A CRIANÇA COM ASPERGER DENTRO DO ESPECTRO


Priscila Gonçalves de Oliveira Silva
prisgoncalves79@gmail.com
RESUMO
Este artigo apresenta uma pesquisa bibliográfica e audiovisual sobre a Síndrome de Asperger que está dentro do grau Leve do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), o objetivo deste trabalho é apresentar o transtorno dentro de um breve histórico, descrever a Síndrome de Asperger e suas características, relacionando-a com o processo de ensino – aprendizagem. O conhecimento sobre a síndrome no meio acadêmico se faz necessário, visto que uma formação docente continuada é sempre
importante, pois poderá resultar em ações pedagógicas e em um relacionamento social mais eficaz, a
partir das informações e da compreensão sobre a patologia e sobre o aluno. O artigo relaciona
algumas das definições da patologia por diferentes autores para que a compreensão seja de maneira clara, almeja-se assim apresentar aos profissionais da educação como a Síndrome de Asperger se apresenta, bem com citar suas possíveis comorbidades e sua relação com outras doenças.

Ressalta ainda a dificuldade do diagnóstico, a importância da observação familiar e docente para que exista uma intervenção adequada a fim de proporcionar um bom desenvolvimento acadêmico e social a
criança.
Palavras-Chave: Autismo; Asperger; Características; Escola.
1 INTRODUÇÃO
Ainda são grandes os desafios da educação no nosso país e muito se tem feito para
tentar melhorar esse quadro, “Base Nacional Comum Curricular”, “Bolsas de Formação
Continuada para Docentes”, “Atendimento Educacional Especializado”, entre outras medidas,
mas percebe-se que existem ações que podem ser realizadas dentro de cada escola com seus
profissionais, para que possam haver mudanças na aprendizagem dos alunos e ações como a
busca pelo conhecimento.
O presente artigo foi desenvolvido por meio de pesquisas bibliográficas e
audiovisuais, busca descrever um breve histórico do Autismo com foco na Síndrome de
Asperger, tendo como público alvo os profissionais da educação, enfatizando a importância de
uma formação de qualidade, contínua que transforme sua metodologia de trabalho, a partir da
aquisição de conhecimentos que vão de encontro às suas práticas de sala de aula, com
perspectivas e ações que possam auxiliar no bom desenvolvimento de seus alunos, em
específico neste trabalho os alunos com Síndrome de Asperger.
O trabalho se divide em dois capítulos que descrevem o Transtorno do Espectro do
Autismo e ressalta a importância de se obter conhecimento a respeito do mesmo,
principalmente no meio docente onde a relação é mais próxima com essas crianças, menciona
trabalhos de pesquisadores e profissionais da área, como, Teixeira (2013), Facion (2013) e de
Temple Grandin (2017).
A Síndrome de Asperger ainda causa muita dificuldade no trabalho dos profissionais
da educação para com seus alunos, dificuldades do tipo; Como proceder? Como planejar?
Como lidar? Como perceber? Como desenvolver um processo de ensino-aprendizagem de
qualidade, de maneira correta, no momento certo? Que profissionais podem auxiliar o
professor e a equipe pedagógica? A família que ainda não tem o diagnóstico pode contar com
a observação da escola? A escola participa do tratamento deste aluno? Como auxiliar a

família com relação à aprendizagem dessas crianças? As dúvidas são muitas, este artigo busca
apresentar características da síndrome e sugere ações para que a relação social e a
aprendizagem desses alunos possam ser bem sucedidas.
É importante saber que a Síndrome de Asperger está dentro do Transtorno do Espectro
do Autismo (TEA) e que cada autista é único, portanto o que pode funcionar para uma
criança, poderá não funcionar para outra, isso dentro das adaptações curriculares e das
maneiras de abordagem com a criança. Por isso se torna necessário além de conhecer a
síndrome, conhecer a criança, procurar desenvolver um conjunto de ações, práticas
pedagógicas e sociais para cada uma.
