MindSets


Introdução
Um dia meus alunos se reuniram comigo e me obrigaram a escrever este livro.
Queriam que outras pessoas pudessem utilizar nosso trabalho para melhorar
suas vidas. Era um projeto que eu queria realizar havia muito tempo, e se
tornou minha prioridade.
Meu trabalho faz parte de uma tradição da psicologia que mostra o poder das crenças pessoais. Podemos ter ou não consciência dessas crenças, mas elas têm forte influência sobre aquilo que desejamos e sobre nossas chances de consegui-lo. Essa tradição demonstra também como a mudança das crenças
individuais, mesmo as mais simples, é capaz de produzir efeitos profundos.
Com este livro você aprenderá como uma simples crença a respeito de
si mesmo, uma crença que descobrimos em nossas pesquisas, orienta grande
parte de sua vida. De fato, permeia cada parte de sua vida. Uma parcela
significativa do que você acredita ser sua personalidade na verdade é gerada
por esse “mindset”. E muito do que impede a realização de seu potencial é
também produto dele.
Até hoje nenhum livro explicou como funciona esse mindset nem demonstrou
como é possível utilizá-lo em nossa vida. Rapidamente você compreenderá
os grandes homens e mulheres — nas ciências e nas artes, nos esportes e
nos negócios —, assim como aqueles que não conseguiram se destacar. Compreenderá
seus parceiros, seu chefe, seus amigos e seus filhos. Verá como
libertar seu potencial, assim como o de seus filhos.
É um privilégio partilhar minhas descobertas com você. Além de relatos sobre as pessoas que participaram de minha pesquisa, apresento nos capítulos a seguir histórias tiradas de manchetes de jornais e baseadas em minha própria
vida e experiência, para que você possa ver o mindset em ação. (Na maior
parte dos casos, os nomes e as informações pessoais foram modificados para
preservar o anonimato; em alguns, diversas pessoas foram condensadas em uma
só, a fim de demonstrar uma ideia com mais clareza. Certos diálogos foram
recriados de memória; procurei reproduzi-los da melhor maneira possível.)
Ao final de cada capítulo e em todo o último capítulo, mostro a você maneiras
de aplicar as lições — formas de reconhecer o mindset que está orientando
sua vida, compreender seu funcionamento e modificá-lo, caso deseje.
Quero aproveitar a oportunidade para agradecer a todos os que possibilitaram
minha pesquisa e este livro. Meus alunos fizeram de minha carreira de
pesquisadora uma imensa alegria. Espero que tenham aprendido comigo tanto
quanto aprendi com eles. Também quero agradecer às organizações que deram
apoio à nossa pesquisa: a Fundação William T. Grant, a Fundação Nacional
de Ciência, o Departamento de Educação, o Instituto Nacional de Saúde
Mental, o Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano,
a Fundação Spencer e a Fundação Raikes.
Os funcionários da Random House formaram a equipe mais estimulante que eu poderia desejar: Webster Younce, Daniel Menaker, Tom Perry e, mais do que quaisquer outras pessoas, minhas editoras, Caroline Sutton e Jennifer Hershey. Seu entusiasmo pelo meu livro e suas valiosas sugestões fizeram toda
a diferença. Agradeço a meu extraordinário agente, Giles Anderson, assim
como a Heidi Grant, por ter me colocado em contato com ele.
Sou grata a todos os que me deram sugestões e feedbacks, mas agradeço
especialmente a Polly Shulman, Richard Dweck e Maryann Peshkin, por suas
extensas e penetrantes observações. Finalmente, agradeço a meu marido,
David, pelo amor e entusiasmo, que conferem uma dimensão maior à minha
vida. Seu apoio durante todo este projeto foi excepcional.
Meu trabalho trata de crescimento, e ajudou a estimulá-lo em mim. Desejo
que produza o mesmo efeito em você.

