BARUCH ESPINOZA


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Benedito de Espinosa
ברוך שפינוזה
Nascimento24 de novembro de 1632
AmsterdãPaíses Baixos
Morte21 de fevereiro de 1677 (44 anos)
Haia, Países Baixos
Nacionalidadeholandesa
Ocupaçãoartesão, filósofo
Magnum opusÉtica
Tractatus Theologico-Politicus
Escola/tradiçãoPanteísmo naturalistaespinozismo (fundador), racionalismoeudemonismocartesianismo
Principais interessesÉticametafísicateoria do conhecimentoteologiaLógica
Ideias notáveisconatus, interpretação histórico-critica da Bíblia
Assinatura

Baruch de Espinosa,[1] nascido de Benedito de Espinosa (Amsterdão24 de novembro de 1632 — Haia21 de fevereiro de 1677), foi um dos grandes racionalistas e filósofos do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, ao lado de René Descartes e Gottfried Leibniz. Nasceu nos Países Baixos, no seio de uma família judaica portuguesa que havia fugido da inquisição lusitana, e é considerado o fundador da crítica bíblica moderna.

Índice

Prenomes

Recebeu dos pais portugueses o nome de Benedito de Espinosa. Assinou Baruch em vários trabalhos, pela condição de judeu nascido e criado em Amsterdão. Adotou Benedictus, a forma correspondente latina, para assinar a sua Ethica, depois do chérem em seu nome, em 1656.[2]

Vida

A sua família fugiu da Inquisição de Portugal. Foi um profundo estudioso da Bíblia, do Talmude e de obras de judeus como MaimónidesBen GhersonIbn EzraHasdai CrescasIbn GabirolMoisés de Córdoba e outros. Também se dedicou ao estudo de SócratesPlatãoAristótelesDemócritoEpicuroLucrécio e Giordano Bruno. Ganhou fama pelas suas posições opostas à superstição: a sua frase Deus sive natura, “Deus, ou seja, a Natureza” é um conceito filosófico, e não religioso. Notabilizou-se também por ter escrito sua ética na forma de postulado e definições, como se fosse um tratado de geometria.

Chérem

banimento, que foi escrito em português

Em 27 de julho de 1656, a Sinagoga Portuguesa de Amsterdão puniu Espinoza com o chérem, o equivalente hebraico da excomunhão católica, pelos seus postulados a respeito de Deus em sua obra, defendendo que Deus é o mecanismo imanente da natureza, e que a Bíblia é uma obra metafóricoalegórica, que não pede leitura racional e não exprime a verdade sobre Deus.[2]

O banimento (texto original em português)

Os Senhores do Mahamad [Conselho da Sinagoga] fazem saber a Vosmecês: como há dias que tendo notícia das más opiniões e obras de Baruch de Spinoza procuraram, por diferentes caminhos e promessas, retirá-lo de seus maus caminhos, e não podendo remediá-lo, antes pelo contrário, tendo cada dia maiores notícias das horrendas heresias que cometia e ensinava, e das monstruosas ações que praticava, tendo disto muitas testemunhas fidedignas que deporão e testemunharão tudo em presença do dito Spinoza, coisas de que ele ficou convencido, o qual tudo examinado em presença dos senhores Hahamim [conselheiros], deliberaram com seu parecer que o dito Spinoza seja heremizado [excluído] e afastado da nação de Israel como de fato o heremizaram com o Herem [anátema] seguinte:”Com a sentença dos Anjos e dos Santos, com o consentimento do Deus Bendito e com o consentimento de toda esta Congregação, diante destes santos Livros, nós heremizamos, expulsamos, amaldiçoamos e esconjuramos Baruch de Spinoza […] Maldito seja de dia e maldito seja de noite, maldito seja em seu deitar, maldito seja em seu levantar, maldito seja em seu sair, e maldito seja em seu entrar […] E que Adonai [Soberano Senhor] apague o seu nome de sob os céus, e que Adonai o afaste, para sua desgraça, de todas as tribos de Israel, com todas as maldições do firmamento escritas no Livro desta Lei. E vós, os dedicados a Adonai, que Deus vos conserve todos vivos. Advertindo que ninguém lhe pode falar pela boca nem por escrito nem conceder-lhe nenhum favor, nem debaixo do mesmo teto estar com ele, nem a uma distância de menos de quatro côvados, nem ler Papel algum feito ou escrito por ele.”

