PEDAGOGIA DA MORTE: O IDEAL DE SER HUMANO E O APRENDIZADO SOBRE A PRÓPRIA FINITUDE


O propósito deste trabalho científico é cotejar os discursos filosóficos e pedagógicos de três
autores da Modernidade (Século XVI
aprendizado sobre a morte. Os autores selecionados para a apresentação dessa
o filósofo Michel de Montaigne (1533
morrer, recolhido do livro
compêndios A arte da prudência, A arte da Sabedoria Mundana e El Disc
Antonio Maria Bonucci (1651
Christãos, & particularmente os da Bahia nos exercicios de piedade, que se praticão nas
tardes de todos os Domingos pelos irmãos da Confraria da Boa Mor
authoridade apostolica na Igreja do Collegio da Companhia de JESU.
aponta para três formas distintas de formação do ideal humano e da preparação para a morte:
uma vida filosófica e racional, uma vida socialmente es
Considera-se que esse estudo sobre o ideal de ser humano e sobre o aprendizado da morte
possa nos ajudar a compreender as implicações dessa formação na educação da sociedade
contemporânea.
Palavras-chave: Morte. Pedagogia
PEDAGOGY OF DEATH: THE IDEAL HUMAN BEING AND THE LEARNING
The purpose of this scientific work is collating the philosophical and pedagogical discourses
of three authors of Modernity (16th
learning about death. The authors selected for the presentation of these is
philosopher Michel de Montaigne (1533
apprendre à mourir (I, 20) (“Of how philosophize is learning to die”), taken from the book
Essais (“Essays”); the Jesuit Balthasar Gracian (1601
y arte de ingenio (“The art of prudence”),
Worldly Wisdom”) and El discreto
Bonucci (1651-1729), with the
particularmente os da Bahia nos exercicios de piedade, que se praticão nas tardes de todos os
Domingos pelos irmãos da Confraria da Boa Morte, instituida com authoridade apostolica
na Igreja do Collegio da Companhia de JESU
will point three different forms of ideal human’s formation and preparation for death: a
1 A pesquisa que fomentou o artigo foi
Tecnológico (CNPq), através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica e Tecnologia (PIBIC).
O artigo foi produzido a partir dos resultados parciais da pesquisa des
janeiro de 2015 na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
2 Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Campinas
12, n. 7, p. 74-87, jan./jun. 2017
FINITUDE1
Poliana Murer Cavalcante
RESUMO
XVI-XVIII) a respeito do ideal de ser humano e de seu
1533-1592), com o ensaio De como filosofar é aprender a
Ensaios; o jesuíta Baltazar Gracián (1601
1651-1729), com o manual Escola de bem morrer. Aberta a todos os
O resultado da análise
estética, e uma vida devocional.
Pedagogia. Ideal humano.

 

1 INTRODUÇÃO
Neste artigo, a proposta é apresentar três pensadores que, embora não tenham sido
contemporâneos, estão reunidos num determinado momento histórico, a Modernidade, e
compartilham debates sobre alguns temas comuns envolvendo concepções de ideal de ser
humano e também de propostas para o aprendizado da morte. Desta forma, será possível notar
diferentes percepções sobre a vida e sobre a morte ao longo desses 300 anos.
A Modernidade, compreendida entre os séculos XVI e XVIII, é um momento de
grandes efervescências filosóficas e de debates sobre o ideal de ser humano. Esse período
histórico, fortemente marcado pelo uso da razão e pelo fortalecimento da ciência, é
impregnado de questões sobre a condição humana, o medo, a felicidade, a ética do bem viver.
É marcado também pela dualidade, pela fragmentação e pela ambiguidade nas relações.
Possivelmente toda essa inquietação levou o cético filósofo Michel Eyquem de
Montaigne (1533-1592) a se dedicar aos Ensaios, no qual o autor, embora afirme escrever
para si mesmo, tece críticas à educação e às relações sociais e culturais num discurso
dialógico. Filho de uma família aristocrática francesa (BATISTA, 2014), Montaigne
provavelmente constatou outras possibilidades de educação além das oferecidas naquele
momento. Algo como a isenção da punição e da recompensa, que alteram relevantemente os
resultados nas relações sociais, é defendido pelo autor. No seu ensaio “De como filosofar é
aprender a morrer”, ele apresenta seu ideal de ser humano para a vida e para a morte: um ser
livre, feliz, virtuoso, satisfeito, e pronto para assumir sua condição de mortal.
Mas não foi a liberdade filosófica que se consolidou na proposta de educação da
Modernidade. O fortalecimento do cristianismo estabelecido pela Contrarreforma se fortalece
na educação; a catequese impõe uma educação rígida e disciplinada em saberes e condutas.
Com a consolidação da religião e da educação cristã, o método e a contribuição pedagógica
para o aprendizado da morte no cristianismo tornam-se pontuais: a filosofia cristã da salvação
pelo merecimento e a educação pela fé. A vontade de Deus está acima de tudo. Essa fé
religiosa leva a crer que o ser humano está isento de todo e qualquer medo que possa permear
76
Pedagog. Foco, Iturama (MG), v. 12, n. 7, p. 74-87, jan./jun. 2017
sua existência. Ter fé é um ato de extrema confiança e de abdicação da responsabilidade sobre
a própria vida.
