Roberto Gómez Bolaños – Chaves


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Roberto Gómez Bolaños
Nome completo Roberto Gómez Bolaños
Pseudônimo(s) Chespirito
Outros nomes Bolaños
Robertinho
Roberto Bolaños
, Chespirito
Nascimento 21 de fevereiro de 1929
Cidade do MéxicoDistrito FederalMéxico
Morte 28 de novembro de 2014 (85 anos)
CancúnQuintana RooMéxico
Residência Condomínio Isla Dorado, Cancún
Nacionalidade México Mexicano
Cidadania Mexicano
Etnia Latino
Fortuna US$ 1,791 bilhão (2014)
Progenitores Mãe: Elsa Bolaños Cacho
Pai: Francisco Gómez Linares
Cônjuge Graciela Fernández Pierre (1956-1970,separados); 1977, divorciados)
Florinda Meza (1977-2004, união estável); (2004-2014, casados)
Filho(s) Roberto Gómez Fernández
Teresa Gómez
Marcela Gómez
Graciela Gómez
Paulina Gómez
Cecilia Gómez
Ocupação Ator
Cantor
Comediante
Compositor
Desenhista
Diretor
Dramaturgo
Engenheiro
Escritor
Filantropo
Humorista
Pintor
Poeta
Produtor de televisão
Publicitário
Roteirista
Período de atividade 1947 – 2000
Influências
Magnum opus El Chavo del Ocho
El Chapulín Colorado
Escola/tradição Universidade Nacional Autônoma do México
Carreira musical
Período musical 1958 – 2000
Gravadora(s) Polydor
Fontana Records
PolyGram
Philips
Religião Católico
Causa da morte Parada cardiorrespiratória
Assinatura
Chespirito signature.jpg
Página oficial
chespirito.com

Roberto Gómez Bolaños, mais conhecido como Chespirito (Cidade do México21 de fevereiro de 1929 — Cancún28 de novembrode 2014), foi um premiado atorcantorcomediantecompositordesenhistadiretordramaturgoengenheiroescritorfilantropohumoristapintorpoetaprodutor de televisãopublicitário e roteirista mexicano.[1] Ele é considerado um dos ícones do humor e entretenimento de língua espanhola e amplamente considerado um dos melhores comediantes de todos os tempos. Tornou-se célebre, ganhando notoriedade internacional, por ter sido o criador e protagonista das séries televisivas El Chavo del Ocho, (“Chaves”, no Brasil) e El Chapulín Colorado, (“Chapolin”, no Brasil) e com o Programa Chespirito que ganhou o título de o programa número 1 da televisão humorística, as quais lhe trouxeram grande prestígio e garantiram-lhe o reconhecimento como um dos escritores comediantes mais respeitados de todos os tempos.[2] [3][4][5] O multitalentoso se formou em engenharia, mas o seu talento verdadeiro foi encontrado no meio artístico, razão pela qual nunca exerceu formalmente a profissão de engenheiro.[6]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho da secretária bilíngue Elsa Bolaños Cacho (1902–1968) e do pintorcartunista e ilustrador Francisco Gómez Linares (1892–1935), Roberto Gómez Bolaños se formou em engenharia elétrica na Universidade Nacional Autônoma do México, mas nunca exerceu a profissão. Começou sua carreira como escritor criativo, escrevendo para rádio e televisão durante a década de 1950. Roberto primeiro trabalhou na agência publicitária D’Arcy, onde escreveu vinhetas, jingles, cartazes e uma tirinha humorística. Em pouco tempo, Roberto se destacou e foi contratado para escrever roteiros para programas da dupla Viruta e Capulina (Marco Antonio Campos e Gaspar Henaine). Na época, a dupla tinha um programa no rádio e, com os roteiros de Roberto, o programa se tornou um sucesso ainda maior. Viruta e Capulina então ganharam um programa na televisão, chamado Cómicos y canciones, tendo Roberto como roteirista. Um dia, durante as gravações, um ator faltou e, como Roberto tinha escrito o roteiro e sabia o texto, ele o substituiu em cena. Assim, Roberto começou a atuar e fez diversas participações especiais no programa e também em alguns filmes. No cinema, atuou pela primeira vez no filme Dos locos en Escena de 1960.[7] No entanto, continuou a dedicar a maior parte de seu tempo a escrever, contribuindo para o diálogo de scripts da televisão mexicana. Os roteiros de Roberto para a televisão fizeram tanto sucesso que ele logo também passou a escrever para o cinema.

Roberto admitiu ter fumado por 40 anos, deixando por considerar plenamente ruim. Quando ainda criança, gostava muito de jogar futebol e praticar boxe, assim como interagir com seus brinquedos. De acordo com Augusto Rattoni, ele gostava de pintura e desenhos, fazia muitas paisagens e rostos.

“Chespirito” é a forma diminutiva e castelhanizada do vocábulo inglês Shakespeare (Chekspir). Tal apelido foi dado a Bolaños pelo diretor de cinema Agustín P. Delgado, que o considerava um pequeno William Shakespeare, capaz de escrever histórias tão prolíficas e versáteis quanto o autor inglês. Roberto ganhou este apelido quando escreveu o roteiro para o filme Los Legionarios, primeiro filme em que trabalhou.

Os roteiros de Roberto para o programa Cómicos y canciones agradaram tanto que ele também foi chamado para roteirizar o programa “El Estúdio de Pedro Vargas”. O sucesso foi grande e e os dois programas passaram a disputar o primeiro lugar de audiência, sendo exibidos no mesmo canal, o Telesistema Mexicano. Chespirito permaneceu no canal até 1968, quando os dois programas chegaram ao fim.

Além de roteirista, Chespirito também se destacou como ator, principalmente fazendo comédia. Mas, no início da carreira, ele não atuava tanto. Geralmente fazia apenas participações especiais e se dedicava mais a escrever os roteiros.

Em 1969, Chespirito foi contratado pelo produtor Sérgio Pena da recém criada Televisión Independiente de México para escrever um programa humorístico com duração de meia hora. Ele então escreveu a série El ciudadano Gómez. Apesar de só ter durado 13 episódios, a série foi muito elogiada e fez sucesso. Nela, Chespirito, além de escrever os roteiros, atuou com o papel principal. À partir daí, Chespirito também seguiu trabalhando como ator, atuando nos seus próprios programas.

Em 1969 e 1970, Chespirito escreveu esquetes humorísticas para o programa Sábados de la fortuna. Entre essas esquetes, estava “Los Supergenios de la Mesa Cuadrada”, criada em janeiro de 1970. Essa esquete fez tanto sucesso que, em pouco tempo, tornou-se um programa independente. Ao lado de Chespirito, contracenavam Ramón ValdésRubén Aguirre e María Antonieta de las Nieves.

