Ex-faxineira que inspirou novela entra na Forbes com Gisele Bündchen


Larissa Coldibeli

Do UOL, em São Paulo

18/06/2013 06h00

A ex-faxineira Zica Assis, 52, que inspirou a criação da personagem de Heloisa Périssé na novela Avenida Brasil, a cabeleireira Monalisa, figura entre as dez mulheres de negócios mais poderosas do Brasil, segundo a revista americana “Forbes”.

Na mesma lista, divulgada em maio deste ano, estão a modelo Gisele Bündchen, a presidente da Petrobras Maria das Graças Silva Foster e a presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna.

Zica é fundadora da rede de salões de cabeleireiros Instituto Beleza Natural, especializado em cabelos crespos e ondulados. A motivação para criar o negócio veio do próprio cabelo que, segundo a empreendedora, era difícil de manter bonito.

“Virei cabeleireira aos 21 anos para conhecer meu próprio fio. Nos anos 90, os únicos tratamentos que existiam eram para alisar, e eu queria mantê-lo natural, mas com balanço e brilho. Eu era doméstica e o cabelo crespo era visto como sujo e sinal de desleixo”, conta.

Hoje, a rede possui 13 salões –dez no Estado do Rio de Janeiro, dois no Espírito Santo e um na Bahia–, 1.700 funcionários, um centro de desenvolvimento técnico para criação de cosméticos e uma fábrica de produtos próprios com capacidade de produção de 300 toneladas por mês.

Com o conhecimento adquirido no curso de cabeleireira e o contato com fornecedores de empresas de cosméticos no salão em que era funcionária, ela passou a testar misturas de produtos em casa na tentativa de melhorar a aparência do próprio cabelo.

“Meu marido reclamava que meu cabelo estava sempre desgrenhado, de tanta mistura que eu passava sem sucesso. Então, passei a testar no cabelo do meu irmão porque se não desse certo, era só raspar”, diz.

Foram dez anos de testes até que ela recebeu o primeiro elogio a suas madeixas. “Fiz uma mistura que não fez o cabelo do meu irmão cair, então passei no meu. Quando uma prima elogiou e disse que queria que o cabelo dela ficasse igual, eu soube que havia chegado à fórmula certa.”

A descoberta foi batizada de “Super Relaxante”. Depois de procurar uma indústria química para fabricar o produto com exclusividade, o passo seguinte foi convencer o marido a vender o único bem da família, um automóvel Fusca, para investir no próprio salão. Ela convidou o irmão – que até então era cobaia nos testes– e uma amiga para serem sócios e trabalharem com ela.

Em 1993, foi inaugurada a primeira unidade do Instituto Beleza Natural, na comunidade do Catrambi, na cidade do Rio de Janeiro. “A fama foi se espalhando e desde as 5h da manhã já tinha gente na fila. Quando abria, às 9h, o salão já estava cheio, com 100 pessoas”, declara Assis.

Um ano depois, ela inaugurou a primeira filial e o crescimento nunca mais parou. Este ano, serão inauguradas outras cinco unidades –três em São Paulo e mais duas no Rio de Janeiro. A rede atende 90 mil clientes por mês e, além do Super Relaxante, foram desenvolvidos cerca de 50 produtos, entre xampus, condicionadores e outros itens para fazer a manutenção do tratamento.

“O tratamento com o Super Relaxante só é feito no salão e a fórmula é ultrassecreta. Vendemos os produtos para que a cliente faça a manutenção em casa”, diz.

Ela não revela o faturamento, mas diz que a rede cresce, em média, 30% ao ano. “Na época em que criei o salão, ninguém olhava para a classe C, agora ela tem força e liberdade de escolha. Eu cresci junto com ela, dou oportunidades de trabalho, e estar na lista de uma revista tão importante é o reconhecimento de muito trabalho”, diz.

A consultora de negócios em beleza Rose Gonçalves, da empresa Assessoria em Beleza, diz que se especializar em determinado nicho, como fez Assis, ajuda a empresa a se tornar referência no segmento. “Ela virou referência, por isso fez sucesso. No Brasil, onde grande parte da população tem ascendência negra, esse nicho é uma grande oportunidade”, destaca.

Reinaldo Messias, consultor do Sebrae-SP (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa do Estado de São Paulo) diz que o empreendedor deve desenvolver habilidades de venda e apostar na comercialização de produtos relacionados, como xampus e cremes de tratamento. “Isso ajuda a elevar o faturamento.”

O desafio, segundo ele,  é fazer com que o cliente reconheça o estabelecimento como bom prestador de serviço e não somente o profissional.

“Se o cliente reconhece o profissional como sendo bom, ele irá segui-lo se ele trocar de salão. O dono do salão é um intermediário e tem que ser atuante. Ele deve treinar todos os profissionais igualmente, para que nenhum seja insubstituível”, declara.

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