INTRODUÇÃO À ECONOMIA II Anbima


Políticas Monetárias
Nós já vimos nesse módulo que o crescimento de nossa economia é medido pelo PIB;
que a inflação é medida pelo IPCA e que os juros são parametrizados pela taxa Selic.
Agora vamos entender como podemos juntar tudo isso para obtermos um bom desenvolvimento
econômico no país.
O desenvolvimento econômico pode ser traduzido pelo crescimento do PIB. Um país
cujo o PIB está em crescimento invariavelmente é um país onde temos boa geração de
emprego, renda e boa manutenção do poder de compra da sociedade.
Para isso, o CMN vai estabelecer as diretrizes das políticas monetárias que, por sua vez, serão
executadas pelo BACEN. As políticas monetárias podem ser traduzidas por controle de liquidez
de mercado, ou, em outras palavras, a quantidade de dinheiro disponível na economia.

Selic Meta
Essa medida é considerada por muitos como a principal política monetária. Esse tópico
foi explicado anteriormente: além de ser uma política monetária importante, é um
balizador para as taxas de juros.
Open Market (Mercado Aberto)
Imagine uma situação onde a inflação está acima da meta estabelecida pelo CMN e o
mercado está altamente líquido (o que, em outras palavras, quer dizer que o mercado
financeiro tem muito dinheiro disponível para emprestar e, por isso, os juros estão demasiadamente
baixo). Uma medida que o BACEN teria de tomar aqui seria ‘enxugar a liquidez
de mercado’, tirando o excesso de dinheiro dos bancos. Para isso, o BACEN pode vender
títulos públicos que tem em sua carteira aos bancos a uma taxa mais atraente, de forma
que os bancos, ao comprarem esses títulos, terão menos dinheiro disponível para emprestar
a seus clientes. Isso resulta em menos liquidez no mercado.

O contrário também é verdadeiro: se imaginarmos uma situação onde temos recessão,
inflação muito baixa, taxas de juros ao consumidor muito alta, o BACEN pode, caso seja
conveniente para economia, aumentar a liquidez de mercado – ou seja, colocar mais
dinheiro nos bancos para que esses possam emprestar às pessoas naturais e empresas
se utilizando de taxas mais atrativas, estimulando a economia.
Para isso, o BACEN pode comprar títulos públicos que estão em poder dos bancos com
taxas mais atrativas. Quando o BACEN compra esses títulos, ele coloca mais dinheiro nos
cofres dos bancos e isso, por consequência, aumenta a liquidez de mercado, podendo diminuir a taxa de juros ao consumidor.

Depósito Compulsório
Os bancos possuem uma prerrogativa no mínimo interessante: criar dinheiro do nada.Explico
melhor: lembra que no módulo 1 nós falamos que o banco tem papel de ser um intermediador
financeiro? Lembra que dei um exemplo de um investidor que, ao colocar dinheiro
no banco, pode financiar um empreendedor que queria salvar o mundo? Pois é, o que eu
não contei ali é que: quando o banco emprestou dinheiro ao empreendedor, ele não tirou o
dinheiro da conta do investidor. Ou seja, quando o banco creditou a conta do empreendedor
com o empréstimo, o saldo do investimento do investidor permaneceu na conta. Em outras
palavras, o banco criou o valor na conta do empreendedor ‘do nada’. Legal, né?
Vamos a mais um exemplo. Imagine que você depositou hoje R$10.000,00 em um CDB
do seu banco. Eu sou cliente do seu banco e tomo emprestado esses R$10.000,00 para
pagar em 24 meses. O que aconteceu aqui? Os seus R$ 10.000,00 de cara se transformaram
em R$ 20.000,00. (os seus R$ 10.000,00 permanecem em sua conta e agora
eu tenho R$ 10.000,00). Agora imagine que eu pegue esses R$ 10.000,00 para pagar o
boleto da entrada de um carro que estou comprando. Quando esse valor cair na conta
da loja de veículos, temos que os seus R$10.000,00 se transformaram em R$ 30.000,00
(os seus R$ 10.000,00 permanecem na sua conta; eu tenho uma dívida de R$ 10.000,00
e a loja de carros tem R$ 10.000,00 na conta). Agora pense que, com esses R$ 10 mil na
conta da loja de carro, o banco pode emprestar 10 mil a uma outra pessoa e, assim, criar
mais 10 mil sobre os seus 10 mil iniciais.