Em outubro de 1970, o programa teve sua duração aumentada e passou a exibir outras esquetes de Chespirito. O programa também mudou de nome e passou a se chamar Programa Chespirito. Nessa época, surge o Chapolin Colorado, um herói atrapalhado. Dois anos depois, foi criado o personagem que se tornaria o maior sucesso de Bolaños, o Chaves. Ambos os personagens funcionaram tão bem que as esquetes se tornaram séries independentes de 30 minutos de duração em 1973, após o fim do Programa Chespirito.

Apesar de ser mais conhecido pelos papéis Chaves e Chapolin, Chespirito também foi autor de vários personagens, como ChompirasDr. ChapatinVicente Chambon e Chaparrón Bonaparte.

Por causa de seus roteiros recorrentes, os programas se tornaram sucesso em todo o mundo, graças a simpatia de Roberto Gómez Bolaños e do grupo de atores em distintas épocas formado por Carlos VillagránRamón ValdésFlorinda MezaRubén AguirreÉdgar VivarAngelines FernándezRaúl PadillaHoracio Gómez Bolaños e María Antonieta de las Nieves, que também encontraram a fama internacional.

Em 1973, o Telesistema Mexicano e a Televisión Independiente de México se fundiram, dando origem a Televisa. Os programas de Bolaños passaram a ser exibidos pela Televisa e contribuíram muito para o sucesso da emissora. Chapolin foi o primeiro programa do México a ser vendido para outros países, abrindo as portas da televisão mexicana para o mundo.

Em 1979, o programa do Chapolin chegou ao final em setembro e Chespirito o substituiu por La Chicharra. A série durou 14 episódios e mostrava as aventuras do jornalista Vicente Chambon.

Em 1980, foi a vez do programa do Chaves chegar ao fim. Bolaños então retomou o Programa Chespirito em uma nova fase. O programa mais uma vez reunia esquetes do humorista e tinha duração de uma hora semanal. Desta vez, no programa, Chespirito deu mais destaque ao Chompiras, seu personagem favorito de interpretar. Chaves e Chapolin continuaram como esquetes do programa até 1992, quando Roberto decidiu parar de gravá-los definitivamente por se achar velho demais para fazer os dois. Mas o Programa Chespirito permaneceu no ar até 1995. Nesse ano, a Televisa quis trocar os programas de comédia por telenovelas e tirar o Programa Chespirito do horário nobre. Bolaños não concordou com as mudanças e decidiu acabar com o programa. Após o fim do programa, Chespirito se aposentou da televisão. Várias emissoras de TV no mundo inteiro ainda tentaram contratá-lo, mas ele recusou todas as ofertas.

Chespirito também estrelou em filmes mexicanos, escritos e realizados por ele mesmo como “El Chanfle” e “El Chanfle 2”, “Don Ratón e Don Ratero”, “Charrito” e “Música de viento”. Mas os filmes de Chespirito não fizeram muito sucesso – com exceção de “El Chanfle”, que teve um dos maiores públicos e bilheteria da história do cinema mexicano.

Após ter se aposentado da televisão, trabalhou por algum tempo na Televicine, unidade de cinema da Televisa.

Roberto também escreveu peças de teatro, como “Títere” e “11 e 12“, que fizeram muito sucesso.

Em 1992, recebe o “Prêmio de Literatura da Sociedade Geral de Escritores do México” pelo roteiro da peça “La Reina Madre”.[8]

Em 2000, a rede de televisão mexicana Televisa homenageou todo o elenco dos seriados ChavesChapolin e Chespirito com o programa “¡No contaban con mi astucia!”, ano em que o seriado completava 30 anos.[9] Essa homenagem ficou marcada pelo reencontro de Chespirito com o ator Carlos Villagrán, que interpretou o Quico no seriado “Chaves”. Os dois não se viam há mais de 20 anos.

Chespirito ainda escreveu livros, como “O Diário do Chaves” e sua autobiografia, intitulada “Memorias – Sin Querer Queriendo”.

Em 2006, foi lançada a série animada do Chaves, produzida pelo filho de Bolaños, Roberto Gómez Fernández. O próprio Chespirito escreveu os roteiros dos episódios do desenho e participou de um especial organizado pela Televisa no lançamento da série animada, no dia 21 de outubro de 2006.

Em 2008 e 2009, Roberto se despediu do teatro com uma turnê da sua peça “11 e 12“. Ele apresentou a peça em vários países da América Latina, como ChileColômbia e Peru.

Em 12 de novembro de 2009, Chespirito foi internado em emergência em um hospital na Cidade do México. De acordo com declarações de seu filho Roberto Gómez Fernández, Chespirito teve uma complicação da próstata, e teve de fazer uma cirurgia.

Por causa de uma insuficiência respiratória, Roberto se mudou da Cidade do México para Cancún para minimizar o efeito da doença.

Em 28 de maio de 2011, Chespirito abriu sua conta no Twitter chegando em menos de um dia mais de 170.000 seguidores, o segundo dia um total de 250.000 seguidores.[10][11] Em 29 de julho de 2011, Chespirito realizou uma Twitcam, que foi assistida por cerca de 40.000 pessoas.[12] Em 30 de abril de 2012, ele realizou uma segunda Twitcam, que foi assistida por mais de 5.000 pessoas.[13]

Estátua em homenagem a El Chavo (personagem).

Em 2012, um evento denominado América celebra a Chespirito em comemoração os quarenta anos de carreira do ator[14] foi programado para ocorrer em 17 países, entre eles ArgentinaBrasilColômbiaCosta RicaGuatemalaEquadorEstados UnidosMéxicoPeru e Nicarágua.[15][16][17][18]

No dia 20 de novembro de 2013, foi condecorado com o Premio Ondas Iberoamericano pela trajetória destacada na televisão mundial.[19]

Roberto Gómez Bolaños faleceu em 28 de novembro de 2014, aos 85 anos, em sua casa em Cancún, no México.[20][21]

Legado[editar | editar código-fonte]

Com uma carreira que durou décadas Bolaños se consagrou como um dos maiores dramaturgos e comediantes de todos os tempos, com humor caracterizado de uma forma simples e carismática fazendo parte da memória de crianças e adultos e inspirando gerações de atores,comediantes e escritores.

Roberto tem sido descrito como um dos comediantes mais reconhecidos do século 20, além de ser bem conhecido e honrado em toda a América Latina.

Casamento[editar | editar código-fonte]

Bolaños casou-se pela primeira vez com Graciela Fernández Pierre, falecida em 26 de agosto de 2013. Tiveram os filhos Paulina, Graciela, Marcela, Teresa, Cecília e Roberto. Bolaños conheceu Graciela em 1951 e os dois se casaram em 1956, numa cerimônia simples e passaram a lua de mel em Acapulco. Foi Graciela quem confeccionou o uniforme do Chapolin. O casamento durou de 1956 a 1977, quando Bolaños decidiu se separar de Graciela.

