Cuidado para não virar mãe do seu marido


Fonte: Terra.com.br

Você trata seu marido como filho? A resposta da analista financeira Isabela, 29 anos, foi um grande sim. Afinal, ela mima o marido Eduardo, técnico em segurança no trabalho, de 32 anos, desde que começaram a namorar há 12 anos.

Muito mimo, culpa do instinto materno, pode esfriar a relação
Muito mimo, culpa do instinto materno, pode esfriar a relação

Foto: Getty Images

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Casados há quatro anos, eles mantêm uma relação em que Isabela fica responsável por tudo, desde lembrá-lo das datas comemorativas a fazer serviço de banco, além de incentivá-lo a estudar. “Já cheguei a faltar ao trabalho para ficar com ele quando estava doente”, lembra.

Muitos simplificam o assunto colocando a culpa no tal instinto materno, que aflora desde cedo – é só observar as menininhas de três anos que já acalentam suas bonecas como bebês de verdade.

Mas a sexóloga e psicanalista Regina Navarro Lins lembra que, na nossa cultura patriarcal, a mulher foi educada para corresponder às expectativas do homem. E ele é cobrado desde cedo a romper os laços com a mãe, quando ainda precisa dela.

É comum, por exemplo, um menino que caiu e se machucou ouvir que não deve chorar nem correr para os braços da mãe. E o resultado desse comportamento pode se refletir no casamento. “Na fase adulta, quando o homem entra numa relação estável, ele pode baixar a guarda e ficar dependente se encontrar uma mulher que o trata como filho“, diz Regina, autora de vários livros, entre eles A Cama na Varanda.

O caso de Isabela e Eduardo exemplifica essa situação. Ele veio de uma família desestruturada e encontrou em Isabela a responsabilidade, o carinho e o companheirismo que nunca havia experimentado na vida. Ingredientes importantes em qualquer casamento desde que bem dosados, para não virar uma “relação incestuosa” entre mãe e filho.

Outro problema a se levar em conta é que esse tipo de comportamento pode esgotar o desejo e o sexo do casal. Afinal, que homem gostaria de transar com a própria mãe?

Marcas do passado
Essa história de mimar o marido, fazer tudo e ainda imaginar que ele não seria nada sem a ajuda da mulher parece um modelo antigo de comportamento.

E, sem dúvida, é. Basta olhar para nossos avós e tios. Naquele passado não muito distante, as mulheres deixavam a roupa pronta para o marido ir trabalhar de manhã e o recebia com o jantar pronto à noite. “Com o surgimento da pílula anticoncepcional, esse modelo começou a desmoronar e os comportamentos começaram a mudar. Nós estamos no meio das mudanças”, analisa Regina.

Mas ainda há muitas mulheres que fazem dupla jornada: trabalham fora de dia e cuidam da casa, marido e filhos à noite. “A mulher fica sobrecarregada, reclama e acaba passando por chata“, resume a sexóloga.

É exatamente o que Isabela relata: “Reclamo para o meu marido e discutimos a relação. Ele já melhorou bastante, mas gostaria de ser mimada também”, diz.

Isabela está no caminho certo, já que procura expor o seu lado. Para o psicólogo Ailton Amélio da Silva, responsável pela disciplina de Relacionamento Amoroso nos cursos de graduação e pós-graduação da USP, hoje pouca gente aceita um relacionamento com esse modelo antigo de comportamento, já que as relações estão mais igualitárias. Em muitas casas, é o homem que cozinha, por exemplo.

“Se o marido fica muito fragilizado, a mulher não consegue vê-lo como um igual, e a admiração vai embora. Isso desestrutura qualquer relação”, avisa Regina. A sorte de Isabela é que seu marido cultiva o lado afetivo da relação. “Sou mais racional e fria nas relações. Já o Eduardo gosta de dar beijinhos a toda hora e expressa muito seus sentimentos”, explica.

Comum acordo
Servir o outro não faz mal nenhum a partir do momento que se tem um retorno. “Não existe uma fórmula externa para casamentos. O que estraga é a diferença entre expectativa e realidade”, explica Amélio, também autor do livro O Mapa do Amor

Ainda segundo o médico, quando uma das partes não está de acordo ou se sente humilhada com o tipo de relação que se tem no dia-a-dia, e só um aproveita, muitas vezes pode descambar para um comportamento machista. “O segredo está em encontrar alguém que queira fazer o mesmo jogo“, diz o psicólogo, que comprovou essa afirmação em um trabalho de pesquisa, catalogando 20 tipos de casamentos com comportamentos diferentes.

A idéia, portanto, é: se todos estão de comum acordo, e ninguém sofre, que sejam felizes para sempre.

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