Entenda como Tyler Perry filmou O Limite da Traição em apenas cinco dias


Ator, produtor, diretor e roteirista se tornou um dos grandes nomes do entretenimento nos EUA

ANDRÉ ZULIANI
30.03.2020
19h10

Quem acompanha o mundo do entretenimento sabe que, muitas vezes, as filmagens para um filme de grande porte podem durar semanas e até meses. Se contarmos os períodos de pré e pós-produção, longas como os da Marvel e DC podem levar muito tempo antes de estarem prontos para exibição. Não é o caso de filmes independentes e de baixo orçamento, que contam com equipes menores e exigem que menos detalhes sejam acrescentados após o trabalho de gravação com os atores. Mesmo ciente de todos esses detalhes, ainda é surpreendente que O Limite da Traição, filme que entrou no catálogo da Netflix este ano, tenha levado apenas cinco dias para ser filmado.

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O feito do diretor Tyler Perry e equipe merece destaque. Muitas vezes a gravação de uma cena simples pode levar horas, considerando que muitas tomadas podem ser filmadas para que o resultado seja o mais fiel possível à visão dos criadores. Isso sem contar as inúmeras possibilidades de disposição de câmeras para que sejam captadas as melhores expressões de quem está atuando. Como, então, juntar essas conquistas em apenas cinco dias para um filme de quase duas horas de duração?

Tyler Perry: aspirante a magnata do cinema

Com mais de 50 produções no currículo, o nome de Tyler Perry não é tão conhecido fora das fronteiras dos Estados Unidos. Após anos trabalhando em parceria com o OWN, canal de televisão da apresentadora Oprah Winfrey e os estúdios da Viacom, um dos maiores conglomerados de mídia e entretenimento do mundo, o ator/diretor/produtor/roteirista construiu o seu próprio complexo cinematográfico em uma área de 330 acres em Atlanta, nos EUA – a cidade também é a casa do Pinewood Studios, local usado para filmar grande parte dos filmes do MCU. Para quem acha que é pouco, o complexo transformou Perry no primeiro afro-americano a possuir um estúdio de grande porte para produções, o que prova o seu poderio dentro do entretenimento no país.

Com toda essa estrutura em mãos, o diretor utilizou o agora nomeado Tyler Perry Studios para produzir o seu primeiro longa em parceria com a Netflix. Para Michelle Sneed, produtora executiva de O Limite da Traição e presidente de produção e desenvolvimento do conglomerado de Perry, as filmagens iniciadas e finalizadas nos cinco dias anteriores ao Natal de 2019 são resultado do trabalho em equipe de todos os envolvidos. “Nós temos alguns dos melhores profissionais do ramo e eu sempre os defenderei”, comentou Sneed em entrevista ao Hollywood Reporter. “Foi realmente uma conquista, mas nós nos conhecemos há muito tempo e somos como uma família. Estamos em Atlanta há 25 anos e isso faz a diferença”.

Responsável pelo roteiro e direção do filme, Perry também encheu de elogios o trabalho de sua equipe. “Enquanto em Hollywood demoram sete dias para filmar um episódio dramático para o horário nobre, nós filmamos dois em quase o mesmo período de tempo. Eu tenho uma equipe que faz o impossível todos os dias. Todos trabalham próximos a mim, o que nos faz sermos capazes de atingir essa façanha. É realmente incrível”.

Impressionado com o poder de execução do estúdio de Perry, o ator Matthew Law, intérprete do policial Jordan Bryant no longa, disse ao THR que a experiência foi intensa, mas também um privilégio. “Perry é um diretor e escritor apaixonado pelo que faz. O cenário era composto por vários tipos de cores, credos, tons e idiomas – todos bem representados. Isso não é típico na maioria das instalações de Hollywood. Fazer parte disso é muito gratificante”.

O currículo do diretor

Apesar de O Limite da Traição ser a sua primeira colaboração com a Netflix, o filme está longe de ser a estreia de Perry atrás das câmeras. Fã do icônico programa The Oprah Winfrey Show, o cineasta se inspirou a começar a escrever ainda no início dos anos 90, assinando algumas peças teatrais nos anos seguintes. A grande virada em sua carreira começou com a criação da personagem Madea em Madea’s Family Reunion, filme produzido direto para televisão e que se tornou um sucesso, principalmente entre a população afro-americana do país.

O sucesso de Madea foi tão grande que rendeu ainda sete continuações para a TV até a sua estreia nos cinemas, em 2005, com o filme Diário de Uma Louca, escrito e estrelado por Perry. Multitarefa, o diretor quase sempre teve mais de uma posição em suas produções, se dividindo entre atuar, escrever e dirigir.

Para o público mainstream, Perry pode ser reconhecido por papéis em grandes produções como o remake de Star Trek (2009), onde viveu o almirante da Frota Estelar Richard Barnett – que não retornou para as sequências de 2013 e 2016 – e o advogado Tenner Bolt em Garota Exemplar, prestigiado filme do diretor David Fincher.

Incansável, o novo magnata do entretenimento ainda tem uma estreia programada para 2020 (via IMDb). Caso não seja adiado por conta do coronavírus, Perry está confirmado no elenco de Those Who Wish Me Dead, thriller estrelado por Angelina JolieJon Bernthal e Nicholas Hoult. Além de O Limite da Traição, o diretor também lançou Ruthless, série derivada de outra criação sua, The Oval, e que está sendo exibida no serviço de streaming BET+, divisão da Viacom CBS nos EUA.

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