Dentro da tradição cristã há então a prudência do homem discreto de Gracián (1601-
1658) e o conceito de fé do devoto de Bonucci (1651-1729). O primeiro se dá pela
sobrevivência na corte, e o segundo, pela sobrevivência com Deus. Ambos carregam um peso
moral e controlador.
Baltazar Gracián y Morales nasceu em Belmonte na Espanha, e aos 18 anos, entrou
para a Companhia de Jesus. Foi padre jesuíta, e certamente um observador atento das relações
sociais humanas (GRACIÁN, 1992). Propõe em seus livros, exercícios que exigem ao seu
praticante sensatez e bom senso, para serem sempre salvos por estratégias e adaptabilidade.
Toda sua dedicação em organizar e orientar o cortesão nos leva a pensar que acreditava
seriamente numa humanidade melhor daquela posta aos seus olhos. A bibliografia selecionada
para esse trabalho não remete a louvores devocionais, mas também não há conteúdo que
possa provocar a censura da Igreja, o que não procede com outras obras, as quais foram
proibidas e caçadas pela ordem eclesiástica. Gracián usa, mesmo em momentos que pareça
distanciar da religião, citações autorizadas como posta no aforismo 251 em que orienta seus
leitores de que se deve “usar os meios humanos como se os divinos não existissem, e os meios
divinos como se não existisse nenhum humano”3 (GRACIÁN, 1992, p.109), uma máxima
paradoxal que o padre italiano Antonio Maria Bonucci não hesita em cuidar.
Bonucci esteve totalmente envolvido na tradição e prática jesuíta da catequese a favor
da salvação da alma em detrimento a qualquer dedicação a sabedoria mundana. Foi ordenado
sacerdote no ano de 1680 e, em 1681 enviado ao Brasil instalando-se primeiramente na Bahia
(BERTO, 2013). Para Bonucci, o ideal de ser humano é aquele que dedica a sua existência em
agradar a Deus para ganhar a eternidade nos céus, e, para isso, deve desprezar coisas terrenas.
Uma vida entregue a Deus é uma vida segura acompanhada de uma boa morte, porque Deus
sabe o que é melhor ao seu filho devoto e dedicado. Pautado em rituais litúrgicos que
objetivavam a disciplina do comportamento moral e a memorização, os manuais fortaleceram
a política católica de educação nos países colonizados, inclusive o Brasil.
A partir da pesquisa bibliográfica4 e das contribuições selecionadas de cada autor, no
presente estudo dois pontos foram destacados para o desenvolvimento da pesquisa: o
3 Conselho dado pelo Santo Inácio de Loiola (1491-1556), fundador da Companhia de Jesus, aos seus padres.
4 O início do estudo se deu pela leitura do texto Ratio Studiorum e Política Católica Ibérica no Século XVII, de
João Adolfo Hansen (2001) e das obras de Baltazar Gracián: El Discreto (2007), A Arte da Prudência (2001) e A
Arte da Sabedoria Mundana (1992). Na sequência, foram feitas leituras de trabalhos correlatos: a dissertação de
mestrado de Paula Accioly Andrade (2006), El Discreto e A Arte da Prudência: A contribuição de Baltasar
77
Pedagog. Foco, Iturama (MG), v. 12, n. 7, p. 74-87, jan./jun. 2017
conhecimento sobre a condição humana focado no aprendizado da morte e do morrer, e a
postura diante da vida, o ideal de ser humano. A partir desses dois tópicos, realizou-se uma
breve apresentação e relação entre os pensadores selecionados, e suas concepções sobre a vida
e a morte5.
No primeiro tópico, “concepções de ideal de ser humano”, a apresentação é feita na
ordem cronológica em que os autores viveram. Isso para que seja possível identificar
diferentes mentalidades e o fortalecimento gradativo sobre o que se pensa sobre a vida e os
caminhos que a moral seguiu em prol de uma sociedade moralmente conduzida. No segundo
tópico, “Sobre a morte e o aprender a morrer”, a construção do texto se inverte e começa com
a discussão pelo último autor apresentado no primeiro tópico. A proposta da inversão é que
essa manobra possibilite um caminho reverso, e de pensar sobre como a autoridade religiosa
impõe a concepção de morte, e como o mundo capitalista impõe uma concepção de vida.
2 CONCEPÇÕES DE IDEAL DE SER HUMANO
O pensamento sobre a morte inevitavelmente suscita questões sobre a vida. O bem
viver, o prazer e as relações sociais imprimem muitas formas de relações com a própria morte.
Segundo Montaigne (1972), o prazer e a liberdade são sentimentos fundamentais para uma
vida plena de satisfação, virtuosa e disponível para a morte.
O ideal de ser humano de Montaigne é virtuoso na medida em que vive um sentimento
soberbo de prazer e não se abala por intempéries. As paixões não afetam porque a vida e a
morte fundamentam-se no conhecimento racional sobre a condição humana. Essa vida
voluptuosa proveniente da virtude, segundo o autor, é a relação sublime que envolve a vida e
a morte num só instante.