2 AUTISMO
Para que se tenha uma melhor compreensão da síndrome, o primeiro passo é definir o
Autismo que é onde a mesma se encontra de acordo com o DSM V(2013). O Autismo ou
Transtorno do Espectro do Autismo como é de fato sua definição, foi descrito segundo
Teixeira (2013, p. 180), “pelo médico, pesquisador e professor da Johns Hopk University,
psiquiatra infantil Leo Kanner, em 1943”.
Kanner foi precursor nas pesquisas sobre o TEA, o mesmo o definia como “Distúrbio
Autístico do Contato Afetivo” (FACION, 2013, p.18), o psiquiatra infantil ficou conhecido
também com a abordagem da “Mãe Geladeira, pois acreditava que em específico a mãe era a
grande vilã que poderia causar esse dano psíquico, as crianças não tinham capacidade de
formar laços afetivos”, (GRANDIN; PANEK, 2017, p. 14 – 15). O Autismo era considerado
ainda como esquizofrenia.
De acordo com Kanner (1943, apud FACION, 2013, p. 17 – 18);
“Entre as características observadas, destacaram-se ausência de movimento
antecipatório, falta de aconchego ao colo e alterações na linguagem, como ecolalia,
descontextualização do uso das palavras e inversão pronominal, dentre outras.
Problemas como distúrbios na alimentação, repetição de atividades e movimentos
(estereotipias), grande resistência a mudanças – mesmo pequenas – e limitação da
atividade espontânea também foram observados”. (FACION, 2013, p. 17 -18).
Atualmente muitas das características do TEA não mudaram, ainda persistem os
movimentos estereotipados, ecolalia, dificuldade de mudanças e o problema com a linguagem,
Facion (2013, p. 27), define o TEA como;
“Uma síndrome, portanto um conjunto de sintomas, presente desde o nascimento e
que se manifesta invariavelmente antes dos 3 anos de idade. Ele é caracterizado por
respostas anormais a estímulos auditivos e / ou visuais. A fala custa a aparecer e,
quando isso acontece, podemos observar a ecolalia (repetição das palavras), o uso
inadequado de pronomes, estrutura gramatical imatura e grande inabilidade para usar
termos abstratos”. (FACION, 2013, p. 27).
Dentro das características que o define, o Autismo se apresenta em três graus, Leve,
Moderado e Severo, dentro do grau Leve estão a Síndrome de Asperger e o Autismo com Alto
Grau de Funcionalidade. De acordo com Facion (2013) o TEA pode estar associado com
Quadros Convulsivo, Depressão Anaclítica (Depressão Infantil precoce que prejudica o
desenvolvimento físico e psíquico), Afasia (Problemas de linguagem), sendo que nos casos
em que existe o Retardo Mental Severo a Síndrome de Down, Esquizofrenia, Transtorno
Bipolar, Transtorno de Conduta, Depressão e Alzheimer fica complicado identificar a
Síndrome de Down e o Autismo.
O Transtorno de Rett no DSM IV citado por klin (2006, p. 4), também pode estar
associado ao TEA;

“ o autismo e a Síndrome de Asperger são os mais conhecidos Transtornos Invasivos
do Desenvolvimento (TID), uma família de condições marcada pelo início precoce
de atrasos e desvios no desenvolvimento das habilidades sociais, comunicativas e
demais habilidades. Na quarta edição revisada do Manual Diagnóstico e estatístico
de Transtornos Mentais (DSM – IV – TR), a categoria TID inclui condições que
estão invariavelmente associadas ao retardo mental (Síndrome de Rett e Transtorno
Desintegrativo da Infância), […]”. (KLIN, 2006, p. 4).
Além das patologias citadas acima que podem estar relacionadas ao Autismo, existem
ainda as Comorbidades, de acordo com Brites (2017 – 2018) o Transtorno Opositivo
Desafiador (TOD), Transtorno do Sono, Deficiência Intelectual, Transtorno de Déficit de
Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Altas Habilidades (AH) podem ser comórbidas ao TEA.
