Universalismo: Palavras de Mestre: Saindo da Solidão


b_150_100_16777215_00_images_stories_Jornal_03_2016_03.2016.pg.16.jpgO sentimento de solidão provém do egoísmo, de sempre se poupar na convivência, isso porque se envolver com as pessoas demanda comprometimento e isto é trabalhoso. Assim o egoísta poupa seu físico, seu emocional e mental, pois não quer, ao menos, tentar entender as pessoas e seres que fazem parte do seu universo para conseguir conviver com eles. E o que não se usa se perde, como é demonstrado na natureza, qualquer coisa que se deixe de usar, vai perdendo a vitalidade e se atrofiando. Por exemplo, quando estudamos algum idioma, conseguimos pronunciar palavras, escrever e entender bem quando nos comunicamos através dele. Porém, quando deixamos de usá-lo por muito tempo, vamos perdendo a capacidade de ouvir neste idioma; o nosso ouvido havia se acostumado a ele, nos esquecemos da pronúncia e significado das palavras, ou seja, a falta de uso nos traz um certo “distanciamento” daquele idioma que havíamos aprendido. Da mesma forma acontece com as funções dos nossos corpos.

Igualmente, o solitário, reduz sua expressão até ficar somente no físico, manifestando-se pelo senso de preservação e instintos sexuais apenas, podendo terminar em depressão ou oligofrenia. A oligofrenia vem do grego oligos (pouco) e phrenós (espírito, inteligência). Parece exagero, mas é justamente isso que ocorre, pois, nossa inteligência é formada através das experiências e vivências que possuímos e, se isso acaba, também acabam nossas formações de sinapses e fica-se com um déficit de inteligência. Sua circulação energética limita-se apenas ao seu sistema, ou seja, este ser não troca energia com ninguém e muito menos possui algum tipo de comunicação, muito pelo contrário, cria um escudo energético, exigindo somente atenção, paciência, carinho, respeito, amizade, sem se doar um instante. Neste nível o isolamento não é um mecanismo de defesa para evitar possível sofrimento e, sim, um comportamento de rebeldia, sufocante a si e a todos ao seu redor. Porque, muitas vezes, o ser faz questão de demonstrar sua insatisfação entre outras pessoas, como se tivesse dizendo não sou feliz e vocês também não o serão.

O ponto central desse tema é o fato da solidão revelar até que ponto verdadeiramente desejamos a troca e o contato humano. Nesse caso, a solidão passa a ser um estímulo e até um objeto de reflexão apurada para uma futura busca, selecionando melhor as escolhas, dando inclusive uma dimensão do que realmente gostamos ou daquilo que profundamente sentimos saudades. Diríamos que esse seria o lado positivo da solidão, uma dissecação de nosso estilo de vida como descrito anteriormente, pesando-se todas as vantagens e desvantagens de nossa conduta. Neste caso, a solidão seria um intervalo para que possamos reavaliar nossas experiências de vida, o que realmente estamos buscando e a maneira pela qual estamos fazendo isso. Neste caso, é fundamental sentir essa solidão para que possamos refletir e ajustar padrões viciados de conduta e comportamento.

A solidão não é questão de falta de companhia e, sim, falta de percepção, interna e externa. Para o solitário, todas essas explicações podem ser difíceis de aceitar, porque a pessoa que tem esse sentimento, sempre foi acostumada a se ver como vítima da solidão e não como causadora dela. No entanto, para acabar com esse problema, a pessoa precisa de humildade e abaixar os mecanismos de defesa, estabelecendo contatos reais com as pessoas. Muitos que possuem este sentimento têm contatos com pessoas no trabalho, no convívio familiar, com colegas, mas sempre em nível superficial. É isso que devem modificar, tendo percepção das pessoas, sentindo como estão e são as suas maneiras de pensar e de convívio, modificando os paradigmas e cristalizações, enxergamos soluções e, principalmente, satisfação na vida.

Para conhecer a si mesmo, é necessário conviver com outros seres e pessoas, pois a partir do que sentimos nesta troca de energias percebemo-nos. A questão é absolutamente clara, a solidão é sinônimo irrefutável do passado, criando uma película em nossa esfera afetiva totalmente impermeável a qualquer nova experiência gratificante no presente. Então, devemos nos perguntar, baseados nesta conclusão, o que de nosso passado é profundamente saudável ou aproveitável? Sem dúvida alguma, descobriremos que determinado acúmulo de experiências preenche quase que, na totalidade, a possibilidade de um destino pessoal completamente diverso do que estamos vivenciando. Neste ponto, devemos inserir a questão do perdão no âmbito da solução da encruzilhada do problema apresentado. Quando se perdoa, não é a alguém externo que perdoamos, mas a nós mesmos pela nossa falta de tolerância, incompreensão dos limites, potencialidades e deficiências, dos que convivem conosco em um mesmo universo. Então, utilizamos de nossa prepotência nos colocando como os donos da verdade, para ter o “poder” de condenar ou absolver alguém, sem perceber que quando se tem este pensamento, nós é que estamos inadequados ao conceito de que ninguém é perfeito e estamos todos aqui para conviver e evoluir uns com os outros.