Pouco depois, tornou-se público o relacionamento que ele teve com uma de suas colegas de elenco, a atriz Florinda Meza, que interpretou a Dona Florinda e a Pópis na série ‘Chaves’. Os dois começaram o romance durante uma turnê do elenco no Chile em outubro de 1977. Antes disso, Gomez Bolaños havia a cortejado por cinco anos, mas ele ainda estava casado e Florinda não queria se envolver com ele por considera-lo mulherengo e infiel. Depois de um tempo, Florinda aceitou ficar com Roberto. Ele então se separou de Graciela e foi morar junto com Florinda. No México, Roberto e Florinda foram criticados por manter essa relação, já que tudo começou quando Bolaños ainda era casado com Graciela. Florinda rebateu as alegações anos mais tarde: “Eu não sou uma rouba maridos. Ele teve problemas com seu casamento e era bem conhecido por suas infidelidades”.

Depois de 27 anos de uma união estável com Florinda Meza, Bolaños casou-se com ela em uma cerimônia civil no cartório, no dia 19 de novembro de 2004, e comemorou com uma grande festa num restaurante da Cidade do México.

Apesar de ter se separado de Graciela em 1977, Bolaños continuou legalmente casado com ela até 2004, quando decidiu se casar com Florinda. Por isso, somente em 2004 Bolaños se divorciou de Graciela oficialmente, para poder se casar mais uma vez. Em sua autobiografia, Roberto admitiu que foi infiel com Graciela e contou que se sentia culpado por isso, motivo pelo qual deixou para ela todos os bens que tiveram juntos. Roberto e Graciela continuaram amigos, apesar de tudo que aconteceu. Bolaños também contou que seus filhos demoraram a aceitar a relação dele com Florinda Meza.

Ele teve 6 filhos do primeiro casamento, mas nenhum com Florinda, por ter feito uma vasectomia antes de conhecer Florinda.

Filantropia[editar | editar código-fonte]

Chespirito é fundador da Fundación Chespirito IAP, uma ONG criada em setembro de 2007, que leva saúde e educação à crianças carentes. A fundação é sustentada através de doações e leilões,[22] e ajudou mais de 200 mil crianças de 13 instituições do país.[23]

Acidentes[editar | editar código-fonte]

Em abril de 1973, Roberto, acidentalmente, deu um tiro na própria mão. Por causa disso, ele ficou oito semanas sem poder gravar os seriados Chaves e Chapolin. Nesse período, a Televisa reprisou episódios de 1972 do Programa Chespirito, para suprir a lacuna no horário da exibição. Roberto se recuperou, mas ficou com sequelas do tiro na mão até o final de sua vida.

Em abril de 1979, Roberto sofreu um segundo acidente. Durante as gravações do episódio “Vinte mil beijinhos para não morar com a sogra”, do Chapolin, uma parte do cenário, acidentalmente, atingiu o olho esquerdo de Roberto e o machucou. Ele também se recuperou mas teve que gravar os dois episódios seguintes usando um tapa-olho. Edgar Vivar disse em entrevistas que, por causa desse acidente, Roberto decidiu acabar com o programa do Chapolin meses depois porque percebeu que estava perdendo a agilidade para fazer cenas de ação. O Chapolin ainda continuou como uma esquete do Programa Chespirito por muitos anos, mas focando mais na comédia e com menos cenas de ação.

Bullying[editar | editar código-fonte]

Em 2012, Chespirito admitiu que, apesar do sucesso, havia bullying em seus programas. Segundo seu filho Roberto Gómez Fernández, na época em que os programas foram feitos a comédia costumava fazer piadas com as características físicas das pessoas, por exemplo. Mas isso mudou, Chespirito está consciente das consequências que isso pode causar e não criaria hoje em dia personagens vítimas de bullying[24]

Política[editar | editar código-fonte]

Em 2000, Roberto declarou apoio a Vicente Fox como candidato a Presidente do México. Na época, isso causou surpresa, porque até então Roberto era considerado antipolítico.

Em 2006, Roberto gravou anúncios em que apoiava o conservador Partido de Ação Nacional (PAN). Muitos criticaram o apoio ao partido. [25] [26]

Em 2007, Roberto participou de campanhas contra o aborto no México, quando havia um projeto no Congresso para descriminalizar o aborto no país. Em um vídeo exibido na televisão, Bolaños se posicionou contra o aborto e lembrou que sua mãe foi orientada a abortá-lo quando ela estava grávida, mas ela se recusou e graças à isso ele estava vivo. O vídeo teve repercussão no México[27]

Desentendimentos com o elenco de Chaves[editar | editar código-fonte]

Em sua carreira, Roberto Gómez Bolaños teve desentendimentos com dois atores do elenco de ChavesCarlos Villagrán, que interpretou o personagem Quico; e María Antonieta de las Nieves, que interpretou a Chiquinha.

Os desentendimentos com Villagrán começaram ainda durante as gravações do seriado na década de 1970. Carlos estava fazendo muito sucesso com o Quico na época e, no final de 1978, ele deixou de fazer parte do elenco. A saída causou certa polêmica porque foram dadas versões diferentes para ela. Villagrán disse para a imprensa que Chespirito e os outros atores do elenco sentiam inveja dele, porque o Quico fazia mais sucesso entre os fãs do seriado do que o próprio Chaves; e que por isso Chespirito e os outros teriam tentado diminuir o personagem e depois o tiraram do programa. Já Chespirito, assim como os outros atores, disse que Carlos saiu por vontade própria, porque queria seguir carreira solo com o Quico. Eles também disseram que Carlos era indisciplinado, se deixou levar pela popularidade do Quico e queria ser a estrela do programa, o que causou muitos problemas ao grupo – e fez com que quase todos ficassem brigados com Villagrán. Depois da saída, Carlos pretendia continuar se apresentando como Quico no México e fazer um programa na Televisa, mas se recusou a colocar o nome de Bolaños como criador do Quico nos créditos. Carlos alegou para isso que ele seria o criador do Quico e não Bolaños. Chespirito não aceitou e, tendo os direitos autorais sobre os personagem Quico, não autorizou Villagrán a fazer o programa. Roberto falou em entrevistas que, depois disso, Villagrán o processou pelos direitos autorais do Quico, mas perdeu a disputa na Justiça rapidamente porque Roberto tinha um documento assinado pelo próprio Carlos em que este reconhecia Roberto como o criador do personagem. Carlos disse que tinha sido forçado a assinar o documento e continuou querendo se apresentar como Quico sem reconhecer o direito autoral de Bolaños, o que levou o presidente da TelevisaEmilio Azcárraga Milmo, a ordenar que nenhuma emissora do México contratasse Villagrán. Para poder continuar se apresentando, Villagrán registrou o Quico em seu nome com outra grafia, “Kiko”, como se fosse outro personagem; e foi para a Venezuela realizar seu programa solo.[28] Quando Azcárraga soube que Carlos tinha ido fazer o Quico na Venezuela, sugeriu a Roberto que processasse Villagrán para impedi-lo de usar o Quico definitivamente, mas Roberto preferiu não fazer isso e deixou Villagrán seguir com o personagem. Posteriormente, Villagrán contestou publicamente o direito autoral de Bolaños sobre o personagem Quico e alegou que era mais dono do personagem por tê-lo interpretado.[29] Carlos ainda fez várias declarações criticando Bolaños e o chamando de invejoso e egoísta. Em 2008, Villagrán disse que Chespirito e outros atores do elenco teriam estado envolvidos com narcotraficantes colombianos, o que causou polêmica e foi negado pelo próprio Roberto.[30] Boatos diziam que Chespirito e Carlos Villagrán teriam brigado também por causa da atriz Florinda Meza, que antes de se envolver com Chespirito, chegou a namorar Villagrán. Tais boatos nunca foram confirmados, mas Villagrán chegou a acusar a atriz de influenciar Chespirito para que ele reduzisse o espaço do Quico na série.[31] Por causa desses desentendimentos, Chespirito e Carlos Villagrán ficaram anos sem se falar e só voltaram a se reencontrar na homenagem da Televisa aos 30 anos da série, em 2000. Eles chegaram a fazer as pazes nesse reencontro mas, apenas uma semana depois, Villagrán deu outra declaração falando mal de Roberto em uma entrevista na Argentina, o que deixou Bolaños magoado. Depois disso, os dois nunca mais se falaram.