1. Os mindsets
Quando eu era uma jovem pesquisadora, em início de carreira, aconteceu algo
que mudou minha vida.1 Eu era obcecada pela ideia de compreender como as
pessoas lidam com fracassos, e resolvi estudar esse tema observando como os
estudantes lidavam com problemas difíceis. Assim, levei várias crianças, uma
de cada vez, a uma sala em sua escola, onde as deixei ficar à vontade com uma
série de quebra-cabeças para resolver. Os primeiros eram bastante fáceis, mas
os seguintes iam ficando mais difíceis. Enquanto as crianças resmungavam,
suavam e se esforçavam, eu observava suas estratégias e investigava o que pensavam
e sentiam. Esperava encontrar diferenças no modo como enfrentavam
as dificuldades, mas percebi uma coisa que jamais havia imaginado.
Diante dos quebra-cabeças difíceis, um menino de dez anos puxou a cadeira
para mais perto, esfregou as mãos, estalou os lábios e exclamou: “Adoro
um desafio!”. Outro, lutando com os quebra-cabeças, ergueu os olhos com
uma expressão satisfeita e disse, com ar de autoridade: “Sabe, eu já esperava aprender alguma coisa com isso!”.
O que há de errado com eles?, pensei. Sempre havia achado que uma pessoa
ou sabia lidar com o fracasso ou não sabia. Nunca imaginara que alguém
pudesse gostar do fracasso. Essas crianças seriam excepcionais ou teriam
encontrado alguma coisa nova?
Todos temos um exemplo a seguir, alguém que nos indicou o caminho num
momento crítico de nossas vidas. Aquelas crianças se tornaram meus modelos de comportamento. Evidentemente sabiam algo que eu desconhecia, e eu
estava decidida a descobrir o que era — a entender o tipo de mindset capaz
de transformar o fracasso em um dom.
Que sabiam elas? Sabiam que as qualidades humanas, tais como as habilidades
intelectuais, podem ser cultivadas por meio do esforço. E era isso que
estavam fazendo — tornando-se mais inteligentes. Não apenas o fracasso não
as desestimulava, como nem sequer imaginavam que estivessem fracassando.
Achavam que estavam aprendendo.
Eu, por outro lado, achava que as qualidades humanas eram esculpidas
em pedra. Ou você era inteligente ou não era, e o fracasso significava que não
era. Simples assim. Se conseguia planejar os êxitos e evitar os fracassos (a
qualquer custo), poderia continuar sendo inteligente. Os esforços, os erros e
a perseverança não faziam parte desse panorama.
A questão de saber se as qualidades humanas podem ser cultivadas ou se
são imutáveis é antiga. A novidade é o que essas crenças significam para você:
quais são as consequências de imaginar que nossa inteligência ou nossa personalidade
são características que podemos desenvolver, em vez de constituírem
algo fixo, um traço profundamente arraigado? Examinaremos inicialmente o
antiquíssimo e feroz debate a respeito da natureza humana e em seguida voltaremos
à questão de saber o que tais crenças significam para você.
por que as pessoas são diferentes?
Desde o começo dos tempos, as pessoas pensaram, agiram e viveram de
modo diverso umas das outras. Obviamente alguém iria querer saber por que
as pessoas eram diferentes — por que algumas são mais inteligentes ou mais
éticas — e se havia alguma coisa que as tornava permanentemente distintas.
