Interpretações Práticas de Jhana


No Buddhismo, o termo Jhana se refere principalmente às quatro realizações meditativas da matéria sutil, assim chamadas devido à característica do objeto empregado para o desenvolvimento da concentração. Trata-se de um estado meditativo com profunda sensibilidade e quietude da mente, algumas vezes traduzido como “absorção”, e representa a base fundamental para o desenvolvimento da Concentração Correta dentro do contexto do Nobre Caminho Óctuplo.

Essas realizações são caracterizadas por uma forte concentração num único objeto acompanhada da suspensão temporária dos cinco obstáculos, (nivarana) e da suspensão temporária das atividades nos sentidos. Esse estado de consciência no entanto é acompanhado por perfeita lucidez e clareza mental.

O primeiro jhana é acompanhado e caracterizado pela presença de cinco fatores mentais: vitakka (pensamento aplicado), vicara (pensamento sustentado), piti (êxtase), sukha (felicidade), e ekaggatarammana (unicidade mental).

Nos comentários as realizações meditativas imateriais também são chamadas de jhanas imateriais. Isso no entanto não ocorre nos suttas. Esses estados são chamados de imateriais devido à caracteristica do objeto empregado para a concentração: a própria mente e não mais o corpo.

Embora os Jhanas apareçam com bastante frequência nos discursos do Buddha (suttas), nos dias atuais, dois mil e quinhentos anos após o Parinibbana do Abençoado, na prática não há uma interpretação de acordo comum sobre o que tais estados de concentração sejam. Este artigo é uma tentativa altamente subjetiva de simplesmente listar e categorizar as várias diferentes interpretações que de conhecimento de praticantes ocidentais nos dias atuais.

Vale lembrar que o termo correspondente à jhana em sânscrito é dhyana, que por sua vez traduz-se em Ch’an e Zen (禪) em chinês e japonês, dando nome inclusive à ramificação homônima importante do Buddhismo do Norte, ou Buddhismo Mahayana. No entanto, parece não ser tão clara dentro desta vertente (pelo menos segundo a literatura disponivel no Ocidente) a importância dos jhanas / dhyanas em específico na prática espiritual. Muito embora na lista das seis perfeições de caráter ou qualidades transcendentes (parami ou paramita) particular do Buddhismo do Norte seja claramente identificada a perfeição da concentração como “dhyana-paramita” (Cap. XXVII do Saddharma Pundarika Sutra), não fica claro como esta deva ser cultivada ou seja, trata-se das absorções tal qual encontramos claramente mencionadas nos textos canônicos e paracanônicos do Buddhismo Theravada.

A primeira categorização seria dividir abordagens práticas dos “Jhanas ao modo dos Suttas” e dos “Jhanas ao modo do Visuddhimagga”. Estes dois rótulos não são ideais, mas falta-nos uma melhor alternativa. A abordagem dos “Jhanas ao modo do Visuddhimagga” necessáriamente usa um sinal ou marca mental, nimitta em Pali, para acesso a estes e envolvem uma concentração bastante profunda. A abordagem dos “Jhanas ao modo dos Suttas” não exige uma nimitta e envolve estados de concentração menos profundos e consequentemente mais acessíveis.

Os Jhanas como são apresentados nos suttas são acessíveis para muitas pessoas. Os suttas parecem indicar que estes eram apenas parte do programa de treinamento monástico/contemplativo; por isto não era algo impossível e alcançáveis por muitos.

De todo modo, o Visuddhimagga, comentário escrito no século quinto da Era Cristã no Sri Lanka, afirma que de todos que tomam a senda meditativa, apenas um em 1.000.000 ou 1/(100x100x100) poderia alcançar a primeira absorção (jhana):

“A prática preliminar de vizualização de discos (kasina) é difícil para um iniciante, e apenas um em cem ou mil pode realizá-la com sucesso. O surgimento de um sinal ou marca mental, nimitta, é difícil para aquele que tenha feito a prática preliminar, e apenas um em cem ou mil desfruta disto. Em sequência ao surgimento da nimitta, a fruição da absorção, jhana, é difícil, e apenas um em cem ou mil pode fazê-lo.” (Visudhimagga. XII.8)

Não é necessário que se assuma este número literalmente para começar a entender que os Jhanas como apresentados no Visudhimagga referem-se a um nível de concentração muito mais profundo que aqueles citado no suttas. Básicamente, a descrição dos Jhanas do Visudhimagga parecem ser mais elaboradas e sistematizadas que aquela dos suttas. Até mesmo os fatores para os primeiros quatro Jhanas apresentados não são exatamento os mesmos – a unicidade mental (ekaggatarammana) não é explícitamente mencionada.

