SOB DOMÍNIO DA IMPERMANÊNCIA – O ciclo das Transformações


Precisamos entender que, quando fixamos referenciais e nos colocamos em marcha, ficamos sob domínio da impermanência. Mais dia, menos dia, aquilo que construímos, aquilo em que nos fixamos, vai se mover. É o que o Buda chama de experiência cíclica. Ou seja, iniciamos num ponto, fazemos tudo crescer e num certo momento aquilo volta a se dissolver e a produzir uma experiência de sofrimento, ansiedade, dor.

Olhamos os seres ao nosso redor e as circunstâncias concretas em que estamos imersos a partir de nossas fixações. Quando surgem as dores, sentimos como se viessem de fora. Se estamos num jogo de futebol, não pensamos que a dor vem de estarmos fixados no campeonato. Pensamos que a dor vem porque o adversário fez um gol. Então temos alguém para culpar, temos um adversário. O fato de estarmos num campeonato pressupõe vitória e derrota. E é assim em tudo.

Se temos fixação por resultados e nos movemos incessantemente para produzir o que consideramos favorável, não entendemos que isto seja um problema. Achamos que as circunstâncias externas não foram suficientemente favoráveis para que tivéssemos êxito. Desejamos que as circunstâncias externas se transformem e fazemos um esforço incessante para que isto aconteça.

Os seres humanos estão sempre mudando alguma coisa em suas vidas. Tentamos mudar as coisas concretas ao nosso redor. Erguemos cidades, destruímos florestas, construímos estradas e unidades fabris, e acreditamos que precisamos de mais e mais circunstâncias favoráveis.

Também tentamos transformar a nós mesmos o tempo todo, buscamos outras aptidões e novas qualidades. Tentamos transformar os filhos, a esposa, o marido, todos que convivem conosco. Todas as coisas são vistas como favoráveis ou desfavoráveis. Sentimo-nos bem, sentimo-nos mal, sempre na dependência destes fatores.

Temos uma espécie de impermanência interna. É como se trocássemos de time de quando em quando. A pessoa torce pelo Atlético, de repente muda para o Coritiba. E aí tudo fica ao contrário: antes ela queria que todos torcessem pelo Atlético, agora pode até tornar-se inimiga dos antigos companheiros. Vivemos num incessante processo interno de transformação de referenciais.

Na medida em que eles se transformam, olhamos ao redor com olhos diferentes, e isto produz sofrimentos correspondentes.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s