Monja Coen é um alento em tempos difíceis


São quase 72 anos de vida, sete livros publicados e uma legião de milhões de fãs em seu canal Mova no YouTube. A trajetória da Monja Coen é um alento em tempos difíceis. Budista há mais de três décadas, a líder espiritual e fundadora da Comunidade Zen Budista, usa seus ensinamentos para a construir uma sociedadeplural e afetuosa.

Sem caretice ou pregação, Monja Coen – que já foi jornalista e bancária, usa a vivência para inspirar e mandar o preconceito e outros entraves da evolução para fora daqui. Para elevar espíritos, o Hypeness selecionou alguns momentos em que esta moradora da cidade de São Paulo brilhou soberana e certamente abriu a cabeça de alguém.

Monja Coen surgem como uma esperança para tempos difíceis

1. Mude, mas comece

Como já dizia Clarice Lispector, mude, mas comece. As incertezas que compõem a existência humana podem até assustar. Entretanto, para Monja Coen, a imprevisibilidade dos fatos são o grande combustível da vida.

São mais de 1 milhão de visualizações no vídeo em que a líder espiritual dá pistas acerca da importância dos caminhos tortos“Como a vida está no fio. Se o planeta Terra levantar o ombrinho, tudo se desfaz. Esse é um ensinamento básico de Buda, que nada é fixo”.

A filosofia defendida por Monja Coen está refletida ao longo de sua trajetória pessoal. Antes de se tornar adepta do budismo, Cláudia Dias Baptista de Souza, como era chamada, morou no Japão, casou-se aos 14 anos de idade, teve uma filha e foi abandonada pelo marido.

“A vida é maravilhosa. Tão rápida e tão breve. Porque eu não aprecio?”

2. Parem de falar mal do Neymarzinho

O que mais atrai a atenção do público no trabalho de Monja Coen é certamente sua capacidade de tornar assuntos sérios mais leves. Foi exatamente o que aconteceu durante palestra realizada na Bienal do Livro de São Paulo.

Depois de comandar a meditação de uma legião de fãs (imagine só meditar na confusão da Bienal de SP?), Monja Coen resolveu falar de futebol. Citando a lesão sofrida pelo craque do Paris Saint-Germain, ela pediu compreensão das pessoas.

Se a Monja pedir, você para de falar mal do Neymar?

“Neymar é um ser humano. Tem carência, dores e problemas como a gente. Eu já quebrei o quinto metatarso. Dói horrores colocar o pé no chão. Parem de falar mal do Neymarzinho”, encerrou. Como não atender um pedido dessa coisa fofa?

3. O importante é o que interessa

Existe um aspecto da vida moderna que incide de forma predatória na rotina das pessoas. Em um mundo muitas vezes sustentado pela aparência, é fácil se distrair e crer na velha máxima de que ‘é preciso ter para ser’.

Respondendo a pergunta de uma seguidora em sua página no YouTube, Monja Coen explica que há fases na vida em que “nos importamos mais com o que as outras pessoas dizem”.

Para a líder budista, é imprescindível saber ultrapassar esse momento. Adotar o que os budistas chamam de autocompaixão. Ou seja, ser gentil com si próprio e afastar a severidade da autocrítica.

“Naquele momento, eu achava que aquelas pessoas eram tão importantes e algumas delas eu não lembro nem a face. Nem o nome. Não é maravilhoso?”

4. Monja rock’n’roll

Monja Coen está longe de ser careta. Aqui pra nós, não é preciso seguir o caminho da seriedade absoluta para interpretar os ensinamentos e mistérios da existência humana. Pelo contrário.

Prima de dois ex-membros dos Mutantes, Sérgio Dias e Arnaldo Baptista, Monja Coen costumava ir de moto para a casa de Rita Lee, em São Paulo. Por isso, saber que a Monja Popacordava, colocava Pink Floyd na vitrola e começava a meditar é um grande incentivo para quem deseja dar os primeiros passos neste universo.

Pink Floyd cai bem na meditação!

“Pink Floyd, Yes, pessoas que haviam sido músicos clássicos e entraram para o rock. É uma maneira muito diferente na composição das músicas, como das letras, que eram questionadoras: ‘Eu verei você no lado escuro da lua’ (I’ll see you on the dark side of the moon). Eles começam a questionar valores e percepção da realidade. Tudo isso veio ao encontro daquelas mudanças que estavam acontecendo comigo através das percepções que foram se desenvolvendo com o jornalismo, de uma realidade muito maior do que eram os valores da minha família, da minha casa, do meu bairro”, disse em entrevista ao Diário da Região.

5. Homosexualidade é possibilidade da natureza humana

A homosexualidade é uma condição natural do ser humano. Entretanto, ainda existem os que insistem em disseminar preconceito sobre a condição sexual do próximo. Quem sabe a palavra de sabedoria da Monja Coen faça com que mais pessoas encarem a sexualidade com naturalidade.

“A homosexualidade sempre existiu. Faz parte da nossa natureza. O afeto, a relação amorosa de uma amizade, que se torna sexual ou não. Não tem nada a ver com divino, não divino, céu, inferno, diabo. É uma possibilidade da natureza humana”, declarou em dos vídeos mais assistidos de sua página nas redes sociais.

Adepta do ‘deboísmo’, Coen dá o exemplo para que outros líderes religiosos não utilizem a religião como desculpa para a manifestações discriminatórias. O budismo sequer se concentra em questões sexuais.

Que tal recorrer aos ensinamentos proferidos por Buda? Durante um de seus primeiros discursos, ele ressaltou a necessidade de eliminar Três Venenos Mentais, a ignorância, o apego e a raiva. Vamos?

6. Sentir e se maravilhar 

Monja Coen diz que é preciso implementar a atitude zen na vida cotidiana. A autora do livro Viver Zen – Reflexões sobre o Instante e o Caminho, diz que “o mosteiro é onde estamos”.

A líder budista aconselha, “não desistam de vocês. Não percam o maravilhamento com a existência. Ela está em coisas simples, numa planta, numa árvore, numa criança, em você. Em seus pensamentos e capacidade de acessar a sabedoria perfeita”.

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Fotos: Reprodução


Kauê Vieira

Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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