Desta forma, a lista abaixo apresenta as várias interpretações práticas atuais dos Jhanas compiladas e dá uma boa idéia (espera-se de certa forma) de cada uma das interpretações. Cada sistema é nomeado de acordo com o local em que é praticado ou o mestre/professor que o ensina (ensinou):

Jhanas ao modo do Visudhimagga

Mosteiro Pa Auk – proximidades de Moulmein, Taninthayi, Burma/Myanmar

A comunidade contemplativa do Mosteiro de Pa Auk dá continuidade à tradição monástica e contemplativa genuína preservada no Visudhimagga. Os Jhanas são lá ensinados como absorções muito profundas, e não surpreendentemente não são acessíveis para a maioria das pessoas que se propõem a aprendê-las. Os relatos são de que algo em torno de um terço dos monges e monjas que lá se encontram são capazes de acessar tais absorções (com as monjas tendo melhor desempenho que monges). Praticantes não-monásticos ocidentais raramente reportam quaisquer sucesso em acessar tais estados profundos exceto no contexto de um retiro de vários meses. Vários métodos de acesso são ensinados incluindo-se kasinas (discos coloridos para vizualização) e anapanasati (a atenção sustentada no inspirar e expirar, ou plena atenção à respiração). Os Jhanas são abordados de forma a gerar uma mente concentrada, usada por sua vez para o estudo sistemático da mente como delineado no Abhidhamma Pitaka do Cânone Theravada, que apresenta parâmetros de análise dos fenômenos e do processo de purificação da mente e cessação do sofrimento.

A Sra. Tina Rasmussen e o Sr. Stephen Snyder são professores não-monásticos autorizados a guiar a prática de jhana pelo próprio Venerável Pa Auk Sayadaw (ábade do mosteiro de Pa Auk), e escreveram o livro “Jhanas Advice from Two Spiritual Friends”, um direto e simples relato da experiência da prática de Jhana, com o apoio de Pa Auk Sayadaw.

Ven. Brahmavamso Thero, ou Ajahn Brahmavamso

Ajahn Brahmavamso é um monge Buddhista Theravada que vive na Austrália Ocidental. Ele praticou sériamente na Tailândia com Ajahn Chah assim como em outros locais antes de se estabelecer na Austrália. Sua definição do que seja um jhana se aproxima do que encontramos no Visudhimagga, mas ele faz uso de citações dos suttas também suas próprias vivências. Seus ensaios sobre meditação “O Método Básico de Meditação” e “Itinerário para os Quatro Jhanas” trazem um panorama de sua abordagem dos Jhanas. O método de acesso principal que ele ensina é a plena atenção à respiração, anapanasati, que ele chama de “experimentar a respiração bela”. Sua ênfase principal é sobre a atitude de não envolver o aspecto fazedor da mente, o querer, desejar/cobiçar. Ele enfatiza a importância de encontrar felicidade e alegria na quietude. Seu principal ensinamento é atualmente “pacificar, ser bondoso e gentil” que constitui o elemento da intenção correta do Nobre Caminho Óctuplo. Desta forma, não importa o método ou objeto de meditação usado, basta que haja o elemento da intenção correta associado a este. Estas palestras explicam em mais detalhes este ponto.

Sra. Shaila Catherine

A Sra. Shaila Catherine orienta retiros periódicos sobre prática de jhana e meditação de insight (vipassana-bhavana). Sua abordagem de jhana é influenciada por reflexões sobre os suttas e experiência prática adquirida durante vinte meses de prática em um retiro focado em jhana. Seu interesse em jhana começou ao participar de um curso de dez dias com Leigh Brasington, seguido de catorze meses de retiro individual focado em jhana nas instalações da Insight Meditation Society (IMS), alguns meses de prática das Quatro Moradas Divinas (Brahma Vihara) sob instrução de professores também da IMS, e cinco meses de retiro sob instrução de Venerável Pa Auk Sayadaw. Quando realiza os retiros de jhana, a Sra. Shaila introduz a respiração como o objeto inicial , muito embora individualmente ela possa guiar estudantes avançados no uso de discos de vizualização (kasina), cultivo das Moradas Divinas (Brahma-Vihara), percepção do aspecto não atrativo do corpo (asubha-bhavana), e estados imateriais. Durante retiros de uma semana a Sra. Shaila geralmente enfatiza o aprofundar da concentração (com ou sem absorção), de forma a sustentar o surgir e estabelecer da nimitta até a completa absorção no primeiro jhana, discernindo os fatores de jhana, e cultivando as qualidades para a felicidade associada com jhana. Sua metodologia é detalhado no livro de sua autoria, “Focused and Fearless: A Meditator’s Guide to States of Deep Joy, Calm, and Clarity” publicado pela editora Wisdom Publications em 2008.

