Encontros com o silêncio


O silêncio é uma pátria fora do tempo e do espaço, onde vivemos, sofremos e amamos.

Taizen Korematsu:

Taizen Korematsu: “As fés cristã e budista falam sobre as mesmas verdades”.

Marco Lacerda*
De San Francisco, Califórnia

Antes de partir para aquela longa ausência do Brasil, estive em Belo Horizonte para me despedir da família e dos amigos. Perambulando pela ruas da cidade passei por acaso pela capela do colégio Arnaldo, onde fiz toda a minha formação anterior ao vestibular. O pequeno templo conservava a atmosfera e o cheiro de antigamente. O mesmo silêncio permeava tudo, mas não me dava a sensação de aconchego de antes. Muita coisa tinha acontecido: um Concílio tinha revolucionado a Igreja, prometendo inundar o mundo com amor universal. Por trás da máscara modernizadora, no entanto, percebia-se a mesma dureza do catolicismo que se crê detentor de toda razão.

Os tempos eram outros: a fé já não removia montanhas e a pequena capela do colégio Arnaldo era a melhor tradução da nova era. Tornara-se uma casca vazia de onde Deus fugira para viver noutra parte, deixando apenas o cheiro de velas, de ambiente fechado e o coração duro da Igreja que Ele mandou fundar.

Espalhadas pela capela havia imagens do Cristo que herdamos dos portugueses, indeciso entre ser homem e ser Deus, com o corpo marcado por chagas e cicatrizes que os artistas esculpiram para torná-lo mais parecido com os que sofrem neste mundo, e assim acabou-se por inventar uma religião de suplícios e culpas. Por que os cristãos escolhemos como símbolo o corpo de um Deus morto sob tortura? Um Deus que não conseguimos compreender, muito menos imitar, que nos deixa perplexos e cheios de dúvidas, achando que a culpa é nossa por não entendê-lo.

Eu não entendia. Pior, estava fora da Igreja, mas não do mundo por ela inventado. Aguardava a verdade anunciada, a verdade que liberta, enquanto sentia, no lugar do coração, uma ferida acesa por dúvidas e perguntas que eu esperava curar pelo hábito de conviver com ela. Pouco depois eu sairia pelo mundo carregando-a comigo. Àquela altura eu já tinha desistido de iluminar minha relação sombria com meu pai, passageiro de uma agonia que ele guardava apenas para si, sempre detido atrás da cortina da fumaça dos muitos cigarros que a solidão o obrigava a fumar. Depois de esperar tanto tempo por seu amor, tive que resignar-me a tocar a vida sem tê-lo como amigo e parceiro.

Portas para uma nova percepção

Vendi o que tinha no meu apartamento de São Paulo. Somado à indenização que recebi do jornal, foi suficiente para abrir uma conta bancária que me permitiria viver algum tempo com simplicidade. Afora isso, minha única posse passaria a ser, por muitos anos, uma mala com vinte quilos de roupas e objetos pessoais. Zarpei num cargueiro rumo a San Francisco numa noite em que a lua era uma foice de prata desenhada no céu da baía de Guanabara.

San Francisco foi nessa época – final dos anos 60 – o porto no Ocidente onde desembarcaram mestres, gurus e filósofos vindos do Oriente. Passada a farra hippie, o misticismo continuou fazendo ponto nas esquinas da cidade. Num sábado à tarde, caminhando por vielas desertas do centro, deparei com uma briga de traficantes armados. Os caras já tinham trocado uma ladainha de insultos e estavam prestes a abrir fogo. Um homem que passava, vendo a briga, tirou do bolso um címbalo e começou a tocá-lo e a recitar uma escritura em japonês: “Maka Hanya Haramita Shin Gyo”, gritava a plenos pulmões. O que aconteceu em seguida foi surpreendente: as gangues fugiram em direções opostas e desapareceram nos becos. Perguntei ao cara o que ele tinha recitado e onde podia conseguir uma cópia daquele texto. Ele explicou que se tratava do Sutra do Coração, a mais conhecida escritura do Budismo, e que podia ser obtida na Zen House, um templo na rua Fillmore, a poucos quarteirões de onde estávamos.

