INTRODUÇÃO À ECONOMIA I Anbima


Para começarmos o papo, vamos entender o conceito de economia.
Economia é uma ciência que estuda os processos de produção, distribuição, acumulação
e consumo de bens materiais.
O termo economia vem do grego oikos (casa) e nomos (costume ou lei) – daí “regras da casa (lar)”.
Por que estou começando esse módulo com uma introdução tão gringa? Justamente para você
entender que vamos falar sobre o efeito da desvalorização do dinheiro e como podemos medir
essa distribuição e consumo de bens e serviços. Exatamente como a definição de economia.
A proposta inicial será de primeiro analisarmos o conceito de microeconomia para podermos
avançar para a macroeconomia. Em outras palavras, a minha proposta neste módulo será de
introduzir o conceito de economia na sua realidade para depois projetarmos na economia do país

PIB – Produto Interno Bruto
Se quisermos medir a sua riqueza, podemos utilizar o seu salário anual e somá-lo com seu
patrimônio, certo? A soma de tudo que você produz durante um ano pode ser traduzido
em sua capacidade de gerar riqueza.
Para medirmos a evolução de riqueza de uma país (estado, ou cidade), usamos como
medida o PIB, ou Produto Interno Bruto.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais, em termos monetários e a valor de
mercado, produzidos em uma determinada região durante um certo período.
Dizemos que esses bens e serviços são “finais” para eliminar os valores dos bens intermediários
utilizados no seu processo de produção. Além disso, normalmente, para fins de
comparação internacional, o período considerado é de um ano.

O PIB é obtido pela Fórmula do PIB sob a ótica do Consumo:
PIB = C + I + G + NX
Onde:
⯀ C = Consumo das famílias;
⯀ I = Investimentos das empresas;
⯀ G = Gastos do governo
⯀ NX = Exportações Líquidas (Exportações – Importações).
Para efeitos de comparação, se durante um determinado ano o país teve de PIB U$ 1.000,00
e, no outro ano, o mesmo país teve um PIB de U$ 1.100,00, seria correto dizer que esse país
teve um crescimento de 10%? Não. Seria incorreto afirmar tal crescimento pois temos um
fator que deve ser levado em consideração na hora de entender a produção de riqueza.
Esse fator é a inflação. Falaremos a seguir sobre os indicadores de inflação.
IPCA – (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)
Como eu não sei exatamente a sua idade, não posso introduzir o tema “inflação”
pedindo para você comparar seu salário de 10 anos atrás com seu salário atual. Para
alguns alunos, pensar em 10 anos atrás é o mesmo que lembrar de assistir TV Globinho
ao chegar da escola. Então, para que tenhamos um exemplo bem prático, gostaria de
compartilhar um dado histórico contigo: você sabia que em 1994 o salário mínimo no
Brasil era de R$ 64,79? A pergunta que fica é: o que uma família fazia com R$ 64,79
por mês? Acredite, muita coisa. Com esse valor mensal era possível ir ao mercado e
comprar suprimentos para toda a família, pagar as contas de consumo (água e luz) e,
talvez, sobrar para comprar um sorvete para cada um dos filhos.
O ponto é que hoje, com R$ 64,79, você não consegue comprar uma cesta básica. De um
ponto do vista bem simples, podemos dizer que o preço dos produtos vem subindo ao
longo do tempo. Assim, podemos definir a inflação de tal forma: o quanto sobe o preço
dos produtos com o passar dos anos.
A real é que popularmente dizemos que a inflação é o aumento generalizado de preços,
mas economicamente seria correto dizer que inflação é a desvalorização do dinheiro.

outras palavras, o fato de não conseguirmos comprar muita coisa com R$ 64,79
em 2019 é porque o dinheiro hoje vale muito menos do que valia em 1994. Tudo bem,
você já entendeu que inflação é a desvalorização da moeda local – ou, popularmente
dizendo: o aumento generalizado de preços. Vamos, agora, entender como podemos
medir essas distorções com eficiência.
O IPCA é o índice oficial de inflação do Brasil, calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística). Esse índice serve de parâmetro ao CMN para definir a meta de
inflação.
Ele é calculado pelo consumo das famílias que ganham de 1 a 40 salários mínimos, de qualquer
fonte de renda e residentes nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro,
Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Brasília e Goiânia.
Tipo de Gasto Peso % do Gasto
Alimentação 25,21%
Transportes e comunicação 18,77%
Despesas pessoais 15,68%
Vestuário 12,49%
Habitação 10,91%
Saúde e cuidados pessoais 8,85%
Artigos de residência 8,09%
Total 100%
Resumindo, o IBGE pesquisa mês a mês o preço dos itens acima para chegar a uma média
ponderada de aumento. Quanto maior for a variação do IPCA em um período, menor será
o poder de compra do brasileiro. O Conselho Monetário Nacional entende que ter um IPCA
em alta e sob controle é importante para economia.
Se muitas pessoas estão consumindo uma cesta de produtos, o preço dessa cesta pode
aumentar. Mas isso é sinal de que essas pessoas possuem renda.