Percebe que esse ciclo de criação de dinheiro não tem fim? Pois é, não teria se não fosse
o depósito compulsório.
O depósito compulsório representa um percentual que os bancos têm de recolher junto
ao Banco Central a cada novo depósito realizado.
Se tivermos um compulsório de 40% no exemplo anterior, teríamos que: quando você
depositou R$ 10.000,00, o banco precisou recolher junto ao BACEN 40% desse valor. Ou
seja, R$ 4.000,00 fica com o BACEN. Assim, o banco poderia emprestar a mim somente
R$ 6.000,00. Agora, quando eu pagasse o boleto de R$ 6.000,00, o banco teria de recolher
40% desse valor, que é R$ 2.400,00. Sendo assim, sobrariam somente R$ 3.600,00 para
que pudesse emprestar a um outro cliente.
Com este ciclo, essa criação de dinheiro teria um fim, certo?
O depósito compulsório é uma ferramenta do BACEN para controlar a oferta de dinheiro.
Quanto maior for o percentual de compulsório, menor será a quantidade de dinheiro disponível
nos bancos e, assim uma taxa de juros maior.
Cuidado para não confundir o compulsório com um imposto ou um pagamento feito
pelos bancos ao Banco Central. O Compulsório é um instrumento que traz segurança ao
mercado financeiro, pois o BACEN mantém em sua conta parte do dinheiro que está em
circulação dos bancos. Se por acaso forem realizados muito mais saques do que depósito
nos bancos, será feito o resgate do compulsório junto ao Banco Central.Em resumo, a
grana do compulsório não é do Banco Central, tampouco dos bancos que recolheram. O
dinheiro alocado ali é de propriedade dos clientes dos bancos.
Se o BACEN precisar estimular a economia aumentando a liquidez de mercado, ele vai
diminuir essa alíquota. Se, por outro lado, o BACEN precisar diminuir a liquidez de mercado,
ele irá aumentar o percentual do compulsório.

Atualmente, os compulsórios são constituídos em espécie e mantidos em contas específicas
no Banco Central, sob a titularidade contábil das instituições financeiras. Todo o fluxo
de informações necessário para calcular o compulsório – assim como o fluxo financeiro
para a constituição e eventual liberação dos recolhimentos – é realizado por intermédio
de mensagens eletrônicas. O controle operacional é efetuado por um sistema informatizado
gerido pelo Banco Central. Além do depósito compulsório recolhido ao BACEN, as
instituições financeiras precisam fazer um direcionamento de recursos, conforme abaixo:
⯀ 65% dos recursos captados via poupança livre devem ser direcionados a financiamento
imobiliário;
⯀ 2% dos depósitos à vista devem ser direcionados a operações de crédito destinadas
à população de baixa renda e a microempreendedores, popularmente
conhecidas como microcrédito;
⯀ Parte dos recursos captados via depósitos à vista e depósitos de poupança rural
devem ser direcionados a operações de crédito rural.
Se um banco não fizer esse direcionamento, terá de recolher o não-direcionamento
junto ao banco central.
Um exemplo: o compulsório da caderneta de poupança é de 30%. Sendo assim, para cada
R$ 1.000,00 depositado nessa modalidade de investimento, R$ 300,00 serão recolhidos via
compulsório. Como você pôde ver a pouco, 65% dos depósitos em poupança devem ser
direcionados para financiamento imobiliário. Desta forma, para cada R$ 1000,00 depositados
na poupança, R$ 650,00 devem ser direcionados para financiamentos imobiliários. Se
o banco não direcionar esse valor para essa modalidade de crédito, não poderá emprestar
em outra modalidade, mas terá de recolher esse valor de compulsório.
Se você fez a conta atentamente, notou que para cada R$ 1.000,00 depositados na caderneta
de poupança, R$ 950,00 tem de ser alocados segunda as regras do compulsório e
direcionamento, sobrando apenas R$ 50,00 para o banco emprestar livremente.

Operação de Redesconto
Como vimos no tópico de CDI, os bancos costumeiramente tomam dinheiro emprestado
um do outro. Acontece que, às vezes, os bancos não recorrem ao mercado financeiro, e
sim à autoridade monetária. Recorrem, portanto, ao Banco Central.