Após o fim do Programa Chespirito em 1995María Antonieta de las Nieves quis continuar se apresentando como Chiquinha em outros projetos. Para poder fazer isso, ela pensou, inicialmente, em registrar a Chiquinha no nome dela com outra grafia, “La Chilis”, assim como fizera Carlos Villagrán para poder usar o Quico. Mas, ao chegar no Instituto Nacional de Direitos do Autor para fazer o registro, Maria descobriu que Roberto não havia renovado o registro dele da Chiquinha. Ela então fez um novo registro, colocando a Chiquinha, com o mesmo nome do seriado, no nome dela e assim passando a ser dona dos direitos autorais da personagem. Maria fez o registro sem falar com Chespirito antes ou lhe pedir autorização para usar a Chiquinha. Cinco anos depois, em 2000Roberto Gómez Fernández assumiu os negócios do pai e, ao querer botar em ordem os registros de todos os personagens dele, descobriu que Maria havia registrado a Chiquinha no nome dela. Fernández procurou Maria Antonieta e lhe pediu que devolvesse a Chiquinha para Bolaños, mas ela recusou. Foram feitas negociações, mas Maria insistiu em não devolver a personagem para Bolaños. Por isso, em 2002, Chespirito iniciou um processo judicial pelos direitos autorais da personagem Chiquinha. Maria teve um pré-infarto quando soube do processo, mas logo se recuperou. Chespirito e seus advogados acusaram Maria de agir com má fé, por ter registrado a personagem criada por Bolaños no nome dela e sem autorização. Maria, por sua vez, alegou que ela teria criado a Chiquinha e não Bolaños; e que portanto podia sim registrar a Chiquinha no nome dela. Segundo Maria, Chespirito criou apenas o nome da personagem, mas toda a caracterização da Chiquinha teria sido criada por ela e antes mesmo do programa ser feito. Já Bolaños disse que a própria Maria assinou um documento, na década de 1970, em que reconhecia que a autoria da Chiquinha era dele. Ele também admitiu que não renovou o registro da Chiquinha, mas alegou que o Instituto de Direitos do Autor não lhe avisou de que era preciso renovar. Antes amigos, Chespirito e Maria Antonieta se distanciaram e passaram a trocar acusações pela imprensa. Em 2003, a Justiça, em primeira instância, deu vitória para Maria Antonieta pois considerou que, como o registro de Roberto estava vencido, Maria podia sim registrar a Chiquinha no nome dela e seguir fazendo uso da personagem, já que ela renovou o registro em 2000. Chespirito recorreu da decisão e o processo continuou. Em 2005, Maria Antonieta declarou que tanto ela como Chespirito iriam poder usar o nome da personagem Chiquinha e que a briga tinha chegado ao fim.[32] O que aconteceu foi que a decisão de primeira instância se manteve, e com isso Maria ficou com os direitos sobre a Chiquinha por tê-la registrado, mas disse que sempre iria autorizar Bolaños a usar a Chiquinha, sem mesmo cobrar por isso, desde que ele pedisse antes – para evitar qualquer problema com as empresas. Mas Chespirito não concordou em perder os direitos autorais sobre a Chiquinha e ter que pedir autorização para usar uma personagem que ele criou. Por este motivo, em 2006, a Chiquinha ficou ausente da série animada do Chaves. Maria não gostou da ausência da Chiquinha no desenho e acusou Roberto Gómez Fernández, filho de Bolaños e produtor do desenho, de boicotá-la. Assim, a ausência da Chiquinha na série animada reascendeu a briga entre Chespirito e Maria Antonieta. Em 2010, a imprensa mexicana divulgou que Chespirito teria iniciado um novo processo pelos direitos autorais da Chiquinha, mas Roberto Gómez Fernández negou a informação.[33] Porém, em 2013, Maria declarou que tinha vencido o processo contra Bolaños. Roberto Gómez Fernández negou, dizendo que ainda não havia uma decisão judicial definitiva e avisou que iria continuar com o processo. [34] Assim, o processo seguiu. Em entrevistas, Bolaños falou que, na verdade, ele não processou Maria Antonieta e sim o Instituto Nacional de Direitos do Autor, onde Maria registrou a Chiquinha no nome dela, por ter permitido que isso acontecesse e por não reconhecer o direito autoral dele sobre a personagem. Florinda Meza e parentes de Bolaños relataram que o processo causou muita decepção a Chespirito e que ele se decepcionou mais com esse conflito do que o com Carlos Villagrán. Após a morte de Roberto em 2014, a disputa chegou definitivamente ao fim e, como já havia sido decidido anteriormente, Maria ficou com os direitos da personagem. Assim como Villagrán, Maria alegou que, por ter interpretado a personagem, ela seria a dona da Chiquinha.

Carlos Villagrán e María Antonieta de las Nieves não foram convidados para a homenagem da Televisa à Chespirito, em 2012.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Em toda a sua vida, Roberto Gómez Bolaños veio ao Brasil uma única vez, em 1981, enquanto fazia uma viagem à caminho do Paraguai (onde estava fazendo uma turnê com o elenco de “Chaves”). Na ocasião, esteve em Foz do Iguaçu por dois dias.