Seguindo a lógica do pensamento de Montaigne, a volúpia, ou seja, esse sentimento
intenso de prazer é a consciência íntima mais elevada do ser. A apropriação desse prazer
descomedido através dos sentidos é o grau mais sublime da virtude em sua autenticidade. A
virtude, então, torna-se nobre diante das dificuldades, e esse prazer está no trajeto e na ação, e
Gracián na formação do homem de corte, e o manual do Padre Antonio Maria Bonucci (1701), Escola de bem
morrer. Aberta a todos os Christãos, & particularmente os da Bahia nos exercicios de piedade, que se praticão
nas tardes de todos os Domingos pelos irmãos da Confraria da Boa Morte, instituida com authoridade
apostolica na Igreja do Collegio da Companhia de JESU – livro de que tomei conhecimento através do trabalho
de João Paulo Berto (2013), A Escola de Bem Morrer do Padre Antonio Bonucci. Por fim, o ensaio de Michel de
Montaigne (1972), De Como Filosofar é Aprender a Morrer, no livro Ensaios.
5 Manteve-se grafia original nas citações literais.
78
Pedagog. Foco, Iturama (MG), v. 12, n. 7, p. 74-87, jan./jun. 2017
não exatamente no encontro efetivo dela. Esse desapego tranquilizante organiza e compõe o
prazer, portanto, temer a morte torna os prazeres da vida insípidos.
Sendo assim, a vida e a morte estão no mesmo evento. Conhecê-las estreitamente é
uma oposição a humilhações que, tanto uma quanto a outra, provocam quando surpreendem
com eventos inesperados e indesejados. Por esse motivo, distinguir a “volúpia extremada” da
“volúpia menos elevada” é relevante ao ser humano ideal, porque a primeira o torna virtuoso
e a segunda consolida a ignorância sobre a natureza que encerra a vida pela busca de desejos
egoístas e equivocadamente imortais. Nesse sentido, o ideal de ser humano de Montaigne é
aquele que aprende a morrer, mas vive inteiramente até seu último instante.
Ainda acompanhando a lógica do autor, o aprendizado sobre a própria finitude se dá
primeiramente pela alma, porque é ela que deve dominar o corpo, em seguida pela soberania
da liberdade, pela calma e controle emocional, logo, se não há medo em morrer, não há em
viver. Portanto, adiantando-se à morte,
A alma se tornaria então senhora de suas paixões e de seus mais ardentes desejos;
nada a atingiria, nem a indigência, nem a vergonha, nenhuma adversidade.
Esforcemo-nos, pois, por conseguir essa vantagem. Nisso consiste a verdadeira e
soberana liberdade, a que nos permite desafiar a violência e a injustiça, desprezar a
prisão e os ferros escravizadores. (MONTAIGNE, 1972, p. 53).
A proposta oferece o fim do sentimento do medo e, consequentemente, a liberdade.
Por isso Montaigne se destaca sobremaneira da proposta dos demais autores selecionados, e
também os contradiz quando afirma que não temer a morte justifica-se em não temer a vida,
não submeter-se, ser livre para viver. Assim como a morte não é inimiga, a vida também não.
Ele nos oferece outra forma de pensar a morte e a vida, através do exercício filosófico. Por
essa via, se perde de certa forma, o controle social imposto verticalmente do Estado e da
Igreja. Logo, seu ideal de ser humano é livre para suas escolhas.
Nesse sentido, Montaigne apresenta uma inversão dos valores morais católicos na
efervescência da Contrarreforma, onde não há castas mais beneficiadas e que diante da morte
todos têm igual disposição. Essa equidade conduz a um pensamento de liberdade e
independência, uma recusa à servidão. Morrer deixa de ser castigo ou penitência, e viver
passa a ser voluptuoso. A ausência do medo se traduz em liberdade e, para Montaigne, isso
basta. Sua proposta oferece o “aprender a morrer” íntimo e reflexivo. Seu método desarruma a
complexidade dos sentimentos humanos e provoca divergências, e sendo assim a chave para
uma vida autêntica é saber-se mortal.
Enquanto o ideal de ser humano de Montaigne aponta para uma prática filosófica de
libertação do medo, o ideal de Gracián conduz à lógica de submissão e sobrevivência na corte
79
Pedagog. Foco, Iturama (MG), v. 12, n. 7, p. 74-87, jan./jun. 2017
pela prudência. Segundo Gracián, o controle das emoções está no comportamento prudente e
é governado pelo discernimento que conduz o praticante a um estado confortável ou numa
situação vulnerável.
Gracián (2007) apresenta o ideal de excelência humana propondo um homem discreto,
sutil, prudente e educado para a “dissimulação honesta”6. A proposta sugere cautela sobre as
emoções exacerbadas e atenção sobre descontroles sentimentais. No aforismo 99 é dito:
“Realidade e aparência. As coisas não passam pelo que são, mas pelo que parecem. Raros são
os que olham por dentro e muitos os que se apegam às aparências. Apenas ter razão não basta;
é preciso que o rosto também demonstre.” (GRACIÁN, 1992, p. 50-51).
Gracián foi um importante observador do comportamento humano de sua época. Ele
mostra por meio de sua sensibilidade, uma percepção arguta sobre a vulnerabilidade e a
efemeridade do ser humano, e oferece orientações pragmáticas para sobreviver na sociedade.