Anualmente, o CMN estabelece uma meta de inflação ao Banco Central. É como se o CMN
dissesse ao BACEN: “Eu, CMN, entendo que, para o crescimento do nosso PIB, temos de
ter uma inflação anual de 4,5% com intervalo de 1,5%”. Em outras palavras, a inflação terá
como piso da meta 3,0%, 4,5% como centro da meta e teto da meta de 6,0%.

O BACEN irá, então, executar políticas monetárias (veremos mais adiante) para cumprir essa meta.
IGP-M ( Índice Geral de Preços do Mercado)
Semelhante ao IPCA, mas calculado por uma instituição privada (a FGV), o IGP-M foi
criado para abranger outros setores da economia que não o do consumidor, mas sim o
de atacado e da construção civil.
⯀ 60% do Índice de Preços por Atacado (IPA);
⯀ 30% do Índice de Preços ao Consumidor (IPC);
⯀ 10% do Índice Nacional de Custo de Construção (INCC).

Por sua composição, esse indicador engloba diferentes etapas do processo produtivo, sendo
bastante utilizado como indexador de contratos (por exemplo, de aluguel de imóveis) e
muito influenciado pelo aumento nos preços dos produtos no atacado. Apesar de ser um
indicador muito importante, o IGP-M não é considerado o indicador oficial de inflação do
Brasil, mas amplamente aceito pelo mercado como um indicador fidedigno.
Historicamente, o IGP-M tem uma variação muito próxima à variação do IPCA. É importante
que haja um indicador de mercado para que o controle de variação de preços não seja monopólio
do Estado. Um Estado que detém o monopólio dos indicadores econômicos não gera
confiança aos investidores estrangeiros, pois esses dados seriam facilmente manipulados.
E por falar em investidores estrangeiros, vamos entender a relação de nossa moeda com
o resto do mundo: vamos falar sobre taxa de câmbio.

Taxa de Câmbio
Se você já viajou ou pensa em viajar para o exterior, deve imaginar que o câmbio envolve
moedas estrangeiras. E isso está absolutamente correto. Taxa de Câmbio é o preço de uma
unidade monetária de certa moeda em unidades monetárias de outra moeda.
É comum no mercado utilizarmos a nomenclatura XYZ/ABC para indicar o par de moedas
observado, onde ABC é conhecida como “moeda de base” e XYZ é a “moeda de contagem”.
No Brasil, a taxa de câmbio mais observada é a BRL/USD, ou seja, a taxa de câmbio entre
o dólar norte-americano e o real brasileiro. Essa taxa indica a quantidade de reais necessária
para comprar um dólar. Assim, por exemplo, se BRL/USD = 3,00, isso significa que
são necessárias três unidades de real (a moeda de contagem) para se obter uma unidade
de dólar (a moeda de base). Em outras palavras, cada dólar vale três reais, neste exemplo.
A taxa de câmbio spot é a taxa para compra e venda imediata de dólares. Também
conhecida no Brasil como “dólar pronto”, é a taxa pela qual os participantes do mercado
de câmbio estão dispostos a comprar e vender a moeda estrangeira em determinado
momento da sessão de negociação.

A taxa PTAX, por sua vez, é uma média das cotações do dólar no mercado, calculada pelo
Banco Central do Brasil por meio de metodologia própria.
Embora a PTAX seja considerada a taxa de câmbio oficial do Brasil, ela não pode ser
considerada como o preço da moeda em uma casa de câmbio. Quando você compra
dólar em uma casa de câmbio, está incluso o Spread (diferença entre o valor da compra
e o valor da venda) da corretora e outros custos. A PTAX é utilizada para liquidação de
contratos no mercado financeiro.

