PERDÃO ÀQUELES QUE, COMO NÓS, TAMBÉM SE EQUIVOCAM


Márcia Arruda

    Existem grandes dores que envolvem a criatura humana e uma delas é a falta do perdão entre aquele que foi ofendido e aquele que ofendeu.

Muitas vezes, por acharmos que somos incapazes de conseguir tamanho desprendimento e que somente Deus e Jesus são capazes de perdoar, caminhamos com um grande equívoco em acreditarmos que, para perdoar, precisamos esquecer o que nos fizeram. Assim, sentenciamos que somos incapazes de alcançar tal objetivo.

Ora, esquecer é tirar da memória.

Como as ofensas nos marcam muito, mantemos em nossa mente o que consideramos como ofensa, ressentindo-nos, rememorando cada detalhe da ofensa, constituindo verdadeiros tesouros. Aí está o que Jesus nos disse numa citação de Mateus, cap. 6: 19, 21 e 25a 34: “… onde está o vosso tesouro, aí está também o vosso coração”!

    Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo X, item 4, Kardec nos fala sobre a misericórdia, ressaltando que: “A misericórdia consiste no esquecimento e no perdão das ofensas”. Observemos que se o perdão fosse igual ao esquecimento das ofensas, Kardec não teria dito que: “A misericórdia consiste no esquecimento e no perdão das ofensas”.

    Perdão quer dizer: Remissão de uma falta ou ofensa. Remissão quer dizer: Ação ou efeito de remitir. Remitir quer dizer: 1. Ceder. 2. Diminuir de intensidade. Logo, entendemos que esquecimento é diferente de perdão, porque um nos leva a deletar totalmente de nossa memória e o outro a diminuir a intensidade da lembrança, do ressentimento, da mágoa, possibilitando-nos desculpar.

    O esquecimento das ofensas é a consequência do perdão das ofensas. Precisamos buscar a causa da ofensa ou falta, refletir muito sobre aquilo que levamos e consideramos como ofensa, observar se a reação do outro não foi consequência de uma ação nossa, se não é fruto de uma interpretação equivocada. Isso nos leva ao esforço em diminuir de intensidade a gravidade, a valorização de um insulto, de uma inveja, de uma demonstração de raiva. Quando alguém nos quer dar um presente e não queremos aceitá-lo, o presente continua pertencendo a quem os carrega consigo. A nossa paz interior, depende exclusivamente de nós. As pessoas não podem nos tirar a serenidade, só se nós permitirmos! Aí então estaremos preparados para o esquecimento das ofensas “próprio das almas elevadas, que estão acima dos males que lhes possam fazer”. Como nos indica Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no cap. X, item 4.

    Atendamos ao apelo de Jesus quando trata das nossas dores mais íntimas “Se vosso irmão pecou contra vós, ide e falai-lhe sobre a falta em particular, entre vós e ele. Se vos ouvir, tereis ganho um irmão” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. X, item 3).

    Emmanuel, mentor espiritual de Francisco Cândido Xavier, nos aconselha no livro Mais Perto, na lição “Ante os nossos adversários”: “Compreendamos aqueles que nos ofendem. Oremos pelos que nos perseguem ou caluniam. Suportemos quantos nos perturbem. Sejamos o apoio dos companheiros mais fracos”. Porque ter inimigo é natural dentro da nossa condição ainda de espírito imperfeito que somos, e muito nos equivocamos com nossos irmãos, mas ser inimigo de alguém é um contrassenso diante da magnitude e misericórdia divinas e devemos combater a inimizade com toda a força de nosso ser.

    Que sejamos misericordiosos com os nossos irmãos como nosso Pai Celestial é misericordioso conosco, amando-nos, pois Deus compreende nossa ignorância. Portanto, Deus nos ama e nos inspira sempre para o bem.

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