Conforme Will Durant, o chérem de Espinoza pelos judeus de Amsterdã (tal como ocorrera com as atitudes que levaram à retratação e posterior suicídio de Uriel da Costa em 1647) seria um gesto de “gratidão” por parte dos judeus para com o povo holandês. Embora os pensamentos de da Costa não fossem totalmente estranhos para o judaísmo, contradiziam os pilares da crença cristã. Os judeus, perseguidos por toda a Europa na época, especialmente pelos governos ibéricos e pelos governos luteranos alemães, haviam recebido abrigo, proteção e tolerância dos protestantes de inspiração calvinista dos Países Baixos e, assim, não poderiam permitir, no seio de sua comunidade, um pensador tido como herege.

Pós-chérem

Após o chérem, adotou o primeiro nome “Benedictus” (termo latino para “Bendito”, isto é, uma tradução do seu nome original, Benedito), assim atestando seu desvencilho da religião judaica.

Para sua subsistência, trabalhava com polimento de lentes durante os períodos em que viveu em casas de famílias em Outerdek (próximo a Amsterdã) e em Rijnsburg, tendo recusado várias oportunidades e recompensas durante sua vida, em prestigiosas posições de ensino. Em 1670 mudou-se para a cidade da Haia, e desenvolveu suas principais obras. Convidado a lecionar na Universidade de Heidelberg, recusou porque teria de acatar as normas ideológicas da universidade e seria impossível continuar com a sua obra de forma independente. Uma vez que as reações públicas ao seu Tratado Teológico-Político não lhe eram favoráveis, absteve-se de publicar seus trabalhos. A Ética foi publicada após sua morte, na Opera Postuma editada por seus amigos.

Morte

Morreu em um domingo, 21 de fevereiro de 1677, aos 44 anos, vitimado pela tuberculose. Morava então com a família Van den Spyck, na Haia. A família havia ido à igreja e o deixara com o amigo doutor Meyer. Ao voltarem, encontraram-no morto. Encontra-se sepultado no pátio da Nieuwe Kerk, na Haia, nos Países Baixos.[3]

Traços físicos

Conforme Colerus, que o conheceu em Rijnsburg, Espinoza “era baixo, feições regulares, pele cor de oliva, cabelos pretos e crespos, sobrancelhas negras e bastas, denunciando claramente a ascendência de judeus Sefardim, ou sefarditas (originalmente naturais da Península Ibérica). No vestir era muito descuidado, a ponto de quase se confundir com os cidadãos da mais baixa classe”.[4]

Reconhecimento

Estátua de Spinoza em Haia.

Suas obras o fizeram reconhecido em vida, tendo recebido cartas de figuras proeminentes como Henry Oldenburg da Royal Society; do inventor alemão Ehrenfried Walther von Tschirnhaus; do cientista holandês Huygens; de Leibnitz; do médico Louis Meyer, de Haia; e do rico mercador De Vries, de AmsterdãLuís XIV lhe ofereceu uma larga pensão para que Espinoza lhe dedicasse um livro. O filósofo recusou polidamente.

príncipe de Condé, na chefia do exército da França que invadira a Holanda, novamente convidou-o a aceitar uma pensão do rei da França e ser apresentado a vários admiradores. Spinoza, desta vez, aceitou a honraria, mas se viu em dificuldades ao retornar a Haia, por causa dessa suposta “traição“. Porém, logo o povo, ao perceber que se tratava de um filósofo, um inofensivo, se acalmou.

monumento feito em homenagem a Spinoza em Haia foi assim comentado por Renan em 1882:

Maldição sobre o passante que insultar essa suave cabeça pensativa. Será punido como todas as almas vulgares são punidas — pela sua própria vulgaridade e pela incapacidade de conceber o que é divino. Este homem, do seu pedestal de granito, apontará a todos o caminho da bem-aventurança por ele encontrado; e por todos os tempos o homem culto que por aqui passar dirá em seu coração: Foi quem teve a mais profunda visão de Deus.

retrato de Spinoza foi impresso nas antigas notas de 1 000 florins dos Países Baixos, até a introdução do euro, em 2002.

Obra

Livros

a) Publicados “post mortem”:

Escritos em latim:[5]

Conteúdo:

  • Primeira parte: Deus.
  • Segunda parte: A natureza e a Origem da Mente.
  • Terceira parte: A Origem e a Natureza dos Afetos.
  • Quarta parte: A Servidão Humana ou a Força dos Afetos.
  • Quinta parte: A Potência do Intelecto ou a Liberdade Humana.
  • Compêndio de Gramática da Língua Hebraica, inacabado.

