RESILIÊNCIA NA PRÁTICA


Wellington Maciel

Wellington Maciel

Consultor na WMaciel Consultoria em RH

Não tenho intenção de falar sobre coaching, até porque milhões de pessoas já expuseram tudo que pode ser dito sobre esse campo. Com relação a resiliência, percebo que, assim como o coaching, está se tornando a solução para todos os problemas de relação entre as pessoas e entre gestores e liderados.

Todo mundo sabe que a resiliência é um fenômeno explicado pela Física, como a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida, quando cessa a tensão causadora de tal deformação.  Emprestado à psicologia, o conceito foi  estendido para a gestão e há alguns anos se utilizam as suas características em processos da área. Neste campo se diz que é capacidade concreta de retornar ao estado natural de excelência, superando uma situação critica.  Além disso, há um entendimento complementar de que é a arte de transformar toda energia de um problema em uma solução criativa, gerando maior capacidade de improvisar e resolver problemas com ferramentas práticas.

Antes de falarmos sobre a prática da resiliência não podemos esquecer que é se trata de competência interpessoal, e como tal pode e deve ser desenvolvida, da mesma forma como também se podem treinar outras competências como disciplina, relacionamento, comunicação, negociação etc. (Publicamos artigo sobre isso no Linkedin).

Pessoas que praticam resiliência com sucesso dizem que se sentem mais fortes na capacidade de aceitar a face dura da realidade e que conseguem ampliar a habilidade para encontrar significado em alguns aspectos da vida, construindo resultados duradouros.

As pessoas que se conhecem e que são autoconfiantes obviamente tem mais facilidade em alcançar maior resiliência. São pessoas de melhor autogerenciamento, de fortes opiniões próprias e desejo de serem bem sucedidas.

O professor Paulo Yazigi Sabbag, da Escola de Administração de Empresas da FGV- SP, conduziu pesquisa com 3707 gestores de indústrias brasileiras e estabeleceu uma escala nacional de resiliência. Nessa escala há 9 sugestões de competências para ser mais resiliente:

Autogerenciamento: Crença na própria capacidade de organizar e executar ações requeridas para produzir resultados desejados. Favorece a proatividade. As ações se referem a planejamento e à realização de projetos de forma sistemática.

Competência Social: Capacidade de ir em busca de apoio externo em momentos de stress.  Ações: Todo treinamento para desenvolver comportamento ético e melhoria de relações. Praticar também a escuta ativa. Envolver-se em projetos sociais.

Empatia: Colocar-se no lugar do outro, compreender a pessoa a partir do quadro de referência dela. Ações: No dia a dia, na leitura, sobretudo de biografias, nos filmes, observando a trama e o contexto.

Flexibilidade / Negociação: Está relacionada à maior tolerância, à ambiguidade e à maior criatividade. Ações: Pensar no ganha-ganha.  Saber porque resiste a ser flexível. Cursos de criatividade, que permitem “pensar fora da caixa”.

Tenacidade: Trata-se da persistência e da capacidade de suportar situações incômodas ou adversas. Ações: Praticar jogos de estratégia. Saber quais os seus limites.

Solução de Problemas: Atitude que mobiliza para a ação. Ações: Colocar projetos de pé, pessoais ou profissionais. Antecipar-se.

Produtividade: Propensão a agir em busca de soluções novas. Reativos tendem a esperar pelos impactos de adversidades, proativos tomam iniciativas. Ações: Ter indicadores e metas claros.

Temperança: Capacidade de regular emoções, mantendo a serenidade em situações difíceis. Ações: Meditação, condicionamento físico,  psicoterapia…

Otimismo: É a soma de competência social, proatividade e autoconhecimento. Ação:  Praticar competências interpessoais.”

Complementando o estudo, gostaria de lembrar que a prática da negociação e da gestão de conflitos (que levem a uma tomada de decisão) é diretamente proporcional ao incremento da resiliência. Bons negociadores e que vivenciam conflitos geralmente são pessoas resilientes.

Um fato importante na resiliência é a habilidade de antecipar-se aos conflitos e problemas. Se trabalhamos numa empresa onde os gestores são impulsivos, e porque não dizer explosivos, eles serão muito menos se receberem antecipadamente o encaminhamento das suas demandas. Assim atuam os RHs estratégicos.

É óbvio que sem planejamento muito dificilmente se amplia a resiliência. Quanto mais demandas urgentes surgirem maior será a dificuldade de conviver com suas consequências.

Além disso, quem quer ser mais resiliente precisa tirar a bunda da cadeira e conhecer in loco as necessidades dos seu clientes internos e externos. Mais contato reduz as fantasias, os medos.

Finalmente, eu recomendo que você descubra a origem da sua ansiedade, muitas vezes temos dificuldade de sobreviver dentro de uma organização muito mais por problemas que são nossos do que por questões da empresa ou do nosso chefe.

Para terminar lembro da frase de Bob Dylan: Um homem é um sucesso se pula da cama de manhã e vai dormir à noite, e nesse meio tempo faz o que gosta.“  Se você trabalha numa boa empresa, tem um gestor que cuida da sua equipe e se sente motivado no seu ambiente, você terá muito mais facilidade de ser resiliente.

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