INSTINTO, INTUIÇÃO E INTELIGÊNCIA


Uma das grandes reflexões da atualidade é identificar se somos mais afetados pelos nossos estímulos neurológicos ou pela força adaptativa do ambiente que vivemos. Como profissional de marketing e profundo apaixonado pelo efeito da comunicação no comportamento das pessoas, sempre me vejo analisando o cenário em que atuamos.

Muitos cientistas já determinaram, e mesmo qualquer pessoa comum sabe que os seres vivos se modificam ao longo do tempo num processo conhecido como evolução. Para nós seres humanos, essas alterações ocorridas de forma gradual e aleatória, por meio das mutações individuais com efeitos coletivos, só se tornaram duradouras para a espécie, pois representaram vantagens adaptativas ou, pelo menos, não se constituíram em desvantagem.

Durante séculos essas modificações aumentaram as opções frente às demandas do meio ambiente, e do convívio social, garantindo nossa sobrevivência. Os resultados dessas transformações em diversos níveis resultaram no que chamamos hoje de instintos, intuição e inteligência. Nada muito diferente da atribuição do neurocientista Paul Maclean, no chamado cérebro trino, segundo o qual a nossa mente teria passado por três estágios evolutivos: reptiliano, o sistema límbico e o córtex.

O ponto que chamo a atenção, é que no caótico mundo que vivemos, desde a pré-história até os dias de hoje, usamos esses mecanismos de forma conjunta, interligada e interdependente. Apesar de nos “auto intitularmos” seres inteligentes, é muito difícil, senão impossível identificar a prevalência ou exclusão de uma dessas forças.

O desequilíbrio de um desses mecanismos nos faz parecermos animais, insensíveis e irracionais. Porém esse desequilíbrio também pode nos diferenciar positivamente. O sucesso muitas vezes inexplicável está em uma grande capacidade nas respostas corporais, em uma alta sensibilidade ou no raciocínio extremo.

A grande questão é como manifestamos esses mecanismos nos processos de tomada de decisão. Consciente ou inconscientemente escolhemos como agir não por discriminar os estímulos que recebemos, mas sim quando integramos esses estímulos aos nossos valores, estado emocional, situação social e quaisquer metas correntes.

A tomada de decisão não pode tipicamente ser vista como um simples processo racional e cognitivo. Acredito que compreender esses três mecanismos e suas relações, abre uma nova área multidisciplinar do comportamento humano, envolvendo a psicologia, a economia comportamental e a neurociência moderna. Ou seja, o mundo das necessidades, dos desejos e dos julgamentos.

Não podemos negar nossas limitações e deficiências. O instinto humano é muitas vezes egoísta, pervertido e vingativo.  A nossa intuição é mal adaptada a situações que envolvem incerteza. A nossa inteligência limitada a diversos padrões preconcebidos. Porém a beleza da nossa espécie está no potencial de evolução, na capacidade de adaptação e na força da transformação.

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