CIRCULAR Nº 3.461


Consolida as regras sobre os procedimentos a
serem adotados na prevenção e combate às
atividades relacionadas com os crimes
previstos na Lei nº 9.613, de 3 de março de
1998.
A Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil, em sessão realizada em 23 de
julho de 2009, com base no disposto nos arts. 10, inciso IX, e 11, inciso VII, da Lei nº 4.595, de
31 de dezembro de 1964, 10 e 11 da Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998, e tendo em vista o
disposto na Convenção Internacional para Supressão do Financiamento do Terrorismo, adotada
pela Assembléia-Geral das Nações Unidas em 9 de dezembro de 1999, promulgada por meio do
Decreto nº 5.640, de 26 de dezembro de 2005,
D E C I D I U:
Art. 1º As instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar
pelo Banco Central do Brasil devem implementar políticas, procedimentos e controles internos,
de forma compatível com seu porte e volume de operações, destinados a prevenir sua utilização
na prática dos crimes de que trata a Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998. (Redação dada pela
Circular nº 3.654, de 27/3/2013.)
§ 1º As políticas de que trata o caput devem:
I – especificar, em documento interno, as responsabilidades dos integrantes de
cada nível hierárquico da instituição;
II – contemplar a coleta e registro de informações tempestivas sobre clientes, que
permitam a identificação dos riscos de ocorrência da prática dos mencionados crimes;
III – definir os critérios e procedimentos para seleção, treinamento e
acompanhamento da situação econômico-financeira dos empregados da instituição;
IV – incluir a análise prévia de novos produtos e serviços, sob a ótica da
prevenção dos mencionados crimes;
V – ser aprovadas pelo conselho de administração ou, na sua ausência, pela
diretoria da instituição;
VI – receber ampla divulgação interna.
§ 2º Os procedimentos de que trata o caput devem incluir medidas prévia e
expressamente estabelecidas, que permitam:
I – confirmar as informações cadastrais dos clientes e identificar os beneficiários
finais das operações;
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II – possibilitar a caracterização ou não de clientes como pessoas politicamente
expostas.
§ 3º Para os fins desta circular, considera-se cliente eventual ou permanente
qualquer pessoa natural ou jurídica com a qual seja mantido, respectivamente em caráter
eventual ou permanente, relacionamento destinado à prestação de serviço financeiro ou à
realização de operação financeira.
§ 4º Os procedimentos de que trata o caput devem ser reforçados para início de
relacionamento com:
I – instituições financeiras, representantes ou correspondentes localizados no
exterior, especialmente em países, territórios e dependências que não adotam procedimentos de
registro e controle similares aos definidos nesta circular;
II – clientes cujo contato seja efetuado por meio eletrônico, mediante
correspondentes no País ou por outros meios indiretos.
§ 5º As políticas e procedimentos internos de controle de que trata o caput
devem ser implementados também pelas dependências e subsidiárias situadas no exterior das
instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do
Brasil. (Incluído pela Circular nº 3.583, de 12/3/2012)
§ 6º O diretor responsável pela implementação e cumprimento das medidas
estabelecidas nesta Circular, nos termos do art. 18, deve informar por escrito ao Banco Central
do Brasil sobre a existência de legislação ou regulamentação que impeça ou limite a aplicação do
disposto no § 5º a suas dependências e subsidiárias situadas no exterior. (Incluído pela Circular
nº 3.583, de 12/3/2012)
Manutenção de Informações Cadastrais Atualizadas
Art. 2º As instituições mencionadas no art. 1º devem coletar e manter atualizadas
as informações cadastrais de seus clientes permanentes, incluindo, no mínimo:
I – qualificação do cliente:
a) pessoas naturais: nome completo, filiação, nacionalidade, data e local do
nascimento, documento de identificação (tipo, número, data de emissão e órgão expedidor) e
número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF); e
b) pessoas jurídicas: firma ou denominação social, atividade principal, forma e
data de constituição, informações referidas na alínea “a” que qualifiquem e autorizem os
administradores, mandatários ou prepostos, número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa
Jurídica (CNPJ) e dados dos atos constitutivos devidamente registrados na forma da lei;
(Inciso I com redação dada pela Circular nº 3.654, de 27/3/2013.)
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II – endereços residencial e comercial completos; (Redação dada pela Circular nº
3.654, de 27/3/2013.)
III – número do telefone e código de Discagem Direta a Distância (DDD);
(Redação dada pela Circular nº 3.654, de 27/3/2013.)