O autor defende que é imprescindível o autoconhecimento, controle das emoções, e escolhas
atenciosas e cuidadosas na ação. É necessário saber se relacionar com cada qual em sua
posição. Comportar-se simultaneamente com a “inocência da pomba e a sabedoria da
serpente”. O “ser” e o “parecer”, ou, a essência e a aparência, ou ainda, a ética e a estratégia,
de forma harmoniosa, devem conviver, se relacionar, e sobreviver (GRACIÁN, 1992).
O ideal de ser humano cunhado por Gracián (1992), denominado por “homem
universal”, é sábio na medida em que não se deixa enganar por ilusões de esperança ou de
medo; não deposita expectativas fantasiosas, nem nas pessoas, nem nas circunstâncias e nem
em si mesmo. As preposições sugeridas pelo autor são todas para controle de si mesmo,
aprendizado de si mesmo e, consequentemente, o aprendizado sobre o outro, o conhecimento
do mundo, e a obediência ao rei e a Deus. Esse “homem universal” expressa sentimentos
prudentes em público, vive no mundo das “aparências” que oculta a realidade. É capaz de
identificar, discernir e se adaptar a todas as situações do cotidiano. Ele é um modelo social
ético que mantém sua etiqueta impecavelmente, portanto é virtuoso. E, para se alcançar a
perfeição humana, pontua que o caráter e a inteligência, o conhecimento, a dissimulação e a
imaginação devem se sobressair às paixões e às simulações, e o objetivo único é a beatitude e
a santidade. O autor faz um resumo em seu aforismo 300:
Em resumo, ser um santo; isso diz tudo. A virtude é uma cadeia de todas as
perfeições, o centro de toda a felicidade. Torna-o prudente, discreto, perspicaz,
sensível, sensato, corajoso, cauteloso, honesto, feliz, louvável, verdadeiro… um
herói universal. Três coisas nos tornam abençoados: santidade, sabedoria e
6 A “dissimulação honesta”, segundo Gracián, é saber se comportar com discrição, prudência e cautela; ter o
controle sobre as emoções exacerbadas.
80
Pedagog. Foco, Iturama (MG), v. 12, n. 7, p. 74-87, jan./jun. 2017
prudência. A virtude é o sol do mundo inferior, e seu hemisfério é uma boa
consciência. É tão encantadora que ganha a graça de Deus e a dos outros. Não há
nada tão adorável quanto a virtude, nem tão detestável quanto o vício. A virtude
sozinha é autentica; tudo o mais é imitação. Talento e grandeza dependem de
virtude, não sorte. Só a virtude basta a si mesma. Faz-nos amar os vivos e lembrar os
mortos. (GRACIÁN, 1992, p. 127).
Finalmente, o “homem universal”, denominado por Graciàn por El Discreto (2007),
necessariamente deve ser educado formalmente. Isso compreende primeiro ser educado pelo
conhecimento profundo sobre a língua materna7 e o latim8 e também aprender também outras
línguas do continente europeu9. O Discreto deve conhecer de História, Poesia, Filosofia,
Cosmografia, Astrologia, e as Escrituras Sagradas. Esse ideal de ser humano preparado para a
“dissimulação honesta” está pronto para viver na sociedade, “sabe avaliar cada ocasião como
sendo a última” (HANSEN, 2001, p. 39), está atento, e pronto para morrer.
Entretanto, na realidade do Brasil, a educação para um “ideal de ser humano” nos
mostra, pela história de aculturação e catequização, que o modelo de Gracián (2007) não é
para todos. Para o povo aculturado, Bonucci (1701) é mais representativo, uma vez que seu
ideal de ser humano é obediente e submisso às ordens Religiosas e Reais.
Antonio Maria Bonucci consagrou seu trabalho de catequização10 na expansão da
religião católica no Brasil, obedecendo ao modelo católico de obediência à Igreja e à religião
cristã. Essa concepção de ensino estava contida no ideal católico, que, naquele momento
histórico, se firmava pela Contrarreforma, objetivando manter imortal sua teologia-política e
educativa. Essa concepção de educação foi ordenada pelo Ratio Estudiorum11 e aplicada pela
Companhia de Jesus12. Há, segundo Hansen (2001), uma concepção estrutural, funcional e
cultural de educação para a formação do ideal humano, num formato neo-escolástico que
7 De acordo com Hansen (2001), a língua materna é o espanhol, então língua oficial da corte.
8 Considerada pelos eruditos da época como língua universal (HANSEN, 2001).
9 Grego, italiano, francês, inglês e alemão (HANSEN, 2001).
10 Os alvitres da Companhia de Jesus foram o resultado das práticas pedagógicas Jesuítas, e dos estudos em
Roma sobre os relatórios dos missionários. Na medida em que se observa o trabalho e o resultado, a
possibilidade de melhorar e fortalecer a educação são mais promissoras. A ideologia católica impressa em
manuais e mediada pelos jesuítas configurou a educação atual, não só no Brasil, como em toda a Europa e países
colonizados por eles.