Jhanas ao modo dos Suttas

Venerável Ayya Khema

Ayya Khema ensinava um nível de absorção que pelo menos alguns de seus estudantes conseguiam aprender em um retiro de meditação de dez dias. Embora a concentração não seja realmente profunda nos primeiros três Jhanas conforme sua abordagem, ela claramente esperava de seus estudantes absorção o suficiente no quarto Jhana para que a percepção de sons cessasse, ou pelo menos parecesse notavelmente abafada. Ayya ensinou fazendo uso da plena atenção à respiração, o cultivo de amor bondade, e varredura mental das sensações pelo corpo como métodos de acesso. Ela se baseava na instrução contida no Maha-Assapura Sutta MN 39sobre o que fazer com o Jhanas: “Com a mente assim concentrada, pura, luminosa, imaculada, livre de defeitos, flexível, maleável, firme, e impertubável, esta é direcionada, inclinada para o conhecimento e visão” das coisas como são.

Sr. Leigh Brasington, autor do texto que inspirou esta tradução e adaptação, foi um estudante de Ayya Khema e ensina ao modo que aprendeu diretamente desta, mas instrui um pouco mais de absorção no primeiro Jhana que Ayya fazia, ao mesmo tempo menos absorção no quarto Jhana. Em sua página na web encontram-se mais detalhes de seu modo de abordagem prática dos Jhanas. Para saber mais sobre Ayya Khema, leia este link.

Venerável Sri Amathagavesi Thero

Venerável Sri Amathagavesi Thero, um professor de meditação cingalês, ensinou as quatro absorções materiais como precursores da prática de meditação de insight (vipassana-bhavana-bhavana). Ele instruia o cultivo de amor-bondade (metta-bhavana-bhavana) e da percepção do aspecto não atrativo do corpo (asubha-bhavana) de forma a subjugar a aversão e desejo como primeiro passo para a prática de jhana. A mente do meditador, o yôgui, é preparada até um nível específico de capacidade de se tranquilizar em que é facilmente possível gerar uma experiência absortiva (jhana) a partir da simples intenção. Em outras palavras, ele instruia a Maestria de Jhana – ou seja, adentrar, sustentar-se e retornar de jhana sempre que se queira. O yôgui pode explorar o desaparecimento ou surgimento dos fatores de jhana na medida em que avança nas diferentes absorções (jhanas). Sob seu modo de instrução, a intensidade inicial requerida de jhana pode ser alcançada em um retiro de duas semanas. No entanto, praticantes avançados são encorajados a desenvolver ao máximo os jhanas. O método de acesso que Ven. Amathagavesi instruía era a plena atenção à respiração (anapanasati).

Ven. Sri Amathagavesi Thero nasceu em 19 de dezembro de 1918 em Walana, Panadura, Sri Lanka. Foi professor de inglês e depois entrou para a polícia. Após uma carreira bem sucedida na administração pública (diretor de uma academia de polícia) e criar dois filhos, ele se aposentou e largou a vida leiga e tomou os votos monásticos (bhikkhu), ao mesmo tempo sua esposa tornou-se uma praticante renunciante sob os dez preceitos (dasa-sila). Ven. Sri Amathagavesi faleceu em 11 de junho de 2007, aos 85 anos e é tido como um arahant por seus discípulos que fundaram a Siri Amathagavesi Noble Society.

Mahathera Henepola Gunaratana, ou Bhante Gunaratana Thero

Ven. Bhante Gunaratana Thero ensina na Bhavana Society os jhanas de modo bastante parecido com o modo que estes são detalhados no Visudhimagga, definindo-os como níveis de absorção bastante profundos e avançados. No entanto, ele também tem discípulos que puderam desfrutar destas absorções em dez dias de retiro, o que sugere que o nível de absorção que ele exige de seus discípulos provavelmente não é o mesmo que definido no Visudhimagga. Ele exorta seus estudantes a praticar a meditação de insight (vipassana-bhavana) a medida em que dão-se as absorções como descrito no Anupada Sutta MN 111, uma a uma à medida em que ocorrem, o que mais uma vez sugere que ele fala de um menor nível de absorção que o Visudhimagga. Mas em seu livro sobre os jhanas ele claramente diz “o insight não pode ser cultivado enquanto a mente está absorta (jhana), desde que o cultivo de insight requer investigação e observação, que são impossíveis de ocorrer enquanto a mente está imersa na absorção (jhana) havendo a unicidade da mente (ekkagata). Mas após emergir de jhana, a mente está livre dos obstávulos, e a quietude e clareza que resultam conduzem a um insight preciso e penetrante.”