COPOM
O Comitê de políticas monetárias, COPOM, foi criado em 1996. Em junho de 1999, o Brasil
começou a adotar as “Metas de Inflação” definidas pelo CMN, utilizando o índice IPCA. A
partir daí, o COPOM tornou-se o responsável por executar a política monetária denominada
como Taxa Selic.

Alguns pontos importantes sobre o funcionamento do COPOM:
⯀ É composto atualmente pela diretoria colegiada do BACEN (7 Diretores + 1 Diretor Presidente);
⯀ É quem define a taxa de juros “Selic – Meta” e a existência ou não do viés;
⯀ Uma vez definido o viés, compete ao presidente do BACEN a tarefa de executá-lo;
⯀ Realiza reuniões em dois dias (terças e quartas), sendo o primeiro dia reservado para apresentação
de dados e discussões e o segundo para votação e definição da taxa de juros;
⯀ Calendário de reuniões (8 vezes ao ano) divulgado até o fim de outubro, podendo reunir-se
extraordinariamente desde que convocada pelo Presidente do Banco Central;
⯀ Divulgação da ATA de reunião em 6 dias úteis em português e em 7 dias em Inglês.
Caso a Inflação (medida pelo IPCA) ultrapasse a meta estipulada pelo CMN (somado o
intervalo de tolerância), o Presidente do Banco Central deve explicar os motivos do não
cumprimento da meta através de uma Carta Aberta ao Ministro da Economia.
Para entender melhor o papel do COPOM, vamos entender a taxa de juros.

Taxa de Juros – Selic
A taxa de juros, economicamente falando, é a representação do custo do dinheiro no
tempo. Basicamente, como já vimos no começo desse módulo, o dinheiro perde seu valor
ao longo do tempo e, por isso, ao negociar um pagamento futuro, todo agente do mercado
vai negociá-lo com uma taxa de juros específica.
Imagine que você tem R$ 1.000.000,00 e quer investir seu dinheiro para recebê-lo mais à
frente com um rendimento. Você tem 2 opções:
1. Abrir/comprar uma empresa que vai te dar 15% de lucro ao ano.
2. Investir seu dinheiro no mercado financeiro e ter um rendimento de 20% ao ano

Se o rendimento no mercado financeiro é de 20%, por que você iria abrir uma empresa
para ganhar 15% em um ano? Em outras palavras, quanto maior for a taxa de juros de
mercado, menor será o incentivo para investimento em produção. Por isso, o BACEN
lança mão da taxa Selic, que vai:
1. Ser utilizada como política monetária, pelo COPOM;
2. Balizar as demais taxas de mercado.
Selic Meta
O COPOM, como vimos no tópico anterior, vai definir em sua reunião a taxa Selic META. A
Selic Meta é utilizada como política monetária para controle da liquidez de mercado. Em
outras palavras, a Selic META é utilizada para controlar a quantidade de dinheiro disponível
em nossa economia e, com isso, controlar a inflação.

Vamos exemplificar para deixar mais fácil:
Imagine um cenário em que a inflação esteja completamente descontrolada.
Imagine que o CMN tenha definido como meta de inflação 4,5% a.a. e, ao chegar no mês
de junho, já estamos com inflação em 10% a.a.
Qual é o desafio imposto no COPOM para estipular uma política monetária que derrube
esse índice?
Nesse cenário, é altamente recomendado que o COPOM aumente a taxa Selic. A lógica
é a seguinte: quanto maior for a taxa Selic, maior será a rentabilidade obtida para quem
investir seu dinheiro nos títulos públicos federais. Os bancos, por sua vez, são os maiores
investidores do governo e, com uma taxa alta, eles tenderão a investir seu dinheiro no
governo ao invés de conceder crédito ou até mesmo aumentar muito a taxa de juros dos
empréstimos nas agências.

Dessa forma, com o crédito mais caro, menos pessoas tendem a tomar dinheiro emprestado
dos bancos para investir em produção. Com menos dinheiro em circulação – porque
os bancos, ao invés de injetar na economia com crédito, investiram no governo –, menos
consumo; e com menos pessoas dispostas a consumir, os comerciantes tendem a baixar
seus preços – tendendo, assim, a uma baixa da inflação.
Esse exemplo superficial da economia nos faz entender que:
⯀ Quanto maior for a taxa Selic, menor tenderá a ser o consumo e, consequentemente,
menor será a inflação;
⯀ Quanto menor for a taxa Selic, maior tenderá a ser o consumo e, consequentemente,
maior será a inflação.