IV – valores de renda mensal e patrimônio, no caso de pessoas naturais, e de
faturamento médio mensal referente aos doze meses anteriores, no caso de pessoas jurídicas; e
(Incluído pela Circular nº 3.654, de 27/3/2013.)
V – declaração firmada sobre os propósitos e a natureza da relação de negócio
com a instituição. (Incluído pela Circular nº 3.654, de 27/3/2013.)
§ 1º As informações relativas a cliente pessoa natural devem abranger as pessoas
naturais autorizadas a representá-la.
§ 2º As informações cadastrais relativas a cliente pessoa jurídica devem abranger
as pessoas naturais autorizadas a representá-la, bem como a cadeia de participação societária, até
alcançar a pessoa natural caracterizada como beneficiário final.
§ 3º Excetuam-se do disposto no § 2º as pessoas jurídicas constituídas sob a
forma de companhia aberta ou entidade sem fins lucrativos, para as quais as informações
cadastrais devem abranger as pessoas naturais autorizadas a representá-las, bem como seus
controladores, administradores e diretores, se houver.
§ 4º As informações cadastrais relativas a cliente fundo de investimento devem
incluir a respectiva denominação, número de inscrição no CNPJ, bem como as informações de
que tratam os incisos I a III relativas às pessoas responsáveis por sua administração. (Redação
dada pela Circular nº 3.654, de 27/3/2013.)
§ 5º As instituições mencionadas no art. 1º devem realizar testes de verificação,
com periodicidade máxima de um ano, que assegurem a adequação dos dados cadastrais de seus
clientes.
Art. 3º As instituições mencionadas no art. 1º devem obter as seguintes
informações cadastrais de seus clientes eventuais, do proprietário e do destinatário dos recursos
envolvidos na operação ou serviço financeiro:
I – quando pessoa natural, o nome completo e o número de inscrição no Cadastro
de Pessoas Físicas (CPF); e (Redação dada pela Circular nº 3.517, de 7/12/2010.)
II – quando pessoa jurídica, a razão social e número de inscrição no CNPJ.
Parágrafo único. Admite-se o desenvolvimento de procedimento interno
destinado à identificação de operações ou serviços financeiros eventuais que apresentem baixo
risco de utilização para lavagem de dinheiro ou de financiamento ao terrorismo, para os quais é
dispensada a exigência de obtenção das informações cadastrais de clientes, ressalvado o
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cumprimento do disposto nos demais artigos desta circular. (Redação dada pela Circular nº
3.517, de 7/12/2010.)
Pessoas Expostas Politicamente (PEP)
Art. 4º As instituições de que trata o art. 1º devem obter de seus clientes
permanentes informações que permitam caracterizá-los ou não como pessoas expostas
politicamente (PEP) e identificar a origem dos fundos envolvidos nas transações dos clientes
assim caracterizados. (Redação dada pela Circular nº 3.654, de 27/3/2013.)
§ 1º Consideram-se PEP os agentes públicos que desempenham ou tenham
desempenhado, nos últimos cinco anos, no Brasil ou em países, territórios e dependências
estrangeiros, cargos, empregos ou funções públicas relevantes, assim como seus representantes,
familiares e outras pessoas de seu relacionamento próximo. (Redação dada pela Circular nº
3.654, de 27/3/2013.)
§ 2º No caso de clientes brasileiros, devem ser abrangidos:
I – os detentores de mandatos eletivos dos Poderes Executivo e Legislativo da
União;
II – os ocupantes de cargo, no Poder Executivo da União:
a) de ministro de estado ou equiparado;
b) de natureza especial ou equivalente;
c) de presidente, vice-presidente e diretor, ou equivalentes, de autarquias,
fundações públicas, empresas públicas ou sociedades de economia mista;
d) do Grupo Direção e Assessoramento Superiores (DAS), nível 6, ou
equivalentes;
III – os membros do Conselho Nacional de Justiça, do Supremo Tribunal Federal,
dos tribunais superiores, dos tribunais regionais federais, do trabalho e eleitorais, do Conselho
Superior da Justiça do Trabalho e do Conselho da Justiça Federal; (Redação dada pela Circular
nº 3.654, de 27/3/2013.)
IV – os membros do Conselho Nacional do Ministério Público, o ProcuradorGeral da República, o Vice-Procurador-Geral da República, o Procurador-Geral do Trabalho, o
Procurador-Geral da Justiça Militar, os Subprocuradores-Gerais da República e os ProcuradoresGerais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal;
V – os membros do Tribunal de Contas da União e o Procurador-Geral do
Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União;
VI – os governadores de Estado e do Distrito Federal, os presidentes de tribunal de
justiça, de assembleia e câmara legislativa, os presidentes de tribunal de contas de Estado, do
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Distrito Federal e de Município, e de conselho de contas dos Municípios; (Redação dada pela
Circular nº 3.654, de 27/3/2013.)
