Felicidade é uma atividade diária a ser cultivada


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Em seu livro “Felicidade”, uma discussão filosófica sobre o tema, num encontro de quatro amigos, Eduardo Gianetti tenta mostrar que discutir a felicidade não é um tema fútil, arrogante ou poético, porque se trata de falar sobre a própria vida, já que ela é a única coisa neste mundo que é sempre fim e nunca meio.

Não somos felizes para algo, mas fazemos algo (ou melhor, tudo) para sermos felizes. O grande erro de todas as visões histórico-comportamentais que se deu à felicidade foi querer vê-la como bem em si mesma, como uma fórmula – o que maioria dos manuais de auto-ajuda continua fazendo – como uma oferta de mercado, que se compra, embrulha e se leva para casa.

Eis o mote da sociedade utilitarista e engano total do homem prático e computadorizado de hoje. Ela não é o ter, mas o fazer. Não é um humor e não pode ser enganada, não pode ser oferecida, mas conquistada. Não combina com permanência ou fixidez, estado final ou o furado “amaram-se e foram felizes para sempre”.

Não tem nada a ver com o conformismo que foi proposto às gerações dos anos 50 e 60, porque antes nem se pensava nisso: “se você não pode ser feliz com isso, deve ser com aquilo” ou “não tenho tudo o que quero, mas amo tudo o que tenho”. Você jamais será feliz com o tal “isso”, porque deseja o “aquilo” e felicidade é o alcance do impossível e não, do acessível. Ortega y Gasset, o imenso espanhol dizia “felicidade é o impossível necessário”, uma definição linda e que nos leva a questionar.

Mas como definí-la?

Trata-se de um complexo estado mental de êxtase, que alcança o seu ponto máximo quando a circunstância dá realidade a um projeto de vida que é nosso, projeto esse baseado nas nossas pretensões, desejos e ânsias. É um estado de espírito e não uma emoção. Logo, aquela frase feita“não existe a felicidade e sim, momentos felizes” também não tem nada a ver.

Existe a felicidade sim em estados de espírito e os tais momentos, são emoções de alegria.

O mais importante para que a gente aprenda a lição, consiga a tal melhor vida de que Sócrates, o filósofo  grego primordial, tanto falava é ter como certo que a felicidade nunca é um estado final do qual se toma posse, é uma atividade, algo que se cultiva e constrói, que está sempre pedindo um recomeço. Ela não aceita um “para o resto da vida” e nem conformismos ou desvios.

Jorge Luiz Borges disse pouco antes de morrer “cometi o maior dos pecados, não fui feliz”.

Lutar com todas as forças pelos nossos projetos, ouvir os desejos e respeitá-los e saber que ninguém nos dará a felicidade, que é um trabalho pessoal, a nossa humanidade. Que está ao nosso alcance. Eis porque, desde que se entenda que no percurso trilhado não há vitórias e nem derrotas, mas a certeza inabalável de que é preciso prosseguir sempre, é possível que a gente seja feliz.

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