7 Gestão e mensuração de Performance e Riscos


Simulado

https://acordocoletivo.org/2020/06/18/simulado-7-anbima/

INTRODUÇÃO
Como já dito no resumo deste capítulo, vamos entender tudo sobre os riscos de um investimento
e como gerenciar esses riscos.
Antes de lançar mão das ferramentas de gestão de riscos, é importante dominarmos
cada um dos riscos.
Para iniciarmos essa conversa, lembre-se sempre de uma coisa: não existe nenhum ativo no
mercado que seja considerado 100% livre de risco. Ou seja, o risco existe em TODOS os investimentos
do mercado. Claro que alguns irão apresentar maior grau de risco do que outros.

Risco x Retorno

Quando tomamos a decisão de investir, temos um visão de curto, médio e longo prazo, e levamos em conta o cenário econômico atual e as possíveis mudanças que podem ocorrer durante o tempo do investimento.
Podemos dizer que decisões financeiras são tomadas em um contexto de incerteza, que aumenta conforme o prazo do investimento aumenta.
Assim sendo, é necessário tipificarmos os riscos presentes nos investimentos conforme a seguir:

  1. ⯀ Risco de Crédito;
  2. ⯀ Risco de Mercado;
  3. ⯀ Risco Sistemático;
  4. ⯀ Risco não sistemático;
  5. ⯀ Risco de Liquidez;
  6. ⯀ Risco de contraparte;
  7. ⯀ Risco País.

Risco de Crédito
Basicamente, o Risco de Crédito é o risco de calote. Aposto que você já sentiu esse medo
alguma vez na vida. Talvez ao emprestar dinheiro para um amigo e ele ficar de pagar
depois de uns meses. Só que esse amigo some e você nunca mais vê a cor do dinheiro.
Nesse caso você perde o dinheiro e o amigo, né? Isso é risco de crédito.
Se estamos falando que o risco de crédito é o risco de calote, então faz sentido pensar
que só estou sujeito a esse risco quando eu empresto dinheiro a alguém, certo? Pois
é, estou falando isso para deixar bem claro que o risco de crédito só está presente nos
investimentos em renda fixa.
Sendo assim, podemos afirmar que todo investimento de renda fixa terá risco de crédito.

Risco de Contraparte
Imagine que você tenha comprado nosso curso online e, depois de passar seu cartão de
crédito, eu não entregasse o material prometido em nosso site. Aqui temos o risco de eu
não cumprir minha parte. Isso é o risco de contraparte.
No mercado financeiro, investidores estão o tempo inteiro comprando e vendendo títulos
uns dos outros no mercado secundário. Faz sentido para você que existe o risco de, por
exemplo, um investidor comprar um título e outro investidor não entregar esse título?
Embora seja um risco presente nos investimentos, é algo mitigado nos dias atuais em
função das clearings. As clearings, ao registrarem as transações, conseguem zerar o risco
de contraparte das transações realizadas no mercado.
O risco de contraparte é facilmente confundido com o risco de crédito, já que ambos os riscos
estão relacionados ao fato da outra parte não cumprir sua responsabilidade na negociação.

Uma dica: quando a contraparte do ativo é o emissor de um título de renda fixa, o
risco é de crédito. Se a contraparte é outro investidor, o risco é de contraparte. Sacou?

Risco de Liquidez (Negociabilidade)
Imagine que você comprou um ativo por R$ 20. Amanhã você precisa desesperadamente
vendê-lo, mas o valor dele caiu para R$ 15. Isso é Risco de Liquidez.
Trata-se da dificuldade de vender um determinado ativo pelo preço justo e no momento
desejado. A realização da operação, se ela for possível, implica numa alteração substancial
nos preços do mercado.
Geralmente acontece quando um ativo possui muitos vendedores e poucos compradores.
O investimento em imóveis é um exemplo de uma aplicação com alto risco de liquidez.