VII – os prefeitos e presidentes de Câmara Municipal de capitais de Estados.
§ 3º No caso de clientes estrangeiros, para fins do disposto no caput, as
instituições mencionadas no art. 1º devem adotar pelo menos uma das seguintes providências:
I – solicitar declaração expressa do cliente a respeito da sua classificação;
II – recorrer a informações publicamente disponíveis;
III – consultar bases de dados comerciais sobre PEP; e (Redação dada pela
Circular nº 3.654, de 27/3/2013.)
IV – considerar como PEP a pessoa que exerce ou exerceu funções públicas
proeminentes em um país estrangeiro, tais como chefes de estado ou de governo, políticos de alto
nível, altos servidores governamentais, judiciais, do legislativo ou militares, dirigentes de
empresas públicas ou dirigentes de partidos políticos. (Redação dada pela Circular nº 3.654, de
27/3/2013.)
§ 4º O prazo de cinco anos referido no § 1º deve ser contado, retroativamente, a
partir da data de início da relação de negócio ou da data em que o cliente passou a se enquadrar
como PEP. (Redação dada pela Circular nº 3.654, de 27/3/2013.)
§ 5º Para efeito do § 1º são considerados familiares os parentes, na linha reta, até
o primeiro grau, o cônjuge, o companheiro, a companheira, o enteado e a enteada.
§ 6º No caso de relação de negócio com cliente estrangeiro que também seja
cliente de instituição estrangeira fiscalizada por entidade governamental assemelhada ao Banco
Central do Brasil, admite-se que as providências em relação a PEP sejam adotadas pela
instituição estrangeira, desde que assegurado ao Banco Central do Brasil o acesso aos
respectivos dados e procedimentos adotados. (Redação dada pela Circular nº 3.654, de
27/3/2013.)
§ 7º As operações ou propostas de operações que possuam PEP como parte
envolvida serão sempre consideradas como merecedoras de especial atenção, conforme previsto
no art. 10. (Incluído pela Circular nº 3.654, de 27/3/2013.)
§ 8º O disposto neste artigo também se aplica a pessoa que exerce ou exerceu
função de alta administração em uma organização internacional de qualquer natureza, assim
considerados diretores, subdiretores, membros de conselho ou funções equivalentes. (Incluído
pela Circular nº 3.654, de 27/3/2013.)
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Início ou Prosseguimento de Relação de Negócio
Art. 5º As instituições de que trata o art. 1º somente devem iniciar qualquer
relação de negócio ou dar prosseguimento a relação já existente com o cliente se observadas as
providências estabelecidas nos arts. 2º, 3º e 4º, conforme o caso. (Redação dada pela Circular nº
3.583, de 12/3/2012.)
Registros de Serviços Financeiros e Operações Financeiras
Art. 6º As instituições de que trata o art. 1º devem manter registros de todos os
serviços financeiros prestados e de todas as operações financeiras realizadas com os clientes ou
em seu nome.
§ 1º No caso de movimentação de recursos por clientes permanentes, os registros
devem conter informações consolidadas que permitam verificar:
I – a compatibilidade entre a movimentação de recursos e a atividade econômica e
capacidade financeira do cliente;
II – a origem dos recursos movimentados;
III – os beneficiários finais das movimentações.
§ 2º O sistema de registro deve permitir a identificação:
I – das operações que, realizadas com uma mesma pessoa, conglomerado
financeiro ou grupo, em um mesmo mês calendário, superem, por instituição ou entidade, em seu
conjunto, o valor de R$10.000,00 (dez mil reais);
II – das operações que, por sua habitualidade, valor ou forma, configurem artifício
que objetive burlar os mecanismos de identificação, controle e registro.
Registros de Depósitos em Cheque, Liquidação de Cheques Depositados em Outra
Instituição Financeira e da Utilização de Instrumentos de Transferência de Recursos
Art. 7º As instituições de que trata o art. 1º devem manter registros específicos
das operações de transferência de recursos.
§ 1º O sistema de registro deve permitir a identificação:
I – das operações referentes ao acolhimento em depósitos de Transferência
Eletrônica Disponível (TED), de cheque, cheque administrativo, cheque ordem de pagamento e
outros documentos compensáveis de mesma natureza, e à liquidação de cheques depositados em
outra instituição financeira;
II – das emissões de cheque administrativo, de cheque ordem de pagamento, de
ordem de pagamento, de Documento de Crédito (DOC), de TED e de outros instrumentos de
transferência de recursos, quando de valor superior a R$1.000,00 (mil reais).