Escritos em holandês:


b) Publicados

Conteúdo filosófico

Espinosa defendeu que Deus e Natureza eram dois nomes para a mesma realidade, a saber, a única substância em que consiste o universo e do qual todas as entidades menores constituem modalidades ou modificações. Ele afirmou que Deus sive Natura (“Deus ou Natureza” em latim) era um ser de infinitos atributos, entre os quais a extensão (sob o conceito atual de matéria) e o pensamento eram apenas dois conhecidos por nós.

A sua visão da natureza da realidade, então, fez tratar os mundos físicos e mentais como dois mundos diferentes ou submundos paralelos que nem se sobrepõem nem interagem mas coexistem em uma coisa só que é a substância. Esta formulação é uma solução muitas vezes considerada um tipo de panteísmo e de monismo, porém não por Espinosa, que era um racionalista e, por extensão, se teria um acompanhamento intelectual do Universo, como define ele em seu conceito de “Amor Intelectual de Deus”.


Espinosa também propunha uma espécie de determinismo, segundo o qual absolutamente tudo o que acontece ocorre através da operação da necessidade, e nunca da teleologia. Para ele, até mesmo o comportamento humano seria totalmente determinado, sendo então a liberdade a nossa capacidade de saber que somos determinados e compreender por que agimos como agimos. Deste modo, a liberdade para Espinosa não é a possibilidade de dizer “não” àquilo que nos acontece, mas sim a possibilidade de dizer “sim” e compreender completamente porque as coisas deverão acontecer de determinada maneira.[6]

filosofia de Espinosa tem muito em comum com o estoicismo, mas difere muito dos estoicos num aspecto importante: ele rejeitou fortemente a afirmação de que a razão pode dominar a emoção. Pelo contrário, defendeu que uma emoção pode ser ultrapassada apenas por uma emoção maior. A distinção crucial era, para ele, entre as emoções activas e passivas, sendo as primeiras aquelas que são compreendidas racionalmente e as outras as que não o são.

Substância

Para Espinoza, a substância não possui causa fora de si, ela é causa de si mesma, ou seja, uma causa sui. Ela é singular a ponto de não poder ser concebida por outra coisa que não ela mesma. Por ser causa de si, a substância é totalmente independente, livre de qualquer outra coisa, pois sua existência basta-se em si mesma. Ou seja, a substância, para que o entendimento possa formar seu conceito, não precisa do conceito de outra coisa. A substância é absolutamente infinita, pois se não o fosse, precisaria ser limitada por outra substância da mesma natureza.

Pela proposição VI da Parte I da Ética, ele afirma: “Uma substância não pode ser produzida por outra substância”, portanto, não existe nada que limite a substância, sendo ela, então, infinita. Da mesma forma, a substância é indivisível, pois, do contrário, ao ser dividida ela, ou conservaria a natureza da substância primeira, ou não. Se conservasse, então uma substância formaria outra, o que é impossível de acordo com a proposição VI; se não conservasse, então a substância primeira perderia sua natureza, logo, deixaria de existir, o que é impossível pela proposição 7, a saber: “à natureza de uma substância, pertence o existir”. Assim, a substância é indivisível.

Assim, sendo da natureza da substância absolutamente infinita existir e não podendo ser dividida, ela é única, ou seja, só há uma única substância absolutamente infinita ou Deus.

Apesar de ser denominado Deus, a substância de Espinoza é radicalmente diferente do Deus judaico-cristão, pois não tem vontade ou finalidade já que a substância não pode ser sem existir (se pudesse ser sem existir, haveria uma divisão e a substância seria limitada por outra, o que, para Espinoza, é absurdo, como foi explicado no parágrafo anterior). Consequentemente, o Deus de Espinoza não é alvo de preces e menos ainda exigiria uma nova religião.

Natureza Humana

Baruch Espinoza viveu em um tempo onde recebeu diferentes influências, um tempo de transição, que marcava o início da modernidade. O filósofo teve que ser cauteloso na exposição de seu pensamento, porque muitos de seus colegas sofreram perseguição e foram até mortos. Para Espinoza, Deus e a natureza são uma coisa só, não havendo distinção entre eles. Essa concepção exclui ideias transcendentais e entra em choque com os que acreditam no direito divino para os reis, bem como com Direitos naturais hereditários. Seu caráter Naturalista exclui a ideia Dualista de que haveria uma maneira natural de como as coisas deveriam ser. Muitos pensadores acreditavam que as coisas deveriam ser da maneira que são pela vontade de Deus: essa é uma diferença importante no pensamento de Spinoza. 