Essa questão foi vista de duas maneiras pelos estudiosos. Alguns afirmavam
que havia forte base física para as diferenças, que as tornava inevitáveis e
inalteráveis. Ao longo do tempo, a essas alegadas diferenças físicas foram
acrescidos as protuberâncias cranianas (frenologia), o tamanho e a forma do
crânio (craniologia) e, hoje em dia, os genes.2
Outros apontaram para a grande diversidade de formação de cada pessoa,
suas experiências, o treinamento ou formas de aprendizado. Talvez você se

13
surpreenda ao saber que um dos grandes defensores dessa opinião foi Alfred
Binet, inventor do teste de quociente de inteligência (qi).3 Seria o objetivo
desse teste resumir a inteligência imutável das crianças? Na verdade, não. Binet,
francês que trabalhou em Paris no início do século xx, pretendia identificar
as crianças que não estivessem obtendo êxito no aprendizado nas escolas públicas
parisienses, a fim de possibilitar a criação de novos programas educativos
que permitissem a sua recuperação. Sem negar as diferenças individuais nos
intelectos infantis, Binet acreditava que a educação e a prática seriam capazes
de produzir mudanças fundamentais na inteligência. Eis um trecho de uma de
suas principais obras, Ideias modernas sobre as crianças, no qual ele resume o
trabalho que realizou com centenas de crianças que tinham dificuldades de
aprendizado:
Alguns filósofos modernos […] afirmam que a inteligência de um indivíduo é uma
quantidade fixa, uma quantidade que não pode ser aumentada. Devemos reagir e
protestar contra esse pessimismo brutal. […] Com a prática, o treinamento e, acima
de tudo, o método, somos capazes de aperfeiçoar nossa atenção, nossa memória
e nossa capacidade de julgamento, tornando-nos literalmente mais inteligentes
do que éramos antes.4
Quem terá razão? Hoje em dia, a maioria dos especialistas concorda que
não há uma única resposta. Não se trata de natureza ou estímulo, genes ou
meio ambiente. A partir da concepção, há um intercâmbio constante entre
uma coisa e outra. Com efeito, como diz Gilbert Gottlieb, eminente neurocientista,
não apenas os genes e o meio ambiente cooperam entre si à medida
que nos desenvolvemos, como os genes necessitam da contribuição do meio
ambiente, a fim de funcionar de maneira adequada.5
Ao mesmo tempo, os cientistas estão percebendo que as pessoas têm
maior capacidade do que se havia imaginado para aprender e desenvolver o
cérebro durante toda a vida. É claro que cada um possui uma dotação genética
específica. As pessoas podem ter diferentes temperamentos e aptidões
no início de suas vidas, mas evidentemente a experiência, o treinamento e o
esforço pessoal conduzem-nas no restante do percurso. Robert Sternberg, o
guru da inteligência na atualidade, escreveu que o principal modo de aquisição
de conhecimento especializado “não é alguma capacidade prévia e fixa, e
sim a dedicação com objetivo”.6 Ou, como reconheceu seu precursor Binet,
nem sempre as pessoas que começam a vida como as mais inteligentes acabam
sendo as mais inteligentes.
o que tudo isso significa para você? os dois tipos de mindset
Ouvir opiniões de sábios sobre assuntos científicos é uma coisa. Outra é compreender
de que forma essas opiniões se aplicam a você. Minhas pesquisas ao
longo de vinte anos demonstraram que a opinião que você adota a respeito de si
mesmo afeta profundamente a maneira pela qual você leva sua vida. Ela pode
decidir se você se tornará a pessoa que deseja ser e se realizará aquilo que é
importante para você. Como acontece isso? Como pode uma simples crença
ter o poder de transformar sua psicologia e, consequentemente, sua vida?
Acreditar que suas qualidades são imutáveis — o mindset fixo — cria a necessidade
constante de provar a si mesmo seu valor. Se você possui apenas
uma quantidade limitada de inteligência, determinada personalidade e certo
caráter moral, nesse caso terá de provar a si mesmo que essas doses são
saudáveis. Não lhe agradaria parecer ou sentir-se deficiente quanto a essas
características fundamentais.
Alguns de nós aprendemos a adotar esse mindset desde a tenra infância.