11 Segundo Hansen (2001), Ratio Studiorum é um modelo pedagógico desenvolvido pela Companhia de Jesus
contendo uma seleção complexa de normas e práticas de conduta e ensino de conteúdos; um plano pedagógico
que determina não só as práticas docentes como também o retorno comportamental esperado do aprendiz; uma
concepção de ensino com saberes, condutas e práticas.
12 De posse do Ratio Studiorum como educador, e, sua excepcional difusão pela Companhia de Jesus, Roma
acompanhava os resultados a partir de correspondências em que os padres compartilhavam seus trabalhos
educativos, e reestruturava, se necessário, as práticas educativas visando não perder de controle o “ideal humano
católico”. Diante do teatro da vida e das ilusões do século XVII, se adequar às circunstâncias, não era somente
uma questão de sobrevivência, uma proteção à fragilidade humana, era também um importante movimento para
a atenção e controle das emoções e intempéries que permeavam a sociedade (HANSEN, 2001).
81
Pedagog. Foco, Iturama (MG), v. 12, n. 7, p. 74-87, jan./jun. 2017
exige memória, vontade, intelecto e obediência, portanto, o ideal de ser humano de Bonucci é
o servo devoto, dedicado e obediente.
Obedecendo as exigências pedagógicas e as orientações para a formação do ideal
humano católico, o Padre Bonucci lança o manual da “boa morte” (1701), um tratado sobre o
comportamento moral humano, ou seja, uma ferramenta de controle que determina obediência
e devoção através da minimização do medo à morte. A leitura desse documento pedagógico
era acessível apenas aos letrados, mas a intervenção oral nas reuniões semanais na Igreja, e
também com auxílio dos Irmãos da Confraria13 da Boa Morte, era possível estender a prática
dos exercícios a todos através da Pedagogia da Palavra14, da articulada e convincente dialética
devocional e do medo.
A partir dessa concepção de educação cristã, há, portanto, duas opções: escolher entre
a salvação ou o sofrimento eternos. Escolher a salvação implica em submissão à vontade de
Deus, a qual é transmitida pelo Papa – fiscalizada pelos padres – e obediência ao Rei. O ideal
de ser humano de Bonucci não levanta questionamentos, aceita a vida como ela é, e não se
revolta com situações subumanas, porque tal sentimento contra a vida é uma afronta à
vontade divina e sua perdição. Este ser humano é submisso, amável, vigilante em suas
orações e devoto sob quaisquer circunstâncias.
3 SOBRE A MORTE E O APRENDER A MORRER
O conhecimento sobre a finitude é próprio do ser humano, mas o preparo para tal
evento demanda um aprendizado dedicado. Preparar-se para a morte, segundo Bonucci, é
estar em paz com Deus, porque só Ele pode decidir se haverá salvação ou a danação eternas.
A ausência do medo da morte implica diretamente a entrega da alma para o divino. A
obediência à “Santa Madre Igreja Catholica” é o caminho para essa salvação. Há, para esse
preparo, exercícios diários, mensais e anuais, de orações e penitências, com assistência e
orientação dos Irmãos da Confraria da Boa Morte.
Os exercícios propostos por Bonucci (1701) foram organizados e divididos
didaticamente seguindo a seguinte ordem: a primeira etapa é a “pureza da consciência na vida
Purgativa”, momento em que o aprendiz toma conhecimento da tranquilidade da consciência,
do controle das paixões, do desapego e do remorso; a segunda trata-se da “pureza da intenção
na vida Illuminativa”, em que o autoconhecimento e as virtudes são postas; por fim, o terceiro
13 Associação religiosa que organiza assuntos afins.
14 A pedagogia da palavra, “oratória” ou “retórica”, pode ser entendida como a arte da educação pela fala.
82
Pedagog. Foco, Iturama (MG), v. 12, n. 7, p. 74-87, jan./jun. 2017
considera a “conformidade da vontade humana com a divina na vida Unitiva”, ou seja, a
unidade com o divino, finalizando a união e entrega da vida, como também da morte, a Deus.
Ainda, o pecado e o castigo são as ferramentas dessa educação, assim como a
dualidade do bem e do mal e do certo e do errado empregadas. A perseguição ao pecado deve
ser constante e persistente, e rezar é o exercício mais seguro para uma boa morte porque não é
possível prevê-la. Sendo assim, a vigilância é imprescindível e a “preparação que se há de
fazer todas as manhãs para a morte” (BONUCCI, 1701, p. 164), deve estar no hábito
cotidiano e naturalizado à vida corriqueira. Para Bonucci, o aprendiz precisa se humilhar
perante Deus: deve sentir vergonha, sentir-se pecador, sentir-se culpado e não merecedor de
perdão, mas, pedir por misericórdia incessantemente. Essa culpa, amiúde, vem dos
pensamentos, e não das ações propriamente ditas, por isso deve-se cuidar dos pensamentos
com muita atenção e cuidado.
No manual da boa morte de Bonucci (1701), modelo jesuítico de educação, fica
explícito que a Companhia de Jesus representa a verdade, que os padres eram os mediadores
santos, e o Papa a voz de Deus. Manter-se obediente às ordens era garantir uma morte
presenteada com a salvação da alma a qualquer instante, porque “Se há de ser à manhã,
porque não será hoje? Se algum dia, porque não neste dia” (BONUCCI, 1701, p.72). Rezar
para que Deus governar a vida, os pensamentos, era assegurar uma boa morte, sendo assim,
aprender a morrer é, para Bonucci, um ato de fé e um apanhado de exercícios devocionais
diários, mensais e anuais.