O Banco Central pode emprestar recursos a instituições financeiras para as mais diversas necessidades.
Essa é chamada de linha de crédito de última instância pois normalmente o BACEN
empresta com taxas mais “salgadas” que o mercado. Essa taxa um pouco mais alta que a de
mercado é usada para desincentivar os bancos de sempre valerem-se de dinheiro do BACEN.
As operações de Redesconto do Banco Central podem ser:
I. Intradia, destinadas a atender necessidades de liquidez de instituição financeira
ao longo do dia. São liquidadas no mesmo dia;
II. De um dia útil, destinadas a satisfazer necessidades de liquidez decorrentes de
descasamento de curtíssimo prazo no fluxo de caixa de instituição financeira;
III. De até quinze dias úteis, podendo ser recontratadas desde que o prazo total não
ultrapasse quarenta e cinco dias úteis, destinadas a satisfazer necessidades de
liquidez provocadas pelo descasamento de curto prazo no fluxo de caixa de instituição
financeira e que não caracterizem desequilíbrio estrutural;
IV. De até noventa dias corridos, podendo ser recontratadas desde que o prazo total
não ultrapasse cento e oitenta dias corridos, destinadas a viabilizar o ajuste patrimonial
de instituição financeira com desequilíbrio estrutural.
O Banco Central usa a taxa de redesconto como parte de sua política monetária da
seguinte forma: quando quer estimular a economia aumentando a base monetária e a
disponibilidade de crédito, diminui a taxa de redesconto para que os bancos comerciais se
sintam mais encorajados a realizar tais empréstimos de curto prazo. De forma contrária,
quando quer desacelerar a economia, aumenta a taxa de redesconto para que os bancos
comerciais tenham que reservar uma parte maior de seus recursos para o cumprimento
de necessidades de curto prazo.
Resumindo o tópico de políticas monetárias: sempre que a autoridade monetária
precisar expandir a economia, ela vai aumentar a liquidez de mercado. Quando a
necessidade for restringir a economia, ela vai diminuir a liquidez de mercado.

Instrumento Ação do BC Resultado Ação do BC Resultado
Selic Aumenta Restringe Diminui Expande
Open Market Venda Restringe Compra Expande
Compulsório Aumenta Restringe Diminui Expande
Redesconto Aumenta Restringe Diminui Expande
IMA – Índice de Mercado ANBIMA
A ANBIMA, essa que nos uniu aqui, tem entre suas atribuições a missão de trazer mais
qualidade de informações ao mercado. Para isso, ela irá também calcular e divulgar alguns
indicadores: os chamados índices de mercado ANBIMA.
O IMA representa uma família de índices de renda fixa composta pelos títulos públicos,
que são precificados pela ANBIMA. Ele é composto por outros índices:
⯀ IMA-B: Composta apenas por NTN-B, que são títulos públicos que remuneram o
investidor com uma taxa de juros pré-fixada + a variação do IPCA no período;
⯀ IMA-B 5: Índice que considera somente NTN-Bs com vencimento de até 5 anos;
⯀ IMA-B 5+: Índice que considera somente NTN-Bs com vencimentos a partir de 5 anos.
⯀ IMA-C: Composta apenas por NTN-Cs, títulos públicos que remuneram o investidor
com uma taxa de juros pré-fixada + a variação do IGP-M no período;
⯀ IRF-M: Composta por títulos pré-fixados (LTN e NTN-F), títulos públicos que remuneram
o investidor em uma taxa de juros fixa pré-definida no momento da compra
do título;
⯀ IMA-S: Composta apenas por LFT, que são títulos públicos que remuneram o investidor
a uma taxa de juros equivalente à taxa Selic do período.
No módulo 4 da apostila vamos estudar em mais detalhes os títulos públicos federais,
facilitando assim o entendimento desses indicadores.

Ibovespa
Até agora falamos sobre indicadores de renda fixa, mas o mercado de ações também têm
suas formas de calcular desempenho. Na B3, ações são negociadas diariamente. Como,
então, que saberemos o desempenho desse mercado?
A B3 divulga minuto a minuto a variação média do preço das ações com maior volume
de negociação através do índice Bovespa (a bolsa que conhecemos hoje como B3 era
conhecida como Bovespa, Bolsa de Valores de São Paulo). O índice Bovespa é chamado
popularmente de Ibovespa, ou também, IBOV.
O Ibovespa é o resultado de uma carteira teórica de ativos elaborada de acordo com os
critérios estabelecidos em sua metodologia.
Objetivo:
O objetivo do Ibovespa é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos
de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro.
A B3 possui outros indicadores que podem ser resumidos conforme a tabela abaixo:
Indicador Abrangência
IBrX100 A média das 100 ações com maior volume de negociação na B3.
IBrX50 A média das 50 ações com maior volume de negociação na B3.
IBrA
Indicador do desempenho médio das cotações de todos os ativos negociados
no mercado à vista (lote-padrão) da B3 que atendam a critérios
mínimos de liquidez e presença em pregão, de forma a oferecer uma
visão ampla do mercado acionário.
IDIV
Indicador do desempenho médio das cotações dos ativos que se destacaram
em termos de remuneração dos investidores, sob a forma de
dividendos e juros sobre o capital próprio.
SMLL
Indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de uma carteira
composta pelas empresas de menor capitalização.
MLCX
Indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de uma carteira
composta pelas empresas de maior capitalização.

