Depois de todo sucesso vem um fracasso


  • TIAGO BELOTTE

O lugar do meio me trouxe muitas reflexões. Por representar a maturidade de quem já experimentou a roda do destino ou da fortuna revolucionar mais de uma vez

 

Semanas atrás, por obra do acaso – o qual eu sempre agradeço – um projeto do trabalho me colocou dentro de uma aula de tarô. Eu que nunca tinha me interessado por esse jogo de cartas, saí fascinado com a história. Um dos usos e leituras do tarô é que as cartas, principalmente as vinte e duas que formam os arcanos maiores, contam uma história, que ilustra bem a nossa jornada durante a vida. Ciclos e dramas.

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Fui conquistado pelo simbolismo de todas as cartas, mas especialmente pelo que a Roda da Fortuna representa. Aliás, talvez o nome mais apropriado para ela fosse roda do destino, já que é nesse sentido que a carta se apresenta. No entanto, depois achei que até uma primeira interpretação errônea do nome pode fazer sentido, porque da vida queremos e esperamos sempre o melhor, mas não é bem assim que funciona, né. A carta mostra três momentos, que podem, segundo meu professor daquele aula, representar três tipos de pessoa: as que estão subindo a roda, as que estão descendo e as que estão no meio. As de cima, veem a vida como ganhos e conquistas, a que estão descendo, como dores e desafios. E as do meio sabem que tudo é cíclico.

O lugar do meio

O lugar do meio me trouxe muitas reflexões. Por representar a maturidade de quem já experimentou a roda do destino ou da fortuna revolucionar mais de uma vez. Que já teve as glórias da parte de cima e já sofreu nos lugares mais baixos, e assim compreendeu que tudo é movimento. Pra ilustrar, o professor nos contou: Jack Nicholson, foi questionado em uma entrevista o que faria depois de conquistar o terceiro Oscar. Ao que ele respondeu: provavelmente um fracasso.

No mercado musical, assim como no cinema, é sabido que depois de um grande sucesso, a pressão pelo próximo projeto aumenta consideravelmente. E é a busca por criar um hit que, muitas vezes, leva ao fracasso. Porque as possibilidades de criar algo incrível diminuem proporcionalmente a obrigação que se impõe de acertar.

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Não acredito que Nicholson estava focando no fracasso, depois de um trabalho premiado. Nem foi, necessariamente o que aconteceu. Mas o ator de Hollywood foi sábio, ao retirar de si a corrente que os outros, ou até ele mesmo, poderiam atar as sua pernas. O que o impediria de criar e experimentar algo novo e fosse obrigado simplesmente a perseguir o que já havia conquistado.

 

Tiago Belotte é fundador e curador de conhecimento no CoolHow – laboratório de educação corporativa que auxilia pessoas e negócios a se conectarem com as novas habilidades da Nova Economia. É também professor de pesquisa e análise de tendências na PUC Minas  e no Uni-BH. Seu Instagram é @tiago_belotte. Escreve nesta coluna semanalmente, aos sábados.

 

*Os textos de nossos colunistas são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião de Vida Simples.

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