Em uma viagem à Buenos Aires, Bolaños se encontrou na rua com um grupo de brasileiros, que lhe pediram autógrafos. Neste dia, percebeu pela primeira vez que era querido no Brasil.

Chespirito realizou turnês com o elenco de “Chaves” nas décadas de 1970 e 1980, se apresentando em vários países, mas nunca trouxe as turnês para o Brasil. O motivo foi o idioma, pois Bolaños acreditava que causaria estranheza nos brasileiros ver os personagens falando espanhol. Depois que ele e os outros atores do elenco aprenderam o português, Chespirito quase realizou uma turnê no Brasil em 1992, com os atores que ainda estavam no programa. Mas o momento político do país, que passava por várias manifestações contra o então presidente Fernando Collor, fez com que a turnê fosse cancelada.

Em 2006, Roberto disse que iria vir ao Brasil para o lançamento de seu livro O Diário do Chaves, mas ele não veio, por motivo desconhecido. [35]

Em 2011, o SBT tentou trazer Bolaños ao Brasil para a comemoração dos 30 anos da emissora mas, por causa dos problemas de saúde do ator, os médicos não autorizaram a viagem. [36]

Em conversas com os fãs pela internet, Bolaños declarou que gosta muito do Brasil e que, quando sua saúde melhorasse, pretendia visitar o país e agradeceu o carinho dos fãs brasileiros. [37]

Bolaños tinha grande admiração pelo brasileiro Pelé e já disse várias vezes que o jogador é seu ídolo. Uma vez, o próprio Pelé lhe pediu que fizesse um filme de “Chaves”. Mas Bolaños recusou, porque acreditava que “Chaves” só daria certo na televisão.

Em 1988, o apresentador Gugu Liberato foi ao México e entrevistou Bolaños e outros atores de “Chaves”. A entrevista, que foi exibida no programa Viva a Noite em janeiro de 1989, foi a primeira de Chespirito a um jornalista brasileiro. Ele voltou a dar outras entrevistas para programas brasileiros ao longo dos anos. A última foi dada ao Ratinho em 2011 e exibida no Programa do Ratinho. Nela, Roberto Gómez Bolaños mandou uma mensagem para os seus fãs nos Brasil: “Agradeço de todo o coração o que falam de mim no Brasil. Creio que nem mereço, digo isso sinceramente. Então agradeço muito mais. Amo vocês, seja como vocês são, como eu conheço vocês: muito alegres, muito brincalhões, bons, sejam muito, muito brasileiros. Brasil, amo vocês, eu te amo.”

A última mensagem de Chespirito em seu perfil no Twitter foi para uma fã brasileira, em que ele disse: “Todo meu amor para o Brasil”. [38]

Problemas de Saúde[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 2006, Chespirito foi internado no México após sofrer uma pneumonia, mas se recuperou e deixou o hospital cinco dias depois. [39]

No dia 12 de novembro de 2009, foi internado na Cidade do México para fazer uma cirurgia na próstata. Bolaños iria participar de um leilão na capital mexicana, mas não pôde comparecer ao evento devido à cirurgia. Ele deixou o hospital dois dias depois do ocorrido, e seu filho Roberto Gómez Fernández disse que o comediante estava bem, mas não deu muitos detalhes sobre a cirurgia, dizendo apenas que foi uma operação simples.[40] [41]

Em fevereiro de 2010, Bolaños foi submetido à mais uma cirurgia na próstata. Após essa segunda cirurgia, o ator começou a apresentar dificuldades para andar. Sua filha, Marcela Gómez, confirmou que as cirurgias debilitaram o ator e que ele estava fazendo fisioterapia para tentar se recuperar. [42] Em julho do mesmo ano, Roberto Gómez Fernández disse que seu pai, devido às complicações para andar, estava sofrendo depressão. [43] Chespirito passou a andar de cadeira de rodas.

Ele foi convidado a participar da abertura dos Jogos Pan-Americanos de 2011, em Guadalajara; mas recusou o convite por motivo de saúde.[44]

Bolaños sempre teve um problema de audição no ouvido esquerdo e que foi se agravando com a idade.

Por ter fumado durante muitos anos, Roberto acabou tendo um enfisema pulmonar e sofreu de insuficiência respiratória. Com o tempo, isso fez com que ele tivesse muitos problemas respiratórios na Cidade do México, devido à altitude e a poluição da cidade. Bolaños teve que se mudar para Cancún para poder respirar melhor, já que a cidade fica ao nível do mar. Antes disso, ele já tinha uma casa em Cancún onde costumava ficar durante parte do ano, mas com o agravamento das dificuldades para respirar, se mudou definitivamente para lá. Mesmo assim, devido aos problemas respiratórios, chegou a ser internado várias vezes. Uma delas foi em 2012, quando viajou novamente para a Cidade do México para estar presente no América Celebra a Chespirito, homenagem que recebeu da Televisa. Essa foi a última vez que Roberto apareceu em um evento público. Devido aos problemas de saúde, o comediante não saiu mais de sua casa em Cancún e parou de dar entrevistas para a televisão, mantendo contato com os fãs apenas pelo twitter. Roberto também queria evitar aparecer em público para que seus fãs não ficassem preocupados ao vê-lo debilitado. Muitos fãs tentaram visita-lo em sua casa, mas poucos conseguiram, pois devido ao estado de saúde do ator, sua esposa Florinda Meza não permitiu muitas visitas.

Muitos boatos sobre a saúde de Chespirito circularam na mídia e na internet. [45] [46] Entre eles, surgiram várias notícias falsas de que o ator teria morrido, que logo foram desmentidas por sua família, sua assessoria ou pelo próprio Bolaños. [47] [48] [49]

No dia 19 de novembro de 2014 (9 dias antes da morte do ator), Roberto Gómez Fernández deu uma declaração à imprensa em que falou sobre a saúde de seu pai. Fernández disse que Bolaños estava bem, mas assegurou que, por causa da altitude, ele jamais iria retornar para a Cidade do México[50]

Morte[editar | editar código-fonte]

Roberto Gómez Bolaños faleceu aos 85 anos em Cancún, onde morava nos últimos anos de sua vida, às 14:30 (horário local) de 28 de novembro de 2014,[51] devido à uma parada cardíaca. A notícia foi divulgada pouco tempo depois por dois dos grandes veículos de comunicação do México: a CNN México,[52][53] que foi o primeiro deles; e pouco tempo depois pela Televisa,[54] emissora onde Bolaños trabalhou por muitos anos de sua carreira. Mesmo assim, a causa da morte não foi confirmada de imediato. Ele estava com sua esposa, Florinda Meza, no momento de sua morte.[55] O comediante sofria de problemas respiratórios crônicos e tinha mobilidade reduzida.[56] Desde o final de 2013, Bolaños respirava com ajuda de um cilindro de oxigênio.[57] No dia 29 de novembro, o corpo foi levado por um carro fúnebre de Cancún até a Cidade do México, num cortejo até a sede da Televisa. No dia seguinte, foi velado no Estádio Azteca, também na Cidade do México.[58] No dia 1 de dezembro, o corpo de Roberto Gómez Bolaños foi enterrado no Panteón Francés de la Piedad, na Cidade do México.[59][60]