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§ 2º Os registros de que trata o inciso I do § 1º efetuados por instituição
depositária devem conter, no mínimo, os dados relativos ao valor e ao número do cheque
depositado, o código de compensação da instituição sacada, os números da agência e da conta de
depósitos sacadas. (Redação dada pela Circular nº 3.517, de 7/12/2010.)
§ 3º Os registros de que trata o inciso I do § 1º efetuados por instituição sacada
devem conter, no mínimo, os dados relativos ao valor e ao número do cheque, o código de
compensação da instituição depositária, os números da agência e da conta de depósitos
depositárias, cabendo à instituição depositária fornecer à instituição sacada os dados relativos ao
seu código de compensação e aos números da agência e da conta de depósitos depositárias
(Redação dada pela Circular nº 3.517, de 7/12/2010.)
§ 4º No caso de cheque utilizado em operação simultânea de saque e depósito na
própria instituição sacada, com vistas à transferência de recursos da conta de depósitos do
emitente para conta de depósitos de terceiros, os registros de que trata o inciso I do § 1º devem
conter, no mínimo, os dados relativos ao valor e ao número do cheque sacado, bem como aos
números das agências sacada e depositária e das respectivas contas de depósitos.
§ 5º Os registros de que trata o inciso II do § 1º devem conter, no mínimo, as
seguintes informações:
I – o tipo e o número do documento emitido, a data da operação, o nome e o
número de inscrição do adquirente ou remetente no CPF ou no CNPJ;
II – quando pagos em cheque, o código de compensação da instituição, o número
da agência e da conta de depósitos sacadas referentes ao cheque utilizado para o respectivo
pagamento, inclusive no caso de cheque sacado contra a própria instituição emissora dos
instrumentos referidos neste artigo;
III – no caso de DOC, o código de identificação da instituição destinatária no
sistema de liquidação de transferência de fundos e os números da agência, da conta de depósitos
depositária e o número de inscrição no CPF ou no CNPJ do respectivo titular;
IV – no caso de ordem de pagamento:
a) destinada a crédito em conta: os números da agência destinatária e da conta de
depósitos depositária;
b) destinada a pagamento em espécie: os números da agência destinatária e de
inscrição do beneficiário no CPF ou no CNPJ.
§ 6º Em se tratando de operações de transferência de recursos envolvendo pessoa
física residente no exterior desobrigada de inscrição no CPF, na forma definida pela Secretaria
da Receita Federal do Brasil (RFB), a identificação prevista no § 5º, incisos I e IV, alínea “b”,
pode ser efetuada pelo número do respectivo passaporte, complementada com a nacionalidade da
referida pessoa e, quando for o caso, o organismo internacional de que seja representante para o
exercício de funções específicas no País.
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§ 7º A identificação prevista no § 5º, incisos I e IV, alínea “b”, não se aplica às
operações de transferência de recursos envolvendo pessoa jurídica com domicílio ou sede no
exterior desobrigada de inscrição no CNPJ, na forma definida pela RFB.
§ 8º A instituição sacada deve informar à instituição depositária e a instituição
depositária deve informar à instituição sacada, quando requeridas, no prazo máximo de 5 (cinco)
dias úteis contados a partir da data de solicitação, os números de inscrição no CPF ou CNPJ dos
titulares da conta sacada e da conta depositária referentes às operações de transferência de
valores efetuadas mediante cheque, cheque administrativo, cheque ordem de pagamento e outros
documentos compensáveis de mesma natureza, e à liquidação de cheques depositados em outra
instituição financeira. (Incluído pela Circular nº 3.517, de 7/12/2010.)
Registros de Cartões Pré-Pagos
Art. 8º As instituições de que trata o art. 1º devem manter registros específicos da
emissão ou recarga de valores em um ou mais cartões pré-pagos.
§ 1º O sistema de registro deve permitir a identificação da:
I – emissão ou recarga de valores em um ou mais cartões pré-pagos, em montante
acumulado igual ou superior a R$50.000,00 (cinquenta mil reais) ou o equivalente em moeda
estrangeira, no mês calendário; e (Redação dada, a partir de 27/12/2017, pela Circular nº 3.839,
de 28/6/2017.)
II – emissão ou recarga de valores em cartão pré-pago que apresente indícios de
ocultação ou dissimulação da natureza, da origem, da localização, da disposição, da
movimentação ou da propriedade de bens, direitos e valores.
