Lixo é matéria-prima fora do lugar


Ronie Lima

 

Gosto da expressão lixo é matéria-prima fora do lugar. Nos últimos anos, tenho me sensibilizado com a crescente organização do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. Hoje (19/7/2014), mostraram força: mais de 200 lotaram auditório do Sindipetro, no Centro do Rio, em encontro promovido pelo deputado estadual Carlos Minc, para reivindicar do candidato a governador Lindberg Farias que, se eleito, coloque o apoio ao trabalho de reciclagem de lixo no centro do seu programa de governo.

 

Num estado em que as prefeituras – que são as responsáveis por cuidar da coleta e destino adequado do lixo urbano para tratamento – ainda dão pouco apoio a esse importante trabalho, fiquei impressionado com o dado de Claudete da Costa, uma respeitada líder do movimento: nos 92 municípios fluminenses, já existem 10 mil catadores e catadoras de materiais recicláveis organizados em cooperativas.

 

“Nossa categoria não está querendo esmola, somos profissionais. Nós queremos é que o senhor reconheça nossos direitos se for eleito governador”, disse Claudete. Palmas para ela, para o Tião Santos, Docinho e tantos outros catadores que lutam pelo reconhecimento social do valor inestimável do seu trabalho.

 

O apoio que cooperativas, associações e entidades do setor deram ao evento de hoje à tarde se explica pela relação histórica de Minc com cooperativas de catadores. Quando a Comlurb, por exemplo, ameaçou deixar na mão os catadores do antigo lixão de Gramacho, que estava para ser fechado pela Prefeitura do Rio, Minc articulou – quando era secretário estadual do Ambiente – uma série de iniciativas para apoiar a continuidade da atuação desse pessoal; que ficaria sem função.

 

Daí, por exemplo, nasceu o pioneiro Polo Reciclador de Gramacho, inaugurado no final do ano passado, que já reúne o trabalho de 200 ex-catadores – com a meta de atingir 500 a médio prazo. “Catadores e catadoras que antes trabalhavam em meio a ratos e mau cheiro, agora têm direito a uma vida profissional digna, atuando em local limpo, coberto e com modernos equipamentos, que agregam valor aos materiais que comercializam”, diz Minc.

 

O destino adequado do lixo gerado em todo o território estadual está praticamente equacionado. Em 2006, a situação era dramática: apenas quatro das 92 cidades fluminenses destinavam seu lixo para aterros sanitários – 9% do total dos resíduos gerados no estado.

No início de 2014, quando Minc deixou a SEA, 62 cidades já estavam descartando seu lixo em local ambientalmente adequado – representando 92% do lixo produzido nas cidades fluminenses.

 

O grande desafio agora é fazer com que as prefeituras – responsáveis por cuidar do lixo urbano – apoiem cada vez mais o trabalho prévio de coleta domiciliar de materiais recicláveis, estimulando a cadeia da reciclagem e diminuindo, assim, a quantidade de lixo encaminhada para aterros sanitários.

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