Em 10 de setembro de 2015, sua viúva Florinda Meza revelou que Roberto Gómez Bolaños sofreu o Mal de Parkinson, já chegou a ser violento com ela e a doença também foi uma das causas da morte dele. Em 2015, quase um ano da morte de Bolaños, tinha teorias de que Florinda Meza proibiu visitas ao túmulo de Roberto, mas em 2016 ela revelou que não proibiu.[61]

Em março de 2016, na entrevista que deu para o apresentador Gugu, Florinda contou que Bolaños também sofreu com edemas por todo o corpo e que o ator teve uma profunda depressão que acabou agravando ainda mais seu estado de saúde. Além disso, a cirurgia que Bolaños fez na próstata em 2009 teria sido sem necessidade, apenas para prevenir a possibilidade de um câncer. Florinda contou também que, após a morte do humorista, ficou abraçada junto ao corpo dele por aproximadamente oito horas. [62]

Repercussão[editar | editar código-fonte]

O assunto se tornou um dos mais comentados do mundo, especialmente na América Latina. Várias personalidades de diversas nacionalidades falaram sobre a morte nas redes sociais, entre elas artistas do elenco das séries de Chespirito, e a sua filha Paulina Gómez:

México[editar | editar código-fonte]

No México, após o anúncio da morte de Bolaños pela própria Televisa em suas emissoras, a rede passou a exibir um especial em homenagem ao ator, intitulado Chespirito gracias por siempre, por volta das 15 horas (horário do México) pela FOROtv. A exibição foi feita em streaming através do site da emissora. Edgar Vivar, um dos atores que contracenavam com Chespirito declarou no especial que a maior recordação que terá de Bolaños será o seu bom humor, e ressaltou o bom escritor que Bolaños foi, no entanto, bastante emocionado teve dificuldade em terminar o depoimento.[63] Na cobertura da Televisa foi anunciada em primeira mão as informações do enterro de Bolaños, dadas por Juan Ríos. No sábado, 29 de novembro seria realizada uma homenagem de corpo presente, e que no dia seguinte seu corpo seria velado no Estádio Azteca.[64]

Ainda no dia 28 de novembro, o Presidente do MéxicoEnrique Peña Nieto, lamentou a morte de Bolaños, enviou condolências à família e disse que o país perdeu um ícone cujo trabalho transcendeu gerações e fronteiras.[65] No dia 29, os jogadores do clube América do México, o time de coração de Bolaños, o homenagearam durante a partida contra o Pumas, pelo Campeonato Mexicano. Os jogadores fizeram um minuto de silêncio antes da partida e jogaram com uma camisa com o nome “Chespirito” nas costas, enquanto na frente a camisa tinha fotos de Bolaños e a frase: “Sempre te recordaremos pelo seu grande coração azul e amarelo”. Durante a partida, a imagem de Roberto também foi exibida no telão do estádio e a torcida aplaudiu.[66] No mesmo dia, foi realizada a missa de corpo presente na sede da Televisa, que contou com a presença de Edgar VivarFlorinda Meza, filhos e amigos de Bolaños e funcionários da própria emissora.[67] Também esteve presente o ator Carlos Villagrán, com quem Roberto e Florinda tiveram desentendimentos, mas Villagrán lamentou a morte de Bolaños e abraçou Florinda Meza após a cerimônia.[68] No dia seguinte, o corpo de Bolaños foi velado no Estádio Azteca, a cerimônia foi aberta ao público e contou com a presença de 40 mil pessoas – muitas delas foram ao estádio fantasiadas dos personagens de Chespirito. Fotos de Bolaños foram colocadas no estádio e, junto ao caixão, foram postas duas estátuas, uma do Chaves e outra do Chapolin. Ao final da cerimônia, muitas crianças fantasiadas de Chapolin acompanharam o corpo de Bolaños na saída do estádio.[69]

Equador[editar | editar código-fonte]

No Equador, a atriz Maria Antonieta de las Nieves estava fazendo um show como Chiquinha em um circo na cidade de Ambato, quando foi informada do falecimento de Chespirito. Ela interrompeu o show para homenagear Bolaños e disse que o céu estava em festa com a chegada dele, recebendo muitos aplausos do público. Em seguida, Nieves declarou que os atritos que teve com Bolaños não eram pessoais. A filha da atriz, Verónica Fernández, disse que Maria estava muito consternada com a notícia.[70]

Argentina[editar | editar código-fonte]

Na Argentina, a morte de Chespirito foi destaque nos principais jornais do país, como o La Nacion.[71] O ex-jogador e ídolo argentino Diego Maradona, fã de Chaves, disse que Chespirito não se vai, continua em seu coração e assim vai permanecer até os últimos dias de sua vida. Ele também relembrou de quando conheceu pessoalmente Chespirito no programa La Noche del 10 (“A Noite do Dez”), em 2005.[72]

Chile[editar | editar código-fonte]

No Chile, durante a exibição do Teleton local, que coincidentemente estava marcado para o dia 28 de novembro, foi exibido um minuto de silêncio à memória de Bolaños, solicitado por Don Francisco. Também foi tocada a música “Que bonita sua roupa”.[73]

Brasil[editar | editar código-fonte]

O falecimento de Chespirito foi o assunto mais comentado no Brasil na noite de 28 de novembro de 2014,[74] fato que foi noticiado em um telejornal da própria Televisa. Segundo o Francho Barón, correspondente na emissora no Brasil, a morte de Bolaños teve um impacto enorme no país, e os principais jornais do Brasil deram destaque à manchete no dia seguinte, 29 de novembro.[75]

Brasil foi um dos países onde a repercussão foi mais expressiva, e se deu após a confirmação da notícia pelos maiores portais brasileiros de notícia da Internet,[76][77][78] e pela principal comunidade sobre as séries do humorista, o Fórum Chaves, que tiveram como fonte da manchete a CNN e a Televisa. A notícia causou muita comoção e as mais diversas reações e manifestações na rede social twitter, onde hashtags sobre a morte de Chespirito estavam nos Trending Topics mundiais. A primeira emissora de televisão a anunciar a morte de Bolaños foi o SBT, emissora que exibiu várias produções de Chespirito no país, sendo atualmente transmitida apenas a série El Chavo del Ocho. O SBT exibiu um plantão por volta das 19 horas (horário brasileiro de verão), apresentado por Rachel Sheherazade, coincidentemente interrompendo a exibição do seriado.[79]

