A hipocrisia cometida em toda mesa de reunião


Photo by Campaign Creators on Unsplash

A palavra “hipocrisia” tem sua origem no grego HYPOKHRINESTHAI, que significa “fingir”. Esta palavra é composta por outras duas HYPÓS, “abaixo” e KRINEIN, “separar”. Este termo em grego foi evoluindo com o tempo e o que significava “separar gradualmente” passou a ser “representar um papel, fingir”.

Fingir, meus amigos, é o que 99,99999% das pessoas fazem nas reuniões. Elas fingem interesse, fingem saber mais do que sabem, fingem estarem focados e fingem ser quem não são.

É por esse motivo que eu tenho o objetivo de abolir reuniões desnecessárias da minha agenda.

Lei de Parkinson

O trabalho se expande de modo a preencher o tempo disponível para a sua realização. — Cyril Parkinson

Por algum motivo estranho, a grande maioria das reuniões são de 1h de duração. Perceba que seguindo a Lei de Parkinson, não importa muito se o que vai ser discutido em uma reunião se resolva em 10 minutos pois, as pessoas presentes estenderão o assunto até cumprir a duração de 1 hora.

Nesses momentos aparecem a iatrogenia, as viagens na maionese e a mudança constante no foco da reunião.

Aí aparece a hipocrisia.

Muito comum em reuniões de venda é ver uma queda de braço entre a parte interessada em vender contra a parte interessada em comprar.

Veja, tudo seria muito mais fácil se todos assumissem seus papéis. O que tem interesse em comprar demonstrando seu interesse em comprar e o interessado em vender demonstrando seu interesse em vender.

Mas não é o que acontece.

O vendedor não quer vender. Ele quer impressionar.

O comprador não quer comprar. Ele quer resistir.

Empatia

Nessa hora, a parte compradora finge entender do que não entende e a vendedora (que não quer ficar por baixo) também.

Ideias são geradas, soluções postas a mesa, energia é desprendida. Para que? Para serem dilaceradas pelo ego. E pouquíssimas pessoas vão entender que o ego é que é o inimigo.

Empatia é o que falta nas mesas de reunião, nas conversas entre amigos, nas mesas de bar e nas casas das famílias. Aliás, tudo começa aí. No casal de indivíduos que acreditam ter trabalhado mais que o outro e que estão no direito de não conversar. Na mãe que sobrecarregada com as bobagens do chefe, desconta nos filhos. No filho que acredita ser perda de tempo conversar com seu pai.

Assim o ciclo começa. Um ciclo contraproducente de gente sem interesse em nada que além delas mesmas, se armando para batalhas que não fazem o menor sentido, fazendo e suportando coisas que não suportariam, fingindo ser quem não são.

Como resolver?

  1. Liberte-se do ego e ouça. Escute mesmo que acredite ser a maior besteira que ouviu em anos. Escute mesmo que achar que tem uma ideia melhor. Escute mesmo sabendo que já fizeram e que não deu certo.
  2. Depois de escutar tudo, fale. Fale o que deve ser dito e cale-se. Não adicione “eu acho”, não traga para a mesa coisas das quais você não pode comprovar com fatos e dados. Respeite o tempo e energia do outro.

Se nunca ouviu falar do que está ouvindo, pense o seguinte:

Todo o homem que encontro me é superior em alguma coisa. E, nesse particular, aprendo com ele. — Ralph Aldo Emerson

Assim, você garante mais que boas reuniões. Garante boas conversas, uma vida mais leve, eficaz e eficiente. Você tem mais tempo e mais resultado.

Empatia > Hipocrisia

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