Existem outros indicadores publicados diariamente pela B3 e, caso seja de seu interesse,
você pode consultar todos diretamente nesse link para o site da B3.
Benchmark
É obrigação minha, enquanto professor, citar o tema benchmark aqui na apostila. No
entanto, se você leu todos os tópicos desse módulo, você já aprendeu o que é benchmark
(mesmo sem saber).

A grosso modo, podemos traduzir o benchmark como “referência”. No mercado financeiro,
nós podemos usá-lo como um indicador de referência – um parâmetro de comparação
de rentabilidade.
Se eu disser que uma aplicação financeira rendeu 10% no último ano, o que você tem a me
dizer? Foi uma rentabilidade boa? Foi uma rentabilidade ruim? Para acharmos a melhor
resposta a essa questão, é necessário que tenhamos um parâmetro de comparação.
Imagine que, enquanto essa aplicação rendeu 10% em um ano, nesse mesmo ano a
inflação subiu 30%. Nesse exemplo, estou comparando a nossa rentabilidade com o
IPCA (ou seja, com a inflação, mas podemos nos utilizar de qualquer indicador econômico
em nosso benchmark). Nesse caso, foi um péssimo investimento, pois rendeu
muito menos do que a inflação.
Por outro lado, se no mesmo período tivéssemos uma inflação de 2%, então uma aplicação
que rendesse 10% teria sido um bom investimento.

Existem centenas de benchmarks no mercado. Se o objetivo do investidor é proteger seu
dinheiro da inflação, ele deve escolher o IPCA, ou até mesmo o IGP-M, como benchmark. No
entanto, se o investidor quiser ter a rentabilidade oferecida no mercado de ações, ele deve
analisar indicadores desse mercado. O Principal indicador da renda variável é o Ibovespa.

Política Cambial
A política cambial é conduzida pelo Banco Central com o objetivo de controlar a relação de
preço entre a nossa moeda e moedas estrangeiras. Isso é importante por muitos fatores.
Entre eles, o controle da inflação e da dívida pública federal no mercado externo.
Vamos imaginar dois cenários possíveis.
Cenário 1: BRL 1,00/USD 1,00. Logo, temos 1 dólar para cada real, também chamado
de paridade entre moedas.
Popularmente dizendo, o “dólar está barato”. Com essa cotação cambial, muito provavelmente
você vai comprar produtos importados com mais facilidade e viajar com mais
frequência para ver o Mickey em Orlando. O ponto aqui é que, devido à forte valorização
do Real, a indústria nacional perde força, pois nossa tecnologia não é das melhores e, com
tal cotação, vamos importar muito. Esse volume acentuado de importação enfraquece a
indústria nacional, gera desemprego e diminui a arrecadação do governo.

Em resumo: o real demasiadamente forte é ruim para nossa economia por gerar
desemprego e diminuição na arrecadação.
Cenário 2: BRL 5,00/USD 1,00. Em outras palavras temos 1 dólar para cada R$ 5,00.
Aqui podemos dizer, popularmente, que o “dólar está caro”. E qual o impacto disso? Imagine
um produtor rural que tem em sua produção a pecuária. Esse produtor vende ao mercado
externo a arroba do boi por U$50,00. Esse é o preço do mercado externo e, ao converter
esses dólares para real, seria o mesmo que vender por R$ 250,00.
Dessa forma, o produtor só aceitaria vender no mercado interno (isto é, para nós brasileiros)
se o preço fosse R$ 250,00. Assim, podemos notar que, quanto maior for a desvalorização
do real, mais cara é a carne na mesa das famílias brasileiras. Mesmo que você seja
vegano, a demasiada desvalorização do real vai deixar a soja e outros produtos derivados
do agronegócio mais caros.