Há dois livros de Ven. Bhante Gunaratana Thero que apresentam melhor sua interpretação dos jhanas:

Venerável Thanissaro Bhikkhu

Venerável Thanissaro Bhikkhu é conhecido por seu nobre trabalho de traduzir para o inglês os discursos do Buddha (suttas) publicados na página AccesstoInsight.org. Ele traz uma descrição da absorção dos Jhanas não tão radical que implica na perda da consciência do corpo: “Jhana quer dizer estar absorto, de forma muito prazerosa, na sensação do corpo inteiro”. Ele instrui seus discípulos a praticar meditação de insight (vipassana-bhavana) enquanto em estados absortivos (jhana) – mais uma vez como descrito no Anupada Sutta MN 111, um a um como eles ocorrerem. O artigo “Path of Concentration and Mindfulness” de sua autoria é bastante completo e pode ser encontrado traduzido para o português sob o título “O Caminho da Concentração e Atenção Plena”.

Venerável Bhante U Vimalaramsi

Venerável Bhante U Vimalaramsi ensina jhanas como absorções não profundas, em que pode-se ter consciência do que ocorre ao redor de si, e até mesmo desfrutar delas enquanto faz-se meditação andando. Ele ensina os jhanas em retiros de dez dias. Assim como outros, ele instrui a prática da meditação de insight (vipassana-bhavana) enquanto em estados absortivos (jhanas) como descrito no Anupada Sutta MN 111, um a um do modo que ocorrem. Ven. Vimalaramsi aponta o cultivo de amor-bondade (metta-bhavana) e plena atenção à respiração (anapanasati) como métodos de acesso, conforme pode se conferir em dois textos de sua autoria “Barebones guide to Meditation on the Breath” e “Barebones guide to Loving Kindness Meditation”.

Sra. Christina Feldman

A Sra. Christina Feldman usa como seu método de acesso aos Jhanas a plena atenção à respiração, anapanasati. A profundidade da absorção experimentada por seus estudantes é definitivamente bastante forte, mas não parece se aproximar do que é exigido nos métodos ao modo do Visudhimagga apresentados acima. Em uma entrevista para a revista “Inquiring Mind”, ela diz que gostaria de ter pelo menos um mês para avançar com seus estudantes de forma que eles tenham tempo suficiente para que haja em suas mentes concentração suficiente para se alcançar Jhana.

Professores da Insight Meditation Society (IMS)

Os Jhanas são tema de retiros de três meses oferecidos anualmente a alguns dos alunos da IMS. O cultivo das Moradas Divinas (Brahma-Vihara) – compaixão (karuna), amor-bondade (metta), alegria-altruísta (mudita) e equanimidade (upekkha) – constitui o método de acesso ensinado por eles. Aqui o nível de absorção seria apenas limitado pela repetição continuada pelo estudante de frases/versos que evocam o cultivo da morada divina em questão. Alguns estudantes que praticaram usando o método ensinado na IMS sugerem que ao conseguir cessar a recitação das frases/versos, níveis mais profundos de absorção são alcançados. Se acordo com alguns, a prática segundo os moldes da IMS faz referência à estados de absorção idênticos ao que ensinava a Ven. Ayya Khema, visto que os professores de lá foram em grande parte discípulos dela, a única diferença estaria no método de acesso ensinado.

Conclusões preliminares

Uma coisa interessante que observa-se acontece com a maior parte daqueles – monges ou leigos – que ensinam Jhana é que eles tendem, de uma forma ou de outra a considerar todas as abordagens que admitem níveis de concentração menos profundos que a que ensinam como não sendo Jhana realmente, enquanto que as abordagens que exigem níveis de concentração mais fortes como inúteis e/ou exagerados. Diante desta diversidade, algumas conclusões preliminares podem ser tiradas:

  • Há diferentes modos de se interpretar a literatura antiga sobre os Jhanas.
  • Não se sabe exatamente qual tipo de absorções o Buddha e seus discípulos praticavam e chamavam de Jhanas, muito embora estes sejam mencionados nos suttas como sendo o elemento da Concentração Correta, dentro do Nobre Caminho Óctuplo.
  • Considerando-se a clareza com que o Buddha é relatado considerar o Jhanas como um meio essêncial mas não um fim em si, na Senda para a Libertação, o que realmente importa é que, independente do método ou sistema utilizado, aplique-se o estado absortivo da mente no cultivo do insight (vipassana), seja imediatamente após ou enquanto em tal estado de concentração.

Nota da tradução e adaptação: A informação aqui presente se baseia em um artigo de Leigh Brasington, e muito possivelmente pode não ser totalmente exata. Caso você acredite seja possível oferecer mais detalhes sobre os métodos de um mestre/professor aqui mencionado, por favor deixe-nos um comentário.

Published with Blogger-droid v1.6.7

Postado há 20th February 2011 por Dhammarakkhitta

Marcadores: ajahn brahm bhumi buddha buddhismo buddhismo antigo dhamma dharma dhyana jhana paramisamadhi

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s