Resenha: livro “Olhe nos meus olhos”, John Elder Robison


 Olá pessoal, tudo bem? O livro da resenha de hoje é Olhe nos meus olhos, escrito por John Elder Robison e publicado no Brasil pela Editora Larousse em 2008.
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 John Elder Robison nasceu com Asperger (uma forma mais branda de autismo), ele só foi diagnosticado por volta dos 40 anos. Olhe nos meus olhos é sua autobiografia, escrita de forma tão cativante que, por muitas vezes, até parece ficção.
 Quando criança, uma frase que ouvia com frequência era: “Olhe nos meus olhos”, ninguém entendia o motivo de ele não olhar as pessoas nos olhos, e John não entendia por qual motivo tinha que olhar as pessoas nos olhos.
 “Meus pais levaram um ao outro à loucura, e quase fizeram o mesmo comigo. Por sorte, o Asperger me isolou da maior parte dessa insanidade, até que eu tivesse idade suficiente para escapar.” (página 57)
 Por não conseguir se enturmar com outras crianças, era visto como esquisito e estranho. Uma mãe louca, um pai alcoólatra e um irmão caçula (a quem John apelidou carinhosamente de Verme) formavam sua desestruturada família. Família essa que até o levou em psiquiatras, na tentativa de descobrir qual era o problema de John, mas os diagnósticos errados só pioravam a situação. John ouviu da sua própria família coisas que nenhuma criança deveria ouvir.
 “Eu era raramente visto rindo ou feliz, ou cercado por outras crianças. Nunca fui capaz de compreender a razão, mas sabia o que estava perdendo e isso me machucava demais.
 Já que vivi os anos escolares como um garoto marginalizado, o meu pai e os meus professores começaram a fazer previsões sobre o meu futuro. Disseram-me que eu nunca teria capacidade para ser nada na vida. Quando muito, poderia trabalhar num posto de gasolina, ou acabaria na prisão, ou no Exército – isso, se eles me aceitassem (eu jamais me alistaria).
 Eles não perderiam por esperar.” (página 35)
 Isso não fez com que ele se tornasse uma pessoa má. Ainda muito jovem, John foi para o lado da música, não para a frente dos palcos, mas para a organização dos espetáculos. Ele tinha um talento todo especial para montar equipamentos e sistemas de som. Graças a isso, na década de 70, ele foi o responsável pelas guitarras com efeitos especiais da banda KISS, que soltavam fumaças, luzes e fogos de artifício, coisas fascinantes na época.
 “Sempre achei engraçada essa forma das pessoas agirem. Seria tão incrível assim, a ideia de que eu, sim, eu mesmo, trabalhava com o KISS? Eu só pensava nisso como um trabalho divertido. Alguém tinha de fazê-lo. Por que não eu?” (página 129)
 E isso foi só o começo de sua carreira, que posso dizer que foi brilhante. Na data da publicação do livro, John era proprietário de uma oficina mecânica especializada em restauração de veículos, um de seus sonhos de infância, casado e pai.
 Olhe nos meus olhos entrou para a restrita lista de meus livros favoritos (de 316 lidos, favoritei até hoje apenas 25). Foi uma daquelas leituras em que a gente nem vê o tempo passar, vamos virando páginas e páginas, e ao mesmo tempo ficamos tristes quando está acabando.
 “Um relatório de fevereiro de 2007 do Center for Disease Control and Prevention constatou que 1 pessoa em 150 tem Asperger, ou algum outro transtorno autista.” (página 18).
 Que eu saiba, eu não tenho Asperger, mas me identifiquei muito com o autor, com seu jeito de ver a vida e as pessoas; assim como ele, também tenho uma certa dificuldade em dizer ou identificar o que as pessoas esperam que eu diga, dificuldade que venho trabalhando ao longo dos anos. Talvez, a sinceridade ou a forma direta como ele diz as coisas, possa ser surpreendente ou divertida para alguns, para mim foi divertido, e também foi como se eu encontrasse alguém que pensa de forma parecida comigo em alguns aspectos.
