INTRODUÇÃO À ECONOMIA III Anbima


Taxa de Juros Nominal e Taxa de Juros Real
Imagine que você tem em suas mãos, hoje, a quantia exata para comprar um computador.
Porém, ao invés de fazer essa compra, você resolve investir esse dinheiro em um
investimento que te paga 20% a.a., para daqui 1 ano comprar o tão sonhado computador.
Um excelente negócio, não?
Agora imagine que esse computador sofra um reajuste de 30% em um ano. Imaginou? Pois
é: nesse exemplo, por mais que você tenha ganho 20% em um ano, você perdeu poder de
compra, pois o preço do computador subiu 30%. Caso ainda queira comprá-lo, terá que
desembolsar um pouco mais de grana.
Esse exemplo representa o ganho nominal e o ganho real de uma aplicação. Ganho nominal
é quanto um investidor recebe ao fazer uma aplicação, e ganho real é quanto o investidor
realmente ganha com essa aplicação. Confuso?
Ganho nominal é quanto o investidor recebe em um investimento. Já o ganho real é quando
descontamos do valor recebido a taxa de inflação no período.
Vamos analisar isso na prática:
Imagine que um investimento rendeu 15% em um ano e que a inflação medida pelo IPCA
tenha sido de 5% ao ano. Nesse caso, para sabermos o ganho real, basta descontar da taxa
nominal 15% no IPCA 5% e chegaremos na taxa real.
Basta calcular:
Taxa Real = Taxa Nominal – IPCA ⇒ Taxa Real = 15-5 = 10%
Certo? Errado.

O cálculo não é tão simples assim. Para achar a taxa real de um investimento, é necessário
abusar um pouco mais do conceito de matemática financeira através da seguinte fórmula:
Taxa Real = (
1 + Taxa Nominal
1 + IPCA
) – 1
Taxa Real = (
1 + 0,15
1 + 0,05
) – 1
Taxa Real = (
1,15
1,05
) – 1
Taxa Real = 1,0952 – 1
Taxa Real = 0,0952

Dessa forma, chegamos à conclusão de que, embora a taxa nominal do investimento tenha
sido 10% ao ano, a taxa real simulada no exemplo acima é de 9,52%. Isso significa que esse investidor
teve um aumento do poder de compra de 9,52% e não 10%, como parecia inicialmente.
Resumindo:
⯀ Taxa nominal: o retorno que o investidor recebe por seus investimentos durante um
período.
⯀ Taxa real: o aumento do poder de compra que um investimento traz a seu detentor.
É a taxa nominal descontada a inflação.
Dica de ouro: a taxa real de um investimento não pode ser confundida pela simples
subtração da taxa nominal pela inflação. As taxas devem ser descontadas conforme
a fórmula acima. Apesar de não podermos subtrair, a taxa real será SEMPRE um pouco
inferior ao resultado da subtração da taxa nominal pelo IPCA.

Dessa forma, chegamos à conclusão de que, embora a taxa nominal do investimento tenha
sido 10% ao ano, a taxa real simulada no exemplo acima é de 9,52%. Isso significa que esse investidor
teve um aumento do poder de compra de 9,52% e não 10%, como parecia inicialmente.
Resumindo:
⯀ Taxa nominal: o retorno que o investidor recebe por seus investimentos durante um
período.
⯀ Taxa real: o aumento do poder de compra que um investimento traz a seu detentor.
É a taxa nominal descontada a inflação.
Dica de ouro: a taxa real de um investimento não pode ser confundida pela simples
subtração da taxa nominal pela inflação. As taxas devem ser descontadas conforme a fórmula acima. Apesar de não podermos subtrair, a taxa real será SEMPRE um pouco inferior ao resultado da subtração da taxa nominal pelo IPCA.

É interessante notar alguns pontos adicionais sobre a taxa de juros real e sua relação
com a taxa de juros nominal:
1. se a taxa de inflação for maior do que a taxa de juros nominal durante o período de
um investimento, a taxa de juros real ficará abaixo de zero. Ou seja, o rendimento
real em um investimento pode ser negativo. Isso significa que o poder de compra
do investidor pode ser reduzido entre o momento da aplicação dos recursos e o
momento do recebimento do montante principal acrescido dos juros.
2. se a taxa de inflação for negativa – isto é, se houver deflação –, a taxa de juros real será
superior à taxa de juros nominal. Isso significa que o poder de compra do investidor
poderá crescer a um ritmo maior do que aquele indicado pela taxa de juros nominal
oferecida em determinada aplicação financeira.
Em tese, a política monetária deveria ajustar as taxas de juros nominais de uma economia
conforme a observação de maior ou menor risco de inflação – o que deveria manter a taxa
de juros real relativamente estável ao longo do tempo. Entretanto, esse fenômeno não é
necessariamente verificado na prática, e a taxa de juros real pode apresentar flutuações
significativas ao longo dos anos.