Em seguida, por volta das 19:30, foi exibido o telejornal SBT Brasil, que dedicou várias matérias ao humorista, entre elas, depoimentos de fãs e personalidades brasileiras,[80][81]gravados com antecedência, para serem exibido no dia da morte do comediante. Várias emissoras de televisão do país também divulgaram notícias do falecimento de Bolaños, incluindo o Jornal Nacional da Rede Globo (que muito raramente cita artistas de outras emissoras), que o definiu como “fenômeno da cultura popular”.[82] O SBT também postou em seu site oficial uma nota sobre a morte do humorista,[83] que foi compartilhada nos perfis oficiais da emissora no Facebook e no Twitter, que inclusive foram uma das postagens mais compartilhados no Brasil no dia, sendo compartilhado inclusive pelo perfil da Rede Globo,[84] maior emissora do país, que ainda completou “Fica aqui o nosso carinho. Vai deixar saudades”. A atitude gerou comentários pelo fato da Globo ser uma das principais concorrentes tanto do SBT quanto da Televisa. Às 21:25 do mesmo dia, o SBT exibiu entre Chiquititas e a reprise da versão mexicana de Rebelde um especial, intitulado Obrigado Chaves, em homenagem a Chespirito, contando sua trajetória. Pouco depois, o SBT também reprisou no Programa do Ratinho a entrevista de Bolaños em 2011 dada ao apresentador do programa. Ainda neste dia, e também durante o dia seguinte, muitos famosos no Brasil se manifestaram lamentando a morte de Bolaños.[85]

No dia 29 de novembro, por volta das 6:00 da manhã, o SBT exibiu uma maratona especial também com o título Obrigado Chaves, no mesmo horário de exibição em que Chaves é exibido toda semana. A emissora também exibiu a partir das 07:00 dentro do programa infantil Sábado Animado, e estendido por 3 horas e meia, terminando as 10:30 da manhã. Esse especial tinha sido divulgado pela emissora no dia anterior. A emissora exibiu também, durante a maratona, outros episódios de programas e esquetes de Chespirito, além do próprio Chaves. O especial foi transmitido também via streaming no canal do YouTube da emissora.[86] Ainda como parte das homenagens, o SBT montou no pavilhão México do Memorial da América Latina uma exposição dos seriados Chavo e El Chapulín Colorado, que foi aberta ao público apenas no dia 30 de novembro. Na exposição, foi montada uma réplica da vila, que foi o principal cenário do seriado.[87] No mesmo dia, a emissora transmitiu ao vivo do México o velório do ator mexicano no Estádio Azteca.[88] A maior parte da transmissão aconteceu durante o Programa Eliana, à partir das 14h. No entanto, a transmissão já tinha começado às 11h, dentro do Domingo Legal e ancorada por Carlos Nascimento. Excepcionalmente nesse dia, o Programa Eliana foi realizado ao vivo.[89] A transmissão do velório de Bolaños no SBT bateu recorde de audiência e garantiu à emissora o primeiro lugar no Ibope durante grande parte do tempo.[90]

Depois da Morte[editar | editar código-fonte]

Após sua morte, Roberto recebeu algumas homenagens póstumas. Em 2016, um busto dele foi inaugurando em Cancún, cidade onde o comediante viveu seus últimos anos. Sua viúva Florinda Meza participou da inauguração.[91] No mesmo ano, uma praça em São Paulo recebeu o nome de “Praça Roberto Bolaños”, em homenagem ao ator.[92] Também foi anunciado que, em breve, Bolaños terá um museu na Cidade do México que reunirá objetos pessoais do humorista.[93]

Em 2015, durante a cerimônia do Oscar, foi feita uma homenagem aos artistas falecidos em 2014. Mas Roberto não foi citado na homenagem, assim como o comediante Joan Rivers, o que gerou revolta em internautas.[94]

Roberto deixou os direitos autorais de toda a sua obra e seus personagens para o seu filho Roberto Gómez Fernández. A única exceção foram os direitos da personagem Chimoltrúfia, da esquete Los Caquitos, que Bolaños deixou para Florinda Meza, sua esposa. Desde a morte de Roberto, Florinda vive sozinha, com muitas saudades dele.

Filmes Biográficos[editar | editar código-fonte]

Alguns filmes contando a história de Roberto Gómez Bolaños foram feitos:

  • Chespirito: El Niño que Somos: documentário mostrando a trajetória de Roberto, do nascimento até o sucesso com seus seriados mais famosos, Chaves e Chapolin. Durante o filme, o próprio Bolaños fala de sua carreira. Este documentário foi lançado diretamente em DVD no México, mas não foi lançado no Brasil.
  • La Historia detrás del mito – Chespirito: documentário sobre Bolaños, produzido pela TV Azteca. Também não foi exibido no Brasil.
  • Biografia de Chespirito: documentário do Bio Channel, exibido em 2012. Também mostra a história de Roberto e conta com depoimentos de Rubén AguirreFlorinda MezaRoberto Gómez Fernández, além do próprio Roberto e suas filhas. Foi o único documentário sobre Roberto que foi dublado em português e exibido no Brasil.

Em 2018, Roberto Gómez Fernández anunciou que fará em breve uma série biográfica contando a história de seu pai, Chespirito.[95]

Principais trabalhos[editar | editar código-fonte]

Os programas de Chespirito foram gravados no México pela rede Televisa entre os anos de 1968 e 1995, e exibidos em mais de 120 países. Seus programas chegaram a ser vistos por 360 milhões de pessoas por semana.

Como ator[editar | editar código-fonte]

Como escritor[editar | editar código-fonte]

Como produtor[editar | editar código-fonte]

Livros[editar | editar código-fonte]

  • El Diario de El Chavo del Ocho (O Diário do Chaves)
  • …Y También Poemas (…E Também Poemas)
  • Sin Querer Queriendo: Memorias (Sem Querer Querendo: Memórias)

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns de estúdio[editar | editar código-fonte]

Título Detalhes do álbum
Chespirito y sus canciones: no contaban con mi astucia
El chavo canta: eso, eso, eso…

Coletâneas e Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Título Detalhes do álbum
Así cantamos y vacilamos en la vecindad del Chavo
1er. festival de la canción infantil de radio variedades: canta Chespirito y su compañía
Síganme los buenos a la vecindad del Chavo
Chaves

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Ano Prêmio Indicação Trabalho Resultado Ref.
1973 México Prêmio Heraldo Melhor Programa Humorístico El Chavo Del Ocho Venceu [96]
1992 México Prêmio de Literatura da Sociedade Geral de Escritores do México Roteiro de peça “La Reina Madre” Venceu [97]
1997 México Mexican Cinema Journalists Awards (Special Silver Goddess) Por carreira e brilhante trajetória Personagem Chaves Venceu [98]
2003 México Lunas de Auditorio Trayectoria Artística Trajetória Artística Venceu [99]
2004 México Premio Qualitas de la Asociación a Favor de lo Mejor Melhor Programa de Entretenimento em Televisão El Chavo del Ocho Venceu [100][101]
2007 México Premio Principios Melhor Conteúdo de Televisão El Chavo Animado Venceu [102]
2010 Estados Unidos Premio Latino Conjunto da Obra Personagem Chaves Venceu [103]
2011 Estados Unidos Prêmio Herança Hispânica Lenda (Conjunto da Obra) Carreira Venceu [104]
2013 Espanha Premio Ondas Iberoamericano Trajetória destacada na televisão mundial Obra e vida Venceu [105]

