A liberdade de cada um


17.03.2015

Muitas vezes me pego pensando no significado de algumas palavras e na força que elas têm quando empregadas em determinados contextos. Por vezes penso em palavras cotidianas e nos seus múltiplos significados, e em outros momentos me apego a palavras mais complicadas e na dificuldade que temos de usá-la corretamente.

Esses dias me peguei pensando na palavra liberdade.

Sempre parto do princípio que a maior parte das palavras possui significados diferentes para cada indivíduo. Com o termo “liberdade” não seria diferente, mas é um conceito tão abstrato e complexo que eu poderia dizer que possui significados quase infinitos. E mesmo com essa multiplicidade de sentidos, acredito que se sentir livre é fundamental para ser feliz e principalmente para seguir em frente. Seja lá o que a sua liberdade signifique.

Para não ficar divagando em filosofias baratas, resolvi escrever sobre três aspectos de liberdade que considero fundamentais. Talvez eles te ajudem a enxergar onde estão suas prisões ou talvez esse seja apenas o ponto de partida para você refletir o que de fato é ser livre.

A liberdade que ninguém pode te tirar.

Durante muito tempo, quando era mais nova, eu costumava censurar meus pensamentos. Me sentia culpada por pensar certas coisas e me proibia de deixar minha mente se levar por temas que eu não considerava certos. Eu sequer me permitia experimentar certos pensamentos inofensivos, por acreditar que algo daquele contexto poderia ser errado.

Entendo que devemos espantar os demônios – aqueles pensamentos que só nos fazem mal -, mas a nossa mente é o maior parque de experimentação que existe. Os sonhos só começam a ser sonhos se são sonhados. E isso pode parecer clichê e repetitivo, mas é preciso exercitar nossa mente para ir além.

Por vezes somos censurados ou nós mesmos censuramos nossos pensamentos, restringindo a liberdade do único espaço que é totalmente nosso, em qualquer circunstância. A mente deve ser livre e enquanto não houver uma maneira de terceiros a controlarem, ela deve ser exercitada e explorada ao máximo, sem medos ou culpas.

A liberdade que não é notada.

O corpo fala e isso não é novidade para ninguém. E esse mesmo corpo que fala também se cala quando se impõem restrições inconscientes a ele.

Uma amiga uma vez me chamou a atenção para isso. Além do gestual que sempre diz mais do que as palavras que saem da boca, a forma como a pessoa se relaciona com o próprio corpo também diz muito sobre sua forma de se relacionar com o que a cerca. Como não notamos essa relação, vivemos cada vez mais em um mundo de pessoas “travadas”, quando nosso principal movimento corporal deveria ser o de se expandir.

Pode parecer bobo, mas peça para alguns conhecidos fazerem um pequeno exercício de ficar de pé, abrir totalmente os braços e depois curvar o tronco sobre as perna, as envolvendo com os braços por inteiro. Não estou falando de elasticidade e sim de se permitir um movimento que não é usual. Por vergonha ou alegando outras razões, muitas pessoas se negarão. Outras farão de maneira comedida ou rapidamente, só para se livrarem de um movimento que não estão acostumadas.

Esse exercício é um exemplo da maneira com que nos relacionamos com nosso corpo. Nós o prendemos em movimentos curtos e tímidos, perdendo a oportunidade de sermos fisicamente plenos. Essa prisão a que nos acostumamos se reflete em menos abraços, menos pessoas sentadas na grama, menos gestos verdadeiros e muitos outros “menos” que nos privamos sem perceber.

A liberdade que demoramos a encontrar.

Não sei como escrever sobre a liberdade da alma, mas sei que ela existe e possivelmente está relacionada a ter paz de espírito. Vivemos cercados por sentimentos ruins e, por sermos humanos, experimentamos constantemente essas sensações, consciente e inconscientemente.

Sentimentos como inveja, raiva e apego, para mim, se configuram em prisões da alma. É preciso saber transitar por esses estados, mas não se deixar criar raízes em nenhum deles. Ainda não sei como alcançar essa consciência, mas acredito que uma alma realmente livre consegue enxergar essas sensações e escolher mergulhar ou não. Tenho a impressão de que pessoas com almas livres costumam ser aquelas que gostamos de ficar perto, sem razão alguma, pelo simples prazer da presença.

Espero que essas poucas palavras consigam de alguma maneira trazer uma reflexão, ou pelo menos roubar alguns minutos do seu tempo para responder uma pergunta fundamental: o que é liberdade para você?

Créditos da foto: http://www.morguefile.com/creative/clarita

por: Lili FonsecaFormada em Comunicação, é estudante de canto e apaixonada por jogos de tabuleiro. É carioca, mas hoje mora em São Paulo. Já trabalhou com Comunicação e Recursos Humanos em multinacionais e descobriu que existe muita vida além do crachá.

tags: autoconhecimento, autodesenvolvimento, coaching, inspiração, lili fonseca,

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