Regimes de Capitalização
Já sabemos que juros é o valor do dinheiro no tempo. O que iremos descobrir a partir de
agora é que existem algumas formas de calcular os juros. Matematicamente, o cálculo dos
juros é chamado de capitalização. Entre outros regimes de capitalização temos de destacar
o regime de capitalização simples e composta.
Antes de entrarmos no tema, tenho um recado importante: apesar de abusarmos das
fórmulas matemáticas nos próximos tópicos, você não precisa fazer conta em sua prova
da ANBIMA. É necessário apenas conhecer e distinguir tais fórmulas. Podemos começar?

Capitalização Simples
Às vezes, pode parecer que chamar algo de ‘simples’ é exagero. Mas a Capitalização Simples
é realmente simples. O que a torna tão fácil de entender é o fato de que, nela, o juro não
incorpora ao capital para efeito de novos juros periódicos.
No regime de juros simples, os juros de cada período são sempre calculados em função do
capital inicial (principal) aplicado. Os juros do período não são somados ao capital para o
cálculo de novos juros nos períodos seguintes. Os juros não são capitalizados e, consequentemente,
não rendem juros. Assim, apenas o principal é que rende juros (PUCCINI, 2004).
Se tivermos uma taxa de juros de 2% ao mês e quisermos saber qual é a taxa proporcional
a 1 ano, basta multiplicar a taxa pelo prazo desejado – que nesse caso é 12. Ficaria assim:
2 x 12 = 24%
No regime de capitalização simples, podemos calcular o montante de uma aplicação com
a mesma simplicidade que o nome desse regime nos concede.
VF = VP x (1 + taxa x prazo)

Onde:
⯀ VF = Valor Futuro ou montante;
⯀ VP = Valor Presente ou capital inicial.
Vamos colocar isso na prática: quanto teríamos em um regime de capitalização simples
se aplicássemos R$ 1.000,00 a uma taxa de 1% a.m por um período de 12 meses?
Dessa forma, temos:
⯀ VP = R$ 1.000,00
⯀ Taxa = 1%
⯀ Prazo = 12
⯀ VF =?
VF = VP (1+ taxa x prazo) ⇒ VF = 1000(1+0,01×12) ⇒ 1000×1,12 ⇒ VF = 1.120,00

Fique ligado: sempre que fizermos cálculos com números expressos em percentual
(%), é preciso convertê-los para o formato decimal. Para isso, basta dividir o
número por 100. No caso de 1%, seria 1/100 = 0,01.
Depois de aprendermos a realizar o cálculo de juros simples, temos a pergunta:
Quanto teríamos ao aplicar R$ 1.000,00 a uma taxa de 24% ao ano no período de 6 meses?
Agora você tem uma taxa expressa ao ano e precisa saber o resultado do semestre. Tão
simples como o nome dessa capitalização é a fórmula para calcular.
VF = VP x [1 + (taxa x prazo)]
VF = 1000 x {1 + [0,24 x (
6
12
)]}
VF = 1000 x [1 + 0,120]
VF = 1000 x 1,120
VF = 1.120,00
Em resumo, no regime de capitalização simples basta multiplicar a taxa pelo prazo e o
valor presente para chegarmos ao valor futuro. O mais importante é colocar taxa e prazo
na mesma unidade de tempo. Se tivermos uma taxa ao ano e uma operação ao mês,
teremos de converter a taxa para ‘mês’.
No regime de capitalização simples não existe a capitalização dos juros. De tal forma, os
juros de um período não geram juros nos períodos seguintes. Principalmente em economias
com elevadas taxas de inflação, como historicamente é o caso do Brasil, tal regime
de capitalização não é utilizado com frequência. Em seu lugar, a tendência de se utilizar do
regime de capitalização composta é preferida. Nesse regime, o montante inicial cresce de
maneira geométrica ao longo do tempo, e o valor de principal acrescido de juros em um
dado período serve como base de cálculo para os juros do período subsequente.