Referências

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  2.  http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2014/11/muito-alem-de-chaves-bolanos-foi-diretor-produtor-compositor-e-escritor.html
  3.  Bolívia faz homenagem a ator de “Chaves” por seus 40 anos de carreira
  4.  Ator de Chaves faz 40 anos de carreira e ganha homenagem
  5.  Dois mil bolivianos dançam em homenagem a ator de ‘Chaves’
  6.  http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2014/11/muito-alem-de-chaves-bolanos-foi-diretor-produtor-compositor-e-escritor.html
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  9.  Linha do tempo de Chespirito
  10.  Bolãnos, ator de Chaves, está com depressão
  11.  ‘Chaves’ chega a 1 milhão de seguidores no Twitter em 2 meses
  12.  Aos 82 anos, Roberto Bolaños, o Chaves, reaparece e leva fãs ao delírio na Twitcam. Veja os principais momentos
  13.  Chespirito faz comentários pela Twitcam.
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  16.  Ator de Chaves faz 40 anos de carreira e ganha homenagem
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  18.  Em homenagem, ator de ‘Chaves’ vai embora de ambulância
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  25.  /11/2017 Hoje completa 3 anos sem o eterno Roberto Gómez Bolaños criador do “Chaves”
  26.  Bolaños: da infância ao estilo Chaves aos milhões de seguidores no twitter
  27.  Mensagem de “Chaves” contra aborto causa críticas
  28.  Querido no mundo, Bolaños colecionou polêmicas durante a carreira
  29.  “Bolaños se achava gênio porque sabia fazer roteiros”, diz Carlos Villagrán
  30.  «Chespirito: Recuerda cuando Kiko lo acusó de actuar para ‘narcos’»Perú.com. 30 de novembro de 2014. Consultado em 15 de junho de 2018
  31.  Quico vai a velório de Chaves e abraça Dona Florinda após 35 anos
  32.  Termina pleito entre la Chilindrina y Chespirito
  33.  Filho de “Chaves” desmente briga judicial com “Chiquinha”
  34.  ‘Chaves’: atriz diz ter ganho direitos sobre ‘Chiquinha’
  35.  Intérprete de Chaves pode vir ao Brasil
  36.  Problemas de saúde impedem viagem de Roberto Bolaños, o Chaves, ao Brasil para os 30 anos do SBT
  37.  Em twitcam, criador de ‘Chaves’ diz que quer visitar o Brasil
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  40.  Ator de ‘Chaves’ passa por cirurgia urgente de próstata
  41.  Chespirito, operado de la próstata
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  43.  Ator de ‘Chaves’ está com depressão, diz filho
  44.  Doente, Roberto Bolaños recusa convite para abertura do Pan 2011
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  48.  Chaves não morreu e está em Cancún, diz assessora
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  50.  Chespirito ya no regresa al DF
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  52.  Fallece Roberto Gómez Bolaños ‘Chespirito’ a los 85 años
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  58.  Velório de criador de Chaves e Chapolin será no estádio Azteca – G1
  59.  Corpo de Roberto Gómez Bolaños é enterrado na Cidade do México – G1
  60.  Roberto Gómez Bolaños (em inglês) no Find a Grave
  61.  Florinda Meza confirmó que el creador de “Chespirito” falleció de Parkinson y llegó a ser violento con ella
  62.  ‘Dona Florinda’ diz que ficou abraçada ao corpo de ‘Chaves’ durante oito horas
  63.  Emocionado, Edgar Vivar não consegue concluir depoimento sobre Chespirito
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  72.  Maradona sobre Chespirito: “Cuando quería tener un poco de felicidad, ponía el Chavo”
  73.  Chespirito fue homenajeado durante la apertura de la Teletón
  74.  Veja repercussão da morte de Roberto Bolaños, criador de Chaves – G1
  75.  Brasil lamenta la muerte de Chespirito – Televisa Noticero
  76.  Roberto Bolaños, criador de Chaves e Chapolin, morre aos 85 anos no México
  77.  Roberto Bolaños, o Chaves, morre aos 85 anos
  78.  Roberto Gómez Bolaños, o Chaves, morre aos 85 anos no México
  79.  SBT interrompe exibição de ‘Chaves’ para noticiar morte de ‘Chaves’ – F5/Uol
  80.  Artistas e personalidades – SBT Vídeos
  81.  Artistas e personalidas – SBT Vídeos
  82.  Globo noticia morte de Bolaños e classifica como “fenômeno da cultura”
  83.  Morre aos 85 anos Roberto Bolaños, o Chaves
  84.  Facebook da Globo compartilha postagem do SBT e indica especial sobre ‘Chaves’
  85.  Famosos lamentam a morte de Roberto Bolaños, o Chaves
  86.  Acompanhe a transmissão do especial Roberto Bolaños (29/11/2014)
  87.  Vila do Chaves é recriada pelo SBT e aberta ao público
  88.  http://vejasp.abril.com.br/materia/chaves-velorio-transmissao-ao-vivo
  89.  SBT transmitirá velório do criador do Chaves em estádio do México
  90.  SBT bate recorde de audiência com cobertura de velório de Chaves
  91.  Roberto Gómez Bolaños, o eterno Chaves, recebeu um busto em sua homenagem em Cancún
  92.  Praça em SP recebe nome de Roberto Bolaños, criador de ‘Chaves’
  93.  Roberto Gómez Bolaños ganhará museu com objetos pessoais no México
  94.  Internautas reclamam que Oscar esqueceu Chaves nas homenagens póstumas
  95.  Roberto Gómez Fernández confirma bioserie de ‘Chespirito’
  96.  chavodel8.com/ Prêmio El Heraldo de 1973
  97.  Roberto Gómez Bolaños o criador do Chaves (Cronologia)
  98.  imdb.com/
  99.  [1]
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  101.  cronica.com.mx/ El Chavo del 8, premio por ser de lo más respetuoso
  102.  chavodel8.com/ Premio a Chespirito por mejor contenido de televisión
  103.  chavodel8.com/ Premios Latinos 2010, dedicados a Chespirito
  104.  [2] Chespirito Honored at 25th Annual Hispanic Heritage Awards
  105.  [3]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
Wikiquote possui citações de ou sobre: Roberto Gómez Bolaños
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