Ainda criança, eu me preocupava em ser inteligente, mas o verdadeiro mindset
ficou na verdade marcado em mim por causa da sra. Wilson, minha professora
da sexta série. Ao contrário de Alfred Binet, ela achava que os resultados do
qi revelavam exatamente quem eram as pessoas. Nossas carteiras na sala eram
arrumadas em ordem de qi, e somente os alunos de qi mais elevado eram
encarregados de transportar a bandeira, cuidar dos apagadores ou levar um bilhete
ao diretor. Além da ansiedade que diariamente provocava com sua atitude
julgadora, criava também um mindset fixo no qual cada criança da classe tinha
um objetivo primordial: parecer inteligente, não boba. Quem poderia se ocupar
de aprender, ou achar isso divertido, quando a totalidade de nosso ser se sentia
ameaçada cada vez que ela nos dava uma prova ou nos interrogava na aula?
Já vi inúmeras pessoas que têm o único objetivo essencial de provar a si
mesmas — na sala de aula, em suas carreiras e em seus relacionamentos. Cada situação exige uma confirmação de sua inteligência, personalidade ou caráter.
Cada situação passa por uma avaliação: Terei sucesso ou fracassarei? Farei papel
de tolo ou me mostrarei inteligente? Serei aceito ou rejeitado? Vou me sentir
vencedor ou derrotado?
Mas não é fato que nossa sociedade valoriza a inteligência, a personalidade
e o caráter? Não é normal querer desenvolver essas características? Sim, mas…
Há outro mindset no qual essas características não são simplesmente como
cartas de baralho que você recebe e com as quais tem de viver, sempre tentando
convencer a si mesmo e aos demais que tem um royal flush nas mãos,
quando no íntimo teme ter somente um par de dez. Nesse outro mindset, as
cartas recebidas constituem apenas o ponto de partida do desenvolvimento.
Esse mindset de crescimento se baseia na crença de que você é capaz de cultivar
suas qualidades básicas por meio de seus próprios esforços. Embora as pessoas
possam diferir umas das outras de muitas maneiras — em seus talentos e
aptidões iniciais, interesses ou temperamentos —, cada um de nós é capaz de
se modificar e desenvolver por meio do esforço e da experiência.
Será que as pessoas dotadas desse mindset acreditam que qualquer um pode
se tornar qualquer coisa, que qualquer pessoa com a motivação ou a instrução
adequada pode se transformar em um Einstein ou em um Beethoven? Não,
mas acreditam que o verdadeiro potencial de uma pessoa é desconhecido (e
impossível de ser conhecido); que não se pode prever o que alguém é capaz
de realizar com anos de paixão, esforço e treinamento.
Você sabia que Darwin e Tolstói foram considerados alunos medianos?
Que Ben Hogan, um dos maiores jogadores de golfe de todos os tempos, era
completamente descoordenado e desajeitado quando criança? Que a fotógrafa
Cindy Sherman, que aparece praticamente em todas as listas dos artistas mais
importantes do século xx, foi reprovada em seu primeiro curso de fotografia?
Que Geraldine Page, uma de nossas maiores atrizes, foi aconselhada a abandonar
a profissão por falta de talento?
Você pode agora perceber como a crença de que é possível desenvolver as
qualidades desejadas cria uma paixão pelo aprendizado. Por que perder tempo
provando constantemente a si mesmo suas grandes qualidades se você pode
se aperfeiçoar? Por que ocultar as deficiências em vez de vencê-las? Por que
procurar amigos ou parceiros que nada mais farão do que dar sustentação a
sua autoestima, em vez de outros que o estimularão efetivamente a crescer?

16
E por que buscar o que já é sabido e provado, em vez de experiências que
o farão se desenvolver? A paixão pela busca de seu desenvolvimento e por
prosseguir nesse caminho, mesmo (e especialmente) quando as coisas não
vão bem, é o marco distintivo do mindset de crescimento. Esse é o mindset
que permite às pessoas prosperar em alguns dos momentos mais desafiadores
de suas vidas.
uma visão a partir de cada mindset7
Para ter uma melhor visão do funcionamento dos dois mindsets, imagine — da
forma mais vívida possível — que você é um jovem num dia realmente ruim:
Certo dia, você está numa aula muito importante para você, e da qual gosta muito.
