NEUROPLASTICIDADE E O MARKETING


Sabemos que o cérebro humano está constantemente sofrendo alterações e este é um dos motivos que dificulta o entendimento de seus mecanismos. Também sabemos que é papel do profissional de marketing tentar descobrir o que passa pela mente das pessoas e desenvolver produtos adequados, atendendo suas necessidades e seus anseios. Mas não basta descobrir, o marketing também é responsável pela estratégia e pelo processo de comunicação.

Nos últimos anos o desenvolvimento tecnológico proporcionou melhores condições de mapear o cérebro de pessoas vivas e em atividade, e muitos conhecimentos sobre a mente humana, que eram inalcançáveis, passaram para o domínio público. Com o avanço dos estudos sobre a mente humana surgiu a ciência da cognição, que pode ser entendida como o estudo sistematizado do intelecto, do ato ou do processo de conhecer humano. Cognição é uma palavra originária do latim “cognotione” cujo significado é aquisição do conhecimento e está ligada à atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem.

Por definição a neuroplasticidade é qualquer modificação do sistema nervoso que não seja periódica e que tenha duração maior que poucos segundos. Ou ainda a capacidade de adaptação dos neurônios, às mudanças nas condições do ambiente que ocorrem no dia-a-dia da vida dos indivíduos, um conceito amplo que se estende desde a resposta a lesões traumáticas destrutivas até as sutis alterações resultantes dos processos de aprendizagem e memória.

Mais importante do que mapear através de imagens áreas do cérebro estimuladas (as chamadas ferramentas do neuromarketing), quando surge um desejo por um produto ou pelo impacto de uma marca, está em compreender que o uma nova imagem poderá se formar em poucos minutos. Basta uma informação conflitante ou uma experiência desagradável que os julgamentos racionais e as emoções alterarão as rotas e as conexões.

Essas conexões são responsáveis por tudo o que somos. Pela nossa personalidade, pelo nosso modo de agir, pela forma que nosso corpo vai adquirindo no transcorrer da vida. Em linhas gerais, o processo se resume no seguinte: Uma vez estimulados, os neurônios geram impulsos de natureza elétrica e liberam íons e substâncias químicas que lançadas nas sinapses (espaços vazios entre um neurônio e outro) estabelecem ligações entre eles. A cada novo estímulo, a rede de neurônios se recompõe e reorganiza, o que possibilita uma diversidade enorme de percepções, análises, julgamentos e respostas.

A plasticidade neuronal é o nome dado a capacidade que os neurônios têm de formar novas conexões a cada momento. Graças a esse poder é que, por exemplo, crianças que sofreram acidentes, às vezes gravíssimos, com perda de massa encefálica, déficits motores, visuais, de fala e audição, vão se recuperando gradativamente e podem chegar à idade adulta sem sequelas, iguais às crianças que nenhum dano sofreram. E graças a isso também que empresas, marcas e produtos podem regenerar, reposicionar e reconquistar um espaço perdido ou ainda não ocupado.

Porém nem tudo são flores. Essa capacidade exige um constante empenho em manter as pessoas interessadas e desejosas de seus produtos e serviços, pois o campo de batalha é igual para todos: a mente das pessoas.

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