 “Paul acreditava que ele deveria sorrir e falar amavelmente conosco, então ele sorria o tempo todo. Eu não confiava nele. Nunca fui muito bom em ler as expressões das pessoas, mas eu sabia que as pessoas sorriam quando estavam felizes. Pois bem, ele não poderia ser feliz o tempo todo. Eu não estava feliz o tempo todo, e nem sequer era feliz na maior parte do tempo. Eu certamente não sorria o tempo todo. Porque ele sorria? Paul não parecia ser viciado em drogas. Devia ter algum problema com ele.” (página 161)
 “Ninguém se vira para um rapaz numa cadeira de rodas e diz, ‘Rápido! Vamos correr até o outro lado da rua!’ E quando ele não pode fazer isso, ninguém diz, ‘Qual é o seu problema?’ Eles até se oferecem para ajudá-lo.
 Comigo, não existe nenhum sinal externo que indique que tenho uma deficiência conversacional. Então, quando alguém me ouve dizer alguma coisa sem sentido para eles, comentam: ‘Mas que sujeito arrogante!’ Não vejo a hora em que a minha deficiência seja tão respeitada quanto um cara na cadeira de rodas. E se esse respeito for demonstrado na forma de vagas preferenciais nos estacionamentos, vou adorar.” (página 176)
 John Elder Robison é a prova de que para ser feliz, devemos procurar o que nos faz bem, e não viver conforme os outros esperam que vivamos. Não importa o que os outros digam sobre nós, importa o que nós realmente somos. Por mais dificuldades que tenhamos, por mais “grilos” que surjam na nossa cabeça, John Elder Robison nos mostra que é possível ter uma vida feliz.
 O prefácio do livro foi escrito por Augusten Burroughs, o irmão caçula de John. Parece que as traquinagens que o irmão mais velho aprontou com Augusten (como jogá-lo num buraco) não diminuíram o amor entre eles. Augusten Burroughs também escreveu um livro sobre parte de sua vida: Correndo Com Tesouras – Memórias de Um Adolescente e Sua Família Muito Louca (se alguém tiver lido, me diz se é bom).
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 Gostei bastante da capa, apesar da expressão de sofrimento do menino fofo. As cores utilizadas na capa, contracapa e orelhas combinaram bem. A diagramação está ótima, com tamanhos bons de margens, fontes e espaçamento; as páginas são amareladas.
 O Asperger não tem cura, mas se a criança com Asperger crescer num ambiente acolhedor, onde suas necessidades e diferenças sejam entendidas, ela pode ter uma qualidade de vida melhor, sem passar por todo o sofrimento que John Elder Robison teve que passar.
 Olhe nos meus olhos é um livro inspirador, uma leitura que recomendo para todos, principalmente para aqueles que querem entender um pouco mais sobre o Asperger e para aquelas pessoas que se sentem tristes por serem diferentes ou que não acreditam em sua capacidade. Como disse, é uma autobiografia que até parece ficção, então, esqueça qualquer preconceito que você tenha com o gênero, pois é uma leitura cativante e fluida, onde você fica mais curioso a cada página para descobrir o próximo capítulo da história de John. Recomendado também para os fãs do KISS ou para quem simplesmente procura uma boa leitura.
 O único problema do livro, é que ele não é fácil de se achar para comprar online; se você o encontrar em alguma biblioteca, livraria, sebo ou até mesmo na estante de um amigo, aproveite! Pegue emprestado, compre e leia, pois vale muito a pena.
 Detalhes: 255 páginas, ISBN: 9788576352815, Skoobblog do autore-book em inglês na Amazon.
 Por hoje é só, espero que vocês tenham gostado da resenha. Alguém aí já conhecia o livro ou o autor? Já viram vídeos antigos de apresentações do KISS, onde o talento de John Elder Robison se faz presente? Conhecem alguém com Asperger?
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