O filósofo começa a expor seu pensamento acerca da natureza humana no livro Tratado Teológico-político. Nele, o autor explica como acredita que funcionam as economias dos Afetos e Desejos e de que maneira isso afeta como vivemos. No capítulo XVI/3, encontramos um exemplo: “O direito natural e cada homem definem-se, portanto, não pela razão sã, mas pelo desejo e pela potência”. Ninguém, com efeito, está determinado a se comportar conforme as regras e as leis da razão; ao contrário, todos nascem ignorantes de todas as coisas e a maior parte de suas vidas transcorre antes que possam conhecer a verdadeira regra da vida e adquirir o estado de virtude, mesmo que tenham sido bem educados. E eles não são menos obrigados a viver e a se conservar, nessa espera, pelo simples impulso do apetite, pois a natureza não lhes deu outra coisa, e lhes recusou a potência atual de viver conforme a reta razão; logo, considerando submetido apenas ao império da natureza, tudo o que um indivíduo julgar como lhe sendo útil, seja pela conduta da razão seja pela violência de suas paixões, é-lhe permitido desejar, em virtude desejar, em virtude de um soberano direito de natureza e tomar por qualquer via que seja, pela força, pela artimanha, por preces, enfim, por meio mais fácil que lhe pareça. Consequentemente, também ter por inimigo aquele que quiser impedi-lo de se satisfazer”.[7]

Mais adiante, Spinoza vai argumentar que o uso da Razão viria a partir de um exercício, mas que ainda estamos longe de chegar lá devido às Paixões. O autor disserta: “Mas falta muito para que todos se deixem facilmente se conduzir apenas pela razão; cada um se deixa levar por seu prazer e, mais amiúde, a avareza, a glória, a inveja, o ódio etc. ocupam a mente, de tal sorte que a razão não tem qualquer lugar”.[8]

No ano de sua morte, Spinoza termina um outro livro, que seria uma continuação do anterior, dando sequência a seus pensamentos e sua teoria. No Tratado Político (Espinosa), título do novo livro, Espinosa também aborda, em diferentes momentos, a questão da natureza humana, bem como a força das paixões e os efeitos que elas produzem nos corpos. Logo no primeiro capítulo, o autor explica de que maneira ele tenta entender essas paixões e estudá-las, a fim de aplicá-las na sua teoria: “Quando, por conseguinte, apliquei o ânimo à política, não pretendi demonstrar com razões certas e indubitáveis, ou deduzir da própria condição humana, algo que seja novo ou jamais ouvido, mas só aquilo que está mais de acordo com a prática. E, para investigar aquilo que respeita a esta ciência com a mesma liberdade de ânimo que é costume nas coisas matemáticas, procurei escrupulosamente não rir, não chorar nem detestar as ações humanas, mas entendê-las. Assim não encarei os afetos humanos, como são o amor, o ódio, a ira, a inveja, a glória, a misericórdia e as restantes comoções do ânimo, como vícios da natureza humana, mas como propriedades que lhe pertencem, tanto como o calor, o frio, a tempestade, o trovão e outros fenômenos do mesmo gênero que pertencem à natureza do ar, os quais, embora sejam incômodos, são contudo necessários e têm causas certas mediante as quais tentamos entender sua natureza”.[9]

O autor expõe seu pensamento com clareza acerca da sua discordância com o pensamento comum da época. Explicando o porquê de não acreditar que as pessoas agem exclusivamente através da razão: “Depois, na medida em que cada coisa se esforça, tanto quanto esta em si, por conservar o seu ser, não podemos de forma alguma duvidar de que, se estivesse tanto em nosso poder vivermos segundo os preceitos da razão como conduzidos pelo desejo cego, todos se conduziriam pela razão e organizaram sabiamente a vida, o que não acontece minimamente, pois cada um é arrastado pelo seu prazer”.[10] Para o filósofo, as pessoas não se submetem ao estado por uma análise racional, mas por uma economia de seus desejos, sejam eles medo ou esperança. São as paixões que, em acordo com outras Paixões, encontram vontades comuns que permitem que as pessoas se agrupem em “estados” e, assim, se submetam de alguma maneira a algum sistema. Seja ele monárquico aristocrático ou democrático. “Longe de ser fruto de uma ruptura com a natureza, o estado forma-se no âmbito desta, mediante a dinâmica afetiva, ou passional, que associa ou põe em confronto os indivíduos”. “Por isso também, a essência do político é impossível de se confundir com uma qualquer moldura racional de onde e no interior da qual as normas de conduta fossem deduzidas, de modo a imporem-se como condição necessária e legítima da paz e da estabilidade”.[11]

