É POSSÍVEL SER FELIZ SOZINHO?


Existe certamente uma pressão muito grande para que todo mundo esteja junto, ou seja, em comunidade e, sendo feliz o tempo todo. Esse pensamento leva à visão de que pessoas que moram só são incapazes ou incompetentes de viver em sociedade. Na verdade, não é bem assim, nós não devemos ter visões extremistas de nada na vida. A vida tem muitas possibilidades e existem maneiras diferentes de se viver a própria vida.

Sem sombra de dúvidas todas as pesquisas sobre o comportamento humano demonstram um elemento fundamental em cada um de nós. Somos seres gregários, ou seja, tendemos a nos juntar, agregar. Somos o que somos porque vivemos em comunidade.

Por isso ausentar-se da comunidade, do coletivo, gera sofrimento.

Então, o que faz com que algumas pessoas se ausentem? A resposta está nas decepções, traições, angústias, medos vivenciados, em resumo está nas experiências negativas.

As pessoas que se afastam acabam generalizando um comportamento muitas vezes isolado, por isso imaginam que seja inviável o relacionamento com seres humanos. Algumas, à exemplo de uma amiga minha, chegam ao ponto de dizer: “Eu prefiro amar animais.” Uma afirmação dessa natureza chega a ser um tanto quanto depressiva porque, na verdade, ao se dizer isso você está se referindo a si mesmo como ser humano.

Nós precisamos nos vincular, precisamos estar com os outros, mas para isso precisamos ter a leveza de entender que as pessoas falham, erram e disputam espaço. Contudo, a solidão é algo terrível porque ela desconstrói a identidade do indivíduo.

Quem já assistiu o filme “O Náufrago” com Tom Hanks percebe a importância de viver em comunidade. No filme o personagem, vítima de um acidente aéreo, supostamente cai em uma ilha na qual ele é o único ser humano sobrevivente. Para não surtar, ele pega uma bola de vôlei, marca a mão e faz um símile de um rosto humano.

Ele começa a chamar a bola de Sr. Wilson e durante todo o filme ele se relaciona com ela. Ri, chora, sente raiva, discute. Isso porque aquela bola se torna o símile do outro que dá a ele mesmo a sua própria humanidade.

Quando o personagem consegue finalmente sair da ilha em um bote e a bola cai no mar, ele cai em uma profunda depressão.

Isso confirma que nós somos tão feitos para o amor que quando não temos ninguém para amar, somos capazes de amar coisas.

É interessante que nós possamos nos permitir ir além dos medos e das angústias para voltar a amar as pessoas, sem extremismos.

É verdade que existe a necessidade de momentos em que você esteja só, refletindo sobre o seu próprio mundo interno, mas apenas quando isso é opcional e não obrigatório devido a uma incapacidade de se relacionar com o outro aceitando a individualidade, defeitos e qualidades de cada um.

Sim, nós precisamos das pessoas e só assim conseguimos ser felizes.

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