Risco de Mercado
Agora vamos entender o risco de mercado. Este risco pode ser traduzido em, basicamente,
o quanto o preço de um ativo pode ser alterado pelo mercado.
Por tudo que já vimos nos módulos anteriores, podemos afirmar que, ao investir o dinheiro
em um título qualquer, o investidor está comprando esse título. E tudo o que se compra tem
um preço, certo? Se esse preço tem uma forte variação, esse ativo possui um alto risco de
mercado. Do contrário, se tem poucas variações, ele é um título com baixo risco de mercado.
O exemplo mais clássico que podemos usar aqui é o preço das ações. Quando um investidor
compra uma ação por R$ 20, ele espera que o mercado, ao longo do tempo, precifique
essa ação por qualquer coisa acima de R$ 20 para que tenha lucro. Quanto maior for a
oscilação de preço dessa ação, maior será seu risco de mercado.
Ainda no assunto de risco de mercado, podemos separá-lo em 2 tipos de riscos:

⯀ Risco sistemático: aqui estamos falando de eventos econômicos que afetam o preço de todos os ativos no mercado financeiro, não diversificável. Não há o que o investidor possa fazer para diminuir sua exposição a esse risco. Fatores como crise política, econômica, guerras ou desastres naturais se encaixam aqui. Ou seja, algo que está fora do controle de qualquer investidor. Posso usar como exemplo o dia em que o
presidente da JBS, Joesley Batista, vazou uma gravação com o então presidente da
república Michel Temer. Naquele dia, pra ser mais preciso no dia 18/05/2017, vazou na imprensa que essa gravação colocaria o governo, já sem credibilidade, em uma situação bem delicada. Nesse dia, TODOS os ativos do mercado perderam valor. Isso por conta do risco sistemático. O risco de todo o sistema

Risco não sistemático:

aqui estamos falando do risco que envolve somente uma empresa ou um setor da economia. Trata-se de um risco diversificável. Se usarmos
contextos políticos recentes para entender o risco não sistemático, podemos lembrar
da operação lava jato. Essa operação deflagrou, ainda em 2014, o maior esquema
de corrupção que se tem (ou se tinha) conhecimento da nossa história. Todo esse
esquema de corrupção foi feito através de uma empresa estatal: a Petrobrás. Durante
essa investigação – e também por outros motivos, é claro – a Petrobras teve uma perda
de valor de mercado (embora já tenha se recuperado) de 81% em seu patrimônio, de
forma que as ações da empresa saíram de R$ 23,36 para R$ 4,41, conforme você pode
ver no gráfico abaixo:

Nesse caso temos uma perda expressiva de valor de uma única empresa e isso não necessariamente
afeta outras empresas. Nesse tipo de risco, o investidor consegue se proteger
ao fazer uma diversificação de sua carteira de investimentos. Por falar em diversificação,
é sobre isso que vamos falar agora.

Diversificação
Agora que entendemos o risco não sistemático, vamos entender como o investidor pode
se proteger desse risco: através da diversificação.
De um jeito bem simples, diversificação é “não colocar todos os ovos na mesma cesta”.
No caso da Petrobras, que citei acima, se o investidor colocasse todo seu patrimônio em
ações dessa empresa teria passado por fortes emoções nos anos de 2015 e 2016, né? O
investidor, então, pode se proteger desse risco colocando seu patrimônio em diversas
ações, preferencialmente de segmentos diferentes.
Quanto maior for a quantidade de empresas na carteira do investimento, maior será sua
diversificação e menor será a exposição ao risco não sistemático da carteira.
O gráfico abaixo representa uma carteira bem diversificada e sua exposição ao risco de mercado.

O que temos no gráfico é o seguinte: o eixo X representa a quantidade de ativos na carteira do
investidor e o eixo Y, a quantidade de risco da sua carteira. Perceba que, quando eu aumento
a quantidade de ativos na carteira, o meu risco vai diminuindo. O ponto a destacar aqui é:
independente da quantidade ativos, ou melhor dizendo, independente do tamanho da
diversificação, o investidor SEMPRE estará exposto ao risco sistemático na mesma proporção.
Em resumo: a diversificação é muito eficiente para proteger o investidor do risco não sistemático.
No entanto, o risco sistemático não possui nenhum mecanismo de proteção.