Observamos que Spinoza defende uma espécie de sistema econômico de gerenciamento dos afetos, tanto por parte dos súditos, como do Soberano. Esse gerenciamento é subjetivo, e acontece individualmente, com efeitos no coletivo. Cabe, aos súditos, sentirem sua Potência, a fim de preservar sua vida, e maximizar sua liberdade, bem como o soberano de não impor sistema rígido demais que encurrale seus súditos a ponto de que esses se rebelem. O estado mais “racional”, é aquele que consegue entender as demandas da sua população, e promover uma espécie de bem-estar. A paz imposta pelo medo, como ausência de guerra, é sempre temporária. O bem-estar de todos é o que ajuda a manter o estado coeso. Esse sistema é precário, e está sempre sujeito a avaliações e adequações para melhor atender a todos, defendendo, assim, até a manutenção do estado pelo soberano. Spinoza entende o estado como a potência da Multidão, e define, no TP 2/17, os sistemas políticos que podem constituir esse estado. O autor esclarece: “Detém–no absolutamente quem, por consenso comum, tem a incumbência da república, ou seja, de estatuir, interpretar e abolir direitos, fortificar as urbes, decidir sobre guerra e paz etc. E se esta incumbência pertencer a um conselho que é composto pela multidão comum, então o estado chama–se Democracia; mas se for composto só por alguns eleitos, chama–se Aristocracia; e se finalmente, a incumbência da República e por conseguinte, o estado, estiver nas mãos de um só, então chama–se Monarquia“.[12] Com isso, podemos concluir o pensamento de Spinoza e entender como a Natureza age sobre as e através das potências de todos e como isso influencia o estado e o sistema político.

Os afetos – o desejo, a alegria e a tristeza

Os corpos se individualizam em razão do “movimento e do repouso”, da “velocidade e lentidão” e não em função de alguma substância particular (escólio 1 da proposição 13 da parte 2 da Ética), e a identidade individual através do tempo e da mudança consiste na manutenção de uma determinada proporção de movimento e repouso das partes do corpo (proposição 13 da parte 2 da Ética). O corpo humano é um complexo de corpos individuais, e é capaz de manter suas proporções de movimento e de repouso ao passar por uma ampla variedade de modificações impostas pelo movimento e repouso de outros corpos. Essas modificações são o que Espinoza chama de “afecções”.[13]

Uma afecção que aumenta a capacidade do corpo de manter suas proporções características de movimento e repouso aumenta a “potência de agir” e tem, em paralelo, na mente, uma modificação que aumenta a “potência de pensar”. A passagem de uma potência menor para uma maior é o “afeto de alegria” (definição dos afetos, parte 2 da Ética). Uma afecção que diminui a potência do corpo de manter as proporções de movimento e repouso diminui a potência de agir e tem, em paralelo, na mente, uma diminuição da potência de pensar. A passagem de uma potência maior para uma menor é o “afeto de tristeza”. Já uma afecção que ultrapassa as proporções de movimento e repouso dos corpos que compõe o corpo humano destrói o corpo humano e a mente (morte).

Os indivíduos (mentes e corpos) se esforçam em perseverar em sua existência tanto quanto podem (proposição 6 da parte 3 da Ética). Eles sempre se esforçam para ter alegria, isto é, um aumento de sua potência de agir e de pensar, e eles sempre se opõem ao que lhes causa tristeza, ou seja, aquilo que diminui sua capacidade de manter as proporções de movimento e repouso características de seu corpo. O esforço por manter e aumentar a potência de agir do corpo e de pensar da mente é o que Espinoza chama de “desejo” (conatus).

Não é por julgarmos uma coisa boa que nos esforçamos por ela, que a queremos, que a apetecemos, que a desejamos, mas, ao contrário, é por nos esforçarmos por ela, por querê-la, por apetecê-la, por desejá-la, que a julgamos boa.

– Espinoza, Ética, parte 3, proposição 9 esc.

