REFERENCIAIS


A perda da paz está intimamente relacionada aos referenciais que elegemos ou ao fato de elegermos referenciais. Quando os elegemos, surgimos como identidades. É um processo mental. Mas podemos também operar diretamente no nível da emoção. Podemos gerar apegos emocionais a circunstâncias, locais, atividades e pessoas.

Quando estamos fixados, parece que aquilo é cósmico, que sempre foi assim. Se é em relação a uma pessoa, dizemos: “Certamente eu a encontrei em outra vida, ou em muitas vidas anteriores.” Pode ser verdade, mas nem sempre esta conexão tão forte é favorável. Quando isto se estabelece, podemos passar a viver em função do outro. Podemos nem nos dar conta claramente do processo, mas, quando o outro se aproxima, nossos nervos detectam. Respiramos mais fácil, ficamos mais alegres. Quando o outro vai embora, respiramos pior, ficamos meio deprimidos.

Se o outro nos abandona, é uma grande tragédia, porque nossa experiência de energia interna está na dependência daquela presença. É como se não soubéssemos viver, experimentamos uma dor incessante por dentro, pode até surgir uma dor física. Ficamos tão deprimidos que nem conseguimos respirar. Isto porque a energia tomou como referencial um aspecto condicionado, então passa a funcionar desta maneira.

De modo geral os namorados passam por esta síndrome. É uma situação grave. Não é um referencial lógico, é um referencial energético. Não é em nível de pele, mas em nível de energias, é interno. Quando aquele ser maravilhoso está próximo, temos uma condição de energia em que tudo parece fácil. Quando o ser se afasta, tudo parece difícil e penoso, e ficamos deprimidos. Não é uma depressão lógica, do tipo: estou com problemas; portanto, estou deprimido.

Os namorados vivem um dentro do outro. Exercem seu efeito num nível sutil. É outro tipo de referencial, outro tipo de fixação. Esta fixação dá origem a outras. Transcende o aspecto mental, lógico, e se manifesta como uma energia. Mas, quando não olhamos para isto de forma exata, podemos cair em algumas armadilhas. Entre estas está o fato de pensarmos que estamos namorando a outra pessoa. Na verdade estamos namorando nosso estado energético. Ficamos fixados a uma energia interna. Se a energia está presente, achamos ótimo. Se a energia não está presente, ficamos mal. Descobrimos que a energia está presente se o outro está próximo.

No início do namoro dizemos: “Sempre que o outro está próximo, aquilo está presente dentro de mim.” Na metade do namoro constatamos: “Às vezes aquilo está presente quando o outro está comigo, às vezes não.” No final do namoro, é o contrário: “Quando o outro está presente, a energia não está.” Como temos uma fixação pela energia, dizemos: “O outro passou.” Aí nossos radares vasculham em volta. De repente, localizamos algo, e a energia surge: “Agora sim!” Aquilo funciona por um tempo, depois tem um período médio e por fim há uma fase de sofrimento, e fica tudo ao contrário. O ser que antes tinha aquele poder hoje passa perto e nada acontece. Mas ele continua com uma aparência muito semelhante. E aquelas fotos que produziam efeito agora não produzem mais. Isto diz respeito à ingenuidade em relação aos referenciais internos.

Quando temos uma relação de proximidade, é bom que o referencial interno seja apenas um adorno. Porque, se for a base da proximidade, talvez esta não dure muito. Porque, do mesmo modo que não sabemos como isto começou, não sabemos por que irá terminar. Quando surge o magnetismo, a eletricidade, dizemos: “Por que eu quereria paz, se tenho esta eletricidade maravilhosa?” Quando ela se inverte, dizemos: “Eu gostaria de ter paz, mas é impossível.” O fato é que todo este processo começa quando geramos fixação por certo tipo de referencial – neste caso, um referencial ligado a uma eletricidade interna, a um estado de energia interna.

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