ADOLESCÊNCIA E SEXUALIDADE EM PESSOAS COM SÍNDROME DE ASPERGER – TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTÍSTICO – TEA


O mundo social e sensual é um desafio para as pessoas em geral, mas as pessoas com Transtorno do Espectro Autístico (síndrome de Asperger) podem enfrentar desafios adicionais em sua forma de comunicação sobre sexualidade e relacionamentos sociais, como namoro, primeira experiência sexual, comportamentos masturbatórios, curiosidades sexuais, como por exemplo, visitar sites de pornografia, assistir vídeos de pornografia, etc.

Tais investigações podem ser difíceis de entenderem para uma pessoa com síndrome de Asperger sem orientação afetiva e com informações corretas mediadas por uma pessoa de confiança.

As pessoas com síndrome de Asperger são notórias por serem verdadeiras, o que é uma característica admirável na maioria das circunstâncias. A tendência a ser franco e direto sobre o tema do sexo pode ser um pouco irresistível para eles e um tanto chocante e tabu para outras pessoas. Manter limites adequados pode ser difícil quando uma pessoa não tem consciência de que outros têm pensamentos e sentimentos diferentes do que eles supõem.

Uma pessoa com síndrome de Asperger pode ter “cegueira mental”, o que torna difícil interpretar o que os outros estão sentindo. As dificuldades na leitura da linguagem corporal e das expressões faciais podem tornar a sexualidade um tema problemático, especialmente durante a adolescência.

Os déficits sociais associados à síndrome de Asperger, além das lacunas em toda teoria da mente, são resultantes da dificuldade da capacidade de julgamento e da crítica. Pessoas com esse diagnóstico são normalmente isolados sociais, mas tendem a não se retirar quando estão ao redor de outras pessoas. Existe a intenção de estar com o outro, mas as vias e formas como estas pessoas se comunicam, se interessam e se comportam são diferentes e parecem estranhas. Normalmente, abordam os demais de maneira inapropriada e excêntrica. Sua intuição diminuída e falta de adaptação espontânea são responsáveis, em grande parte, pela impressão de ingenuidade social e rigidez comportamental.   Podem exibir padrões de andar arqueado ou aos saltos, e uma postura estranha.

Temas sexuais

As pessoas com síndrome de Asperger muitas vezes tendem a ficar concentradas em um tópico de interesse específico (hiperfoco) e discutirão esse tema dia e noite (e noite e dia). Quando uma pessoa com esta forma de autismo se torna fixada na sexualidade, poderá discutir todos os aspectos do sexo de forma contundente e imprópria, muito para o desânimo dos que estão por perto. Isso pode levar a situações sociais incômodas. Algumas maneiras de ajudar uma pessoa com síndrome de Asperger são:

  • Redirecione gentilmente a conversa para algo neutro quando o sexo está sendo falado fora do contexto. Você pode precisar fazer isso várias vezes até que a pessoa com síndrome de Asperger entenda que não poderá falar sobre sexo a qualquer momento e com qualquer pessoa.
  • Retire a pessoa e explique que o sexo é um tópico privado, e outros podem ficar desconfortáveis ​​ao discutir isso. Explique que nem todos no círculo de amigos e familiares querem falar sobre sexo, então outro assunto será mais adequado naquele momento.
  • Evite brincar, fazer piadas ou prometer algo que não vai cumprir sobre o tema de sexo se você sabe que a pessoa com síndrome de Asperger está aprendendo a lidar com os impulsos sexuais neste momento.
  • Use a terminologia apropriada ao discutir a sexualidade com uma pessoa com síndrome de Asperger, já que a terminologia da gíria provavelmente não será compreendida ou poderá dar margens a interpretações equivocadas. Contudo, é importante que o adolescente com síndrome de Asperger saiba do vocabulário sexual em gírias, visto que em sua vida social os colegas irão usá-las para tratar do assunto sexo utilizando-se de uma linguagem informal, com gírias, palavrões e apelidos.
  • Verifique de fato qual é o assunto que a pessoa com síndrome de Asperger está interessada, como por exemplo, como ter a primeira relação sexual. Este tema ainda é tabu nas famílias bem como entre os profissionais, por várias questões, cultura, religião, dificuldades em perceber que o filho cresceu e que tem desejos sexuais. Encontramos todo tipo de resistências e negação dos pais para impedirem a primeira experiência sexual do filho quer seja com uma prostituta ou de uma forma casual com uma garota do convívio social. O mesmo acontece com a jovem com síndrome de Asperger.

Este impasse da primeira relação sexual do adolescente com síndrome de Asperger pressupõe orientações sexuais sistemáticas com psicólogo, em conjunto com os aspectos educacionais com os professores e a família. As orientações devem ser realizadas em parceria com os pais e com o adolescente com síndrome de Asperger. Os temas que deverão ser abordados são: os métodos contraceptivos, gravidez, uso de preservativo, orgasmo, ejaculação, polução noturna, conhecimento sobre doenças sexualmente transmissíveis DST, Aids, violência sexual, estupro, posições sexuais, assédios, etc. Todas as decisões sobre a iniciação da primeira experiência sexual do adolescente com síndrome de Asperger devem ser tomadas em conjunto com a família

É normal que adolescentes e adultos com síndrome de Asperger tenham impulsos sexuais, às vezes muitos ao longo do dia. No entanto, a maioria dos adolescentes e adultos tem autocontrole suficiente para evitar atuar sobre os impulsos até o momento apropriado. Dado que muitas pessoas com síndrome de Asperger são impulsivas e hipersensíveis, talvez elas possam ter impulsos sexuais ou de assédio onde se sintam mais confiantes, como por exemplo, no ambiente escolar, como por exemplo, ficar seguindo uma garota para que perceba que ele quer namorá-la. Isso pode resultar em contato inapropriado, ficar excitado ou mesmo expor os órgãos sexuais a outra pessoa.