Todas essas associações e Comorbidades dificultam não somente o diagnóstico de
TEA, como também a abordagem de tratamento e intervenções pedagógicas. Conforme citado
anteriormente o foco deste artigo é a Síndrome de Asperger, a qual será abordada no próximo
capítulo.
3 SÍNDROME DE ASPERGER
Após Kanner (1943), surgiram outros pesquisadores que se propuseram a estudar e
pesquisar sobre o Autismo, um deles também foi muito importante para crianças com TEA,
Hans Asperger, pediatra austríaco e a Síndrome tem o seu nome, atualmente dentro do DSM
V (2013) a nomenclatura mesmo para Asperger é TEA, pois está dentro do espectro. Alguns
autores utilizaram suas pesquisas para dar continuidade à compreensão sobre a síndrome ou
apontar outras vertentes sobre a mesma, de acordo com Klin (2006, p. 8);
“Em 1944, Hans Asperger, um pediatra austríaco com interesse em educação
especial, descreveu quatro crianças que tinham dificuldade em se interagir
socialmente em grupos. […]. Asperger descreveu como sendo “psicopatia autística”,
indicando um transtorno estável de personalidade marcado pelo isolamento social.”
(KLIN, 2006, p. 8).
A descrição do pediatra austríaco ainda apresenta alguma semelhança com o Autismo,
como a dificuldade de interação social, mesmo dentro do TEA a Síndrome de Asperger possui
comprometimentos mais sutis o que gera muitas dificuldades para identificá-la, suas
características diferem do Autimo Severo e do Moderado, aparentemente parecem ser crianças
com comportamentos peculiares, estranhos, não apresentam atraso na fala. Para que se chegue
a um possível diagnóstico de acordo com o DSM as investigações são com base em
observações comportamentais onde os instrumentos utilizados são testes, questionários,
relatórios, observações, podendo ser concluído tardiamente. Por se apresentar de forma muito
mais comportamental na maioria dos casos, a não ser quando está relacionada com outra
doença, é essencial que se tenha definições de alguns autores que escreveram sobre a
síndrome para que possa enfatizar suas características mais evidentes. Em um de seus livros
Grandin e Panek (2017), também descrevem a patologia.
Grandin e Panek (2017, p. 22) afirmam que;
“Em 1981, a psiquiatra e médica britânica Lorna Wing tinha apresentado um
trabalho desenvolvido pelo pediatra austríaco Hans Asperger em 1943 e 1944.
Enquanto Kanner tentava definir o autismo, Asperger identificava um tipo de criança
que partilhava diversos comportamentos perceptíveis: “falta de empatia, pouca
capacidade de fazer amigos, conversas unilaterais, absorção intensa em um interesse
em especial e movimentos desajeitados”, observando também que as crianças
poderiam falar sem parar sobre seus assuntos favoritos; ele os apelidou de
“professorzinhos”. […]. (GRANDIN e PANEK, 2017, p. 22).

Apesar da falta de empatia e da dificuldade de relacionamento descritas por Hans
(1944), as crianças com Asperger possuem determinadas habilidades em algumas funções,
visto que seus interesses restritos por algo às proporciona uma grande e profunda investigação
sobre os mesmos, podendo futuramente serem profissionais muito bem conceituados, porém
apresentam dificuldades em realizarem tarefas simples, como escrever devido a sua condição
patológica. A sensibilidade da família, do professor e dos profissionais envolvidos é muito
importante para a superação desses desafios, ressaltando que nenhum autista é igual ao outro,
seus tratamentos e intervenções pedagógicas são diferentes para cada caso.
