Vício em eletrônicos virou doença


22/04/18 – 03h00

O Código Internacional de Saúde, mais conhecido como CID, atualmente em sua décima edição, é um compêndio que descreve e normatiza todas as doenças catalogadas pela Organização Mundial de Saúde. Oficializa laudos, relatórios, descrição de quadros médicos definidos ou hipóteses diagnósticas.

Diferentemente do americano DSM – Manual diagnóstico e estatístico das doenças – mais polêmico e muito detalhado e complexo, o CID, ao aceitar um novo diagnóstico, requer uma universalização expressiva para aceitar um novo diagnóstico. Daí a importância da inclusão do vício em aparelhos eletrônicos como uma forma de adição. Preenche, pois, três critérios: promove dependência, abstinência e tolerância. Em outras palavras, o usuário não consegue viver sem, na ausência do uso, sente sintomas físicos e psíquicos, pela falta do objeto, e usa cada vez mais tempo, de forma mais imoderada e obsessiva.

Chegamos a esse ponto, e, quanto mais nova a geração, mais grave o vício.

Dados pipocam em trabalhos incontáveis: até 2050, a persistir a evolução das telas, 50% da população terá miopia, pela falta de visão de profundidade em campo aberto, ou perdas auditivas graves pelo uso de headphones em elevados decibéis já detectáveis em adolescentes e adultos jovens, como também mudanças preocupantes com diminuição até anatômica do hipocampo, região do cérebro responsável pela memória de fixação, pois hoje tendemos a terceirizar a memória preguiçosamente, depositando nossa agenda telefônica, de compromissos, cálculos, entre outras funções cognitivas, em nossos celulares, IPads e computadores de mesa.

Ou quem sabe caberia alertar os viciados do perigo da luz azul violeta das telas sobre a atividade biolétrica cerebral, levando a insônias, irritabilidade e até alterações nos eletroencefalogramas. Aliás, o sono precário, curto, invadido por games, redes sociais, entre outras atividades internáuticas e virtuais, é um dos mais sérios e graves problemas. Prova disso foi o prêmio Nobel concedido neste ano a três médicos que descreveram o ciclo circadiano. Trata-se da ritmicidade que o corpo e cérebro humano experimentam a cada 24 horas. A renovação hormonal, o funcionamento do cérebro, as alterações físicas, metabólicas, celulares, moleculares, maravilhosamente, quase magicamente utilizam a luz solar e a escuridão, ou o sono e a vigília, para nos preparar a cada dia pela batalha da sobrevivência, pela adaptação ao meio ambiente. Preparava! É que a introdução de aparelhos eletrônicos, com sua luminosidade artificial e tóxica, o desrespeito às leis naturais, à vida solar ou às fases lunares, a ausência de tempo para o mundo real, para o sentir a natureza, que deveria nos invadir pelos sentidos – visão, audição, olfato, tato e paladar –, têm desorientado nosso grande computador natural chamado cérebro. E, desta vez, a “droga” é epidêmica, devastadora, silenciosa. É dada de presente de pais para filhos. Emudece casais, distancia quem está do lado, é egoísta ao desconsiderar pessoas ao redor.

É fake, mas vivemos tempos de pós-verdade. Dntão, damos likes para aberrações e somos crédulos para tolices e falsos profetas.

Não há detox, vacina ou tratamento; apenas exclusão para idosos inábeis, pobres sem condições de inserção tecnológica e românticos dos “bons tempos em que …” ou anarquistas que querem parar tudo com ciberterrorismo ou com a promoção de um “bug” que traga pessoas de volta à natureza. Ok, futurólogos se dividem: seremos ciborgues num mundo robótico ou virtual ou sem tecnologia, de volta ao século XIII. Quem viver…

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