Risco-País
Estávamos até agora falando sobre os riscos dos investimentos e seus emissores. Agora
lembre-se de quando falamos sobre os títulos públicos, que o governo é um emissor de
títulos. E a pergunta que fica é: por que um investidor compra títulos públicos emitidos
pelo Brasil e não um emitido pelo governo da Venezuela? Como a gente sabe se um país
tem condições de pagar por suas dívidas contraídas? A resposta é: Risco-País.
Como eu citei acima, o Risco-País é um indicador de capacidade de pagamento de um País.
Precisamente, o Risco-País é denominado EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus),
sendo calculado por bancos de investimento e agências de classificação de risco. Tal termo foi criado pelo banco J.P.Morgan em 1992 para poder orientar seus clientes sobre o direcionamento de seus investimentos, evitando aqueles países em que o risco de ocorrer uma crise financeira é maior.
Para calcular o índice, os bancos levam em conta vários fatores como o nível do déficit
fiscal, o crescimento da economia, a relação entre arrecadação e a dívida de um país, as
turbulências políticas, etc. Em outras palavras, o Risco-País mostra a sobretaxa que um
investidor está correndo o risco de pagar em relação ao rendimento dos papéis da economia
americana, uma vez que esta é considerada a mais solvente do mundo.
O índice é calculado em pontos básicos, onde cada ponto corresponde a 0,01 ponto percentual
de prêmio acima do rendimento dos papéis da dívida dos EUA. Se o Risco-País
do Brasil for 200, por exemplo, isso significa que os estrangeiros “merecem” um prêmio
de 2 pontos percentuais de rendimento acima do que paga um igual papel americano.
Quanto maior o EMBI+, maior tem de ser a remuneração que o governo deve oferecer por
seus títulos. Em outras palavras, o EMBI+ alto “puxa” a taxa básica de juros da economia
para cima. Se lembrarmos das aulas de políticas monetárias, quanto maior for a Selic, maior
será o custo do dinheiro e, por consequência, menor será a capacidade de investimento
por parte das empresas que captam recursos do mercado.
Agora que entendemos os riscos envolvidos no mercado, vamos entender como gerenciar
esses riscos. Para começar esse assunto, vamos falar de cross default.

Cross Default
A tradução livre de cross default seria “vencimento cruzado”. Alguns contratos financeiros
e investimentos em renda fixa (sendo muito mais comum em debêntures) podem ter
cross default, mas vou dar um exemplo para você entender melhor o significado dessas
duas palavrinhas gringas.
Imagine que você pega 10 mil reais emprestados com um amigo e promete pagar depois
de 1 ano. Ao mesmo tempo, você faz um contrato com cross default. Depois de alguns meses, você atrasa uma conta de luz. A partir deste momento, a sua dívida de 1 mil reais pode ser considerada vencida e cobrada na justiça.
Em resumo, o cross default é uma garantia adicional onde todos os vencimentos da empresa
podem refletir na dívida que tem essa garantia. Se uma empresa emite debêntures com
essa cláusula e atrasa o pagamento do aluguel de sua fábrica, o agente fiduciário dessa
debênture pode acionar a empresa para liquidação das debêntures.
O cross default é uma garantia adicional para diminuir o risco de crédito dos ativos. A partir
de agora vamos falar de estatística e suas aplicações no mercado.

Risco de Liquidação
O processo de encerrar um negócio e distribuir seus ativos aos requerentes normalmente
ocorre quando a empresa é insolvente, ou seja, não pode mais pagar suas obrigações no
vencimento. Quando a empresa chega e este ponto normalmente são acionados mecanismos
de segurança como a recuperação judicial ou o processo de falência.
Uma vez finalizadas as operações da empresa os ativos restantes são usados para o pagamento
dos credores e acionistas de acordo com a sua respectiva prioridade. O risco de
liquidação aqui no caso 2 é justamente o risco de que você esteja nas últimas posições da
fila de prioridades e não venha a receber seus recursos.
Depois disso mesmo a empresa não existindo mais, a dívida continua a existir.

1. É o processo de encerrar uma empresa e distribuir seus ativos aos requerentes
(investidores e fornecedores);
2. E, o último significado de liquidação também pode significar o ato de sair de uma
posição de títulos, ou seja, vender a posição por dinheiro;
á no terceiro exemplo quando falamos do ato de sair de uma posição de títulos vendendo
a posição por dinheiro é importante saber que existe uma Clearing House para trazer
segurança ao processo. Já imaginou o prejuízo de vender títulos do Tesouro Direto e
estes não serem liquidados corretamente com a contraparte e você não ter o dinheiro
creditado em sua conta? Pois bem, este é o risco de liquidação quando estamos tratando
de investimentos em ativos financeiros.
De forma simples, o risco de liquidez é a chance de insolvência no caso de empresas ou o
risco de ocorrer uma perda por falha nos sistemas de liquidação de títulos financeiro

Simulado

 

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