Este artigo tem por finalidade apresentar as características da síndrome para que sua
abordagem e compreensão possam auxiliar no tratamento, no processo de ensino e aprendizagem e na socialização destes indivíduos com seus pares, professores e familiares. O
fato de neste aspecto o Autismo se apresentar de forma mais branda, se torna importantíssima
a intervenção adequada, tanto da área da saúde, quanto da educação, pois assim as chances de
melhoras são maiores, pois o indivíduo não se mostra muito comprometido. É importante
frisar que as características do Asperger estão dentro de uma perspectiva mais leve do TEA,
conforme relata Klin (2006, p. 8) descreve que;
“A Síndrome de Asperger caracteriza-se por prejuízos na interação social, bem
como interesses e comportamentos limitados, […], mas seu curso de
desenvolvimento precoce está marcado por uma falta de qualquer retardo
clinicamente significativo na linguagem, no desenvolvimento cognitivo, nas
habilidades de autocuidado e na curiosidade sobre o ambiente. Interesses
circunscritos intensos que ocupam totalmente o foco e da atenção e tendência a falar
em monólogo, assim como incoordenação motora, são típicos da condição, mas são
necessários para o diagnóstico”. (KLIN, 2006, p. 8 ).
A intervenção precoce nestes casos se torna ideal, porém a dificuldade em diagnosticar
prejudica a criança, visto que a mesma não possui um comprometimento severo e pode ser
confundida com outras patologias, como por exemplo, o TDAH, podendo ser considerada
uma criança sem limites, difícil de lidar e tanto a criança quanto a família por falta de
conhecimento sobre o TEA podem realmente concordar com essas observações, pode até
desencadear uma possível depressão, isolamento da criança, baixa auto-estima entre outros
problemas provocados pela ausência de investigação e de uma abordagem correta. Outros
pesquisadores do tema frisam que a síndrome faz parte o grau Leve do Transtorno do Espectro
do Autismo, como descreve Facion (2013).
Outras características definem a síndrome, segundo o DSM – IV – TR (1994, apud
FACION, 2003, p. 63), “
“As características essenciais do transtorno de Asperger consistem num
comprometimento grave e persiste na interação social. (…) e no desenvolvimento de
padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades (…). O
Transtorno de Asperger é o quadro mais leve dos transtornos invasivos do
desenvolvimento. Essa síndrome caracteriza-se por altas funções comportamentais,
principalmente na área da interação social e na área da comunicação. A linguagem
desenvolve-se de forma normal, o que permite diferenciar esse transtorno dos
demais, nos quais há atrasos e até mesmo a perda da fala”. (FACION, 2003, p. 63).
Muitas são as pesquisas que existem sobre o conteúdo abordado neste artigo, vários
autores procuraram estudar a fim de compreender como uma patologia ligada ao Autismo
poderia afetar as crianças de maneira menos complexa, ainda assim comprometer a
socialização, a aprendizagem, podendo desenvolver habilidades fantásticas em determinadas
áreas. Não se pode afirmar que todos os áspies são gênios, como são chamados por alguns
pesquisadores, ”A doença dos Gênios”, em alguns casos o Asperger pode ser confundido ou

estar relacionado com a “Síndrome de Savant” ou “Savantismo”, de acordo com Brites
(2017);
“É quando a pessoa apresenta um “desequilíbrio no intelecto, […], demonstra uma grande
habilidade de fazer cálculos, mesmo que não soubesse quase nada de matemática, […], se de um lado, a
pessoa apresenta talentos incríveis; do outro, ela mostra limitações que afetam, na maioria dos casos,
seu poder de comunicação. A condição ocasiona em déficits intelectuais na vida dos indivíduos. As
pessoas diagnosticadas com autismopodem manifestar esse quadro”. (BRITES, 2017).
Gênios ou não eles precisam de tratamentos e apoio pedagógico apropriado para vencer seus desafios.
A Síndrome de Asperger assim como o autismo ainda geram incerteza quanto as suas causas, existem
pesquisadores que defendem que seriam as causas genéticas, fatores ambientais, (TEIXEIRA, 2013, p. 187 e
196.), após Kanner (1943) outros pesquisadores tentaram encontrar as possíveis causas, não sendo no
momento o objetivo deste trabalho. Qualquer que seja a verdadeira causa do TEA, o indivíduo ainda precisará
ser estimulado, acompanhado e acolhido.
