Se queremos tanto a felicidade, por que criamos tantos obstáculos?


André Luís Alves
May 1, 2018 · 5 min read

Nós acreditamos que vivemos a vida para sermos felizes. E que para isso bastar seguirmos algumas regras, que até parecem bem simples.

Termos um bom estudo, encontrar o trabalho que nos identificamos, achar o nosso amor verdadeiro, curtirmos um pouco a vida nos finais de semana e férias, termos filhos para que eles repitam a simplória fórmula da felicidade. Tudo muito fácil, não?

Mas, quer saber, eu acredito em estar na busca constante pela felicidade (o verdadeiro pote de ouro no final do arco-íris), em trabalhar no que se gosta, em curtir os momentos, em amar os amores, os amigos e a família.

Só não acredito nas regras que a sociedade criou para que a gente chegasse lá… Aliás, muito pelo contrário, os caminhos sugeridos para chegarmos a nossa plenitude são, na grande maioria das vezes, armadilhas para cairmos no poço profundo da insegurança e tristeza.

Se não fossem regras, fossem possibilidades, seria mais fácil. Mas, confundimos nossas vidas com bolos. Basta seguir a receita e pronto: está feliz. E se não está feliz, é porque um dos ingredientes estava estragado… Então, vamos recomeçar a receita?

E todas as receitas, todas as regras, na verdade se tratam de tentar preencher os nossos vazios existenciais, tapar todos os buraquinhos… Poxa, será que não é mais verdadeiro ver a grande lição daquele livrinho infantil simpático, escrito por Shel Silverstein e imortalizado no Brasil pela Jout Jout: A parte que falta?

Já pararam para pensar nisso? Às vezes não falta nada.

Nós acreditamos que precisamos tapar todos os buraquinhos da nossa existência. As crianças precisam estudar, e brincar, e fazer cursos, curso de inglês, de teatro, natação. Assim que adolescente pensar num intercâmbio, matricular numa academia de artes marciais, defesa pessoal ou mesmo só fazer musculação ou aulões de ginástica. O que não pode é ficar com tempo ocioso… Vai que começa a pensar muito na vida, né?

Nós acreditamos que a geração de agora é multitarefa, precisa desenvolver suas todas as suas potencialidades, assim como antigamente, no tempo dos pais ou dos avós (dependendo da idade de quem está me lendo) deveríamos ter um emprego para toda a vida. Mas para sermos multitarefas precisamos estar em constante cursos de reciclagem profissional ou aprendendo coisas novas para oxigenar nosso cérebro e desenvolvermos nossas potencialidades. E aí, não sobra muito tempo para pensar que, talvez, o que queríamos mesmo, mesmo, mesmo era fazer outra coisa. Ou um monte de outras coisas, mas não o monte de coisas que estamos fazendo.

E como não somos de ferro, acreditamos que precisamos ocupar todo nosso tempo de lazer para espantar o tédio e o vazio do existir, como já lembrava o non-sense Rogério Skylab. Se sextou, vamos passar a noite na balada. Sábado e domingos são bons para visitarmos os familiares e em casos especiais, aquele show de rock internacional. Finais de semana prolongados são bons para pensarmos naquela viagem curta e claro, sem esquecer de pagar a parcela da viagem de férias que está programada desde 2015. Vai que sobra um tempo para gente se olhar no espelho?!?

Nós acreditamos que precisamos ter uma vida saudável. E que para isso devemos ter cinco refeições diárias, ingerir saladas, frutas, fazer exercícios. É bom investir em suplementos. E não sair da dieta. É bom termos uma calculadora de calorias para saber o quanto temos que queimar depois daquela fatia de bolo que comemos no aniversário da colega da empresa. E continuamos a encher nosso tempo para não pensarmos se o que estamos fazendo faz, de fato, algum sentido nossa vida.

Ah, e nós acreditamos no amor, não é mesmo? Uma das leituras possíveis de A parte que falta. Que precisamos encontrar a nossa alma gêmea, o nosso amor verdadeiro e eterno. Que diga-se de passagem já é superdifícil imaginar o encontro do destino com o tanto de gente que há no mundo, mas sigamos. Encontramos (ou achamos que), casamos. Felizes para sempre? Ops, não deu certo.

Ainda bem que agora há a possibilidade de partir em busca de um novo amor eterno no caso de o primeiro vir com algum defeito. Alguns tentam uma, duas, três vezes. Outros dão sorte de primeira (urra!). E um tanto acha que o ingrediente errado da receita do bolo da felicidade é ele mesmo e aceita passar toda a vida com a “pessoa errada” ou ficar “para titio” ou “para titia” sem a tampa da panela.

A receita para ser feliz é mais simples do que parece

Eu acho, mesmo, que a receita da felicidade é não ter receita. Receitas são regras e regras são prisão. Ser feliz é não estar nem aí para as regras, apenas seguindo três simples princípios: 1) a sua felicidade é você quem faz; 2) você não precisa de ninguém para te completar, pois não falta nada em você e 3) aproveite para curtir cada momento possível.

Assim, não preciso encher de quadros a parede da minha casa, não preciso encher de trabalho meus dias úteis nem ocupar de “lazer” meus dias inúteis. Não preciso de uma alma gêmea para me completar.

Mas posso ser feliz com o meu trabalho — mas sempre refletindo sobre o que quero com ele, que posso ocupar meu final de semana com lazer ou ficar simplesmente lendo um livro, vendo as crianças brincarem, olhando os gatos caçando borboletas e contemplando o pôr-do-sol. Qual foi a última vez que você fez isso?

Posso ser feliz com a pessoa amada ou com as pessoas amadas, com a família, com os amigos, porque sou feliz como sou e viver sem regras não é ter uma vida insana, pois como dizia meu filósofo preferido: ser livre não é fazer o que se quer; é fazer o que se pode. Ou na versão do compositor esquecido:

Meu coração é a liberdade!

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