Capitalização Composta
Aqui, temos de abusar um pouco mais de nossas habilidades matemáticas.
No regime de Capitalização Composta, os juros incorporam ao capital para efeito de capitalização.
É o famoso “juro sobre juros”. A fórmula matemática para encontrar um montante
no regime de capitalização composta é, na verdade, muito simples:
VF = VP x (1 + taxa)
prazo desejado
prazo que tenho
Para deixarmos tudo mais fácil de se comparar, vamos calcular com os mesmos dados
que utilizamos no exemplo anterior de capitalização simples.
Quanto teríamos em um regime de capitalização composta se aplicássemos R$ 1.000,00
a uma taxa de 1% a.m. por um período de 12 meses?
VF = 1000 x (1 + 0,01)
12
1
VF = 1000 x (1,01)
12
VF = 1000 x 1,1268
VF = 1.126,82
Feito isso, vamos agora entender o segundo exemplo, no qual tínhamos um capital inicial
de R$ 1.000,00 com uma taxa de 24% a.a. e período de capitalização composta:
VF = 1000 x (1 + 0,24)
6
12
VF = 1000 x (1,24)
0,5
VF = 1000 x 1,1135
VF = 1.113,55

Dicas de ouro: n o r egime d e c apitalização c omposta, o p razo e stará e m u ma
potência matemática, ao passo que no regime de capitalização simples, o prazo
estará multiplicando a taxa.
Taxa de Juros Proporcional e Taxa de Juros Equivalente
Cada regime de capitalização que mencionamos um pouco mais acima possui suas peculiaridades
matemáticas de cálculo, certo? Vamos usar tais peculiaridades para entender e
calcular taxas equivalentes e proporcionais. Não se assuste com os cálculos, pois a matemática
aqui é bem tranquila.
Não sei se você notou, mas no regime de capitalização simples a taxa cresce e diminui
na mesma proporção do tempo. Isto é, se tenho a taxa ao mês e quero encontrar a taxa
expressa ao ano, basta multiplicar pela quantidade de meses que desejo – no caso, 12.
Justamente por termos as taxas crescendo de forma proporcional, vamos chamá-las de
taxas proporcionais nesse regime.
Já no regime de capitalização composta, as taxas não se movem de maneira proporcional.
O valor de 1% ao mês não é proporcional a 12,68% ao ano – por isso a chamamos de taxa
equivalente. Em outras palavras, para o regime de capitalização composta teremos sempre
taxas equivalentes, já que se equivalem no tempo apesar de não serem proporcionais.
Imagine que tenhamos uma taxa expressa de 1% ao mês. Quanto será essa taxa expressa ao ano?
No regime de capitalização simples, nós chamamos essa taxa de proporcional e a calculamos
da seguinte forma:
Taxa proporcional = taxa x prazo
Taxa proporcional = 1 x 12
Taxa proporcional = 12% a.a.

Questão resolvida! Eu disse que era tranquilo. Agora vamos encontrar qual taxa é equivalente
a 1% a.m. no período de 1 ano no regime de capitalização composta:
Taxa equivalente = [(1 + taxa)
prazo que quero
prazo que tenho – 1] x 100
Taxa equivalente = [(1 + 0,01)
12
1 – 1] x 100
Taxa equivalente = [(1,01)
12
– 1] x 100
Taxa equivalente = [1,12685 – 1] x 100
Taxa equivalente = 0,12685 x 100
Taxa equivalente = 12,685%
Perceba que, enquanto no regime de capitalização simples nós encontramos a taxa proporcional
de 1% ao mês no período de 12 meses (isto é, 1 ano igual a 12% ao ano), no regime
de capitalização composta o resultado é 12,685% a.a.
Agora, uma pergunta: qual dos dois regimes de capitalização é o melhor?
Para encontrar a resposta, é necessário saber se vamos capitalizar ou descapitalizar a taxa.
Confuso?
Veja: se tivermos a taxa expressa ao mês e quisermos descobri-la ao longo de um período
maior – por exemplo, ao ano –, estaremos capitalizando a taxa. Se tivermos uma taxa
expressa ao ano e quisermos saber a respeito de 1 período menor – por exemplo, 1 mês –,
estaremos a descapitalizando. Faz sentido para você?
Vamos colocar na prática:
⯀ Capitalização
⯀ 1% ao mês é equivalente a 12,68% ao ano. (vide conta anterior)
⯀ 1% ao mês é proporcional a 12% ao ano. (vide conta anterior)
⯀ Descapitalização
⯀ 12% ao ano é equivalente a 0,94% ao mês.
⯀ 12% ao ano é proporcional a 1% ao mês.