É relevante compreender que essas crianças vivenciam uma realidade diferente dos neurotípicos, compreendem o mundo de maneira particular, diferente dos demais, essa situação torna sua convivência com
os outros mais complexa, o que não as impede de viver e conviver em sociedade, sendo necessário que exista
uma compreensão sobre sua condição, não para justificar suas atitudes incorretas socialmente, mas tentar
compreendê-los e saber como agir com os ápies.
Em família as pessoas acabam sendo mais tolerantes, mais compreensivas, ou simplesmente
corrigem sem compreender o que de fato acontece no cérebro dessas crianças com Asperger, a escola é um grande parâmetro para observação de comportamentos característicos da síndrome, os profissionais da
educação podem ser importantíssimos no processo de investigação, sempre com o apoio da família e de outros
profissionais. Quando o docente e a equipe pedagógica percebem que existe algo diferente com a criança, precisam acompanhar, observar e anotar em relatórios para que tenham documentos que poderão ser
apresentados a família e assim sugerir que a mesma também observe, pode acontecer de a família já ter
observado determinados tipos de comportamentos específicos e não ter dado ênfase, supondo que seria da
personalidade da criança.
Em determinadas situações em que a escola não tenta compreender o aluno e não se propõe a ajudar
o mesmo, pode ocasionar um grande conflito entre família e instituição, prejudicando ainda mais o
desenvolvimento e a obtenção de um possível diagnóstico ou mesmo de uma ação pedagógica. Para se
compreender melhor as crianças com Asperger Teixeira (2013, p. 195) descreve algumas características dos
áspies dentro da escola;
“Fala como um adulto; Diálogos intermináveis sobre assuntos preferidos, como carros e dinossauros;
Dificuldade para entender metáforas, ditados populares ou piadas; Dificuldade em iniciar e manter
uma conversa; Dificuldade em manter contatos visuais; Dificuldade em se relacionar; Não reconhece
expressões faciais; Dificuldade em entender os sentimentos dos outros; Apresenta poucos amigos, ou
nenhum (mesmo desejando tê-los); Não compreende regras sociais; Prefere a presença de adultos;
Comportamento ritualístico”. ( TEIXEIRA, 2013, p. 195).
As características citadas acima se apresentam mesmo fora do ambiente escolar, é interessante
observar que essas crianças com Asperger podem ter vontade de se relacionar, brincar com seus pares, porém
seu comportamento dificulta essa ação, quando existe comorbidade com TDAH se torna mais delicada a
relação e a aprendizagem, elas não são capazes de compreender determinadas regras e dificilmente respeitam a
vez e o espaço do outro, falam muito e são agitadas, podem passar um grande período de tempo falando sem
parar sobre seus interesses, não se preocupam com os interesses dos outros e não conseguem manter uma
conversa com coerência. Esses comportamentos necessitam de um apoio escolar e familiar e o resultado pode
ser um planejamento pedagógico de acordo e um aprendizado de como lidar, considerando que a melhora
destas crianças pode ser significativa. Por terem dificuldades em determinadas áreas e habilidades em outras é
necessário um planejamento que vá de encontro com cada caso e que trabalhe a partir de seus interesses, de

forma muito concreta e visual. Em alguns casos, além das terapias a criança poderá receber intervenção
medicamentosa.
Nada melhor para compreender como um autista se sente e compreende o mundo ao redor, do que o
ele próprio, Temple Grandin (2017, p. 191 – 193) que é autista, tem Asperger, ela é professora, palestrante e
Ph.D. em Zootecnia. A autora ressalta em um de seus trabalhos que os autistas precisam receber estímulos
desde cedo e que os mesmo pensam “por padrões, por palavras e por imagens”, assim pode-se trabalhar com
cada um de acordo com seus pensamentos, desenvolvendo muito bem suas habilidades, futuramente eles
poderão trabalhar de acordo com seus tipos de pensamentos e suas maneiras particulares de ver e
compreender o mundo. Temple (2017) sugere profissões que são adequadas para cada tipo de pensamento,
desde que recebam estímulos, tratamento e noções sociais precocemente, trabalhando seus desafios e seus
pontos fortes. Conforme descreve o “Manual para Síndrome de Asperger”;
O “Manual para Síndrome de Asperger” que ressaltou os pontos fortes e os desafios, apresentados em
um quadro criado por Stephan Shore (DAWSON et al., p. 5);
TABELA 1: Pontos Fortes e Desafios
Criado por Stephan Shore
Pontos Fortes Desafios
• Atenção aos detalhes.