Já no que concerne à prática anual, o aprendiz deve se reservar, observar e pensar
sobre a vida; fazer os exercício do manual e clamar a Deus como se estivesse morrendo
naquele instante. Bonucci também confirma esse preceito afirmando: “lembra-te que os
mortaes não tem cousa mais certa que a morte, nem mais incerta que a sua hora” (BONUCCI,
1701, p. 63). Isso é viver um simulacro da morte, todos os dias, confessar os pecados e se
dispor as penitências. Isso deve se repetir mensalmente e diariamente e ter vivo na mente de
que “nada possuo de meu, senaõ húa boa vontade que Deos me deu” (BONUCCI, 1701, p.
120). De acordo com essa concepção, preparar-se para a morte é viver um ritual fúnebre
ininterrupto, se manter em estado de contemplação à morte, e desprezar a vida mundana,
comportamento que, muito sutilmente, Gracián não compartilha.
Gracián conduz uma discussão que, embora não se desvie muito da concepção de
educação jesuítica, ele acrescenta a responsabilidade do homem pelo seu destino na vida e na
83
Pedagog. Foco, Iturama (MG), v. 12, n. 7, p. 74-87, jan./jun. 2017
morte. Assegura que a filosofia é a prática sobre a meditação da morte15, algo que Banucci
não pontua, isto é, aprender a morrer, e morrer bem, uma única vez, sob a própria
responsabilidade.
Afastando-se de Bonucci, Gracián afirma que aprender a morrer implica em aprender
a viver, o que requer conhecimento, estudo, observação e meditação. Ele aconselha que essa
educação seja uma “viajem com três paradas”: a primeira falar com os mortos, a segunda com
os vivos e a terceira consigo mesmo16, respectivamente, uma educação iniciada com os
livros17, depois com as pessoas do mundo18, em seguida, com a filosofia19. A última fase do
aprendizado completo está na filosofia, no conhecimento de si, do outro e do mundo, afirma
que “filosofar é o prazer mais elevado de todos” (GRACIÁN, 1992, p. 101). Sendo assim,
conhecer a morte é saber de imediato que ela é universal, irreversível e necessária; ela é
imparcial, não atende a lógica de idade, local ou condição. Entre a rigidez da educação jesuíta
e o exercício da filosofia, ele pontua a relevância do conhecimento e, embora nenhum dos
autores tenham vivido na mesma época, a concepção sobre o aprendizado da morte de
Gracián se aproxima da concepção de Montaigne que afirma que a natureza não é imortal, e
isso é suficiente para educar sobre a finitude.
O movimento universal de vir à vida ou morrer segue as mesmas regras da existência.
Na mesma ordem em que não se comanda o desejo de nascer, não o faz ao morrer; da mesma
forma que não se deve temer o nascimento, não se deve temer a morte; pertencendo a
natureza, sua condição é cíclica: nasce para morrer, e morre para nascer. A natureza é eterna
porque a morte permite sua perenidade. A vida é completa porque cumpre seu dever e pensar
sobre a morte desobriga o ser humano da servidão, e ter com clareza que
Não sabemos onde a morte nos aguarda, esperemo-la em toda parte. Meditar sobre a
morte é meditar sobre a liberdade; quem aprendeu a morre desaprendeu a servir;
nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é
um mal; saber morrer nos exime de toda sujeição e constrangimento.
(MONTAIGNE, 1972, p. 51).
15 Ele assim diz que “la misma Filosofía no es otro que meditación de la muerte, que es menester meditarla
muchas
veces antes, para acertarla hacer bien una sola después” (GRACIÁN, 2007, p. 296).
16 “La primera empleó em hablar com los muertos. La segunda, com los vivos. La tercera, consigo mismo”
(GRACIÁN, 2007, p. 293)
17 Em El discreto (2007), Gracián sugere um currículo vasto que inclui: línguas, letras, geografia, poesia,
história, retórica, filosofia, enfim, uma ampla área de conhecimento. Sugere também, que o conhecimento
adquirido enobreça as atitudes diante da vida advindas da prudência, da discrição e da virtude.
18 Há um fator intencional nesse aprendizado. Um experimento, uma mistura entre a teoria adquirida dos livros
e a vida vivida. As relações humanas e a política são para o autor “aquella ciencia experimental, tan estimada de
los sabios” (GRACIÁN, 2007, p. 295).
19 A terceira estação só é possível diante do conhecimento dos livros e da vida. “El destinada la madura edad
para La contemplación” (GRACIÁN, 2007, p. 295).
84
Pedagog. Foco, Iturama (MG), v. 12, n. 7, p. 74-87, jan./jun. 2017
Conhecer a morte é saber de imediato que ela é universal, irreversível e necessária. Ela
é imparcial, não atende a lógica de idade, local ou condição. É imprevisível e está sempre em
vantagem. Aos não avisados, ela “humilha, transtorna e confunde” (MONTAIGNE, 1972, p.