“Depois de uma guerra, quem mais precisa de ajuda são os vencedores, não os derrotados”.

Taizen Korematsu: “Zen é fazer zazen e varrer o templo, não importa o tamanho do templo”.Taizen Korematsu: “Zen é fazer zazen e varrer o templo, não importa o tamanho do templo”.O edifício de madeira do templo, decorado com dragões de pedra e luminárias de papel, ficava numa rua lateral de Japan Town, o bairro japonês de São Francisco. Encontrei a porta aberta, mas ninguém para me receber. Caminhei por corredores silenciosos até chegar a um imenso salão, o zendo, onde diariamente, pela manhã, dezenas de pessoas praticavam um tipo de meditação conhecido como zazen. Numa das paredes, um cartaz com uma frase curiosa: “Recite os sutras com os ouvidos”. Abaixo, numa mesinha, encontrei uma pilha de cópias da escritura que buscava. Naquele momento apareceu um monge que se apresentou como Taizen Korematsu.

– Posso ajudá-lo em alguma coisa? – perguntou.

Contei sobre a briga de gangues que acabara de presenciar e perguntei se podia levar uma cópia do sutra.

– Claro, leve mais se quiser e recite-o sempre que puder. O simples fato de possuir essa escritura é benéfico.

Taizen era um conhecido mestre zen-budista. Rosto imberbe, corpo delgado de asceta e uma expressão ancestral nos olhos rasgados. Enquanto falava, dava risadas sem motivo, mas falava com suavidade, acariciando as palavras. Fora para os Estados Unidos depois da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, levado por uma estranha lógica do Budismo: “Depois de uma guerra, quem mais precisa de ajuda são os vencedores, não os derrotados”.

Na manhã seguinte resolvi experimentar a tal meditação zen. Quando cheguei, o salão já estava lotado com gente de todas as idades sentada em almofadas, olhando para a parede. Com a ajuda de um folheto de instrução, procurei imitar o que os demais faziam: coluna reta, olhos meio abertos, boca fechada, pernas dobradas com firmeza, braços relaxados e mãos unidas, formando um semicírculo. Para me concentrar, fixei a atenção na respiração.

– Zen consiste em fazer zazen e varrer o templo, não importa o tamanho do templo – Taizen explicou antes de encerrar a sessão com voz firme e gentileza no olhar.

Para facilitar a ida ao zazen, mudei-me para uma casa na rua Fillmore, em frente ao templo – uma espécie de república onde todos dormiam em tatames – e passei a conviver com outros membros da comunidade. Naquele ano a Zen House comprou uma propriedade e iniciou a instalação de um mosteiro nas serras do norte da Califórnia. Juntei-me à caravana que foi ajudar a fundar Los Altos, como o mosteiro ficou conhecido.

O trabalho em Los Altos era braçal: carpintaria, construção, jardinagem. A temperatura saltava dos quinze graus, de manhã, para trinta e cinco nos fins de tarde. O pique era de acampamento. Morávamos em velhas cabanas sem energia elétrica. Não tinha rádio nem televisão, e os jornais chegavam com dias de atraso. Drogas e álcool eram proibidos sob pena de expulsão. A luz era de querosene, e a roupa, lavada à mão, era pendurada em cordas para secar.

A programação diária era um desafio. O sino para acordar batia às três e meia da manhã. Às quatro tínhamos de estar no zendo, vestindo uma túnica preta e descalços, para dois períodos de zazen de quarenta minutos cada. Em seguida participávamos de uma espécie de missa zen onde sutras eram recitados. A mesma rotina era repetida depois do almoço e do jantar até as 9 da noite, quando os sinos tocavam pela última vez, anunciando o fim do dia.