• Muitas vezes altamente qualificados em uma determinada área.
• Estudos profundos, resultando em muito conhecimento nas áreas de interesse.
• Tendência para ser lógico (útil na tomada de decisões onde as emoções podem interferir).
• Menor preocupação com o que os outros possam pensar deles (pode ser um ponto
forte e um desafio).
• Frequentemente resulta em conhecimentos de um panorama romântico, devido às
maneiras diferentes de olhar as coisas, ideias e conceitos.
• Normalmente fazem um processamento visual (pensamento em imagens ou vídeos).
• Frequentemente muito verbal (Tendência em dar descrições detalhadas; podem ser
úteis para fornecer direções para pessoas perdidas).
• Comunicação indireta.
• Lealdade.
• Honestidade.
• Escuta imparcial.
• Média de inteligência acima da média.
• Compreender o panorama.
• Conjunto de habilidades diferentes.
• Dificuldades em desenvolver motivação para estudar áreas que não tem interesse.
• Dificuldade em perceber o estado emocional dos outros.
• Entender as regras não escritas da interação social. Mas podem aprender estas regras
através de instruções diretas e narrativas sociais como fichas de aptidão. (Gagnon, 2004).
• Dificuldade no processo de modalidades que não são favoritas, como auditiva,
propriocepção, etc.
• Dificuldade em analisar gramaticalmente e resumir informações importantes para uma
conversa.
• Problemas de integração sensorial, onde um comentário pode ser registrado de forma
irregular, distorcida, e com dificuldade na
triagem de um ruído fundo.
• Generalização de habilidades e conceitos.
• Dificuldades em expressar empatia da
maneira que os outros esperam ou
compreendem.
• Funcionamento executivo que resultam na
dificuldade de planejamento de tarefas em
longo prazo.
Fonte: MANUAL PARA SÍNDROME DE ASPERGER/ AUTISM SPEAKS.
As crianças com Asperger ainda podem apresentar dificuldade de escrita, coordenação motora fina,
dificuldade de leitura, são sinceras e não têm bom senso em determinadas ocasiões ou ambientes, são mais
alguns de seus desafios. A partir das características apresentas ao longo deste capítulo, pode-se então

compreender como os áspies se comportam e o mais importante, a partir delas saber como lidar com eles no
ambiente escolar, familiar, bem como os sociais, pode-se compreender também o porquê de determinados comportamentos peculiares. Quando a criança tem um diagnóstico correto e a família compartilha esse
quadro com a escola e com o professor de sala de aula, a instituição poderá ajudar esse aluno no processo de
ensino-aprendizagem procurando planejar com os profissionais da escola, certamente contando com o
conhecimento adquirido a respeito da síndrome, esse aluno poderá ser auxiliado de maneira eficaz, não
somente na vida acadêmica, bem como em sua vida social.
Os profissionais da escola que podem desenvolver um trabalho adequado são; Professores de
Atendimento Educacional Especializado (AEE), Psicopedagoga, Psicólogos, Professores, Equipe Pedagógica
e de Apoio, fora da escola a criança poderá receber tratamento com Terapeuta Ocupacional, Psiquiatra,
Neuropediatra e o apoio da família é fundamental. Existem ainda instituições especializadas que atendem
autistas e suas famílias.