Selic Over
A taxa utilizada pelo mercado financeiro como taxa principal de juros é a Selic OVER. Essa
taxa, apresentada na forma de percentual ao ano, é a taxa média das operações de financiamento
de um dia (compromissadas), lastreadas em títulos públicos federais, realizadas
no Selic, ponderadas pelo volume das operações. É divulgada todos os dias, aproximadamente
às 9 horas da manhã, sempre no dia seguinte ao dia de referência.
Resumindo: a Selic Meta não pode ser confundida com a taxa de juros de mercado. Essa
taxa de juros de mercado é a Selic Over. A Meta pode ser representada pela taxa máxima
que o governo estaria disposto a pagar.
Curiosidade: historicamente, a Selic Over tem ficado 0,10% abaixo da Selic Meta.

Viés da Taxa Selic
O BC extinguiu o instrumento do viés, que era utilizado no passado para permitir eventual
mudança na Selic (a taxa básica de juros) sem ter a necessidade de esperar por uma nova
reunião do colegiado. A última vez que a instituição anunciou um viés foi em março de 2003.

CDI – Certificado de Depósito Interbancário
Aqui nasce mais uma taxa de juros importante para nossa economia: o DI.
Os CDI’s, Certificados de Depósito Interbancário (ou ainda Certificados de Depósito
Interfinanceiro), são os títulos de emissão das instituições financeiras que lastreiam as
operações do mercado interbancário. Suas características são idênticas às de um CDB
(título privado de renda fixa para a captação de recursos de investidores pessoas físicas ou
jurídicas por parte dos bancos), mas sua negociação é restrita ao mercado interbancário.
Sua função é, portanto, transferir recursos de uma instituição financeira para outra. Em
outras palavras, para que o sistema seja mais fluido, o banco que tem dinheiro sobrando
empresta para o que não tem.
A média ponderada das operações de CDI registrados na B3 representa o custo do dinheiro
no mercado interbancário e, por isso, representa também a taxa de juros do mercado
conhecida como DI, cujo nome completo é Taxa DI – CETIP Over (Extragrupo).
A taxa DI é o principal indexador do mercado de renda fixa. A maior parte dos títulos de
renda fixa pós fixados negociados no mercado está indexado ao DI.
Exemplo: Um CDB que rende 100% do DI vai render de acordo com a variação dessa
taxa. Se o DI fechar o ano com 10%, esse CDB vai pagar 10%. Se o DI fechar o ano com
5%, esse CDB vai pagar 5%.

Curiosidade 1: Embora não exista uma regra, historicamente, o DI tem ficado entre
0,01 e 0,02% abaixo da Selic Over.
Curiosidade 2: Como você pôde ver nesse tópico, o CDI não é a taxa, mas o instrumento
para chegarmos na taxa DI. No entanto, o mercado usualmente o chama de “taxa CDI”.

TR – Taxa Referencial
A TR foi criada no Plano Collor II para ser o principal índice brasileiro: uma taxa básica referencial
dos juros a serem praticados no mês vigente, não refletindo a inflação do mês anterior.
Apesar de definida pelo governo federal como indexador dos contratos com prazo superior
a 90 (noventa) dias, a TR também corrigiria os saldos mensais da caderneta de poupança.
Hoje, quase duas décadas depois, a TR é usada principalmente como TR Mensal. Ela é
utilizada para remunerar a Caderneta de poupança, o FGTS e corrigir alguns contratos
de crédito imobiliário.
A TR deriva da TBF (Taxa Básica Financeira) que, por sua vez, será composta das taxas de juros
das Letras do Tesouro Nacional (LTN) praticadas nas operações definitivas no âmbito do mercado
secundário e registradas no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). A TBF
de um mês será uma média ponderada entre as taxas médias das LTNs com vencimentos
imediatamente anterior e imediatamente posterior ao prazo de um mês, seguida da aplicação,
ao valor resultante, de um fator multiplicativo fixado em 0,93 (noventa e três centésimos).
Com base na TBF, o banco central aplica um fator redutor e chega na TR. Vemos isso
na fórmula a seguir:

TBF = 100 x (
1 + TBF
R
-1 )
Onde:
⯀ TBF = Taxa básica financeira;
⯀ R = fator dedutível.
Fique ligado: é correto afirmar que a TR deriva das LTNs assim como é correto afirmar
que a TR deriva da TBF, uma vez que a TBF deriva dos LTN’s também.

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