As afecções que são atribuídas à “ação” do corpo humano testemunham o aumento de sua potência de agir e de pensar e, por isso, o afeto de alegria sempre impulsiona a atividade. Em contraste, as afecções que diminuem a potência de agir e de pensar (provocando tristeza) testemunham sempre a passividade do corpo humano, são sempre passivas, são “paixões” (do grego pathos, “sofrer uma ação”).

Para Espinoza, a ilusão dos homens de que suas ações resultam de uma livre decisão da mente é consequência de eles serem conscientes apenas de suas ações enquanto ignoram as causas pelas quais são determinados, o que faz com que suas ações sejam determinadas pelas paixões. Isso é o que ele chama de “primeiro gênero de conhecimento”, “imaginação” ou “ideias inadequadas” (a consciência de nossos afetos, e a inconsciência do que os determina). O “segundo gênero de conhecimento” são as “noções comuns” ou “ideias adequadas”, que se caraterizam pela consciência do que nos determina a agir. As ideias adequadas sempre são efeitos da alegria, acarretam alegria e impulsionam a atividade, enquanto a imaginação (ideias inadequadas) se caracteriza pela passividade e pelo acaso de causar ou ser efeito da alegria ou da tristeza.

[…] uma criancinha acredita apetecer, livremente, o leite; um menino furioso, a vingança; e o intimidado, a fuga. Um homem embriagado também acredita que é pela livre decisão de sua mente que fala aquilo sobre o qual, mais tarde, já sóbrio, preferiria ter calado. Igualmente, o homem que diz loucuras, a mulher que fala demais, a criança e muitos outros do mesmo gênero acreditam que assim se expressam por uma livre decisão da mente, quando, na verdade, não são capazes de conter o impulso que os leva a falar. Assim, a própria experiência ensina, não menos claramente que a razão, que os homens se julgam livres apenas porque são conscientes de suas ações, mas desconhecem as causas pelas quais são determinados. Ensina também que as decisões da mente nada mais são do que os próprios apetites: elas variam, portanto, de acordo com a variável disposição do corpo. Assim, cada um regula tudo de acordo com o seu próprio afeto e, além disso, aqueles que são afligidos por afetos opostos não sabem o que querem, enquanto aqueles que não têm nenhum afeto são, pelo menor impulso, arrastados de um lado para outro. Sem dúvida, tudo isso mostra claramente que tanto a decisão da mente, quanto o apetite e a determinação do corpo são, por natureza, coisas simultâneas, ou melhor, são uma só e mesma coisa, que chamamos decisão quando considerada sob o atributo do pensamento e explicada por si mesma, e determinação, quando considerada sob o atributo da extensão e deduzida das leis do movimento e do repouso […]

– Spinoza, Ética, parte 3, proposição 2 esc.

A grande inovação da ética de Espinoza foi que, nela, a razão não se opõe aos afetos, pelo contrário, a própria razão é um afeto, um desejo de encontrar ou criar as oportunidades de alegria na vida e de evitar ou desfazer ao máximo as circunstâncias que causam tristeza, mas o próprio desejo-razão (do mesmo modo que os outros tipos de afetos) não depende da vontade livre, mas de afecções que fogem ao controle do indivíduo porque são modos da substância única infinita, que não tem finalidade nem providência. Em diversas obras,[14][15] Espinoza diz que é nocivo (diminui nossa potência de agir e de pensar) ridicularizar ou reprovar alguém dominado pelas paixões, porque isso não depende da livre decisão da mente. O único modo do homem que se guia pela razão ajudar os outros é, nas palavras de Espinoza:

Não rir nem chorar, mas compreender.

– Espinoza, Tratado Político

ética de Espinoza é a ética da alegria. Para ele, só a alegria é boa, unicamente a alegria nos leva ao amor (que ele define como a ideia de alegria associada a uma causa exterior) no cotidiano e na convivência com os outros, enquanto a tristeza sempre é má, intrinsecamente relacionada ao ódio (que ele define como a ideia de tristeza associada a uma causa exterior), a tristeza sempre é destrutiva para nós e para os outros.

O terceiro gênero de conhecimento – beatitude

Além dos dois gêneros citados anteriormente, Espinoza afirma ainda um terceiro, chamado beatitude. Esse conhecimento se caracteriza por compreender, nas coisas singulares, o aspecto da eternidade (sub specie aeternitatis). Seria algo como ver as coisas singulares como inseparáveis dos modos da substância infinita e eterna (Deus), compreendendo que as coisas singulares são elas mesmas eternas, existindo fora do tempo. Esse é um dos conceitos de Espinoza mais controversos e discutidos.[16]

A influência

Spinoza ficou considerado como maldito por muitos anos após sua morte. Quem recuperou sua reputação foi o crítico alemão Gotthold Ephraim Lessing em seus diálogos com Johann Jakob Reiskei em 1784. Na sequência, o filósofo foi citado, elogiado e inspirou pessoas como os teólogos liberais Johann Gottfried von Herder e Friedrich Schleiermacher, o poeta católico Novalis e o polímata Johann Wolfgang von Goethe.