§ 2º Para fins do disposto no caput, define-se cartão pré-pago como o cartão apto
a receber carga ou recarga de valores em moeda nacional ou estrangeira oriundos de
pagamento em espécie, de operação cambial ou de transferência a débito de contas de depósito.
§ 3º Os registros das ocorrências de que tratam os incisos I e II do § 1º devem
conter as seguintes informações:
I – o nome ou razão social e o respectivo número de inscrição no CPF ou no CNPJ
da pessoa natural ou jurídica responsável pela emissão ou recarga de valores em cartão pré-pago,
no caso de emissão ou recarga efetuada por residente ou domiciliado no País;
II – o nome, o número do passaporte e o respectivo país emissor, no caso de
emissão ou recarga de valores em cartão pré-pago efetuada por pessoa natural não residente no
País ou domiciliada no exterior;
III – o nome e o respectivo número de inscrição no CPF da pessoa natural a quem
se destina o cartão pré-pago;
IV – a identificação das instituições, das agências e das contas de depósito ou de
poupança debitadas, os nomes dos titulares das contas e respectivos números de inscrição no
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CPF, no caso de emissão ou recarga de valores em cartão pré-pago oriundos de transferências a
débito de contas de depósito ou de poupança tituladas por pessoas naturais;
V – a identificação das instituições, das agências e das contas de depósito ou de
poupança debitadas, os nomes dos titulares das contas e respectivos números de inscrição no
CNPJ, bem como os nomes das pessoas naturais autorizadas a movimentá-las e respectivos
números de inscrição no CPF, no caso de emissão ou recarga de valores em cartão pré-pago
oriundos de transferências a débito de contas de depósito ou de poupança tituladas por pessoas
jurídicas;
VI – a data e o valor de cada emissão ou recarga de valores em cartão pré-pago;
VII – o propósito da emissão do cartão pré-pago;
VIII – o nome e o respectivo número de inscrição no CPF das pessoas naturais que
representem as pessoas jurídicas responsáveis pela emissão ou recarga de valores em cartão prépago.
Das Operações com Recursos em Espécie
(Seção com redação dada, a partir de 27/12/2017, pela Circular nº 3.839, de 28/6/2017.)
Art. 9º Os bancos comerciais, a Caixa Econômica Federal, os bancos múltiplos
com carteira comercial ou de crédito imobiliário, as sociedades de crédito imobiliário, as
sociedades de poupança e empréstimo e as cooperativas de crédito devem manter registros
específicos das operações de depósito em espécie, saque em espécie, saque em espécie por meio
de cartão pré-pago ou pedido de provisionamento para saque.
§ 1º O sistema de registro deve permitir a identificação de:
I – depósito em espécie, saque em espécie, ou saque em espécie por meio de
cartão pré-pago, de valor igual ou superior a R$50.000,00 (cinquenta mil reais); (Redação dada,
a partir de 27/12/2017, pela Circular nº 3.839, de 28/6/2017.)
II – depósito em espécie, saque em espécie, saque em espécie por meio de cartão
pré-pago ou pedido de provisionamento para saque, que apresente indícios de ocultação ou
dissimulação da natureza, da origem, da localização, da disposição, da movimentação ou da
propriedade de bens, direitos e valores;
III – emissão de cheque administrativo, TED ou de qualquer outro instrumento de
transferência de fundos contra pagamento em espécie, de valor igual ou superior a R$50.000,00
(cinquenta mil reais). (Redação dada, a partir de 27/12/2017, pela Circular nº 3.839, de
28/6/2017.)
§ 2º Os registros de que trata o caput devem conter as informações abaixo
indicadas:
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I – o nome e o respectivo número de inscrição no CPF ou no CNPJ, conforme o
caso, do proprietário ou beneficiário dos recursos e da pessoa que efetuar o depósito, o saque em
espécie ou o pedido de provisionamento para saque;
II – o tipo e o número do documento, o número da instituição, da agência e da
conta corrente de depósitos à vista ou da conta de poupança a que se destinam os valores ou de
onde o valor será sacado, conforme o caso;
III – o nome e o respectivo número de inscrição no CPF ou no CNPJ, conforme o
caso, dos titulares das contas referidas no inciso II, se na mesma instituição;
IV – o nome e o respectivo número de inscrição no CPF, no caso de saque em
espécie por meio de cartão pré-pago cujo portador seja residente ou domiciliado no País;
V – o nome e o número do passaporte e o respectivo país emissor, no caso de
saque em espécie por meio de cartão pré-pago cujo portador seja não residente no País ou
domiciliado no exterior;
VI – a data e o valor do depósito, do saque em espécie, do saque em espécie por
meio de cartão pré-pago ou do provisionamento para saque; e (Redação dada, a partir de
27/12/2017, pela Circular nº 3.839, de 28/6/2017.)