O professor entrega aos alunos as provas de meio de semestre corrigidas.
Sua nota foi cinco. Você fica muito decepcionado. Naquela tarde, ao voltar para
casa, descobre que seu carro foi multado por estacionamento em local proibido.
Completamente frustrado, você telefona para seu melhor amigo para compartilhar
tudo o que lhe aconteceu, mas ele não lhe dá muita atenção.
O que você pensaria? O que sentiria? O que faria?
As pessoas que adotam o mindset fixo me responderam assim: “Eu me
sentiria rejeitado”, “Sou um fracasso total”, “Sou um idiota”, “Sou um perdedor”,
“Me sentiria inútil e tolo — todos os outros são melhores do que eu”,
“Sou um lixo”. Em outras palavras, entenderiam o que aconteceu como uma
medida direta de sua competência e de seu valor.
Eis o que pensariam sobre suas vidas: “Minha vida é lamentável”, “Não tenho vida”, “Alguém lá em cima não gosta de mim”, “Todos estão contra mim”.
“Alguém quer acabar comigo”, “Ninguém gosta de mim, todos me odeiam”, “A vida é injusta e todos os esforços são inúteis”, “A vida é um horror. Sou um idiota. Nada de bom me acontece”, “Sou a pessoa mais sem sorte do mundo”.
Perdão, mas houve morte e destruição ou simplesmente uma nota baixa, uma multa e um telefonema desagradável?
Serão essas apenas pessoas com baixa autoestima? Ou serão pessimistas de carteirinha? Não. Quando não estão lidando com o fracasso, sentem-se tão valiosas e otimistas — e inteligentes e atraentes — quanto as que adotam o mindset de crescimento.
Então, de que maneira lidam com o fracasso? “Eu não me preocuparia em
perder tempo me esforçando para fazer bem qualquer coisa.” (Em outras palavras,
não deixarei que ninguém me avalie novamente.) “Não farei nada.” “Ficarei
na cama.” “Vou encher a cara.” “Vou comer.” “Vou dar uma bronca em alguém se
tiver oportunidade.” “Vou comer chocolate.” “Vou ouvir música e ficar de cara
feia.” “Vou entrar no armário e ficar lá dentro.” “Vou arranjar uma briga com
alguém.” “Vou chorar.” “Vou quebrar alguma coisa.” “Que mais posso fazer?”
Que mais posso fazer! Vejam, quando elaborei aquela situação hipotética, determinei
que a nota fosse cinco, e não dois, que a prova fosse do meio do semestre,
e não a final, que fosse uma multa, e não um acidente. O amigo do protagonista
“não lhe deu muita atenção”, mas não o rejeitou completamente. Nada do que
aconteceu era catastrófico ou irreversível. Mesmo assim, a partir dessa matéria-
-prima o mindset fixo criou o sentimento de completo fracasso e paralisia.
Quando propus a mesma situação a pessoas de mindset de crescimento,
eis o que responderam:
“Preciso me esforçar mais na matéria e ser mais cuidadoso quando estacionar
o carro. E imagino que meu amigo tenha tido um dia difícil”.
“A nota cinco mostra que devo me dedicar muito mais às aulas, mas ainda
tenho o resto do semestre para melhorar a média”.
Houve muitas outras respostas como essas, mas acho que você já entendeu.
Como essas pessoas enfrentariam o fracasso? Diretamente.
“Eu começaria a pensar em estudar com mais empenho (ou estudar de maneira
diferente) para a próxima prova da matéria, pagaria a multa e esclareceria
as coisas com meu amigo na próxima vez em que nos falássemos.”