Em condição oposta do solitário, podemos citar o solidário, aquele que possui disposição energética física, emocional e mental, com todos os seres que possa encontrar no seu caminho. Muitas pessoas são ótimas em escutar as outras e tentar ajudá-las em seus processos. Porém, sempre se corre o risco de ser impertinente e intruso na vida de outra pessoa. Por isso, até para “ajudar”, temos que ter sensibilidade em não querer que as pessoas vivam segundo o nosso crivo. É importante se colocar, utilizando-se sempre da cautela, do contrário, privamos o próximo de aprender conosco e de aprendermos com ele. Além de ser uma reserva, ainda é resquício do egoísmo físico, emocional e mental.

Assim sendo, a prevenção é sempre o cultivo de uma atitude de vida que eleja a sensibilidade, dedicação plena e o máximo de atenção para com as pessoas responsáveis por nossa felicidade, pois a ausência das mesmas, representa a catástrofe da solidão.

O ser humano faz uma intermediação, uma dinâmica entre o mundo externo, onde passa por várias experiências através de seus sentidos e do mundo interno, quando assimila aprendizado delas. A conclusão dessa dinâmica é a resposta com os elementos mais harmônicos que este consiga sintetizar, novamente, no mundo externo. Este trabalho se inicia com a convivência consigo mesmo. Muitos podem pensar que convivem consigo mesmos e que se conhecem, mas, muitas vezes, pode ser uma idealização de si, uma visão equivocada, de como gostariam de ser. E assim, a estima que a pessoa faz de si é deturpada, mesclando processos de baixa-estima e alto-estima. E isso, muitas vezes, acaba criando uma distância com as pessoas. Tudo ocorre devido a processos de insatisfação.

A solidão nos deixa dois legados a escolher: a possibilidade de reflexão e consequente mudança de atitude, no sentido de valorizar e nos abrir para novos contatos e pessoas ou a teimosia e reforço no sentimento de superioridade, achando que qualquer mudança seria encarada como uma espécie de submissão. Nesse estágio, o orgulho torna-se mais uma companhia, dissimulando a total fragilidade e debilidade da pessoa. A solidão se torna enfaticamente uma doença quando cria um espírito de indolência numa pessoa, fazendo com que a mesma julgue positivo, produtivo e até viável o estar só, pensando tirar proveito do fato de não estar tendo trabalho ou esforço para procurar contato humano. Nada é pior do que iludir sua não satisfação.

Atualmente, existem em algumas cidades, muitas pessoas que já moram sozinhas e que apresentam uma vida bastante independente. Não podemos dizer que são pessoas solitárias, desde que elas se sintam em paz com essa situação. Entretanto, o que se mostra é que o sentimento de solidão pode estar presente em qualquer lugar ou situação. A pessoa pode sentir solidão durante uma festa com os amigos, no trabalho e até mesmo dentro de casa, com a própria família.

Cada ser humano vem sozinho ao mundo, atravessa a vida como uma pessoa separada e morre, finalmente, sozinho. As fases de passagem pela vida física e para além dela trazem muitas experiências, nas quais tudo é passageiro e não permanente. As situações, os encontros e os fatos da vida surgem, permanecem por algum tempo e se vão.

Portanto, procure refletir quando estiver com solidão. Com o que você ainda está resistindo no seu momento atual? Existe algo que precisa resolver e você ainda não percebeu ou não aceitou essa possibilidade?

A ideia da separação e do estar só é apenas uma ilusão, pois nada se vai totalmente e nada está separado. Em momentos de solidão, ficará sempre a lembrança de como a vida é, de fato, fora do sistema que criamos e teimamos em querer fechá-lo apenas para nós, na qual contém toda a experiência e vivência ocorrida, o que é muito rico.

Então conviva, não perca oportunidades, mas também dê chances, facilite a felicidade de todos e promova a sua também. Tenha a sua própria companhia, dê atenção, escute e acolha aquilo que você é e manifesta. Seja o seu melhor amigo. A partir de então, você perceberá que a solidão deixará de existir naturalmente.

Um abraço,

Elaine Sanches Morais e Eliana Sanches Santos

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