Crianças feridas… e adultos que ferem


É inegável que Jesus exercia um fascínio sobre as crianças. Era mais do que ser afável para com elas. Ele compreendia sua impotência e fragilidade diante de um mundo adulto repleto de incompreensões.

 

Um dia todas as crianças crescerão. Entretanto, “aquela” criança nunca desaparecerá. É possível olhar para os adultos e reconhecer pistas de sua infância.

 

Todos aqueles homens e mulheres que seguiram a Jesus um dia foram crianças também, e enfrentaram as dificuldades próprias da idade num mundo tão inóspito quanto o nosso. Lendo as Escrituras podemos imaginar um pouco como teria sido a criança de alguns personagens…

 

O primeiro que me vem à mente é o garoto Joãozinho, o mais jovem dos discípulos, se recostando ao peito do Mestre, expressando a necessidade de tocar e ser tocado, pois quem sabe seu pai não tivesse tempo para abraçá-lo, e menino sensível como era, sempre estava à busca de contato físico. Por isso, à mesa, se aconchegava a Jesus (Jo 13.23).  Já velho, ainda percebemos essa sensibilidade em suas epístolas, sempre com vocábulos carinhosos… “filhinhos”… “amados”…

 

E o Tomezinho? Como toda criança depositava a mais completa confiança nos adultos, mas talvez um dia tenha sido traído… Isso o marcou tanto que prometera a si mesmo nunca mais confiar em ninguém, e desconfiar de tudo o que lhe diziam.

 

E aquela mulher samaritana à beira do poço? Quem sabe foi uma menina que nunca soube o que era ser amada pelo pai, e quando se torna adulta sai em busca desse amor em homens, mas sem nunca acha-lo. E quando Jesus manda chamar seu marido, diz: “Não tenho marido”. Ao que o Mestre replica: “Verdade. Você já teve cinco e esse sexto agora não é teu marido” (Jo 4.18).

 

Na verdade a vida desses personagens carrega um pouco de nossas histórias, posto que vivenciaram problemas familiares e existenciais, assim como nós.

 

Toda lembrança dolorosa da infância, não curada, ou “digerida”, estará sempre latente na alma, como uma ‘inflamação’ que não cessa de doer. E  por vezes ferimos a outros com as nossas feridas…. E machucamos a quem amamos.

 

Entretanto, há Alguém que tem o poder de fazer novas todas as coisas.

 

Deus reconstrói a nossa história a partir do “material torto” que lhe apresentamos. Não se trata de “amnésia” do que viveu, mas dar um novo significado ao que passou. Não mais os olhos da culpa ou vergonha, mas de uma nova visão sobre a vida.

 

Trata-se de um caminho obviamente difícil, pois o caminho fácil é continuar a repetir indefinidamente nossas doenças e neuroses.

 

Se não fui amado no passado, se fui traído em minha confiança, se carrego traumas e ressentimentos de uma infância não propriamente feliz, tenho agora a oportunidade de me saber amado por Cristo, reconhecido, respeitado, e Nele tenho uma posição de dignidade.

 

A aceitação de que sou amado por Deus, cura as feridas, restitui a dignidade,  e traz libertação de toda servidão emocional do passado.

 

Quando me concedo a oportunidade de viver uma “segunda infância”, nascido da água e do Espírito – agora tendo Deus como “Aba Pai” – não preciso mais ficar preso a um passado doloroso.

 

Quero ser um adulto vivendo como uma criança diante de Deus, uma criança que pula, dança, festeja, chapinha nas poças d’água, e quando se cansa, corre para o colo do Pai.

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Pastor Daniel Rocha

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