Resumindo: quando estamos capitalizando, usar o regime de capitalização composta
é melhor. Quando estamos descapitalizando, usar o regime de capitalização
simples é melhor.
Agora que você já sabe usar e abusar da matemática, vamos aprender sobre fluxo de pagamentos.
Prazo Médio Ponderado
Deixe-me trazer um spoiler sobre os títulos de renda fixa que serão estudados nos
próximos módulos:
Definição de título de renda fixa: os títulos de renda fixa têm um vencimento, uma
taxa conhecida no momento da negociação, e representam a dívida do emissor.
O fato de eu ter deixado a palavra ‘vencimento’ destacada no parágrafo anterior é porque
vamos abordar com mais carinho esse ponto agora.

Se sabemos que os títulos de renda fixa têm um vencimento, sabemos, por consequência,
que existe um prazo para o investidor receber seu dinheiro de volta.
Agora pense num investidor (ou um fundo de investimento) que tem em sua carteira
diversos títulos com valores e vencimento diferentes. Como saberíamos qual o prazo
médio de recebimento dessa carteira?
Para ajudar sua imaginação, estou colocando a tabela abaixo:

Título Valor Presente Vencimento em dias úteis
CDB* R$ 10.000,00 720 dias
LCI* R$ 5.000,00 580 dias
LCA* R$ 12.000,00 360 dias
LFT* R$ 8.000,00 180 dias
NTN-B* R$ 20.000,00 720 dias
Debêntures* R$ 2.000.000,00 1800 dias
Total R$ 2.055.000,00
*As características desses títulos serão abordadas nos próximos módulos. Para este
tópico quero que se atente apenas ao valor dos títulos e seus respectivos vencimentos.
Se fôssemos calcular o prazo médio de recebimento desses títulos considerando somente os
vencimentos, veríamos uma distorção, pois temos um título de R$2.000.000,00 que vence
em 1800 dias, sendo que os demais títulos têm um vencimento mais curto. Se realizarmos
uma proporção, chegaremos que 97,32% (a proporção da Debênture de R$ 2.000.000,00
para o saldo total) da carteira desse investidor vence em 1800 dias e 2,68% da carteira tem
um vencimento mais curto.
Vamos, então, aprender a calcular esse prazo médio ponderado. No Brasil, uma
Resolução do Conselho Monetário Nacional define a fórmula “oficial” para cálculo do
prazo médio ponderado como:
PMP = (1 + i)
dj
152
VP
x 1
252
Onde:
⯀ PMP é o prazo médio ponderado;
⯀ dj é o número de dias úteis a decorrer até cada fluxo;
⯀ i é a taxa interna de retorno (em base anual com 252 dias úteis);
⯀ VP é o valor presente do título.
Se assustou? Calma, minha missão é deixar as coisas mais simples para você. A primeira
coisa que você precisa lembrar é que não vai precisar fazer contas na prova da ANBIMA.

Vou encontrar o prazo médio aqui contigo apenas para você entender o conceito. Tenho
algumas dicas importantes sobre esse tema para sua prova.
Voltemos, então, à nossa carteira fictícia:
Título Valor Presente (a) Vencimento em dias úteis (b) Produto de (a x b)
CDB* R$ 10.000,00 720 dias 7.200.000
LCI* R$ 5.000,00 580 dias 2.900.000
LCA* R$ 12.000,00 360 dias 4.320.000
LFT* R$ 8.000,00 180 dias 1.440.000
NTN-B* R$ 20.000,00 720 dias 14.400.000
Debêntures* R$ 2.000.000,00 1800 dias 3.600.000.000
Total R$ 2.055.000,00 3.630.260.000
A primeira a coisa a se fazer aqui é somar o total da carteira (coluna a). Depois, multiplicamos
o valor de cada título com o respectivo vencimento (coluna a x b). Feito isso, basta
dividir a coluna soma das multiplicações pelo valor total da carteira, assim:
3.630.260.000
2.055.000
= 1.766,55

Dessa forma, descobrimos que o prazo médio da nossa carteira é de 1766,55 dias. Em
outras palavras, vimos aqui que, em média, o prazo de recebimento dessa carteira é
1766 dias.
O que você precisa levar para a prova?
⯀ Prazo médio ponderado considera o prazo e o valor dos títulos;
⯀ Títulos de valores maiores têm peso maior e, portanto, puxam o recebimento para perto de si.
Se você quiser saber um pouco mais sobre esse tema, gravei um vídeo sobre isso e está
neste link (assista ao vídeo apenas se quiser complementar seu conhecimento, pois o
que falo ali não cai na sua prova).

