Razões para o vagabundeio


• Mudança no meio ambiente: Apesar de sentir-se incomodada, inquieta e desorientada ao enfrentar um ambiente diferente, tal como estar numa casa que não é a sua, como quando se encontra no Centro de Dia ou de visita a um familiar, ou ir morar para uma casa nova. Esta inquietação e vagabundeio pode parar uma vez que a pessoa se tenha acostumado ou adaptado à mudança.
• Ruído e muita gente: A pessoa também se pode sentir muito inquieta e querer fugir dum ambiente ruidoso ou com muita gente.
• Perda de memória: O vagabundeio pode dever-se à perda da memória recente. Uma pessoa quer ir a casa dum amigo e perder-se, não se lembrar de onde ia e não saber como voltar a casa.
• Excesso de energia: A inquietação pode ser o reflexo duma sobrecarga de energia, que nos indica ter necessidade de fazer mais exercício para descarregar esse excesso.
• Costume: A pessoa acostumada a fazer boas caminhadas, pode simplesmente estar a expressar o seu desejo de continuar a fazer o mesmo e não necessariamente com problemas de vagabundeio.
Aborrecimento: à medida que a demência vai avançando, a pessoa sente cada vez mais dificuldades para se concentrar em qualquer coisa, ainda que por muito pouco tempo. A deambulação pode ser um meio para sair desse tédio e manter-se ocupada.
Agitação: As mudanças físicas ocorridas no seu cérebro podem ocasionar um sentimento de inação e inquietação. A agitação pode fazer com que algumas pessoas fiquem muito inquietas e andem constantemente sem nenhum propósito aparente. Não pode reconhecer o seu lugar, pelo que insiste em querer sair para ir para casa, onde se sente segura.
Dor e mal-estar: Andar e fazer exercício pode minorar ou minimizar o mal-estar. Por isso, é importante comprovar se existe algum outro tipo de problema ou mal-estar físico ou clínico. Algumas causas podem ser graves, querer ir ao quarto de banho, roupa ajustada, calor ou frio excessivo, dor de cabeça…
• Procurar no passado: à medida que a pessoa se sente mais confusa, pode começar a querer vaguear e sair de casa, à procura de alguém relativo ao seu passado, como pode ser o caso da esposa que morreu, da mãe ou do pai, do amigo, o irmão, com quem teve uma relação muito estreita. Também é muito comum querer regressar a casa onde viveu quando era jovem ou criança.
Ter de ir fazer uma coisa: às vezes, a pessoa diz ter de sair porque tem de ir trabalhar; outras, insiste em que tem de ir ver umas pessoas; em que tem que ir às aulas… A maioria destas coisas tem que ver com as tarefas ou actividades que exerceu ou de quando era jovem ou criança.
• Confundir o dia com a noite: Uma pessoa com demência pode sofrer de insónia e levantar-se de noite, desorientada. Pode acreditar ser de dia e querer ir dar um passeio. A diminuição na sua capacidade para perceber adequadamente, como ver sombras ou ouvir ruídos, pode causar-lhe confusão, o que lhe provoca angústia e dar início à deambulação por toda a casa.
Sonhos: A pessoa demenciada está incapacitada para diferenciar os sonhos da realidade e começa a confundir um com o outro, acreditando que o que sonhou é realmente verdade.

Existem várias coisas que podemos fazer para tentar deter este irritante comportamento que é o vagabundeio. Entre as recomendações do que se deve fazer estão as seguintes:

Permanecer calmo!
• Tranquilizar sempre a pessoa e nunca transmitir a inquietação própria, já que a pessoa se sente muito confusa e assustada.
• Não a pressionar.
• Dar-lhe a entender que se compreende.
• Oferecer-lhe apoio, carinho e amor.
• Conservar sempre a calma.
• Um exame médico de rotina pode ajudar a identificar se a doença, dor ou mal-estar esteve na base do vagabundeio.
• Evitar o mais possível o uso indiscriminado de medicamentos, que só poderão aumentar a sonolência e, possivelmente, provocar a incontinência.
• Usar medicamentos só sob prescrição médica.

Todo o cuidador, uma vez mais se recorda, deve abrir um livro de registos – diário do doente – onde vá anotando todas as situações face às quais a pessoa começa a mostrar-se inquieta ou a manifestar um comportamento errante, anotando em que circunstâncias ocorrem, de maneira que, posteriormente o médico saiba interpretar e antecipar e poder controlar tais situações.

• Deve alertar-se os vizinhos e comerciantes próximos acerca do problema, para o caso de haver um extravio. Se a pessoa se perdeu, seguir os seguintes conselhos:
• Avisar de imediato a polícia, fornecendo-lhe os detalhes que puder. Nome, idade, altura, cor do cabelo, tipo de roupa que veste, se usa óculos, sinais particulares ou qualquer outro dado que possa conduzir a uma rápida localização.
• Trazer consigo uma fotografia da pessoa para mais facilmente ser identificada e proporcioná-la à polícia.
• Se a pessoa se extraviada volta para casa, participar imediatamente à polícia.
• Nunca se enfrentar à pessoa; em vez disso, optar por um passeio, comprar qualquer coisa, tomar um refresco ou um gelado, e, ao chegar de novo a casa, fazer-lhe ver: “Que bom; chegamos a casa”. Será agradável para ambos.
• Mostrar-lhe um álbum de fotografias pode tranquilizá-la e ajudar a fazer desaparecer a inquietação.

A inquietação nocturna deve ser combatida:

• Criar uma atmosfera agradável e relaxante que a convide a dormir placidamente.
• Aumentar o ritmo da actividade durante o dia para que, deste modo, na hora de ir para a cama se sinta cansada e durma bem.
• Dependendo de como tenha sido acostumada, deve ir para a cama um pouco mais tarde.
• Não dar refrescos ou bebidas que contenham cafeína depois das cinco da tarde.
• Evitar bebidas que contenham álcool.
• Se a pessoa desperta durante a noite, tranquilizá-la, proporcionando-lhe segurança e apoio.
• Ter no quarto objectos conhecidos e familiares.

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