“Verificaria em que fui mal na prova, tomaria a decisão de melhorar, pagaria
a multa e ligaria para meu amigo para explicar que no dia anterior eu
estava nervoso.”
“Estudaria mais para a prova seguinte, conversaria com o professor, seria
mais cuidadoso ao estacionar ou contestaria a multa, e procuraria saber qual
tinha sido o problema de meu amigo.”
Qualquer que fosse seu mindset, você ficaria chateado. Quem não ficaria?
Notas baixas, multas ou desinteresse da parte de um amigo ou pessoa querida
não são coisas agradáveis. Ninguém esfregaria as mãos de satisfação. Mas as pessoas com o mindset de crescimento não se rotularam nem se desesperaram.
Embora se sentissem aflitas, estavam dispostas a assumir os riscos, enfrentar
os desafios e continuar a se esforçar.
mas, então, qual é a novidade?
Essa é uma ideia nova? Há muitos ditados que mostram a importância do risco
e o poder da persistência, como “Quem não arrisca não petisca”, “Se não der
certo da primeira vez, tente uma segunda e uma terceira” ou “Roma não foi
feita em um só dia”. (Aliás, fiquei encantada ao saber que os italianos usam a
mesma expressão.) O que verdadeiramente surpreende é que as pessoas de
mindset fixo não concordariam com isso. Para elas, os ditados seriam: “Se
eu não arriscar, nada perderei”, “Se não der certo da primeira vez, é porque
provavelmente não tenho competência”, “Se Roma não foi feita em um só dia,
provavelmente foi porque não poderia ser feita em menos tempo”. Em outras
palavras, risco e esforço são duas coisas capazes de revelar suas deficiências e
mostrar que você não está à altura da tarefa. Com efeito, é espantoso verificar
até que ponto as pessoas de mindset fixo não acreditam no esforço.
O que também constitui novidade é que as ideias das pessoas a respeito de
risco e esforço derivam de seus mindsets mais básicos. Não se trata somente do
fato de que algumas pessoas são capazes de reconhecer o valor de desafiar a si
mesmas e a importância do esforço. Nossa pesquisa demonstrou que isso deriva
diretamente do mindset de crescimento. Quando ensinamos a alguém esse mindset,
cujo ponto focal é o desenvolvimento, as ideias sobre desafio e esforço vêm
em seguida. Da mesma forma, não se trata somente de que para algumas pessoas
o desafio e o esforço podem não ser agradáveis. Quando (temporariamente) colocamos
alguém num mindset fixo, que se concentra nas características permanentes,
essa pessoa rapidamente passa a temer o desafio e a desvalorizar o esforço.
Vemos com frequência livros com títulos como Os dez segredos das pessoas
mais bem-sucedidas do mundo lotando as prateleiras das livrarias, e esses livros
podem fornecer muitas dicas úteis. Mas em geral nada mais são do que uma
lista de conselhos sem relação uns com os outros, como “Assuma mais riscos!”
ou “Acredite em você mesmo!”. Você passa a admirar as pessoas capazes de
fazer isso, mas nunca fica claro de que forma essas coisas se inter-relacionam

19
ou como você poderia alcançar esse caminho. Assim, você se sente inspirado
durante alguns dias, mas basicamente as pessoas mais bem-sucedidas do
mundo conservam seus segredos bem guardados.
Ao contrário disso, à medida que você começa a compreender os mindsets
fixo e de crescimento, passa a ver exatamente como uma coisa leva a
outra — como a crença de que suas qualidades são imutáveis gera diferentes
pensamentos e atos, e como a crença de que suas qualidades são suscetíveis
de serem cultivadas gera diferentes pensamentos e atos, guiando-o por um
caminho completamente distinto. É o que nós, psicólogos, chamamos de uma
experiência de descoberta. Não apenas vi isso em minha pesquisa quando ensinamos
a alguém um novo mindset, mas recebo a toda hora cartas de pessoas
que leram minhas obras.