VII – a finalidade do saque ou do pagamento em espécie mencionados nos incisos
I e III do § 1º. (Incluído, a partir de 27/12/2017, pela Circular nº 3.839, de 28/6/2017.)
§ 3º Na hipótese de recusa do cliente ou do sacador não cliente em prestar a
informação referida no § 2º, inciso VII, as instituições mencionadas no caput devem registrar o
fato. (Redação dada, a partir de 27/12/2017, pela Circular nº 3.839, de 28/6/2017.)
§ 4º (Revogado, a partir de 27/12/2017, pela Circular nº 3.839, de 28/6/2017.)
Art. 9º-A As instituições mencionadas no art. 9º devem requerer de seus clientes e
dos sacadores não clientes comunicação prévia, com, no mínimo, três dias úteis de antecedência,
dos saques e pagamentos em espécie de valor igual ou superior a R$50.000,00 (cinquenta mil
reais) de que trata o art. 9º, § 1º, incisos I e III.
§ 1º As instituições mencionadas no caput devem:
I – possibilitar a comunicação prévia por meio do sítio eletrônico da instituição na
internet e das agências e Postos de Atendimento (PA);
II – emitir protocolo de atendimento ao cliente ou sacador não cliente, no qual
devem ser informados o valor da operação, a dependência na qual deverá ser efetuado o saque e
a data programada para o saque; e
III – registrar, no ato da comunicação prévia, as informações indicadas no art. 9º, §
2º, conforme o caso.
Circular nº 3.461, de 24 de julho de 2009 11
§ 2º No caso de saque em espécie a ser realizado por meio de cheque por sacador
não cliente, a comunicação prévia de que trata o caput deve ser realizada exclusivamente em
agências e PAs.
§ 3º O disposto neste artigo deve ser observado sem prejuízo do disposto no art. 2º
da Resolução nº 3.695, de 26 de março de 2009.
(Artigo 9º-A incluído, a partir de 27/12/2017, pela Circular nº 3.839, de
28/6/2017.)
Art. 9º-B As instituições financeiras devem manter registro específico de
recebimentos de boleto de pagamento pagos com recursos em espécie.
Parágrafo único. A instituição que receber boleto de pagamento que não seja de
sua emissão deve remeter à instituição emissora a informação de que o boleto foi pago em
espécie.
(Artigo 9º-B incluído pela Circular nº 3.889, de 28/3/2018.)
Especial Atenção
Art. 10. As instituições de que trata o art. 1º devem dispensar especial atenção a:
I – operações ou propostas cujas características, no que se refere às partes
envolvidas, valores, formas de realização e instrumentos utilizados, ou que, pela falta de
fundamento econômico ou legal, indiquem risco de ocorrência dos crimes previstos na Lei nº
9.613, de 1998, ou com eles relacionados;
II – propostas de início de relacionamento e operações com pessoas politicamente
expostas de nacionalidade brasileira e as oriundas de países com os quais o Brasil possua elevado
número de transações financeiras e comerciais, fronteiras comuns ou proximidade étnica,
linguística ou política;
III – indícios de burla aos procedimentos de identificação e registro estabelecidos
nesta circular;
IV – clientes e operações em que não seja possível identificar o beneficiário final;
V – operações oriundas ou destinadas a países ou territórios que aplicam
insuficientemente as recomendações do Gafi, conforme informações divulgadas pelo Banco
Central do Brasil; e (Redação dada pela Circular nº 3.517, de 7/12/2010.)
VI – situações em que não seja possível manter atualizadas as informações
cadastrais de seus clientes.
§ 1º A expressão “especial atenção” inclui os seguintes procedimentos:
Circular nº 3.461, de 24 de julho de 2009 12
I – monitoramento contínuo reforçado, mediante a adoção de procedimentos mais
rigorosos para a apuração de situações suspeitas; (Redação dada pela Circular nº 3.654, de
27/3/2013.)
II – análise com vistas à verificação da necessidade das comunicações de que
tratam os arts. 12 e 13;
III – avaliação da alta gerência quanto ao interesse no início ou manutenção do
relacionamento com o cliente.
§ 2º Considera-se alta gerência qualquer detentor de cargo ou função de nível
hierárquico superior ao daquele ordinariamente responsável pela autorização do relacionamento
com o cliente.
