Qual é a origem das religiões?


Crenças religiosas e rituais ajudam a unir grupos de indivíduos.

Hoje, o cristianismo, o islamismo, o judaísmo, o hinduísmo e o budismo são as cinco principais religiões, embora existam muitas outras profissões de fé.

Hoje, o cristianismo, o islamismo, o judaísmo, o hinduísmo e o budismo são as cinco principais religiões, embora existam muitas outras profissões de fé. (Billeasy/ Unsplash)

Por Pablo Santos
Periodista Digital

Ao longo da história, a fé e a prática da religião têm sido uma parte importante da sociedade, preocupando-se em oferecer uma explicação ao desconhecido. Hoje, o cristianismo, o islamismo, o judaísmo, o hinduísmo e o budismo são as cinco principais religiões, embora existam muitas outras profissões de fé.

Muitas outras apareceram e desapareceram ao longo do tempo. Todavia, as diferentes religiões não emergiram do nada, mas em algum momento da história o ser humano começou a ter e estruturar esses tipos de crenças. De onde vem essa necessidade de vida espiritual?

É difícil determinar em que ponto da evolução humana começaram a surgir as crenças religiosas, não sendo possível definir com certeza quando surgiram as primeiras religiões organizadas, uma vez que a origem remonta à pré-história (não havendo registros escritos sobre isso).

O que podemos afirmar é que existem fortes indícios evidenciando que a religião é ainda mais antiga que o próprio Homo Sapiens.  As primeiras crenças de tipo religioso são anteriores à expansão de nossa espécie.

Concretamente sabemos que nossos parentes neandertais já realizavam enterros rituais, algo que mostra a existência de um sentido da morte e uma preocupação com o que acontece depois dela. Nos restos de assentamentos de algumas tribos ou clãs parece que eles observavam algum tipo de culto a certos animais, como aos ursos.

Outro aspecto a destacar é a consideração do que possibilita o surgimento do pensamento religioso. Neste sentido, é preciso ter uma série de capacidades mentais básicas: é necessária uma certa capacidade de abstração, a existência de uma teoria da mente (que permite ao sujeito perceber que os outros têm a sua própria perspectiva, objetivos e vontades distintas das que ele próprio tem), a detecção de agentes causais e a capacidade de fazer associações complexas.

Considera-se que a fé pode ter surgido ou como uma adaptação vantajosa que se manteve por seleção natural (uma vez que permite a criação e a coesão grupal, o que facilita a sobrevivência e a reprodução) ou como um subproduto do surgimento de habilidades cognitivas como as mencionadas anteriormente.

Outro aspecto a se notar é o fato de as religiões frequentemente incluírem diferentes tipos de crenças, surgindo, seguramente, alguns tipos delas antes que outras.

O animismo, a crença na existência de uma força vital ou alma em todos os animais, plantas ou mesmo acidentes geológicos e fenômenos naturais, possuindo estes uma vontade própria, é o tipo mais difundido e antigo de crença religiosa. Este tipo serve como base para o desenvolvimento posterior da crença no sobrenatural ou no místico.

Logo depois dela se situa a crença no além ou na vida após a morte, que é considerada como um dos aspectos mais comuns e antigos das religiões. Para isso é necessário o conceito de alma ou algo que existe além da morte, justamente sendo necessário que o animismo existisse anteriormente.

Depois disso pode se desenvolver a ideia de um especialista que gere as normas que permitam um acesso ou um contato com o além. Daí surgiria o xamã e, mais tarde, a instituição clerical. Esta figura se tornaria um especialista na comunicação e gestão do fato religioso. Também daí pode surgir a crença no culto aos antepassados.

Finalmente, a crença nos deuses é algo que pode ser derivado da crença em entidades superiores que podem nos olhar e afetar nossas vidas, mas que parecem surgir de um reflexo do modo como uma sociedade ou tribo se organiza.

Quem e como somos e onde estamos é o resultado do avanço da história. Qualquer fenômeno é um fenômeno humano que se tornou o que é. E isso também acontece com a religião.

Publicado originalmente por Periodista Digital.

Tradução: Ramón Lara

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