Essas pessoas reconhecem a si mesmas: “Ao ler seu artigo, literalmente
me vi repetindo: ‘Isso sou eu, isso sou eu!’”. Percebem as conexões: “Seu
artigo me entusiasmou. Senti que havia descoberto o segredo do universo!”.
Sentem que seus mindsets se reorientam: “Sem dúvida sou capaz de relatar
uma espécie de revolução pessoal que acontece em meu próprio raciocínio,
e esse sentimento é excitante”. E são capazes de pôr essas novas ideias em
prática para si mesmas e para os outros: “Seu trabalho permitiu que eu transformasse
meu trabalho com crianças e olhasse a educação por um prisma
completamente diferente” ou “Gostaria de informá-la do impacto, tanto no
nível pessoal quanto no prático, que sua extraordinária pesquisa trouxe para
centenas de estudantes”.
autopercepção: quem tem ideias precisas sobre suas
capacidades e limitações?
Bem, pessoas com mindset de crescimento podem não se achar nenhum
Einstein ou Beethoven, mas não será mais provável que tenham opiniões
exageradas a respeito de suas capacidades e busquem coisas além de seu
nível de competência? De fato, estudos mostram que poucos sabem avaliar
suas capacidades.8 Recentemente, procuramos investigar que tipo de pessoa
conseguiria fazer avaliações mais precisas sobre si mesma.9 Sem dúvida, verificamos
que há muito pouca exatidão nas estimativas de seu desempenho

20
e de suas capacidades. Mas aqueles com mindset fixo foram responsáveis por
quase toda a inexatidão. Pessoas de mindset de crescimento foram extraordinariamente
precisas.
Pensando bem, faz sentido. Se você acreditar que é capaz de se aperfeiçoar,
assim como fazem os que adotam o mindset de crescimento, estará aberto a
informações exatas sobre suas capacidades atuais, ainda que não sejam lisonjeiras.
Além disso, se estiver orientado para o aprendizado, como estão essas
pessoas, terá necessidade de informações exatas sobre sua capacidade, a fim de
aprender com eficiência. No entanto, se quaisquer dados sobre suas preciosas
características forem vistos como boas notícias ou más notícias, como ocorre
com as pessoas de mindset fixo, é quase inevitável que aconteçam distorções.
Alguns resultados serão enaltecidos, outros, desprezados, e você acabará sem
realmente se conhecer.
Em seu livro Mentes extraordinárias, Howard Gardner concluiu que os
indivíduos extraordinários possuem “um talento especial para identificar seus próprios pontos fortes e fracos”.10 É interessante observar que os que têm
mindset de crescimento parecem possuir esse talento.
o que o futuro nos reserva
Outra coisa que os indivíduos extraordinários parecem possuir é um talento
especial para converter em sucesso futuro as adversidades da vida. Os estudiosos
de criatividade concordam. Numa enquete com 143 pesquisadores da
criatividade, houve amplo acordo sobre o principal ingrediente para a obtenção
de sucesso criativo.11 E esse ingrediente era exatamente o tipo de perseverança
e resiliência produzido pelo mindset de crescimento.
Você pode voltar a perguntar: Como é possível que uma crença leve a tudo
isso — gosto pelo desafio, confiança no esforço, resiliência diante de adversidades e
maior (e mais criativo!) sucesso? Nos próximos capítulos, você verá exatamente
como isso acontece: como o mindset altera o que as pessoas buscam e o que
identificam como sucesso. De que maneira ele modifica a definição, a importância
e o impacto do fracasso, e como transforma o sentido mais profundo do
esforço. Verá como os mindsets funcionam na escola, no esporte, no trabalho
e nos relacionamentos. Verá de onde eles vêm e como podem ser modificados.

21
deSenvOlva Seu MIndSet
Qual é o seu mindset?

12 Responda a estas perguntas sobre inteligência. Leia
cada uma das afi rmativas seguintes e diga se, na maior parte das vezes, concorda
ou não com elas.