50); o medo por ela causa desprazer à vida e nos coloca num estado desconfortável de
inquietação, impedindo degustar a vida e o contentamento.
Por isso, ter o domínio sobre a morte é ter vantagem sobre ela, diz Montaigne (1972).
Essa capacidade se dá, inicialmente, pela inversão de posicionamento entre o vivo e a morte.
Tomá-la como habitual, não estranhá-la, pensar nas manifestações da morte e de como
acontecem. Refletir é importante, manter-se calmo e, acima de tudo, lembrar-se de nossa
condição humana, lembrar de que somos seres mortais. O efeito desse conhecimento, e da
compreensão de sua grandeza, traz como resultado, a libertação do medo e,
consequentemente, a liberdade para a vida. Para Montaigne, a morte acontece, assim como a
vida acontece, sem muitos avisos e com muitos mistérios. Não há critérios nem muitas
explicações, portanto “tenhamo-la a todo instante presente em nosso pensamento e sob todas
as suas formas” (MONTAIGNE, 1972, p.51).
Com isso, preparar-se para a morte elimina a possibilidade de ser surpreendido por ela.
Algo relevante ao aprendizado é dispor previamente do desapego às coisas e às pessoas,
“deixar as coisas da vida na vida” (MONTAIGNE, 1972, p. 51); eliminar planejamentos
extensos e investir em ações imediatas, e para empreendimentos em longo prazo, não ter
excessivamente o objetivo de finalizar, mas o de fazer. O tempo é breve e limitado, “o que
deverá acontecer um dia pode acontecer hoje” (MONTAGINE, 1972, p. 51). Essa préocupação
não permite surpresas, não perturba os sentimentos com a morte alheia, e não deixa
pendências; traduz uma forma de ressignificar a vida, o tempo e a ação, porque,
Qualquer que seja a duração de vossa vida, ela é completa. Sua utilidade não reside
na duração e sim no emprego que lhe dais. Há quem viveu muito e não viveu.
Meditai sobre isso enquanto o podeis fazer, pois depende de vós, e não do número
de anos, terdes vivido bastante. (MONTAIGNE, 1972, p. 54).
Para o autor viver com intensidade e prazer é, de fato, algo que permeia o
conhecimento sobre a morte. Se vive com amor e integridade, a morte não lhe faz mal algum;
se tem uma vida ruim e miserável, a morte lhe salva desse sofrimento. De qualquer forma, a
morte não é, segundo Montaigne, nem um bem, nem um mal a ser temido. Ela é o que cada
um faz a respeito de si com relação a ela.
É possível observar que a Modernidade nos apresenta autores com ideias e concepções
sobre o aprendizado da morte e sobre um “ideal de ser humano” que, ora se encontram, por
85
Pedagog. Foco, Iturama (MG), v. 12, n. 7, p. 74-87, jan./jun. 2017
hora se divergem. É importante lembrar que há entre os autores um distanciamento temporal
secular histórico e também de cunho contextual. De qualquer forma, todos concordam sobre a
imprevisibilidade da morte e a necessidade que se preparar para ela. Afirmam que só se morre
uma vez, e essa experiência não deve ser tomada enquanto algo ruim. Divergem sobre a forma
desse aprendizado: Montaigne propõe conhecimento racional e filosófico; Gracián (2007),
embora pareça caminhar pelos sentimentos da fé, dedica seu trabalho a educação do
comportamento social e das relações políticas, e Bonucci (1701) tem seu ideal voltado
exclusivamente à fé. Na complexidade da efervescência da Modernidade, aprender a morrer,
necessariamente, depende da observação do seu contexto histórico, social e cultural. No caso
do Brasil, foi Bonucci que contribuiu em larga escala para a nossa educação humana.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A liberdade do ideal de ser humano de Montaigne, o cortesão bem sucedido de
Gracián e o merecedor da misericórdia divina de Bonucci apresentam, de certa forma, uma
relação de propostas para a formação de um ser humano, ao longo desses 300 anos da
Modernidade.
Montaigne (1972) escreve seus Ensaios e pontua a liberdade e a satisfação pela vida
um prazer supremo, portanto virtuoso. Essa apropriação de conhecimento sobre a vida e sobre
a morte recompensa o ser humano com a vantagem de se saber mortal, portanto, senhor da
própria existência. A vida, neste sentido, é completa e satisfatória, isentando o ser de qualquer
desejo de uma outra vida além desta. É o saber-se mortal que glorifica a vida, seu significado,
e a necessidade de ser parte de um ciclo natural universal, necessário e maravilhoso. Sendo
assim, não temer a morte é não temer a vida.
Gracián (1992, 2001, 2007) escreve para os cortesãos e instrui seu leitor para um
comportamento sem erros; sugere que as ações sejam sempre pensadas, ponderadas e
concluídas de acordo com o benefício próprio. Ser prudente, atento, perspicaz, não é pecado, é
virtude. Portanto, o controle pela própria vida é importante para a salvação divina, a discrição
e a dissimulação honesta são relevantes à vida terrena. Salvar-se na terra para estar salvo nos
céus. Ser bem sucedido em vida significa glória.