Manutenção de Informações e Registros
Art. 11. As informações e registros de que trata esta circular devem ser mantidos
e conservados durante os seguintes períodos mínimos, contados a partir do primeiro dia do ano
seguinte ao do término do relacionamento com o cliente permanente ou da conclusão das
operações:
I – 10 (dez) anos, para as informações e registros de que trata o art. 7º;
II – 5 (cinco) anos, para as informações e registros de que tratam os arts. 6º, 8º e
9º.
III – 5 (cinco) anos, para as informações cadastrais definidas nos arts. 2º e 3º.
(Incluído pela Circular nº 3.517, de 7/12/2010.)
Parágrafo único. As informações de que trata o art. 2º devem ser mantidas e
conservadas juntamente com o nome da pessoa incumbida da atualização cadastral, o nome do
gerente responsável pela conferência e confirmação das informações prestadas e a data de início
do relacionamento com o cliente permanente.
Comunicações ao Coaf
Art. 12. As instituições de que trata o art. 1º devem comunicar ao Conselho de
Controle de Atividades Financeiras (Coaf), na forma determinada pelo Banco Central do Brasil:
I – as ocorrências de que trata o art. 8º, § 1º, inciso I, no caso de operações em
espécie; (Redação dada, a partir de 27/12/2017, pela Circular nº 3.839, de 28/6/2017.)
II – as ocorrências de que trata o art. 9º, § 1º, incisos I e III. (Redação dada pela
Circular nº 3.654, de 27/3/2013.)
§ 1º Devem também ser comunicadas ao Coaf as propostas de realização das
operações de que tratam os incisos I e II do caput e as comunicações prévias de que trata o art.
9º-A. (Redação dada, a partir de 27/12/2017, pela Circular nº 3.839, de 28/6/2017.)
Circular nº 3.461, de 24 de julho de 2009 13
§ 2º As comunicações das ocorrências mencionadas no caput devem ser
realizadas até o dia útil seguinte àquele em que verificadas. (Incluído pela Circular nº 3.654, de
27/3/2013.)
Art. 13. As instituições de que trata o art. 1º devem comunicar ao Coaf, na forma
determinada pelo Banco Central do Brasil:
I – as operações realizadas ou serviços prestados cujo valor seja igual ou superior
a R$10.000,00 (dez mil reais) e que, considerando as partes envolvidas, os valores, as formas de
realização, os instrumentos utilizados ou a falta de fundamento econômico ou legal, possam
configurar a existência de indícios dos crimes previstos na Lei nº 9.613, de 1998;
II – as operações realizadas ou serviços prestados que, por sua habitualidade, valor
ou forma, configurem artifício que objetive burlar os mecanismos de identificação, controle e
registro;
III – as operações realizadas ou os serviços prestados, qualquer que seja o valor, a
pessoas que reconhecidamente tenham perpetrado ou intentado perpetrar atos terroristas ou neles
participado ou facilitado o seu cometimento, bem como a existência de recursos pertencentes ou
por eles controlados direta ou indiretamente;
IV – os atos suspeitos de financiamento do terrorismo.
§ 1º O disposto no inciso III aplica-se também às entidades pertencentes ou
controladas, direta ou indiretamente, pelas pessoas ali mencionadas, bem como por pessoas e
entidades atuando em seu nome ou sob seu comando.
§ 2º As comunicações das ocorrências de que tratam os incisos I a IV do caput
devem ser realizadas até o dia útil seguinte àquele em que forem verificadas. (Redação dada pela
Circular nº 3.654, de 27/3/2013.)
§ 3º Devem também ser comunicadas ao Coaf as propostas de realização das
operações e atos descritos nos incisos I a IV.
Art. 14. As comunicações de que tratam os arts. 12 e 13 deverão ser efetuadas
sem que seja dada ciência aos envolvidos ou a terceiros. (Redação dada pela Circular nº 3.654,
de 27/3/2013.)
§ 1º As comunicações relativas a cliente identificado como pessoa politicamente
exposta devem incluir especificamente essa informação.
§ 2º A alteração ou o cancelamento de comunicação efetuados após o quinto dia
útil seguinte ao da sua inclusão devem ser acompanhados de justificativa da ocorrência.
Art. 15. As comunicações de que tratam os arts. 12 e 13 relativas a instituições
integrantes de conglomerado financeiro e a instituições associadas a sistemas cooperativos de
crédito podem ser efetuadas, respectivamente, pela instituição líder do conglomerado econômico
e pela cooperativa central de crédito.
Circular nº 3.461, de 24 de julho de 2009 14
Art. 15-A. As instituições de que trata o art. 1º que não tiverem efetuado
comunicações nos termos dos arts. 12 e 13 em cada ano civil deverão prestar declaração, por
meio do Sistema de Controle de Atividades Financeiras (Siscoaf), atestando a não ocorrência de
transações passíveis de comunicação conforme previsto nesta Circular.
