Sobre Aceitação e Conformismo


10.02.2015

“Concedei-nos Senhor, serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar. Coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir umas das outras”

Acredito que não teria maneira melhor de começar esse texto do que com esse trecho da Oração da Serenidade, pois explica de maneira muito simples dois conceitos que nem o dicionário consegue, claramente, distinguir: Aceitação e Conformismo. Em um primeiro momento essas duas palavras podem até parecer sinônimos, mas aprendi que elas têm um significado muito diferente fora do papel.

A vida me ensinou que aceitação, na maioria das vezes, está relacionada com o passado e conformismo com o futuro. A aceitação nos desafia a lidar com o irreversível. Não importa o quanto se deseje voltar atrás, simplesmente não há nada que possa ser feito. Na verdade, a única escolha que nos resta é mudar nossa atitude. Isso me faz lembrar uma frase de Viktor Frankl que gosto muito: “quando não formos mais capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos”.

Conformismo é decidir não tentar algo diferente, é negar a possibilidade de mudança. Mesmo sendo possível reverter uma situação que não nos agrada, optamos por não agir. Conformismo implica passividade e resignação. Desisti-se de lutar por um futuro melhor e opta-se por adotar o modo de agir e de pensar da maioria.

Aceitação exige esforço para enfraquecer o remorso e dissolver as mágoas. Sem dúvida, não há como confundi-la com esquecimento, já que as coisas que precisamos aceitar são tão fortes que é impossível esquecê-las. Às vezes, aceitar é um processo doloroso pois exige perdão e perdoar, principalmente a si mesmo, pode ser um grande desafio.

Acredito que a morte seja a coisa mais difícil de aceitar. Quando perdemos uma pessoa querida, temos que lidar com ausência, saudade e arrependimentos. Nesses momentos, o “nunca mais” torna-se verdade e precisamos enfrentar que nos restam apenas memórias e lembranças . Para mim, outro grande desafio é aceitar que não podemos controlar o mundo ao nosso redor. Me frustrei muitas vezes até entender que nem tudo sairia do jeito que tinha imaginado. Desperdicei muita energia tentando controlar o incontrolável, simplesmente porque não conseguia aceitar que viver envolve um grau muito alto de imprevisibilidade.

Conformar-se é mais fácil do que aceitar. Isso porque queremos acreditar nas falsas desculpas que criamos para justificar porque não temos a vida que sonhamos. Adoramos alimentar a ilusão de que não podemos fazer nada para melhorar. Pense em quantas pessoas infelizes com suas carreiras usam a idade como desculpa para não recomeçar. Quantos anos são desperdiçados em relacionamentos fracassados por “culpa” dos filhos. Alguns sonham em viver na praia, mas moram na cidade porque “é lá que os empregos estão”.

Se você me permite um conselho, encontre suas próprias falsas desculpas. Para mudar, primeiro, é preciso remover as barreiras que nós mesmos criamos. Não caia na armadilha de confundir aceitação com conformismo. Desperdiçamos muito tempo relutando para aceitar o que realmente não podemos mudar. Mas facilmente desistimos de tentar mudar aquilo que podemos.

Pense que a vida é como o mar. É preciso aceitar que não se pode controlá-lo; que não é possível voltar atrás e navegar novamente uma onda que já passou e que quando perdemos algo o mar leva embora para sempre. Mas isso não significa que você deve desistir de comandar o seu barco. Não se deve viver a deriva só porque se descobre que o mar é incontrolável. Viver a deriva é se conformar; é desistir de descobrir seus próprios caminhos, traçar seu próprio destino.

Créditos da foto: https://www.flickr.com/photos/marveiga/

por: Juliana GaribFormada em Administração. Atualmente, está se especializando em administrar seus conflitos internos e inquietudes depois que pediu demissão. Está de mudança para a Austrália em busca de histórias interessantes para contar. Nas horas vagas, aventura-se como professora de Yoga.

tags: autoconhecimento, autodesenvolvimento, coaching, inspiração,

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