Algumas maneiras de lidar com isso são:

  • Chamar o adolescente com síndrome de Asperger para uma conversa na escola, explicar o que tem acontecido e qual o efeito que causa na garota, por exemplo. Procure chamar a garota e mais um amigo para fazer uma mediação, dissolver a fantasia e investida sexual que via de regra pode ser obsessiva.
  • Explique ao adolescente com síndrome de Asperger que os impulsos sexuais e o desenvolvimento sexual fazem parte da adolescência, mas que a primeira abordagem para se chegar numa garota deve ser uma aproximação para conversar sobre seus interesses, e conhecer a outra pessoa, do que ir diretamente numa investida sexual e ter a certeza que o outro quer namorar de fato com ele. Estas investidas e fantasias de desejar obsessivamente ter uma namorada ou namorado pode criar altas expectativas nestes jovens com síndrome de Asperger e ao serem testadas na realidade não se confirmam os seus desejos.
  • Geralmente o adolescente com síndrome de Asperger sente-se rejeitado, incompreendido e desmotivado da vida social desejando buscar o isolamento, pornografia em sites, revistas ou tutoriais. É muito importante explicar para o adolescente com síndrome de Asperger que esta etapa em conquistar uma namorada (o) faz parte de ser adolescente, é um momento de se arriscar, e o fato da outra pessoa não querer namorá-lo, isso não significa que não goste dele como amigo.
  • Fale com o adolescente Asperger sobre a natureza privada das experiências sexuais e explique que há um tempo e um lugar para experimentar os impulsos sexuais e prazer que eles sentem, como o próprio quarto ou o banheiro.

Tocando as pessoas de forma inadequada

As pessoas compartilham o contato sexual com outras pessoas, no entanto, a maioria das pessoas entende a necessidade de consentimento e intimidade compartilhada.

Uma pessoa com síndrome de Asperger tem por vezes dificuldades em entender os limites emocionais e sociais de outras pessoas, geralmente confundem ou entende mal os sinais não verbais. Por estas razões, uma pessoa com síndrome de Asperger pode acabar tocando de forma inapropriada outra pessoa.

Use estas dicas para evitar que ocorra este problema:

  • Explique a pessoa com síndrome de Asperger que tocar outras pessoas sem permissão é um comportamento completamente inaceitável. O mesmo serve para ele se proteger, não permitir que pessoas o toquem ou tentem algo com o corpo dele.
  • Estabeleça uma hora diária para o adolescente Asperger falar sobre seus sentimentos diariamente ou semanalmente, seja com um professor, pai ou terapeuta. Falar sobre impulsos, desejos e desenvolver formas saudáveis ​​para satisfazê-los ou dissipar-se pode ajudar a pessoa a evitar uma situação problemática, obsessiva ou aversiva.
  • Caso aconteça esta situação na escola ou em alguma situação social, chame o adolescente Asperger para outro local evitando a exposição negativa, o constrangimento e humilhação. Explique por que o toque ou a atitude foi inadequada, peça à pessoa que se desculpe. Oriente o adolescente Asperger sobre maneiras alternativas de lidar com seus desejos, não basta ele saber o que não deve fazer, ele precisa entender e saber como se comportar assertivamente.
  • Utilizar explicações objetivas, concretas e do cotidiano favorecendo a flexibilidade do pensamento.
  • Oferecer modelos de comunicação (uso de histórias sociais, histórias em quadrinhos, conversação na linha cômica, programas de computador simples, tutoriais do yutube) e interação social recíproca quando o adolescente com síndrome de Asperger estiver em grupos de trabalho e ou lazer.
  • Na escola a presença de um mediador e ou terapeuta é de suma importância para auxiliar o adolescente com síndrome de Asperger, na mediação dos vínculos sociais e para adquirir repertórios de habilidades sociais.

O objetivo principal é garantir que a pessoa com síndrome de Asperger saiba que os sentimentos e mudanças sexuais não são ruins, mas fazem parte de seu crescimento como um (a) jovem saudável. Portanto, o comportamento precisa ser modificado pela mesma razão pela qual eles são ensinados a aprender a lidar com a frustração, raiva, alegria, agradecer, pedir ajudar, desculpar-se, etc; porque estas habilidades sociais são apropriadas.

A sexualidade e o comportamento social adequado devem fazer parte das intervenções terapêuticas e educacionais de uma pessoa com transtorno do espectro autístico.

Os terapeutas e professores podem ajudar a avaliar a sexualidade de uma criança e ou adolescente com transtorno do espectro autístico e estabelecer um plano individual personalizado de educação sexual e ou técnicas de modificação de comportamento para que possam desenvolver habilidades sexuais e sociais adequadas.

Sugestão de filme: Atypical (2017)

Atypical é uma série norte-americana de comédia dramática original Netflix, criada e escrita por Robia Rashid, conta a trama de um garoto de 18 anos com Síndrome de Asperger, dentro do transtorno do espectro autista. Disponibilizada na rede de streaming desde 11 de agosto de 2017, com oito episódios. A série foi bem recebida pela crítica. Foi renovada para uma segunda temporada com dez episódios em 13 de setembro de 2017.

Entre em contato comigo e agende uma entrevista:

Marina S. R. Almeida

Consultora Ed. Inclusiva, Psicóloga Clínica e Escolar

Neuropsicóloga, Psicopedagoga e Pedagoga Especialista

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