Bonucci (1701) escreve para o povo, ou seja, para todos. Seu trabalho é sistematizado
para a obediência, para o controle social e a ordem moral. Também não se pode ignorar a
preparação desse ideal de ser humano para a vida imortal, já que a vida terrena é apenas uma
passagem, um teste para separar o merecedor do não merecedor do reino dos céus. O ideal de
86
Pedagog. Foco, Iturama (MG), v. 12, n. 7, p. 74-87, jan./jun. 2017
Bonucci não necessita se preocupar com as relações sociais, só precisa ter fé e acreditar que
Deus governa a vida e que nada acontece que não seja de Seu desejo. Seus deveres como ser
humano é obedecer, memorizar e rezar, cumprir suas penitências e esperar sua morte terrena e
sua glória eterna.
Há entre esses pensadores concepções divergentes a respeito de mecanismos de
controle sobre a vida e sobre a morte, como por exemplo, a punição e a recompensa.
Montaigne repudia porque não há nada além do aqui e do agora; Gracián as coloca como
responsabilidade do ser humano por seus próprios atos e de resultados imediatos; e Bonucci
os leva ao âmbito do plano espiritual, fortalecendo o condicionamento ao medo – modelo
social atual.
Esse modelo de educação é próprio dos povos colonizados e aculturados pela Europa;
é ainda o modelo Ratio Studiorum. Mesmo diante de uma concepção pedagógica democrática,
há muitos resquícios que impregnam os modelos da formação contemporânea na instituição
escolar. O abandono do conhecimento filosófico e a necessidade de saber-se mortal, portanto,
um ser vivo que deve contemplar sua existência com contentamento, perde espaço para o
ideal de Gracián que disputa fervorosamente sua sobrevivência na sociedade capitalista, ou o
modelo de Bonucci que rompe com a vida antes de morrer, que segrega, julga, e condena, os
vivos e os mortos, numa dinâmica perversa de exclusões dadas pelo preconceito.
Portanto, ter domínio do conhecimento sobre a vida remete à segurança e a uma
educação mais humana, mais justa e autônoma, não só no sentido de superação das
dificuldades materiais, mas na superação do medo, em consequência, da superação da cultura
da morte e de seu significado. Talvez, o rompimento do ser humano com sua própria
existência não seja uma atitude sensata, visto que, tal rompimento poderia aniquilar sua
identidade humana.
REFERÊNCIAS
ANDRADE, P. A. El Discreto e A Arte da Prudência: A contribuição de Baltasar Gracián na
formação do homem de corte. 2006. 93 f. Dissertação (Mestrado em História) – Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de janeiro. Disponível em:
<http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/9547/9547_1.PDF&gt;. Acesso em: 02 dez. 2014.
BATISTA, G. A. Montaigne: a fundamentação da educação nos moldes céticos e estóicos.
Rev. Bras. Estud. Pedagog. (online), Brasília, v. 95, n. 241, p. 497-507, set./dez. 2014.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbeped/v95n241/03.pdf&gt;. Acesso em: 11 maio
2017.
87
Pedagog. Foco, Iturama (MG), v. 12, n. 7, p. 74-87, jan./jun. 2017
BERTO, J. P. A Escola de Bem Morrer do Padre Antonio Bonucci (1651-1729): subsídios para
a análise da fonte. Revista Tempo de Conquista, História Medieval e Moderna, [S.l.], v. 13, p.
1-18, 2013. Disponível em: <http://revistatempodeconquista.com.br/documents/RTC13/JO
%C3%83OPAULOBERTO.pdf>. Acesso em: 02 dez. 2014.
BONUCCI, A. M. Pe. Escola de bem morrer. Aberta a todos os Christãos, & particularmente
os da Bahia nos exercicios de piedade, que fe practicaõ nas tardes de todos os Domingos
pelos Irmãos da Confraria da Boa Morte, inftituida com authoridade Apostolica na Igreja do
Collegio da Companhia de JESU. Lisboa: Officina de Miguel Deslandes Impressor de Sua
Magestade. 1701. 199 p. Disponível em:
<http://purl.pt/14238/4/r-13159-p_PDF/r-13159-p_PDF_24-C-R0150/r-13159-
p_0000_Obra%20Completa_t24-C-R0150.pdf>. Acesso em: 23 set. 2014.
GRACIÁN, B. El Discreto. Eikasia: Revista de Filosofía, II 8 (enero 2007). Disponível em:
<revistadefilosofia.com/13Eldiscreto.pdf>. Acesso em: 12 set. 2015.
______. A Arte da Prudência. Tradução de I. C. Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
______. A Arte da Sabedoria Mundana. Tradução de I. Moriya. São Paulo: Best Seller, 1992.
HANSEN, J. A. Ratio Studiorum e Política Católica Ibérica no Século XVII, In. VIDAL, D.
G.; HILSDORF, M. L. S. (orgs.). Brasil 500 Anos: Tópicas em História da Educação. São
Paulo: Edusp, 2001, p. 13-41.
MONTAIGNE, M. Ensaios. Tradução de S. Milliet. São Paulo: Globo, 1972, p. 48-55. (Os
Pensadores, Abril Cultural)
Recebido em: 21 de fevereiro de 2017
Aceito em: 13 de maio de 2017

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s