Parágrafo único. A declaração mencionada no caput deve ser:
I – enviada em até dez dias úteis após o encerramento do ano civil;
II – considerada para fins da verificação do atendimento ao disposto no art. 11,
inciso III, da Lei nº 9.613, de 1998; e
III – fornecida, no que se refere ao art. 12, apenas pelas instituições que mantêm
os registros mencionados nos arts. 8º e 9º desta Circular.”
(Artigo 15-A incluído pela Circular nº 3.654, de 27/3/2013.)
Art. 16. As instituições de que trata o art. 1º devem manter, pelo prazo de 5
(cinco) anos, os documentos relativos às análises de operações ou propostas que fundamentaram
a decisão de efetuar ou não as comunicações de que tratam os arts. 12 e 13.
Procedimentos Internos de Controle
Art. 17. (Revogado pela Circular nº 3.858, de 14/11/2017.)
Art. 18. As instituições de que trata o art. 1º devem indicar ao Banco Central do
Brasil diretor responsável pela implementação e cumprimento das medidas estabelecidas nesta
circular, bem como pelas comunicações de que tratam os arts. 12 e 13.
§ 1º Para fins da responsabilidade de que trata o caput, admite-se que o diretor
indicado desempenhe outras funções na instituição, exceto a relativa à administração de recursos
de terceiros.
§ 2º No caso de conglomerados financeiros, admite-se a indicação de um diretor
responsável pela implementação e cumprimento das medidas estabelecidas nesta circular, bem
como pelas comunicações referentes às respectivas instituições integrantes.
Art. 18-A. As instituições referidas no art. 1º devem adequar seus sistemas de
controles internos ao disposto na Lei nº 13.170, de 16 de outubro de 2015, visando ao
acompanhamento das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) e à
identificação de bens, valores e direitos de posse ou propriedade, bem como de todos os demais
direitos, reais ou pessoais, de titularidade, direta ou indireta, de clientes pessoas físicas ou
jurídicas submetidos a sanções oriundas dessas resoluções e a essas ações de indisponibilidade.
§ 1º A existência de bens, valores e direitos mencionados no caput deve ser
imediatamente comunicada à Secretaria-Executiva (Secre) do Banco Central do Brasil e, nos
termos definidos no art. 13, ao Coaf.
Circular nº 3.461, de 24 de julho de 2009 15
§ 2º O disposto neste artigo se aplica ao cumprimento de ordens judiciais
relativas às ações de indisponibilidade mencionadas no caput em decorrência de resoluções do
CSNU, de demandas de cooperação jurídica internacional advindas de outras jurisdições em
conformidade com a legislação nacional vigente, bem como de decisões condenatórias
relacionadas à prática de atos terroristas e demais previsões legais.
(Artigo 18-A incluído pela Circular nº 3.780, de 21/1/2016.)
Art. 19. O Banco Central do Brasil divulgará:
I – os procedimentos para efetuar as comunicações de que tratam os arts. 12 e 13;
II – operações e situações que podem configurar indício de ocorrência dos crimes
previstos na Lei nº 9.613, de 1998;
III – situações exemplificativas de relacionamento próximo, para fins do disposto
no art. 4º.
Art. 20. A atualização das informações cadastrais relativas a clientes permanentes
cujos relacionamentos tenham sido iniciados antes da entrada em vigor desta circular deve ser
efetuada em conformidade com os testes de verificação de que trata o § 5º do art. 2º.
Art. 20-A. As instituições financeiras devem implementar até 11 de março de
2019 o registro e a remessa de que trata o art. 9º-B desta Circular. (Incluído pela Circular nº
3.889, de 28/3/2018.)
Art. 21. Esta circular entra em vigor na data de sua publicação, surtindo efeitos
30 (trinta) dias após a data de publicação para os relacionamentos com clientes permanentes ou
eventuais estabelecidos a partir dessa data.
Art. 22. Ficam revogadas as Circulares ns. 2.852, de 3 de dezembro de 1998,
3.339, de 22 de dezembro de 2006, e 3.422, de 27 de novembro de 2008, e os arts. 1º e 2º da
Circular nº 3.290, de 5 de setembro de 2005.
Brasília, 24 de julho de 2009.
Alexandre Antonio Tombini
Diretor
Alvir Alberto Hoffmann
Diretor
Este texto não substitui o publicado no DOU de 27/7/2009, Seção 1, p. 42-44, e no Sisbacen.

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