Autismo e movimentos repetitivos (stims)


Autismo e movimentos repetitivos (stims)

Descrição de imagem: em fundo marrom, menina pequena com as mãos para cima, perto do rosto.
https://ameninaneurodiversa.wordpress.com/tag/autismo/

Publiquei hoje, na página A Menina Neurodiversa, um pedido para que vocês me sugerissem temas para a próxima matéria aqui do blog. Algo que foi bastante requisitado foi para eu falar sobre as “estereotipias” (prefiro o termo “stims”, mas isso vai de cada um). Antes de me aventurar na escrita sobre o autismo, gostaria de me desculpar pela ausência, pelo período de hiato em que fiquei sem escrever. Por ser uma universitária em período integral, costumo priorizar os afazeres acadêmicos, pois exigem muito de mim. Desse modo, acabei ficando sem escrever. Ontem foi meu último dia de aula, o que significa que estou livre pelos próximos meses. Pretendo me engajar novamente no universo autista e voltar a escrever. Ah, mais uma coisa: posso ter ficado ausente por aqui, mas a página do Facebook e do Instagram estão sempre atualizadas, por serem de mais fácil acesso. Considere me acompanhar por lá. Agora vamos ao que interessa!

Algo bem comum presente no senso comum a respeito do autismo é a associação dessa condição ao movimento de se balançar para frente e para trás. De fato, isso é bem comum entre indivíduos autistas. O que a maioria das pessoas não sabe é que esses movimentos considerados estranhos vão muito além do balançar do tronco. Por exemplo, um dos stims mais comuns em crianças autistas é o hand flapping, que é o chacoalhar das mãos. Esse movimento é notado pelos pais sobretudo quando a criança está feliz, mas será que os movimentos repetitivos aparecem apenas nesses momentos?

Para que possamos entender melhor a manifestação dos stims (ou estereotipias), é necessário elucidar o que são e para que servem, afinal, esses comportamentos. Entendem-se como stims os movimentos repetitivos que possuem a função de autorregulação, seja sensorial ou emocional. Através desses movimentos, podemos nos concentrar melhor naquilo que é mais importante, filtrar os estímulos sensoriais em excesso e também acalmar nosso sistema nervoso. Dessa forma, é de suma importância respeitar a necessidade do autista de fazer esses movimentos, sem que haja nenhum impedimento salvo casos em que alguém pode se machucar.

Como pudemos perceber, os stims podem aparecer nos momentos de ansiedade, animação, sobrecarga sensorial, tristeza, agitação, entre outros. Quando estou muito feliz, ansiosa, animada ou em um ambiente muito barulhento, sem perceber, começo a fazer esses movimentos. Eles se apresentam das mais diversas formas em mim, seja através do hand flapping, do balançar de tronco, palmas, movimentos com os dedos, etc.

Não pense você que os stims se apresentam apenas através de movimentos corpóreos, pois eles são muito mais diversos do que isso. Existem diversos tipos de stims, como stims orais, visuais, motores, olfativos, vocais e auditivos. Isso ocorre porque a busca sensorial pode se dar através de todos os sentidos. Uma pessoa que busca estimulação motora pode gostar de movimentar os membros ou o tronco. Outra pode querer colocar objetos na boca ou se morder para se sentir estimulada na parte oral. Assim como há quem goste muito de ver luzes piscando, coisas brilhantes ou objetos girando, pois isso estimula a parte visual e causa muito prazer. Cheirar diferentes tipos de coisas, emitir sons com a boca e ouvir sempre a mesma música também podem ser manifestações de stims. Resumidamente, os stims servem para estimular os sentidos, como a visão, o tato, o paladar, a audição, o olfato, o sistema vestibular ou o sistema proprioceptivo, de forma a provocar uma sensação prazerosa capaz de acalmar o sistema nervoso.

Os movimentos repetitivos no autismo podem acontecer com o uso apenas do próprio corpo ou de outros objetos. Por conta disso, muitos pais, ao perceberem que seus filhos possuem certas necessidades de estimulação sensorial, compram mordedores para a estimulação oral ou diversos objetos, como o fidget spinner, para os filhos. Uma criança que se morde muito, por exemplo, pode precisar de um mordedor para compensar essa necessidade de estimulação da parte oral. Outra, que bate a cabeça na parede ou a si próprio, pode se beneficiar de alguma vestimenta que faça pressão no corpo ou de um abafador de ruído, que pressiona a cabeça e diminui os barulhos. Outra dica também é usar uma faixa na cabeça para reduzir a necessidade de bater essa parte do corpo contra a parede.

Mas os stims aparecem somente em autistas? A resposta para essa pergunta é simples: não. Qualquer pessoa que faça movimentos repetitivos para se autorregular está fazendo stims. Se você balança a perna, enrola o cabelo no dedo, fica mordendo o interior da bochecha ou rói as unhas quando está ansioso, você está fazendo stims. Essa é uma forma de se colocar no lugar do autista quando ele está se utilizando de seus movimentos repetitivos. Imagine só você em uma situação que lhe causa profunda ansiedade e, de repente, alguém lhe manda parar de balançar a perna. Impossível, não é mesmo? Você precisa fazer isso para se autorregular, para conseguir permanecer na situação em que está. Balançar a perna te ajuda a se sentir melhor. Agora, no caso dos autistas, por que tirar os movimentos repetitivos deles, já que eles precisam disso para se sentirem bem? É a mesma coisa. Se nós fazemos stims, é porque precisamos fazer. Não tente segurar nossas mãos ou tronco quando os balançamos, não nos diga para parar. O problema está em quem acha estranho e provoca algum tipo de embaraço nos pais. Tente ser mais forte que isso e não ligue para curiosos ou pessoas preconceituosas. O bem-estar do autista deve sempre vir acima disso e, acredite em mim, nossos stims nos fazem muito bem!

Espero que tenham gostado de ler esta matéria tanto quanto eu gostei de escrevê-la! Fico muito feliz em estar de volta. Obrigada a você por ter tido a paciência de esperar o meu tempo e por sempre me acompanhar, seja por aqui ou pelas redes sociais! Não deixe de fazer suas sugestões para matérias futuras nos comentários ou de me contar suas próprias experiências com os stims, seja ele em você mesmo ou no autista em sua vida. Até a próxima e tchau tchau!

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