Uma breve história do sino


SEXTA-FEIRA, 22 DE AGOSTO DE 2014
Foto de capa

 

Em uma de nossas viagens de férias visitamos o museu do sino, anexo à Fundição Grassmayr, na cidade de Innsbruck, Áustria. Sino para mim era apenas um objeto que emitia som, geralmente colocado no campanário das igrejas com o objetivo de chamar os fiéis para missa e informar as horas. Qual não foi a minha surpresa ao conhecer a sua história e o modo como são fabricados. Quanto ao nome Grassmayr, trata-se do sobrenome de Bartime, que fundiu seu primeiro sino em 1599, nessa fundição que pertencia a seu pai.
A história do sino começa na China no ano 3000 a.C e, por ser um objeto pagão, só foi reconhecido pela cristandade no decorrer do século II d.C, com a finalidade de anunciar o Evangelho e chamar o povo para as assembleias. Foram monges missionários os responsáveis por sua introdução na Europa Central, já no século VI.

 

Na realidade, fabricar sinos era uma arte e ela se desenvolveu tanto que a partir do ano de 1600 foi introduzida a técnica de produzir certos timbres, notas e, assim, melodias. A partir dessa data, pela primeira vez, tornou-se possível fazer soar vários sinos simultaneamente sem que fosse sentida uma dissonância musical.

 

A fabricação deles é envolta por um ritual que inclui a matéria-prima, composta de 20% de estanho e 80% de cobre; a forma e o cálculo de sua espessura, importante na formação do timbre; preparação da matéria fundida; e o escorrimento dessa matéria fundida para dentro da forma. Aliás, nessa etapa existe um cerimonial onde se faz silêncio, uma prece e o nome do Todo-Poderoso é invocado. Para evitar que a temperatura de 1.150ºC possa destruir a forma, ela é enterrada no chão da oficina e o líquido incandescente escorre em sua direção por canais de tijolos. Quatro dias após, o sino já na temperatura normal é desenterrado, retirado de seu molde e tem, então, o seu timbre testado.

 

É importante dizer que o som de um bom sino é captado a quilômetros de distância de sua emissão. Por isso as guerras eram o inimigo número um deles. Com o desenvolvimento dos canhões no século XV, os campanários das igrejas eram as primeiras instalações a caírem nas mãos dos invasores e eram consideradas presas de guerra. Não só para evitar a transmissão de sinais, mas também para que seus sinos fossem transformados em canhões.

 

Já no século XX, durante a primeira e segunda guerras mundiais, tanto a Áustria como a Alemanha, por não possuírem minas de estanho, obtinham esse mineral através da fundição deles pois, como já vimos, tinham na sua composição 20% desse metal. Ao fim da guerra, contava-se não mais que 80 mil unidades.

 

Se você leitor teve sua curiosidade despertada colocamos a seguir o site do museu e seu email: www.grassmayr.at; museum@grassmayr.at.

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