VIVER É UMA EXPERIÊNCIA PARA POUCOS


Há milhões de anos, os indivíduos mais dotados, mais perspicazes, mais fortes, mais hábeis e mais inventivos influenciaram e determinaram o destino dos diferentes grupos de seres humanos.

Os mais inteligentes tornaram-se líderes, empreendedores, inventores e descobridores que protagonizaram os pequenos avanços técnicos, sociais, políticos e culturais das sociedades primitivas.

Descendemos de espécies que certamente foram as mais vigorosas e que sobreviveram às múltiplas dificuldades de sobrevivência desde os tempos da pré-história. Desses seres mais capazes não restam nomes, apenas o determinismo biológico que durante milhões de anos nos aprisionou a uma vida dominada, sobretudo pela mente instintiva.

Duas inteligências foram fundamentais: a visual-espacial, que permitiu compreender territórios e traçar percursos e rotas, e a social, facilitadora de relações interpessoais, da partilha, da cooperação e da coesão dos grupos.

O crescimento do cérebro, acelerado por novas e necessárias aprendizagens e crescentes desafios ambientais e sociais, facilitou o desenvolvimento da criatividade e da capacidade inventiva, sobretudo a partir dos últimos 150 mil anos.

Desde então o volume do cérebro humano atingiu os valores que ainda se mantêm. O aumento da capacidade intelectual passou a depender dos esforços de adaptação ao meio e das inovações culturais e sociais.

O bipedismo, que permitiu a marcha e uma visão mais vasta do horizonte, e posteriormente a linguagem originaram transformações radicais nas sociedades primitivas. Isto originou saltos qualitativos na evolução. Vários autores destacam a linguagem como o fator determinante para a inteligência humana.

Há cerca de 5 ou 6 milhões de anos, a ligação entre casais garantiu o reforço a proteção, aumentou a cooperação na obtenção de alimento assegurando a sobrevivência da espécie através de uma maior proteção das crianças.

Outra mudança extraordinária e vital deu-se há cerca de 2 milhões de anos quando, gradualmente, o tamanho do cérebro começou a expandir-se e tornou possível aumentar a capacidade de memória e de aprendizagem.

A caça foi à grande impulsionadora da inteligência humana fazendo dos homens primitivos intérpretes de um grande número de estímulos sensoriais ambíguos e fracos que passaram a constituir sinais, indicações, mensagens, espevitando a inteligência, e fazendo-a lutar por aquilo que há de mais hábil e de mais manhoso na natureza, o animal presa e o animal predador, pois ambos dissimulam, esquivam e enganam.

O amplo leque de emoções de que o ser humano dispõe lhe permitiram desenvolver competências sociais, nomeadamente formas arcaicas de linguagem e, posteriormente, a fala, aumentando dessa forma a inteligência.

A capacidade cognitiva necessária para se viver em grandes grupos é considerável, pois estes são instáveis, exigentes, feitos de indivíduos heterogêneos e, por conseguinte, exigindo de cada um várias aptidões como a memória, a capacidade de interpretar, compreender e prever as reações dos outros, e a comunicação interpessoal.

Ao longo de muitos milhares de gerações o cérebro foi acumulando novas estruturas e desenvolvendo novas capacidades à medida que os humanos primitivos procuravam adaptar-se ao mundo hostil que os rodeava e para o qual tinham permanentemente de estar preparados para se defenderem.

A evolução da mente partiu dos centros operacionais arcaicos e apenas necessários à sobrevivência, até chegar lentamente às atuais estruturas cognitivas responsáveis pelo pensamento e a auto-consciência.

Apesar da evolução, aparentemente nada mudou. Para assegurar a continuidade de nossa espécie continuamos a desenvolver aptidões e a enfrentar as transformações do ambiente. Temos que ser fortes no campo emocional, rápidos no campo intelectual, maleáveis no social, protetores na familiar, criativos no empresarial, enfim…

O paradoxo é que apesar se sermos bilhões na nossa espécie, viver ainda é uma experiência para poucos.

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