Infância Medicalizada


No atendimento psicológico de crianças, comumente o pedido se deve à recomendação feita aos pais, pela escola que a criança frequenta. Quase sempre esse encaminhamento se justifica, por dificuldades de adaptação da criança na escola; por inadequação às regras de aprendizagem ou por socialização. Muitas vezes os pais ao procurarem o terapeuta, esperam que esse ministre algum medicamento que ajude a resolver os problemas. O que está em jogo quando uma criança não consegue se concentrar e aprender? Será que todo sintoma é passível de medicamentos?

As dificuldades dessas crianças em se adaptar se expressam num quadro em que os professores identificam como uma criança agitada, impulsiva e com dificuldade de concentração. Essa hiperatividade ganhou atenção de médicos, pedagogos e psicólogos, que associam o desempenho escolar a esse distúrbio.  O ‘transtorno de déficit de atenção e hiperatividade’, ou o TDAH  tem um tratamento medicamentoso, com a ingestão de comprimidos compostos de metilfenidato. Comumente se recomenda a Ritalina, nome comercial do medicamento que contem o metilfenidato, um estimulante, que se consumido em doses precisas acalma seus usuários  tornando-os mais concentrados. Por este motivo a Ritalina é ministrada para crianças hiperativas.

O diagnóstico de hiperatividade se tornou muito comum. Geralmente é feito de forma indiscriminada, tirando a responsabilidade dos pais que não conseguem dar limite a seus filhos e das dificuldades  dos professores, ou orientadores escolares, em identificar o real problema das crianças em processo de aprendizagem ou no relacionamento com os colegas.   Educar é uma tarefa complexa; árdua, porém, é imprescindível que os pais se responsabilizem pelo que acontece com seus filhos.

A medicação pode tranquilizar os pais e professores, mas quase sempre mascaram os verdadeiros problemas das crianças, além de impedir que os pais possam ter tempo de se incluírem no problema de seus filhos.

Medicar pode ser até necessário, mas as escolas por sua vez, deveriam preparar seus professores para não confundirem hiperatividade com falta de limites, que não é um problema neurológico.

Compete às instituições tutelares, transformar o sujeito passivo, sem iniciativas, necessitado, vazio e com dificuldades de relacionamento de grupo, num sujeito de palavras, criativo, com desejos e determinado; capaz de aceitar seus sucessos e eventuais fracassos. Esse é o papel do educador e dos pais. Se todos os envolvidos com as crianças e adolescentes estiverem determinados a alcançar esses objetivos, será possível fazer aparecer na criança o sujeito, com discurso próprio e interativo.

Ministrar medicamentos às crianças e adolescentes, nos casos em que a palavra pode concorrer para a elaboração da consciência critica do sujeito, pode ter efeitos nocivos na formação da subjetividade da criança. Faltando limites e leis simbólicas que orientem e interditem os jovens, eles passam a encenar no corpo a ausência desses limites.


Joana Autran Dourado Corrêa Barbosa
Psicóloga Clínica de Crianças, Adolescentes e Adultos.
Curso de Formação: Psicanálise – Escola Brasileira de Psicanálise / EBP.


A divulgação dos textos é permitida desde que sejam mantidas informações do autor e da Unipsico-Rio

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