Da combinação do pensamento de Spinoza com a epistemologia de Immanuel Kant, saíram os “panteísmos” de Johann Gottlieb FichteFriedrich Wilhelm Joseph von Schelling e de Georg Wilhelm Friedrich Hegel. Influenciou os conceitos de Arthur SchopenhauerFriedrich Nietzsche e Henri Bergson “vontade de viver”, “vontade de poder” e “élan vital”, respectivamente. Inspirou o pensador inglês Samuel Taylor Coleridge, bem como os poetas e também ingleses William Wordsworth e Shelley.

No Brasil, Bader Burihan Sawaia trouxe a influência de Espinoza para a Psicologia Sócio-Histórica, enfatizando, em bases materialistas-dialéticas a importância da afetividade como categoria fundamental do psiquismo.[17]

Bibliografia

Sobre Espinoza

  • Gabriel Albiac, 1987. La sinagoga vacía: un estudio de las fuentes marranas del espinosismoMadridHiperión D.L. ISBN 84-7517-214-8
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  • Boucher, Wayne I., 1999. Spinoza in English: A Bibliography from the Seventeenth Century to the Present. 2nd edn. Thoemmes Press.
  • Boucher, Wayne I., ed., 1999. Spinoza: Eighteenth and Nineteenth-Century Discussions. 6 vols. Thommes Press.
  • Damásio, António 2003. Looking for Spinoza: Joy, Sorrow, and the Feeling Brain, Harvest Books, ISBN 978-0-15-602871-4
  • Gilles Deleuze, 1968. Spinoza et le problème de l’expression. Trans. “Expressionism in Philosophy: Spinoza”.
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  • Matheron, Alexandre, 1969. Individu et communauté chez Spinoza, Paris: Minuit.
  • Nadler, Steven, 1999. Spinoza: A Life. Cambridge Uni. Press. ISBN 0-521-55210-9 (Tr.: “Espinosa: vida e obra”. Europa-America editora, 2003).
  • Antonio Negri, 1991. The Savage Anomaly: The Power of Spinoza’s Metaphysics and Politics.
  • ———, 2004. Subversive Spinoza: (Un)Contemporary Variations).
  • Michael Hardt, trans., University of Minnesota Press. Preface, in French, by Gilles Deleuze, available here.
  • Pierre-Francois Moreau, 2003, Spinoza et le spinozisme, PUF (Presses Universitaires de France)
  • Goce Smilevski: Conversation with SPINOZA. Chicago: Northwestern University Press, 2006.
  • Stoltze, Ted and Warren Montag (eds.), The New Spinoza Minneapolis: University of Minnesota Press, 1997.
  • Yovel, Yirmiyahu, “Spinoza and Other Heretics”, Princeton, Princeton University Press, 1989.
  • Marilena Chaui, “Espinosa, uma filosofia da liberdade”, São Paulo, Moderna, 1995.
  • Marilena Chaui, “A Nervura do real. Imanência e liberdade em Espinosa”, São Paulo, Cia. das Letras, 1999.
  • Marilena Chaui, “Política em Espinosa”, São Paulo, Cia. das Letras, 2003.
  • Roger Scruton, Espinosa, São Paulo, Unesp, 2000.

Traduções

Para o português

  • Tratado Político. Tradução, introdução e notas: Diogo Pires. Revisão da tradução de Homero Santiago. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009. ISBN 978-85-7827-141-1
  • Tratado Teológico-político. Organização J. Guinsburg, Newton Cunha, Roberto Romano. Tradução J. Guinsburg, Newton Cunha. 1 ed. São Paulo: Perspectiva, 2014. 
  • Ética. Tradução de Tomaz Tadeu. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
  • Victor Civita. Editor. Os Pensadores: Espinoza. São Paulo: Abril Cultural, 1983, 3a edição.