Dentro da perspectiva escolar, o conhecimento sobre a Síndrome de Asperger, assim como sobre o
TEA poderá facilitar muito as ações do professor quando a criança se mostrar agressiva ou irritada sem que o
docente saiba o motivo do desencadeamento desses comportamentos, pois quando conhece as características
da patologia, bem como sobre as demais necessidades especiais que envolvem o comportamento e o
desenvolvimento de uma criança, as ações são mais eficazes. Um ambiente onde as pessoas são informadas
sobre seu colega e suas dificuldades ajuda bastante para que esse aluno se sinta seguro e confortável para
realizar suas atividades escolares.
Os comportamentos difíceis apresentados por esses indivíduos podem estar relacionados ao fato de
que dentro do TEA alguns autistas apresentam os transtornos sensoriais, sendo eles táteis, auditivos, visuais,
gustativos e olfativos, esses transtornos podem desencadear comportamentos difíceis, em alguns autistas é
muito complicado ir a determinados lugares por causa do barulho, apresentam restrição alimentar, têm reações de estresse com certas espessuras. Em salas de aula às vezes se torna complicada a permanência dessas
crianças, podendo exibir comportamentos muito agressivos, atémesmo porque eles próprios não sabem como
lidar com esses estímulos. Grandin (2017, p. 77 – 108) descreve muito bem os problemas sensoriais;
“Os cinco sentidos são como tudo o que não somos. Visão, audição, olfato, paladar e tato são as cinco
maneiras — as únicas cinco maneiras — como o universo pode se comunicar conosco. […]. Mas e
quando seus sentidos não funcionam normalmente? […]. Refiro-me ao cérebro. E se você receber a
mesma informação sensorial que os outros, mas seu cérebro interpretá-la de um modo diferente? Então
sua experiência do mundo ao redor será a experiência dos outros, mas talvez de um modo doloroso.
Você vive em uma realidade sensorial alternativa. […]. Mas a dor e confusão não afetam só suas vidas.
Afetam também a vida daqueles a quem amam. […]. Você não pode levar a criança ao shopping, ao
restaurante ou ao jogo de futebol do irmão mais velho se ela urra de dor. […]. Eles não conseguem
imaginar um mundo onde as roupas pinicam o fazem sentir-se pegando fogo, ou onde uma sirene soa
“como se alguém estivesse perfurando meu crânio com uma furadeira, como alguém descreveu”.
(GRANDIN e PANEK, 2017, p. 77 –108).
A vida das famílias de uma pessoa com autismo fica modificada, mas à medida que aprendem e
conhecem o transtorno começam, a saber, como proceder, evitando lugares, sons, ações que possam
desencadear uma crise. Dentro da sala de aula a professora poderá conversar com os colegas e explicar-lhes
sobre a condição do amigo, quanto à alimentação a instituição de ensino poderá se informar a respeito da dieta
do aluno para oferecer-lhe o que o mesmo consegue comer ou beber, entre outras medidas que compete a
escola para com essas crianças. O ideal é que a família esteja sempre presente fornecendo informações,
sugestões e trabalhando em parceria, a criança precisa se sentir segura neste ambiente, para que isso aconteça
existem vários profissionais que podem prestar assistência a escola com palestras e informações sobre o TEA.
Brites (2017), sugere algumas ações que poderão serrealizadas pela instituição com o aluno com Asperger;
“A escola precisa se preparar montando um protocolo de ações, tanto para questões positivas,
quanto para negativas que possam ocorrer; A criança tem tendência em sofrer bullying ou violência e
não querer mais frequentar a escola; Podem apresentar agressividade, por isso é importante ter sempre
a observação de um adulto, a fim de observar e evitar também problemas de relacionamento com seus

pares; Professores, pais, responsáveis e a escola que têm crianças com Asperger precisam ler, e se
aprofundar nos conhecimentos sobre o tema; A criança precisa evitar grupos que sempre causam
confusão ou gostam de expor os colegas em situações ruins; Evitar discussão, pois crianças com
Asperger são impulsivas e podem ser agressivas verbalmente e fisicamente, a equipe pedagógica deve
intervir; A escola não vai conseguir mudar uma criança com Asperger e por isso precisa respeitar seu
perfil e suas características; Adaptação curricular, pois têm dificuldade de escrita, leitura, execução de
tarefas, organização espacial, apesar de apresentarem habilidades relevantes para outras áreas”.