Outra questão que devemos considerar nessa desvalorização do real é a das dívidas. O
Governo Federal e as maiores empresas do país possuem muitas dívidas que são precificadas
em dólar. Portanto, se uma empresa ou o governo possui uma dívida de 1 milhão
de dólares, seria o mesmo que possuir uma dívida de 5 milhões de reais.
Quanto maior for a dívida de uma empresa, maior será o repasse para os produtos que
ela comercializa. Quanto maior a dívida do governo, menor será o investimento em áreas
essenciais como saúde, segurança e educação – e maior será, também, a carga tributária.
Em resumo: o real demasiadamente desvalorizado provoca alta de inflação e necessidade
de aumento de impostos.
Se você leu com atenção, notou que o Banco Central do Brasil tem um grande desafio
nas mãos: não deixar o real valorizado demais, tampouco deixar nossa moeda desvalorizar
demasiadamente.

E como o preço da nossa moeda frente ao dólar é definido? Através da lei de oferta e demanda.
Basicamente, se houverem muitos agentes do mercado demandando por dólar, o preço
dessa moeda aumenta, tornando-a mais forte. Consequentemente, o real torna-se mais
fraco. Por outro lado, se os agentes de mercado estiverem demandando mais real, o preço
da nossa moeda sobe e, consequentemente, o do dólar cai.
Esse movimento de oferta e demanda de moedas é chamada de política cambial flutuante.
Em outras palavras, seria o mesmo que dizer que o preço do câmbio flutua de
acordo com as demandas do mercado.
Porém, como já vimos aqui, se tivermos uma variação demasiada do câmbio, podemos
vir a ter um descontrole da inflação caso o real se desvalorize muito – ou então uma crise
de desemprego se o real se valorizar demais. É aqui que o Banco Central entra.

O BACEN monitora as negociações de compra e venda de moedas para evitar um descontrole.
Se o mercado estiver demandando muito mais dólar do que seria capaz de
ofertar, isso pode desvalorizar muito o real perante o dólar. Para evitar tal desvalorização,
o BACEN entra no mercado vendendo dólares que estão em suas reservas internacionais.
Esse movimento por parte do BACEN evita que o real se desvalorize e tenhamos
uma inflação descontrolada.

Por outro lado, se os agentes estão ofertando mais dólar do que o mercado é capaz de
demandar, isso pode provocar uma valorização demasiada do real. Para evitar esse cenário, o
BACEN entra no mercado comprando os dólares e colocando em suas reservas internacionais.
Tal movimento evita que o real se valorize demais e tenhamos uma crise de desemprego.
É aqui que mora a real política cambial. A política cambial é flutuante, mas o BACEN pode
manipular os preços através de compra e venda de moedas no mercado. Dessa forma, a
chamamos de política cambial de flutuante suja.
É ‘flutuante’ pois o preço é determinado pelo mercado através da lei de oferta e demanda,
e ‘suja’ porque o BACEN pode manipular tal preço.

Reservas Internacionais
As reservas internacionais são os depósitos em moeda estrangeira dos bancos centrais e
autoridades monetárias. São ativos dos bancos centrais que permanecem mantidos em
diferentes reservas – como o dólar americano, o euro ou o iene –, que são utilizados no
cumprimento dos seus compromissos financeiros, como a emissão de moeda, e também
para garantir as diversas reservas bancárias mantidas no banco central por parte
de governos ou instituições financeiras.
Basicamente, as reservas internacionais do nosso país representam o saldo que o BACEN
possui alocado em uma moeda estrangeira. A maior parte das reservas internacionais do
Brasil (e dos demais países emergentes) está alocada em títulos públicos do tesouro norte
americano. A outra parte relevante das reservas está alocada em Euro.
Um país com alto índices de reservas internacionais é considerado um país com maior
condição de responder a crises econômicas. Para países emergentes, como o Brasil, é
fundamental possuir reservas volumosas para atrair investidores estrangeiros.
Por falar em investidores estrangeiros, é bom saber que a entrada de capital estrangeiro
em nosso país fortalece nossa balança de pagamentos. É sobre isso que iremos falar agora.