1. Sua inteligência é algo muito pessoal, e você não pode transformá-la demais.
2. Você é capaz de aprender coisas novas, mas, na verdade, não pode mudar seu nível de inteligência.
3. Qualquer que seja seu nível de inteligência, sempre é possível modifi cá- -la bastante.
As afi rmativas 1 e 2 referem-se ao mindset fi xo. As de número 3 e 4 refletem
o mindset de crescimento. Com qual dos dois grupos você concorda mais? É
possível que sua resposta seja mista, mas a maioria das pessoas se inclina mais
para um grupo do que para o outro.
Você também possui crenças a respeito de outras capacidades. Pode substituir
“inteligência” por “talento artístico”, “tino comercial” ou “aptidão para
esportes”. Tente fazer isso.
Não se trata somente de suas aptidões, mas também de suas qualidades
pessoais. Veja estas afi rmações sobre personalidade e caráter e decida se concorda
ou não com cada uma delas.
2. Independente do tipo de pessoa que você seja, sempre é possível modifi cá-lo substancialmente.
3. Você pode fazer as coisas de maneira diferente, mas a essência daquilo
que você é não pode ser realmente modifi cada.
4. Você é capaz de modifi car os elementos básicos do tipo de pessoa
que você é.
Aqui, as afi rmativas 1 e 3 se referem ao mindset fi xo, e as de número 2
e 4 refl etem o mindset de crescimento. Com qual dos dois grupos você se
identifi ca mais?
4. Você é capaz de mudar substancialmente seu nível de inteligência.
1. Você é certo tipo de pessoa, e não há muito o que se possa fazer para
mudar esse fato.

22
Seria esse resultado diferente de seu mindset em relação à inteligência? É
possível. Seu “mindset para a inteligência” entra em ação quando as situações
envolvem capacidade mental.
Seu “mindset para a personalidade” entra em ação nas situações que envolvem
suas qualidades pessoais — por exemplo, quão confi ável, cooperativo,
atencioso ou socialmente habilidoso você é. O mindset fi xo faz com que você
se preocupe com a forma pela qual será avaliado; o mindset de crescimento
torna-o interessado em seu aperfeiçoamento.
• Pense em alguém que você conheça que esteja mergulhado no mindset
fi xo. Veja como essas pessoas sempre procuram se pôr à prova e como são
supersensíveis a respeito da possibilidade de terem opiniões equivocadas
ou de cometerem erros. Você já se perguntou por que elas são assim? (Você
é assim?) Agora você pode começar a compreender os motivos.
Pense em alguém que você conheça que tenha as aptidões do mindset
de crescimento, alguém que compreenda que as qualidades importantes
podem ser cultivadas. Pense em como essas pessoas enfrentam os obstáculos.
Pense naquilo que fazem para se aperfeiçoar. Em que você gostaria
Muito bem, agora imagine que você resolveu aprender um novo idioma
e se matriculou num curso. Depois de algumas aulas, o professor chama
você para a frente da sala e começa a lhe fazer uma série de perguntas.
está em jogo. É capaz de sentir que todos os colegas estão olhando para
você? É capaz de ver a fisionomia do professor enquanto o avalia? Sinta
a tensão, sinta seu ego estilhaçar-se e hesitar. Em que mais você está pensando
e o que está sentindo?
Agora se coloque no lugar de uma pessoa com mindset de crescimento.
Você é iniciante, e por isso está ali. Está ali para aprender. O professor é
um facilitador para o aprendizado. Sinta que a tensão se esvai; sinta sua
mente se abrir.
Eis aqui algumas outras situações para se pensar sobre os mindsets:
• de se modifi car ou aperfeiçoar?
• Coloque-se na posição de quem tem um mindset fi xo. Sua capacidade
A mensagem é a seguinte: você é capaz de mudar seu mindset.

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