Entenda como a Coreia do Sul passou da miséria à potência tecnológica


Há meio século país era arrasado pela pobreza; mas mudou radicalmente.
Compacto território do país abriga referências em tecnologia e inovação.

Nádia PontesDo G1 Vale do Paraíba e Região

País virou potência econômica e tecnológica (Foto: Reprodução/TV Vanguarda)País virou potência econômica e tecnológica (Foto: Reprodução/TV Vanguarda)

Há 50 anos, a Coreia do Sul era um país arrasado pela pobreza. No ranking global de desenvolvimento, o Brasil aparecia na frente: a renda anual dos brasileiros era duas vezes maior que a dos coreanos. De lá pra cá, a trajetória coreana mudou radicalmente, o país viveu um milagre econômico e entrou para o time das nações desenvolvidas.

Com 50 milhões de habitantes, a Coreia do Sul ocupa apenas 100 mil km2 do globo, quase a metade do estado de São Paulo. Nesse compacto território, abriga marcas valiosas como Samsung, LG, Hyundai, Kia, Posco – a quarta maior fabricante de aço do mundo – e SK Hynix, a segunda na produção mundial de chips.

Ao longo de seus quase 4 mil anos de história, a Coreia do Sul foi dominada por diferentes dinastias, sofreu invasões, foi segredada e separada. Mas as duas últimas gerações transformaram o país numa referência de tecnologia e inovação.

Indústria Mundial dos Games superou faturamento do mercado de música e cinema juntos (Foto: Reprodução EPTV)Indústria de games vive boom (Foto: Reprodução )

Tradição e inovação
O país de origem da marca de celular mais vendida no mundo, Samsung, também conta com uma indústria de games crescente. São mais de 16 mil companhias na área. Por ano, a venda de jogos para celular na Coreia do Sul ultrapassa 700 milhões de dólares, segundo a agência governamental para promoção da indústria de conteúdo (Korea Creative Content Agency).

Esse público assíduo lota ginásios e estádios para participar de competições de games, ou simplesmente torcer por seus jogadores favoritos. No ano passado, 40 mil fãs compareceram o estádio que sediou a Copa do Mundo em Seul, em 2002, para acompanhar a final do mundial League of Legends. O time coreano venceu a competição e, como premiação, recebeu 1 milhão de dólares.

“Jogos e celular viraram uma coisa essencial na vida dos coreanos. Somos ligados em tecnologia mesmo, usamos pra quase tudo. Por exemplo: ninguém sai de casa sem checar no aplicativo do celular os horários do trem, do ônibus ou do metrô. Aqui, todos se programam de acordo com essas informações antes de sair de casa”, conta Sung-Ho Kim, coreano que vive em Seul.

Kim, que já viveu no Brasil, comenta que a tecnologia trouxe muitos avanços para o país. “Os trens sempre chegam no horário marcado, caso haja um atraso, que é no máximo de dois minutos, todos os passageiros veem essa informação no aplicativo. O mesmo vale para os ônibus e metro. Tudo isso ainda me impressiona”.

Guerras e boom econômico
Muito da base que impulsionou o desenvolvimento tecnológico coreano veio do vizinho Japão. Por outro lado, a proximidade com essa potência asiática deixou marcas no passado coreano. Em 1941, os japoneses anexaram a península e mantiveram o domínio até a Segunda Guerra. Só a rendição japonesa, em 1945, colocaria fim a esse episódio da História.

Uma outra fase traumática para a Coreia se iniciou na sequência: a divisão entre Sul e Norte ao logo do paralelo 38. As regiões foram administradas temporariamente por militares dos Estados Unidos (sul) e União Soviética (norte). Foi só em 1948 que a Coreia do Sul elegeu o seu primeiro presidente, Rhee Syngman. A vizinha Coreia do Norte é, até hoje, dominada pelo segredo e totalitarismo.

Quando a reconstrução começou, logo após a separação da Coreia do Norte,  o país estava em ruínas. O governo iniciou programas para incentivar as famílias mais ricas do país a investir em conglomerados industriais. Essa forma de negócios é chamada de “chaebol” que, em coreano, significa riqueza dos clãs. Desde então, dois chaebols praticamente dominaram a economia: LG e Samsung.

Estande da Samsung (Foto: Amanda Demetrio/G1)Quando fundada, Samsung vendia produtos
alimentícios (Foto: Amanda Demetrio/G1)

Produção de eletrônicos
A Samsung foi fundada em 1938 e tinha uma atividade bem diferente da atual: era uma empresa que vendia peixe seco e outros produtos alimentícios. Já a LG foi fundada em 1947 como uma empresa de cosmético que oferecia principalmente creme facial para mulheres. Posteriormente, outros produtos foram incluídos, como plásticos e eletrônicos.

Depois da guerra, essas duas empresas mudaram um pouco a área de atuação pra ajudar a economia do país a se reconstruir. Foi só no fim da década de 1960 que a Samsung, por exemplo, entrou no setor de eletroeletrônicos.

Nas décadas seguintes, a Coreia do Sul passou por fases antagônicas, do crescimento meteórico nos anos de 1980 à crise dos chamados “Tigres Asiáticos, em 1997. Desde então, a economia se refez mais uma vez e manteve-se no topo.

“A economia da Coreia do Sul deve continuar crescendo porque é pautada na evolução de patentes. A inovação ocorre dia após dia, são cerca de 1300 por ano. Existe um estímulo governamental para a pesquisa e desenvolvimento, então o país vai continuar essa marcha de desenvolvimento”, analisa Marcela Barbosa, professora da Universidade de Taubaté.

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