Todas as atividades no mosteiro são anunciadas pelo repicar dos sinos. Sem eles nada começa ou termina. Ninguém acorda nem vai dormir. O tempo é medido não pelo relógio, mas por quando é chegada a hora. Aprendi uma noção de tempo até então desconhecida. Pela primeira vez me vi fazendo coisas não porque tivesse de fazê-las, mas porque era chegada a hora: agora!

“A ciência pode, com um transplante, dar-nos um coração novo, mas nunca um coração renovado”.

Apesar do rigor da disciplina em Los Altos, não havia nada mais importante que eu quisesse fazer nem outro lugar onde preferisse estar. A certa altura passei a ter encontros com Taizen. Os encontros, chamados de dokusan, eram nos aposentos dele, uma cabana forrada de tatames com uma imagem de Avalokitesvara, o Buda da Compaixão, sobre um altar, uma varinha de incenso queimando num canto e duas almofadas pretas dispostas a uma pequena distância uma da outra, a fim de permitir que o mestre estivesse cara a cara com o estudante.

Na primeira vez que ficamos frente a frente, notei que o rosto de Taizen era dominado pela serenidade de alguém que vive num mundo que lhe pertence. Não foi difícil contar-lhe minha história com enredo de novela sem final feliz. Taizen me ouviu em silêncio e, no final, disse com voz mansa:

– Que maravilha sua vida ter sido assim. Nós dois, eu e você, devemos ser agradecidos por isso. Do contrário, talvez nunca tivéssemos nos conhecido. Afinal, foi o seu sofrimento que o trouxe aqui, não foi? Surpreendeu-me aquele comentário sobre uma história tão atribulada como a minha. Antes que eu pudesse dizer algo, ele acrescentou:

– Quando um vaso precioso cai no chão e se parte, o acidente pode ser motivo de consternação. Mas pode ser motivo de alegria, também. Afinal, a quebra do vaso cria oportunidade para que alguém varra os cacos do chão, alguém relembre a história do vaso e mantenha viva a sua memória. Sobretudo, é uma oportunidade para que um novo vaso seja feito.

– Do jeito como fala, o senhor parece insinuar que eu deveria cultuar o sofrimento de toda uma vida. É isso mesmo? – perguntei.– Nosso sofrimento é a nossa maior riqueza, é o que nos mantém abertos à renovação. Se tivermos um problema cardíaco a ciência pode, com um transplante, dar-nos um coração novo, mas nunca um coração renovado. Quando escondemos nosso coração pelo medo de sofrer, damos o primeiro passo rumo à morte. Sentir o nosso sofrimento é a única maneira de nos libertarmos dele.

“Amar a si mesmo em primeiro lugar não seria uma forma egoísta de amor?”

“Um lugar fora do tempo e do espaço, onde vivemos, sofremos e amamos em silêncio”.– O senhor quer dizer que devemos alimentar nossos sofrimentos?

– Devemos deixá-los arder em nós. Só assim aliviamos nossa dor e contribuímos, com nossas lágrimas, para aliviar o sofrimento do mundo. Por isso é importante identificar as raízes do nosso sofrimento. Uma vez reconhecidas essas raízes, o passo seguinte é tratá-las, não varrê-las para debaixo do tapete, como somos tentados a fazer. Quando tratamos nossos venenos interiores, contribuímos para a limpeza do nosso meio ambiente mental e espiritual.

Depois dos encontros com Taizen eu caminhava pelas trilhas de Los Altos, sempre meditando sobre o que tínhamos falado. Aos poucos começou a evidenciar-se uma certa paz que aqueles encontros produziam. Uma tarde, Taizen e eu caminhávamos pelas montanhas quando avistamos uma cruz fincada no alto de um morro, sinal da presença mexicana e da fé cristã que no passado habitaram aquela parte da Califórnia. Taizen perguntou:

– Qual é o principal mandamento cristão?

– Amar o próximo como a si mesmo – respondi.

– E quem é o “si mesmo” a que esse mandamento se refere?

