Geração perdida: “nem-nem”


Zélia Nolasco Freire*

Neném? Não, não é neném. Bem que poderia ser, já que além da semelhança fonética possuem algumas características em comum: não estudam, não trabalham e vivem à custa dos pais. Viram como se parecem? Pois é, mas é estranho. Um neném fazer isso, vá lá, está dentro da normalidade. Agora, para um jovem acima de dezoito, vinte anos? É no mínimo contraditório. Contraditório com o próprio sentido de juventude, pois juventude é energia, é reivindicação, é insatisfação, é querer alçar altos voos. É querer mudar o mundo. É querer ser independente.

A geração perdida: “nem-nem” que está aí, é aquela que cresceu longe do trabalho e da escola. O termo é uma tradução livre do espanhol, pois na Espanha é conhecida como a geração “Ni-Ni”, “ni estudian ni trabajan”; na Itália é chamada de “mammone” porque não larga da saia da mama, e no Reino Unido de “Kidult”.

No Brasil, mais de dois em cada dez jovens entre 18 e 20 anos, estão à margem da inclusão educacional e laboral registrada no país recentemente. Essa geração está preocupando milhões de famílias em todo o mundo. Dados demonstrados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNDA) apontam um crescimento preocupante desse grupo. Em 2001, eram 22,5% desta faixa etária e em 2009, 24,1% (o equivalente a 2,4 milhões de pessoas). Por que isso é preocupante? Porque hoje em dia só não estuda quem não quer.

Mesmo quando o jovem trabalha ele pode estudar à noite, fazer um curso técnico, estudar à distância, por que não? Mas, para isso é preciso querer e eles não querem. Não querem trabalhar e não querem estudar.

A situação é tão preocupante que em alguns países a intervenção do Estado está presente. Na Espanha, metade dos jovens com menos de 34 anos continuam na casa dos pais. Existem exatamente 712.735 jovens espanhóis, com menos de 34 anos, que nem estudam, nem trabalham. Conforme o Instituto Metroscopia, 54% dos jovens desta faixa etária não tem nenhum projeto nem se interessa por alguma coisa. O Reino Unido é pioneiro em tratar do problema.

Jovens sem trabalho e sem ensino são de 15% no país. Foi lá que surgiu um termo específico para se referir a esse grupo: NEET (not in education, employment or training). Além da falta de interesse, muitos jovens estão mal preparados para o mercado de trabalho que ficou mais exigente, mais competitivo e requer mão de obra qualificada. No Brasil, a preocupação com os jovens também está presente, porém, os programas para trabalho jovem não atingiram as metas, já que o número de atendidos pelo Jovem Aprendiz e pelo Pro jovem ficou abaixo das projeções iniciais do governo.

O jovem está adiando cada dia mais sua saída para desfrutar da casa da mamãe. Quem não gosta de conforto? Cama, comida e roupa lavada. Nada contra desde que estudassem, mas não. Isso quando não trazem para dentro de casa uma nora ou um genro e em alguns casos, já trazem também um neném (que não tem nada a ver com a história).

Neném e “nem-nem”, o que dizer? Ironia do destino ou jogo de palavras? Quem seria o responsável por tal situação? O próprio jovem, os pais, o Estado? O que fazer? Tchan, tchaann, tchaaann. Deixo em suspense para que reflitam sobre, pois disso dependerá a salvação dessa geração (se é que ainda tem).

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