Retorno Médio Ponderado
Se você compreendeu o conceito de PMP (prazo médio ponderado), será mais tranquilo
entender o conceito de retorno médio ponderado. Ele é basicamente uma forma de mensurar
o retorno (rendimento) de uma carteira de investimento com base no valor de cada título.
Vamos entender melhor: imagine que você tenha investido R$100.000,00 em um CDB do
seu banco e esse produto lhe rendeu 10% em um ano. Ótimo, pois como você tem apenas
um título, fica fácil saber o retorno de sua carteira.
Se desdobrarmos sua carteira em 2 títulos, a coisa começa a ficar um pouco mais complexa.
Agora, vamos alocar seus recursos em dois títulos – um CDB que lhe rendeu 10% em um ano
e em uma ação que desvalorizou 10% ao ano. Pergunto: qual a rentabilidade de sua carteira?
Se você, por dedução, respondeu 0, seu raciocínio até tem uma lógica, mas a resposta
está errada. O fato é que não conseguimos saber o retorno da carteira se não soubermos
o quanto está alocado em cada ativo.
Colocaremos essa carteira em uma tabela para ilustrarmos:
Ativo Valor Rendimento % Rendimento R$
CDB R$ 90.000,00 10% R$ 9.000,00
Ação R$ 10.000,00 -10% – R$ 1.000,00
Total R$ 100.000,00 R$ 8.000,00
Notou que nessa carteira fictícia temos a maior parte dos recursos alocado em um CDB
e a menor parte na ação? Por conta desse alocamento, a carteira valorizou 8% mesmo
tendo um ativo que desvalorizou 10%.Em resumo, o retorno médio ponderado considera
o valor de cada ativo para trazer o resultado da carteira.
Para calcular o retorno médio ponderado de uma carteira, temos de lançar mão da matemática:
RMP =
(w1 x r1) + (w2 x r2) + (wn x rn)
(w1 + w2 + wn)

Onde:
⯀ w: peso de cada ativo;
⯀ r: rentabilidade de cada ativo;
RMP =
(0,90 x 0,10) + (0,10 x – 0,10)
(0,90 + 0,10)

0,09 – 0,01
1
⇒ 0,08
Como sabemos, 0,08 é a representação em percentual de 8%. Assim, chegamos ao
mesmo resultado de nossa tabela.
Você precisa fazer essa conta na prova? Não, na sua prova da CPA-20 não é necessário.
O que você precisa é levar o conceito, sabendo que o peso de cada ativo influencia no
resultado final da carteira.
Fluxo de Pagamentos
Se eu te pedisse R$1.000,00 emprestados para pagar em 12 parcelas de R$100,00, você me emprestaria?
Não sei sua resposta, mas esse empréstimo seria ilustrado mais ou menos dessa forma

Fluxo de Pagamentos
Se eu te pedisse R$1.000,00 emprestados para pagar em 12 parcelas de R$100,00, você me emprestaria?
Não sei sua resposta, mas esse empréstimo seria ilustrado mais ou menos dessa forma:
Traduzindo o gráfico acima, temos:
⯀ Em vermelho, uma saída no momento 0 (zero) de R$ 1.000,00. Afinal, você está me
emprestando agora, e o dinheiro está saindo de sua conta.

⯀ Em azul, doze entradas de R$ 100,00 em momentos futuros diferentes. Afinal, como
eu não sou caloteiro, estou lhe pagando. Portanto, a cada mês existe uma entrada
de R$ 100,00 em sua conta.
Foi tranquilo de entender o fluxo de pagamentos usando como exemplo esse empréstimo?
Agora aperte a tecla “SAP” dos investimentos e lembre disso: sempre que um investidor
investe em um título de renda fixa, ele está, na prática, emprestando dinheiro ao emissor
do título. Se é um empréstimo, ele terá um fluxo de pagamentos – assim como o nosso.
Vamos destrinchar o fluxo de pagamentos.
Valor Presente (VP)
Lembrando do nosso gráfico anterior, o valor presente é o valor que você – ao menos em
tese – me emprestou. Em outras palavras, é o valor do fluxo de pagamento na data atual.