Sem me dar tempo de responder, acrescentou:

– Há muito venho meditando sobre esse mandamento e sempre que o faço chego à conclusão de que talvez as fés cristã e budista estejam falando sobre as mesmas coisas. Amar o próximo como a si mesmo, no meu entender, significa que, quanto mais eu for capaz de me amar, mais serei capaz de amar o meu próximo. Afinal, eu sou o mais próximo entre todos os meus próximos.

– Amar a si mesmo em primeiro lugar não seria uma forma egoísta de amor? – pergunto.

– Se você não gosta de si mesmo, como pode esperar que alguém goste? Mas, para amar a si mesmo, é preciso, antes, conhecer a si mesmo. Só quando nos reconhecemos como parte da vida divina é que passamos a nos amar de verdade. E, quanto mais nos sentimos parte de Deus, mais nos amamos, menos dependemos do amor dos outros. Uma pessoa que gosta de si mesma é um amante por natureza, capaz, portanto, de despertar o amor nos outros. Isso, a meu ver, é amar o próximo como a si mesmo. O resto é decorrência desse amor primordial.

Os passos rumo ao dom supremos da compaixão

– Desde menino não fiz outra coisa a não ser buscar o amor do meu pai, mas nunca consegui. Como entender isso?

– Visto com os olhos do mundo, amar sem ser correspondido é permitir que o desamor se instale em nós. Da mesma forma, buscar o amor de alguém que nos faz mal, que nunca nos fez nenhum bem, equivale a infligir-nos o mal. Mas a pessoa que ama a si mesma já não depende de ser amada. Não sente a necessidade de ser reconhecida, exaltada, valorizada, nada disso. A vida dessa pessoa está completa. O mundo é o seu habitat natural, e suas ações estão harmonizadas e pacificadas. Essa pessoa pode ser generosa, pode amar genuinamente. Noutras palavras: está pronta para o dom supremo da compaixão.

“É natural que exista em você todo esse ressentimento”, prosseguiu Taizen, “por causa da dor que lhe causou, e ainda lhe causa, o fato de não ter sido amado por seu pai. Eu não acredito que seu pai não o ame, mas, mesmo que este seja o caso, é importante que você seja capaz de estender sua compaixão às pessoas que não o amam, que lhe fizeram mal, que lhe foram hostis e até aos seus inimigos. Sua compaixão deve sustentar-se no reconhecimento de que seu pai deve sofrer, e muito, e que também ele tem o desejo natural de buscar a felicidade e de superar o sofrimento”.

– Isso é muito difícil de por em prática, o senhor não acha?

– Sim, porque somos escravos da busca de satisfação pessoal instantânea e assim tentamos nos distrair dos clamores de sofrimento que vêm de todas as partes. Mas é preciso manter os olhos, o coração e a inteligência sempre alertas. Caso contrário, nossa tendência é cair num tipo de compaixão meramente afetiva. Esse tipo de compaixão está sujeito a todo tipo de abalo, sempre depende das circunstâncias. Alguém cuja fé não está fundada na razão é como um rio que pode ser levado a qualquer parte.

“O erro de Judas Iscariotes foi não compreender que havia perdão também para ele”.

– De qualquer forma é muito difícil considerar amigo espiritual alguém como meu pai, que me fez tanto mal. Afinal, quem não nos deu amor não nos deu nada.

– A julgar pelo que dizem a literatura e a mitologia, a família é um dos lugares onde mais se observa a ação da maldade. Mas é um erro supor que uma pessoa – no caso, o seu pai – possa ser a causa ou a origem de qualquer sofrimento. É disso que o mau espírito, o demônio, como se diz no cristianismo, quer nos convencer. A palavra demônio é encontrada em muitas escrituras, mas é importante, quando pensamos em demônios, não associá-los a uma força independente e autônoma, que está solta no mundo pronta a nos fazer mal.

