente saber a verdadeira extensão do nosso potencial? Bem, o efeito propagador é o exemplo perfeito de como a nossa influência e o nosso poder não têm nenhum limite discernível real.
Quando você capitaliza o Benefício da Felicidade, está fazendo muito mais que melhorar o seu próprio bem-estar e desempenho. Quanto mais você desfruta dos princípios apresentados neste livro, mais as pessoas ao seu redor também desfrutam. No Princípio 1, falamos sobre a revolução coperniciana que vem ocorrendo no campo da psicologia e como, da mesma forma como Copérnico descobriu que a Terra na verdade gira em volta do Sol, e não o contrário, avanços recentes na psicologia positiva e na neurociência nos ensinaram que o sucesso orbita em torno da felicidade, e não o contrário. Bem, acontece que, como vimos neste capítulo, essa constatação é ainda mais revolucionária do que poderíamos ter

imaginado. Isso porque agora também sabemos que não é só o nosso próprio sucesso individual que gira em torno da nossa felicidade. Ao promover mudanças em nós mesmos, podemos propagar os proveitos do Benefício da Felicidade às nossas equipes, empresas e a todas as pessoas que nos cercam.
NOTAS
1 CHRISTAKIS, N. A.; FOWLER, J. Connected. New York: Little, Brown and Company, 2009.
2 THOMPSON, C. Are your friends making you fat? New York Times, 10 set. 2009.
3 Um pioneiro no campo da neurociência escreveu recentemente um livro que consegue explicar de maneira notável a complexa ciência por trás dos neurônios de espelhamento e como eles se relacionam com a empatia: IACOBONI, M. Mirroring people. New York: Picador, 2008.
4 GOLEMAN, D. Social intelligence. New York: Bantam, 2006. p. 65.
5 FRIEDMAN, H.; RIGGIO, R. Effect of individual differences in nonverbal expressiveness on transmission of emotion. Journal of Nonverbal Behavior, 1981, 6, p. 96-104.
6 GOLEMAN, D. Social intelligence. New York: Bantam, 2006. p. 14.
7 KELLY, J. R.; BARSADE, S. G. Mood and emotions in small groups and work teams. Organizational Behavior and Human Decision Processes, set. 2001, 86, p. 99-130.
8 ZAJONC, R. B.; MURPHY, S. T.; INGLEHART, M. Feeling and facial efference: implications for the vascular theory of emotion. Psychological Review, 1989, 96, p. 395-416.
9 BARSADE, S. G. The ripple effect: emotional contagion and its influence on group behavior. Administrative Science Quarterly,
2002, 47, p. 644-675.
10 FRIEDMAN, H.; RIGGIO, R. Effect of individual differences in nonverbal expressiveness on transmission of emotion. Journal of Nonverbal Behavior, 1981, 6, p. 96-104.
11 GOLEMAN, D. Social intelligence. New York: Bantam, 2006. p. 29-37.
12 THOMPSON, C. Are your friends making you fat? New York Times, 10 set. 2009.

13 GOLEMAN, D. Social Intelligence. New York: Bantam, 2006.
p. 30. Goleman cita BAVELAS, J. B., et al. I show how you feel: motor mimicry as a communicative act. Journal of Social and Personality Psychology, 1986, 50, p. 322-329. 14 GEORGE, J. M.; BETTENHAUSEN, K. Understanding prosocial behavior, sales performance, and turnover: a group level analysis in a service context. Journal of Applied Psychology, 1990, 75, p. 698-709; SY, T.; COTE, S.; SAAVEDRA,
R. The contagious leader: impact of the leader’s mood on the mood of group members, group affective tone, and group processes. Journal of Applied Psychology, 2005, 90, p. 295-305. 15 LYUBOMIRSKY, S.; KING, L. A.; DIENER, E. The benefits of frequent positive affect: does happiness lead to success Psychological Bulletin, 2005, 131, p. 803-855.
16 TOTTERDELL, P. Catching moods and hitting runs: mood linkage and subjective performance in professional sports teams. Journal of Applied Psychology, 2000, 85, p. 848-859.

ISBN : 9788502180284
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ.
A163jAchor, Shawn O jeito Harvard de ser feliz : o curso mais concorrido de uma das melhores universidades do mundo / Shawn Achor ; tradução Cristina Yamagami. – São Paulo: Saraiva, 2012. Tradução de: The happiness advantage

  1. Trabalho – Aspectos psicológicos. 2. Felicidade. 3. Psicologia positiva I. Título. 12-3331. 18.05.12 25.05.12 CDD: 158.7 CDU: 005.32 035649
    Traduzido de The happiness advantage, de Shaw Achor. Tradução autorizada da edição em inglês publicada nos Estados Unidos por Crown Publishing Group, uma divisão da Random House, Inc.
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Brasília GOIÁS/TOCANTINS Av. Independência, 5330 – Setor Aeroporto Fone: (62) 3225-2882/3212-2806 / 3224-3016 – Goiânia MATO GROSSO DO SUL/MATO GROSSO Rua 14 de Julho, 3148 – Centro Fone: (67) 3382-3682/3382-0112 – Campo Grande MINAS GERAIS Rua Além Paraíba, 449 – Lagoinha Fone: (31) 3429-8300 – Belo Horizonte PARÁ/AMAPÁ Travessa Apinagés, 186 – Batista Campos Fone: (91) 3222-9034 / 3224-9038 / 3241-0499 – Belém PARANÁ/SANTA CATARINA Rua Conselheiro Laurindo, 2895 – Prado Velho Fone: (41) 3332-4894 – Curitiba PERNAMBUCO/ ALAGOAS/ PARAÍBA/ R. G. DO NORTE Rua Corredor do Bispo, 185 – Boa Vista Fone: (81) 3421-4246 / 3421-4510 – Recife RIBEIRÃO PRETO/SÃO PAULO Av. Francisco Junqueira, 1255 – Centro Fone: (16) 3610-5843 / 3610-8284 – Ribeirão Preto RIO DE JANEIRO/ESPÍRITO SANTO Rua Visconde de Santa Isabel, 113 a 119 – Vila Isabel Fone: (21) 2577-9494 / 2577-8867 / 2577-9565 – Rio de Janeiro RIO GRANDE DO SUL Av. A. J. Renner, 231 – Farrapos Fone: (51) 3371-4001/3371-1467 / 3371-1567 – Porto Alegre SÃO JOSÉ DO RIO PRETO/SÃO PAULO (sala dos professores) Av. Brig. Faria Lima, 6363 – Rio Preto Shopping Center – V. São José

Fone: (17) 3227-3819 / 3227-0982/3227-5249 – São José do Rio Preto
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SÃO PAULO (sala dos professores)
Rua Santa Luzia, 106 – Jd. Santa Madalena Fone: (12) 3921-0732 – São José dos Campos
SÃO PAULO
Av. Antártica, 92 – Barra Funda Fone PABX: (11) 3613-3666 – São Paulo

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