Valor Futuro (VF)
Usando ainda nosso fluxo de pagamento como exemplo, o valor futuro é a soma do recebimento
das parcelas mensais. Ou seja, é o quanto seus R$ 1.000,00 valerão no futuro.
Cupom Zero
Se existe uma coisa que nosso fluxo de pagamento não é, é “zero cupom”. Para você entender
o que é “zero cupom”, seria interessante entender antes o que é “cupom”, não é mesmo?
Cupom é o pagamento periódico de rendimentos sobre um investimento. Vamos desenhar
nosso empréstimo com cupom?
Dados do nosso empréstimo de R$1.000,00:
⯀ Soma de todas as parcelas (12 x 100) = R$1.200,00
⯀ Rendimento total R$200,00

Agora nosso empréstimo será da seguinte forma: R$1000,00 com cupom semestral.
Notou uma diferença crucial desse fluxo para o fluxo inicial? Nesse novo fluxo você desembolsou
R$1.000,00 e recebeu, após 6 meses, somente o rendimento. No vencimento, você
recebeu o principal somado ao rendimento. Basicamente, o cupom pode ser traduzido
por “rendimento pago periodicamente”.
Agora que você entendeu o cupom, vamos entender o Zero Cupom: como o nome sugere
(e você pode deduzir), zero cupom é um investimento que não paga rendimentos periódicos,
mas pega tudo – como diria o Chaves – num montão ao fim do período.
Nesse empréstimo se fosse zero cupom seria assim:
R$ 1.000,00
R$ 100,00
R$ 1.100,00
R$ 1.000,00
R$ 1.200,00

Notou que um título zero cupom não paga nada durante o período de investimento, mas
nele você recebe todo o rendimento junto do vencimento do título? Pois é, isso é zero cupom.
Taxa Interna de Retorno (TIR)
Já que no começo desse tópico você me emprestou R$ 1.000,00 para receber 12 parcelas
de R$ 100,00, eu lhe pergunto: qual a taxa de retorno desse investimento?
Precisamos saber, em percentuais, quanto você está ganhando com esse empréstimo.
Será que seu cunhado não tomaria um empréstimo com taxas melhores?
Para encontrar a TIR do nosso fluxo de caixa inicial, teríamos de trazer nosso fluxo de pagamento
a valor presente. É como se eu antecipasse as parcelas a fim de encontrar o valor presente.

Custo de Oportunidade
Vamos assumir, então, que a TIR de nosso empréstimo seja 2,92%. Pergunto: é um
bom negócio para você?
Certo. Agora imagine que depois de me emprestar, você descobre que seu cunhado propõe
um empréstimo de com uma taxa de 5%. Como você não está com tanta grana sobrando,
você não consegue emprestar essa grana e não consegue ganhar os 5%.
Basicamente, o custo de oportunidade é o quanto você ganha com investimento – ou,
melhor dizendo, quanto você deixar de ganhar quando assume um investimento

Mercado Primário X Mercado Secundário
Ainda usando nosso empréstimo como exemplo, imagine que, ao me emprestar R$ 1.000,00,
você investiu seu dinheiro no Tiago e tem agora um recebível. Em outras palavras, você
gerou caixa para mim. Isso é o mercado primário.
O mercado primário é quando uma empresa capta recursos dos investidores ao lançar um
título no mercado pela primeira vez, gerando caixa para a empresa.
Seguindo nosso exemplo, imagine que você tenha necessidade de resgatar seu dinheiro
antes do prazo acordado comigo. Tenho uma sugestão para você: que tal negociar
minha dívida com seu cunhado? Você vende a dívida a ele e recebe à vista, e eu pago
a ele no vencimento da dívida.
Isso vai gerar liquidez ao seu título. Assim é o mercado secundário: ele possibilita a liquidez
dos ativos negociados. Nos referimos ao mercado secundário quando os ativos são negociados
de investidor para investidor e não geram caixa para a empresa emissora do título.

PU – Preço Unitário
Agora você entendeu que o empréstimo feito por você pode ser comparado a um
título, que inicialmente foi negociado no mercado primário e depois poderia ter sido
negociado no mercado secundário. A pergunta é: quanto vale esse título? Isso é o PU
do título, ou melhor, o preço unitário.
PU é o preço unitário de um título ou ativo em uma determinada data. Mas o que isso
significa na prática? Quando o investidor realiza um investimento no mercado, ele compra
um título. E como tudo o que compramos nesta vida tem um preço, não é diferente
com títulos de investimento. O PU (Preço Único) nada mais é do que o preço do título no
momento do investimento.

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