“Devemos, antes, relacionar o demônio às tendências negativas que existem dentro de nós. Mesmo que seu pai fosse esse culpado, a compaixão é sua única alternativa de perdão. Existem crimes que não esquecemos e crimes que jamais prescreverão. Mas não existe crime que não mereça perdão. Você, que foi educado de acordo com a fé cristã, deve saber disso melhor do que eu: o erro de Judas Iscariotes não foi ter entregado Jesus Cristo e depois se matado; foi não compreender que havia perdão também para ele”.

De volta à minha almofada no zendô, eu meditava sobre as palavras de Taizen: “O maior guerreiro é aquele que vence a si mesmo”. Aos poucos fui me libertando de um passado em que o medo tinha sido meu único companheiro: medo do meu pai, de Deus e sua justiça imprevisível, da morte, do desconhecido.

Os temores se diluíam. Era como se um par de asas brotasse nas minhas costas e eu me sentisse livre para partir num vôo solo. O mundo tornou-se uma página em branco e me vi tomado pelo desejo de escrever uma história na qual era protagonista e narrador, não mais observador passivo.

Taizen estudara os evangelhos cristãos para conversar comigo numa linguagem que me fosse familiar.

Parecia inacreditável que eu tivesse viajado uma distância tão grande para ouvir de um pequeno homem japonês verdades com as quais eu tinha convivido boa parte da minha vida; que Taizen tivesse anistiado meu pai baseado em valores que pouco tinham a ver com sua cultura e tudo a ver com a minha. Taizen estudara os evangelhos cristãos para conversar comigo numa linguagem que me fosse familiar. A palavra compaixão ganhou um novo significado depois que o conheci.

Quando passo em retrospectiva essa etapa da minha vida, sinto dificuldade em lembrar de onde vinha a força que me permitiu perseverar em meio ao rigor da disciplina de Los Altos. A resposta talvez estivesse no zafu, a almofada de meditação que Taizen me ensinou a usar como meu centro de gravidade. Um dia ele se aproximou em silêncio, parou diante de mim no zendo e colocou a palma da mão direita sobre a minha cabeça. Seus dedos cobriram por inteiro a minha cabeça. Fiquei imóvel. Senti minha cabeça se abrir e uma doçura entrar dentro dela e escorrer até o meu cérebro, alcançar minha boca, o pescoço, o coração, descer até o ventre e ramificar- se até a sola dos pés. Algo parecido com um êxtase me encheu o corpo, como uma árvore sedenta que é regada.A partir daquele dia, as feias cenas do meu passado começaram a desgrudar-se da minha mente e da minha retina e passaram a ser ocupadas por outras, mais bonitas. Foi por essa altura que parei de chorar por dentro e, devagar, fui aprendendo a saborear cada dia como se fosse um presente.

“Nunca soube ao certo o que fui fazer naquele lugar, mas nunca fui o mesmo desde que o deixei”.

“Devagar, fui aprendendo a saborear cada dia como se fosse um presente”.A mim a meditação praticada por Taizen ensinou um pouco sobre o silêncio e seu poder purificador ao qual eu era convidado a me expor sem defesas. Houve um tempo – Taizen dizia – em que o silêncio cobria todas as coisas e o homem tinha que romper a capa da quietude para aproximar-se delas. Não podia simplesmente atirar-se às coisas, como faz agora, pois elas estavam protegidas por essa capa ao seu redor. O silêncio ficava de plantão diante das coisas, defendendo-as como uma armadura.

A meditação e o silêncio a que ela conduz devolveram-me a alma ao corpo. Seguindo essa trilha acabei encontrando a pátria para onde Taizen apontava. Não a que consta dos meus documentos, mas um lugar em nós onde podemos nos refugiar quando quisermos, fora do tempo e do espaço, onde vivemos, sofremos e amamos em silêncio.

Mesmo de olhos vendados eu seria capaz de identificar o silêncio de Los Altos entre todos os silêncios do mundo. Nunca soube ao certo o que fui fazer naquele lugar, mas nunca fui o mesmo depois que o deixei.

*Marco Lacerda é jornalista, escritor e Editor Especial do Dom Total.

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