ESCRAVOS DO TEMPO


Na história da humanidade, durante muito tempo, a vida foi regulada pelo Sol e pelas estações do ano. O ritmo era lento e as medidas do tempo imprecisas.

Embora os relógios mecânicos tenham sido inventados já no século XIV, era somente um símbolo de status. Havia pouca necessidade de medir o tempo com exatidão.

Em 1784, John Palmer, prefeito de uma cidade inglesa chamada Bath, criou o primeiro sistema de transporte público (diligências) da Inglaterra funcionando com horários definidos. A partir deste momento iniciou-se a neurose dos atrasos.

Com a revolução industrial, passamos a nos orientar pelo tempo das máquinas. Em 1839 George Bradshaw compilou a primeira tabela de horário ferroviário e começou a criar o conceito de que pontualidade era uma obrigação.

Em 1856 após a instalação do sino mais famoso de Londres, o Big Ben, o astrônomo real Sir George Caunt sugeriu que os relógios fossem acertados de acordo com o meridiano de Greenwich.

Em cidades industriais, sempre eram colocados relógios gigantescos, em lugares estratégicos, servindo de referência para toda a comunidade. Em muitos lugares era proibida a entrada no funcionário no trabalho com relógio, assim era possível ter o controle de fazer o relógio trabalhar lentamente durante a jornada de trabalho e fosse acelerado assim que a fábrica fechasse.

Vem daí a tradição de se presentear com um relógio (às vezes de ouro) um trabalhador exemplar que se aposenta, para simbolizar que o tempo finalmente passou a ser dele.

Hoje, estamos vivendo uma era em aceleração. Temos muito a fazer. Tudo funciona 24/7/365 no ano. Fazemos multitarefas. Caímos em uma armadilha social e tecnológica para sermos escravos do tempo.

Estamos hoje divididos em dois mundos: aquele em que há um grande número de pessoas que gasta um tempo enorme para poupar dinheiro, enquanto um pequeno grupo gasta enormes quantias de dinheiro para poupar tempo.

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