Inclui as seguintes obras: Pensamentos MetafísicosTratado da Correção do IntelectoÉticaTratado PolíticoCorrespondência. Inclui também “Espinoza: Vida e Obra”, de Marilena de Souza Chauí

  • Ética. Tradução: Grupo de Estudos Espinosanos. São Paulo: EDUSP, 2015.
  • Princípios da Filosofia Cartesiana e Pensamentos Metafísicos. Tradução: Homero Santiago e Luís César Oliva. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.
  • Tratado da Emenda do Intelecto. Tradução: Cristiano Novaes de Rezende. Campinas: Editora da UNICAMP, 2015.
  • Breve Tratado. Tradução: Emanuel Ângelo R. Fragoro e Luís César Oliva. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.

Para o francês

  • Spinoza. Oeuvres III: Éthique. Paris: GF-Flammarion, 1965. Tradução Charles Appuhn.

Estudos introdutórios

Sobre a filosofia de Spinoza

Sobre a Ética

  • Charles Appuhn. “Notice sur l’Éthique”. Em: Spinoza, Oeuvres III: Éthique. Paris: GF-Flammarion, 1965.

Tópicos spinozanos

Subjetividade, intersubjetividade e individualidade

  • Martial Gueroult. 1974. Spinoza II: L’Âme. Millau: Aubier, 2001.
  • Alexandre Matheron. 1969. Individu et Communauté chez Spinoza. Paris: Les Editions de Minuit, 1988, V+647 páginas.

Nova edição da obra original à qual foi acrescida uma advertência na qual o autor diz que nada modifica no texto e remete aos seus outros trabalhos para maiores desenvolvimentos dos estudos spinozanos presentes no livro.

Liberdade

  • Robert Sleigh Jr.Vere Chappell e Michael Della Rocca. “Determinism and human freedom.” Em Daniel Garber e Michael Ayers, editores, The Cambridge history of seventeenth-century philosophy, volume II, capítulo 33. Cambridge, New York e Melbourne: Cambridge University Press, 1998.

O trecho sobre liberdade em Spinosa vai da página 1226 à página 1236.Sabedoria

  • Alexandre Matheron. 1971. Le Christ et le Salut des Ignorants chez Spinoza. Aubier-Montaigne.

Ver também

Referências

  1.  A forma Espinoza e Spinoza também é utilizada.
  2. ↑ Ir para:a b Fréderic Lenoir- Du bonheur, un voyage pholosophique, p 117/118
  3.  Baruch Espinoza (em inglês) no Find a Grave
  4.  A Linguagem de Espinos Publicações USP
  5.  Obras de Espinoza Projeto Gutenberg
  6.  Gilles Deleuze, Espinoza, Filosofia Prática
  7.  ESPINOZA, Baruch de. Tratado Teológico-político. Organização J. Guinsburg, Newton Cunha, Roberto Romano. Tradução J. Guinsburg, Newton Cunha. 1 ed. São Paulo: Perspectiva, 2014. Pg. 280.
  8.  ESPINOZA, Baruch de. Tratado Teológico-político. Organização J. Guinsburg, Newton Cunha, Roberto Romano. Tradução J. Guinsburg, Newton Cunha. 1 ed. São Paulo: Perspectiva, 2014. Pg. 283.    
  9.  ESPINOZA, Baruch de. Tratado Político. Tradução, introdução e notas: Diogo Pires. Revisão da tradução de Homero Santiago. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009. ISBN 978-85-7827-141-1. Pgs. 7-8. 
  10.  ESPINOZA, Baruch de. Tratado Político. Tradução, introdução e notas: Diogo Pires. Revisão da tradução de Homero Santiago. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009. ISBN 978-85-7827-141-1. Pg. 13.
  11.  ESPINOZA, Baruch de. Tratado Político. Tradução, introdução e notas: Diogo Pires. Revisão da tradução de Homero Santiago. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009. ISBN 978-85-7827-141-1. Pg XXIII-XXIV. 
  12.  ESPINOZA, Baruch de. Tratado Político. Tradução, introdução e notas: Diogo Pires. Revisão da tradução de Homero Santiago. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009. ISBN 978-85-7827-141-1. Pg. 20.
  13.  A Imortalidade de Espinoza EuroNet
  14.  Tratado Político
  15.  Ética
  16.  YOVEL, Y. Espinosa e Outros Hereges.
  17.  Sawaia, B. B. O sofrimento etico-político como categoria de análise da dialética inclusão/exclusão. In: — (org.) as artimanhas da exclusão (1999), Petropolis, RJ, Ed. Vozes.

Ligações externas

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