Língua natural – Língua


Língua natural Línguas naturais são, grosso modo, o contrário de línguas artificiais ou construídas (como linguagens de programação de computador e o Esperanto), assim como de sistemas de comunicação existentes na natureza, como a dança das abelhas. Embora exista uma grande variedade de línguas naturais, qualquer criança humana normal é capaz de aprender qualquer língua natural. O estudo das línguas permite identificar tanto acerca de seu funcionamento (sintaxe, semântica, fonética, fonologia, etc.), quanto sobre o modo pelo qual a mente e o cérebro humanos processam a linguagem. Em termos linguísticos, a língua natural é uma expressão que apenas se aplica a uma linguagem que evoluiu naturalmente, como a fala nativa (primeira língua) de um indivíduo. A fala, assim como outros tipos de língua natural, é formada por unidades menores (palavras) que possuem significados, e essas unidades, por sua vez, são formadas por unidades ainda menores (como vogais e consoantes). É comumente alegado que o francês, o inglês e o português falados são “línguas”. No entanto, sabemos que o inglês americano não é exatamente igual ao inglês antilhano ou britânico e, ainda, que dentro dessas regiões (como nos limites da Inglaterra) existem variedades ainda numerosas de inglês, normalmente chamadas de “dialetos”. Do ponto de vista estritamente científico, contudo, não existe um limite objetivo entre o que seriam línguas e o que seriam dialetos; como escreveu o cientista Hermann Paul, “com efeito, podemos distinguir tantas línguas quanto indivíduos”. Portanto, quando falamos do inglês, do francês e do alemão, estamos tratando de abstrações que não correspondem exatamente à realidade. Os cientistas aceitam atualmente que línguas são sistemas. Todos os elementos de uma língua estão ligados entre si a partir de uma variedade de relações. Essa compreensão das línguas foi, inicialmente, instituída por Ferdinand de Saussure. Ele falou das línguas como sistemas de signos onde, para cada signo lingüístico, haveria um significante e uma referência (significado): seu equivalente na língua (a palavra menina) e um conceito que a língua pretende expressar (o conceito de menina). A teorização de Noam Chomsky, segundo a qual “língua é um conjunto de sentenças (finitas ou infinitas), cada uma finita em extensão e construídas a partir de um conjunto finito de elementos”, é uma das mais aceitas hoje. Chomsky postulou a existência de uma Gramática Universal, comum a todas as línguas, que seria herdada geneticamente. Origens da Língua Não existe consenso entre os antropólogos acerca de quando e como teria surgido a linguagem nos seres humanos (ou em seus ancestrais). As estimativas variam consideravelmente, sendo que alguns cientistas apontam para a existência de linguagem há 2 milhões de anos entre os Homo habilis, enquanto outros preferem localizá-la há quarenta mil anos apenas, no tempo do homem de Cro-magnon. No entanto, evidências recentes indicam que a linguagem humana foi inventada (ou evoluiu) na África antes da dispersão dos humanos pelo globo a partir dessa região há cerca de 50 mil anos. Além disso, é lógico supor que, como todos os grupos humanos conhecidos possuem línguas, a língua natural deve ter figurado entre os ancestrais de todos esses grupos. A Linguagem e o Cérebro No cérebro, as áreas de Wernicke e de Broca possuem, segundo renomados cientistas, forte relação com a linguagem humana. Muito pouco se sabe, na realidade, sobre a relação entre a linguagem (como a percebemos) e o cérebro humano. Embora uma grande maioria de estudiosos da neurolinguística afirme que o crescimento do cérebro (sobretudo do córtex) está relacionado ao surgimento da linguagem, as informações que temos sobre o assunto ainda são muito limitadas. As línguas faladas variam no tempo e no espaço. O inglês falado por um londrino na época do rei Henrique VIII certamente não é o mesmo que o inglês falado por um londrino hoje, assim como o inglês falado por um britânico contemporâneo dificilmente pode ser considerado semelhante ao inglês falado em várias das ex-colônias britânicas hoje. Aforma como as línguas faladas mudam é assunto de particular interesse para os cientistas. Através de um método comparativo, os linguistas entendem o funcionamento da língua falada, traçando relações entre as línguas atuais, e possíveis origens comuns que elas teriam partilhado em um passado distante. É o caso do indo-europeu, uma matriz imaginária que supostamente teria sido precursora de línguas atuais como o russo, o alemão, o inglês, o francês, o português, etc. A língua de sinais é uma outra variedade conhecida de língua natural. De acordo com o neurologista Oliver Sacks, “os surdos geram línguas de sinais em qualquer lugar onde existam comunidades de surdos; é para eles a forma mais fácil e natural de comunicação”. Além disso, a língua de sinais é altamente expressiva, tanto quanto a língua falada. A língua de sinais, assim como as línguas faladas, possui estruturas gramaticais complexas. A função biológica e cerebral da linguagem é aquilo que mais profundamente distingue o homem dos outros animais. Podemos considerar que o desenvolvimento desta função cerebral ocorre em estreita ligação com a bipedia e a libertação da mão, que permitiram o aumento do volume do cérebro, a par do desenvolvimento de órgãos fonadores e da mímica facial. Os cientistas agruparam as línguas do mundo por suas semelhanças, formando famílias. Os maiores grupos são as línguas indo-europeias, afro-asiáticas e as sinotibetanas, mas também criaram línguas de laboratório, como o Esperanto, de L. L. Zamenhof, uma compilação de vários elementos de diferentes línguas humanas cuja intenção é de ser uma língua de fácil aprendizagem, de forma a proporcionar a toda a humanidade uma forma mais fácil e democrática de se comunicar. Hoje é uma língua viva em ascensão, havendo recursos didáticos -gratuitos ou não -na Internet para aprendê-la. Além disso, existem línguas que resultam de contato com o estrangeiro, por exemplo, brasileiros que habitam regiões fronteiriças e que, consequentemente, aprendem a falar castelhano (ou ao menos o chamado portunhol ou “portuñol”). Nas fronteiras dos Estados Unidos, similarmente, surge o falar Chicano ou Spanglish. 8 Também vale notar os regionalismos que surgem praticamente em todas as culturas do mundo. No Brasil podemos citar variações distintas da língua nacional que se desenvolveram através dos anos, como por exemplo as falas do gaúcho, do carioca, do nordestino, do capixaba, do baiano, do mineiro, etc.8 Existem mais duas categorias distintas de falares frequentemente ignorados quando se trata das línguas do mundo. A primeira destas classificações envolve as línguas inventadas por crianças e jovens para se comunicarem entre si em segredo na presença de adultos, geralmente de seus pais (play languages). Um exemplo disso é o chamado “pig latin” (Igpay Atinlay) que existe principalmente no mundo cultural anglosaxão. No mundo cultural castelhano existe o jargão jeringonzo, também chamado de jeringonza e jeringôncio. No Brasil existe a chamada Língua do P. A outra envolve as linguagens próprias de profissões ou de certos meios que são, muitas vezes, considerados de má ou questionável reputação. No mundo teuto (alemão) existe o falar Rotwelsch ou Gaunersprache (o falar da malandragem), sendo que seus equivalentes na Grã-Bretanha, na França e na Argentina são, respectivamente, o cant, o argot e o lunfardo. Pesquisas sobre desenvolvimento da linguagem já identificaram entre estudantes de universidades um vocabulário de 80 mil palavras. A língua não se esvaia em apenas códigos, ela está presente em todo o nosso dia a dia, sendo primordial em todas nossas escolhas.

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