Mercado Futuro


Por último, não menos importante, temos o mercado futuro. Esse tipo de negociação é
um misto dos demais contratos.
Se você entendeu bem como funciona os demais derivativos, fica fácil entender como funciona
o mercado futuro. A premissa é a mesma: negociar no presente a venda ou compra
de um ativo que será entregue no futuro pelo preço combinado hoje.

Algumas características do Mercado Futuro:
Contratos padronizados: nesse tipo de operação, a negociação é padronizada para todos os clientes, ou seja, taxa, prazo e preço são iguais para todos os clientes. O contrato é listado na bolsa de valores (B3);
⯀ Margem de Garantia: o investidor que entra nesse mercado precisa alocar, como garantia, um valor junto à B3 que servirá como garantia da operação. Quando o contrato é liquidado, a B3 devolve a margem de garantia;
Liquidação antecipada: não existe a possibilidade de liquidação antecipada deste contrato, no entanto, o investidor pode inverter sua operação anulando sua exposição ao contrato;
⯀ Ajuste diário: a cotação dos ativos subjacentes e dos contratos são atualizadas diariamente e pode haver um ajuste negativo ou positivo na conta das contrapartes;
⯀ Risco de contraparte: a B3, ao recolher a margem de garantia dos investidores,
assume para si o risco de contraparte da operação.

A premissa aqui é a mesma que expliquei no começo do tema derivativos.
Imagine que você é um produtor de milho e vai começar uma plantação hoje. A colheita
do milho se dá entre 90 e 100 dias. Entre seus custos, você tem sementes, insumos, arrendamento
da terra, funcionários, colheita, armazenagem e transporte para a trading que
vai exportar seu milho. Esse custo total é de R$ 40,00 por saca de milho – assim, para que
você tenha lucro, é necessário que venda o milho por R$ 50,00 a saca.
Nesse caso, você pode vender um contrato futuro de milho na B3. Assim, você trava o
preço de R$ 50,00 hoje e, aconteça o que acontecer no mercado, você vai ter resultado
financeiro de R$ 50,00 por saca.
Se, ao final do contrato, o milho estiver cotado a R$ 70,00, você terá pago, via ajuste diário,
R$ 20,00. Assim, você garante que vende por R$ 50,00. Nesse caso, você vai vender por
R$ 70,00, mas como pagou R$ 20,00 no ajuste, bateu R$ 50,00
Se, ao final do contrato, o milho estiver cotado a R$ 30,00, você terá recebido, via ajuste
diário, R$ 20,00. Assim, garante o preço de R$ 50,00. Nesse caso você vende por R$ 30,00,
mas como recebeu R$ 20,00 no ajuste, bateu R$ 50,00.

Ainda nesse mercado temos a presença de mais um player: o arbitrador. Esse tipo de
investidor é aquele que busca ganhar dinheiro com a distorção de preços entre os contratos
(da mesma ou de outra praça).
Por exemplo, um investidor nota que o contrato de milho está sendo negociado na CBoT
(Bolsa de Chicago) a U$ 10,00. Esse mesmo investidor percebe que o preço desse contrato
aqui na B3 está cotado a R$ 50,00. Esse investidor, então, compra contratos na CBoT e
vende na B3, buscando auferir lucro com a diferença dos ajustes diários.
Esse player tem uma importância fundamental nesse mercado. Explico: faz sentido
que milho é uma commodity e que, por isso, seu preço é o mesmo aqui ou em qualquer
lugar do mundo? Se existe essa diferença muito grande de preços, significa que
o mercado está com preço distorcido.

Quando esse player cria uma pressão compradora dos contratos em Chicago, o preço de lá
tende a subir ao passo que, quando entra vendido aqui na B3, os preços deste contrato tendem
a cair. Assim, chegamos, em determinado momento, ao equilíbrio de preço entre as praças

 

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