(BRITES, 2017).
Espera-se que com todas as informações relacionadas ao longo deste artigo, se possa olhar e
compreender uma criança que tenha comportamentos peculiares, dificuldade no processo de ensinoaprendizagem, dificuldade de relacionamento de uma maneira mais sensível. Procurar observar, buscar ajuda
necessária para se chegar a uma possível causa, sem rotulá-la ou julgá-la. Cada ser humano é único e isso é
importante, pois é assim que surge a oportunidade de aprender sempre.
4 CONCLUSÃO
O trabalho desenvolvido apresentou um histórico sobre Autismo e Asperger, informou suas
características, comorbidades e relação com outras patologias, proporcionando um breve esclarecimento e
sugeriu algumas ações que podem ajudar uma criança com Síndrome de Asperger a se desenvolver. O artigo
expôs a necessidade em se conhecer melhor a patologia, visto que existem dificuldades em diagnosticá-la, o
que dificulta tanto o trabalho da educação, quanto da área da saúde com diversos profissionais. A Síndrome de
Asperger se apresenta também com comorbidades e pode estar relacionada com outras patologias, outra
característica que pode levar profissionais da saúde especialistas a confundir a mesma com outras doenças.
Ressaltou a importância de os profissionais da educação, a família compreender a criança e assim
desenvolverem um tratamento eficaz, adequado, pois os alunos são capazes de se desenvolver, considerando
que não apresentam um comprometimento grave, mas que necessitam de intervenção o quanto antes.
Não somente o TEA, como outras patologias estão dentro das escolas causando uma série de dúvidas
e receio aos docentes, pois se baseiam muitas das vezes em comportamentos, seu diagnóstico é tardio e isso
gera uma preocupação porque não se tem conhecimento adequado, muitas vezes essa criança demora a
receber tratamento e o dano ou lacuna causados na vida social e acadêmica são grandes. Ninguém
compreende ou explica o porquê desse aluno não conseguir se relacionar ou aprender.
Ainda é muito importante o estudo sobre as necessidades especiais que estão nas escolas e precisam
ser trabalhadas de forma correta, com profissionais preparados e com apoio das famílias de maneira
consciente, não somente docentes de salas regulares, como também os profissionais de Atendimento
Educacional Especializado (AEE), Psicopedagogas, Psicólogos e equipe pedagógica, a escola precisa se
preparar e estudar de maneira contínua para atender essa clientela que busca uma inclusão verdadeira, de
qualidade.
A busca e a luta pelos direitos das pessoas com TEA já acontece há algum tempo, existem vários
profissionais da saúde, da educação e familiares engajados nesta perspectiva, entre outros que se propõem a
estudar para conhecer, reivindicam direitos, tratamento e medicamentos para essas crianças. Recentemente foi
dado mais um grande avanço nesta questão, que é o novo Código Internacional de Doenças (CID) – 11, onde
o Transtorno do Espectro do Autismo e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ganham uma
nova numeração e qualificação de código que facilitará o atendimento pelo SUS, assim como reforçam os
diretos dentro da educação e de benefícios sociais, reconhecidos demaneira clara pelo CID.
O que este trabalho nos mostra, é que se houver uma intervenção pedagógica e médica na vida de
uma criança com Síndrome de Asperger, a mesma poderá apresentar um bom desenvolvimento social e de
aprendizagem.

5 REFERÊNCIAS

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DAWSON, Geraldine (Diretora.). Autism speaks. Manual para síndrome de asperger.
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GRANDIN, Temple; PANEK, Richard. O Cérebro autista: pensando através do espectro. 7 ed. Rio de
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TEIXEIRA, Gustavo. Manual dos transtornos escolares. Rio de janeiro: BestBolso, 2013.
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jul. 2018.

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