Balança de Pagamentos
Sei que isso é pouco relevante, mas confesso que quando era criança e ouvia o termo
‘balança de pagamentos’, imaginava uma balança (de peso) com dinheiro em cima.
Deixando minhas imaginações infantis de lado, vamos entender como realmente funciona
a balança de pagamentos.
Nosso país possui relação comercial com o resto do mundo. Estamos o tempo inteiro
enviando dinheiro para outros países via importação, turismo, ou financiando intercâmbio.
Estamos também recebendo diariamente muitos recursos vindo de outros países – seja
por exportação, através de turistas que vêm conhecer nossas belezas, ou investidores que
trazem recursos para nosso mercado de capitais.
Para a economia de um país, é sempre mais benéfico que entre mais dinheiro do que saia.
Isso é o que chamamos de ‘balança de pagamentos superavitária’.
A balança de pagamentos contabiliza a relação financeira de um país com o resto do
mundo. Contudo, como nossa relação não se aplica apenas a uma área de economia, a
balança de pagamentos se divide nas chamadas ‘contas externas’.
As contas externas são separadas da seguinte forma:
⯀ Balança comercial: registra o comércio de bens e serviços na forma de exportações
e importações. Quando as exportações são maiores que as importações, temos um
superavit na Balança Comercial. Um deficit ocorre quando as importações são maiores
que as exportações. A balança comercial é o resultado de outras duas contas:
⯀ Balança de bens: saldo das exportações líquidas de bens.
⯀ Balança de serviços: saldo das exportações líquidas de serviços. Aqui entra
também o pagamento de juros e dividendos.
⯀ Transferências unilaterais: são donativos e subsídios, ou seja, pagamentos e recebimentos
que não têm contrapartida de compra e venda de bens ou serviços.
⯀ Conta de Capitais: registra o saldo líquido entre as compras de ativos estrangeiros
por residentes no Brasil e a venda de ativos brasileiros a estrangeiros.

Para formar as contas externas, temos de associar as contas acima da seguinte forma.
⯀ Conta corrente = balança comercial + transferências unilaterais.
⯀ Balança de pagamentos = conta corrente + conta de capitais.
Uma curiosidade: o Brasil é um país com produção agropecuária equiparada às das
maiores potências mundiais. Isso nos torna um dos maiores exportadores de matéria
prima do mundo e, por isso, nossa balança comercial tem um peso significativo na
balança de pagamentos.
Política Fiscal

A política fiscal reflete o conjunto de medidas pelas quais o governo arrecada receitas
e realiza despesas de modo a cumprir três funções: a estabilização macroeconômica, a
redistribuição da renda e a alocação de recursos.
A função estabilizadora consiste na promoção do crescimento econômico sustentado
que assegure baixo desemprego e estabilidade de preços. Esta função redistributiva visa
garantir a distribuição equitativa da renda. Por fim, a função alocativa consiste no fornecimento
eficiente de bens e serviços públicos, compensando falhas de mercado.
Os resultados da política fiscal podem ser avaliados sob diferentes ângulos, que podem
focar na mensuração da qualidade do gasto público bem como identificar os impactos
da política fiscal no bem-estar dos cidadãos. Para tanto, podem ser utilizados diversos
indicadores para análise fiscal – em particular os de fluxos (resultados primário e nominal)
e estoques (dívidas líquida e bruta). A saber, estes indicadores se relacionam entre si, pois
os estoques são formados por meio dos fluxos. Assim, por exemplo, o resultado nominal
apurado em certo período afeta o estoque de dívida bruta.
Resultado fiscal primário é a diferença entre as receitas primárias e as despesas primárias
durante um determinado período.

O resultado fiscal nominal, por sua vez, é o resultado primário acrescido do pagamento
líquido de juros. Assim, fala-se que o governo obtém superavit fiscal quando as receitas
excedem as despesas em dado período; por outro lado, há deficit quando as receitas são
menores do que as despesas.
O Tesouro Nacional é responsável por gerir essas receitas e despesas. As receitas do
governo advém, majoritariamente, de impostos. Esses, por sua vez, são arrecadados
pela Receita Federal.
Se lembrarmos que começamos esse módulo falando do PIB, iremos lembrar também
que na equação do PIB temos a letra G, que representa os gastos do governo.
Se não houvesse corrupção, os gastos do governo teriam uma grande força no crescimento
do PIB. Quando o governo resolve, gastar com a transposição do Rio São Francisco
através da política fiscal, ele gera emprego e renda – consequentemente, aumentando
a arrecadação com impostos.
Vimos tudo que tínhamos de ver sobre economia. Agora, vamos mergulhar nas finanças

Conceitos Básicos de Finanças
Vimos, em Economia, o conceito de juros. Sabemos, então, que os juros representam
o valor do dinheiro no tempo – afinal, quando você deixa de consumir algo hoje para
poupar para o futuro, você vai buscar um prêmio por isso. Esse prêmio é o rendimento
que terá sobre o dinheiro poupado.
No mercado financeiro temos muitas formas de calcular os juros. É justamente isso que
iremos abordar a partir daqui.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s